Plantas Medicinais

Umê (Prunus mume): Benefícios, Propriedades e Usos

Conheça o umê (Prunus mume), ameixa japonesa milenar: para que serve, seus benefícios antioxidantes, cardiovasculares e digestivos, os usos na culinária e as contraindicações importantes para quem tem pressão alta.

Por Conselho Editorial13 Min de Leitura
Evidência Moderada8 Referências
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Umê - Prunus mume
Flores de umê (Prunus mume), árvore frutífera originária da Ásia conhecida por suas propriedades medicinais e frutos utilizados em sucos funcionais.

O umê (Prunus mume) é uma ameixa asiática cultivada há mais de quatro mil anos na China e amplamente valorizada no Japão, onde é a base do umeboshi, a ameixa fermentada em sal. Também chamado de abricó-japonês, o fruto reúne uso culinário versátil e uma longa tradição de emprego fitoterápico na Ásia, sendo estudado atualmente por seus compostos com potencial antioxidante, cardiovascular e digestivo.

Este guia reúne a história e as características botânicas do umezeiro, sua composição fitoquímica, os usos tradicionais e as evidências científicas disponíveis, além das aplicações culinárias e dos cuidados de segurança, especialmente com o umeboshi e seu teor de sódio.

Sumário do Artigo
  1. O Que É o Umê
  2. Características Botânicas do Umezeiro
  3. Composição Nutricional e Fitoquímica do Umê
  4. Benefícios do Umê para a Digestão
  5. Uso Tradicional para Náusea e Ressaca
  6. Propriedades Antioxidantes e Anti-Inflamatórias
  7. Umê e Saúde Cardiovascular
  8. Pesquisas Preliminares Sobre Potencial Antitumoral
  9. Uso do Umê na Culinária
  10. Como Preparar Chá de Umeboshi
  11. Variedades de Prunus mume
  12. O Umê na Medicina Tradicional Asiática
  13. Cultivo do Umezeiro
  14. Significado Cultural do Umê na Ásia
  15. Umeboshi: o Ponto Que Exige Atenção
  16. Contraindicações e Cuidados
  17. Perguntas Frequentes sobre o Umê

O Que É o Umê

O umê é o fruto do umezeiro (Prunus mume), árvore de folha caduca da família Rosaceae, também chamada de ameixeira-japonesa ou abricoteiro-japonês. Sua origem é rastreada ao sul da China, próximo ao rio Yangtzé, onde registros indicam cultivo há mais de 4.000 anos, inicialmente valorizado pela beleza ornamental e pelo aroma das flores.

Com o tempo, a árvore se espalhou pela Ásia, chegando à Coreia, ao Japão e ao Vietnã por rotas comerciais e culturais. No Japão, tornou-se símbolo de perseverança e renovação, já que floresce no fim do inverno, antes da maioria das outras árvores, e deu origem ao umeboshi, a ameixa tradicionalmente fermentada em sal que é a forma mais conhecida de consumo do fruto.

Características Botânicas do Umezeiro

O umezeiro é uma árvore de porte pequeno a médio, geralmente entre 4 e 10 metros de altura, com tronco robusto e copa ampla, conhecida pela resistência e longevidade. Suas folhas são ovais e serrilhadas, surgindo logo após a floração.

As flores, principal destaque ornamental da espécie, desabrocham no fim do inverno, antes da maioria das outras árvores frutíferas, em tons que vão do branco ao rosa escuro, com fragrância adocicada. Os frutos são drupas redondas que amadurecem no início do verão, com casca aveludada que varia do verde ao amarelo conforme o amadurecimento, polpa firme e suculenta envolvendo um único caroço.

Composição Nutricional e Fitoquímica do Umê

O umê é fonte de fibras alimentares solúveis e insolúveis, além de minerais e vitaminas que contribuem para a manutenção da saúde geral. Entre os ácidos orgânicos, destacam-se o ácido cítrico e o ácido málico, responsáveis pelo sabor característico e por parte das propriedades tradicionalmente atribuídas ao fruto.

A fruta também é rica em polifenóis, compostos antioxidantes que ajudam o organismo a lidar com os radicais livres, além de ácido oleanólico e ácido ursólico, substâncias estudadas por seu possível papel anti-inflamatório. Essa composição fitoquímica ajuda a explicar o uso tradicional prolongado do umê na medicina popular asiática.

Benefícios do Umê para a Digestão

O umê é tradicionalmente associado à estimulação da produção de sucos gástricos, o que pode auxiliar quem sente indigestão ou azia ocasional. O ácido málico presente na fruta auxilia a motilidade do intestino grosso, e as fibras solúveis e insolúveis sustentam o uso tradicional para constipação.

O extrato concentrado do fruto, conhecido como bainiku-ekisu, é tradicionalmente usado como tônico digestivo. Um estudo publicado no European Journal of Clinical Nutrition mostrou que o umê pode reduzir infecção e inflamação em pacientes com gastrite crônica associada ao Helicobacter pylori, bactéria ligada a úlceras gástricas.

Uso Tradicional para Náusea e Ressaca

O umê tem uso tradicional bem estabelecido para aliviar náusea, incluindo a associada à gravidez, e para amenizar sintomas de ressaca, embora a confirmação clínica direta dessas aplicações específicas ainda seja majoritariamente baseada em relatos de uso tradicional.

Propriedades Antioxidantes e Anti-Inflamatórias

Os polifenóis do umê atuam no combate aos radicais livres, moléculas instáveis associadas ao estresse oxidativo e ao envelhecimento celular precoce. Esse potencial antioxidante é considerado um dos principais atributos do fruto para a saúde geral.

Compostos como o ácido ursólico também são estudados por seu possível papel na redução de processos inflamatórios, o que sustenta o interesse científico pelo umê como parte de uma alimentação voltada à prevenção de condições associadas à inflamação crônica, como as doenças cardiovasculares.

Umê e Saúde Cardiovascular

Algumas pesquisas sugerem que o consumo de umê pode ter papel auxiliar na regulação da pressão arterial, possivelmente por estimular a produção de óxido nítrico, substância que favorece a dilatação dos vasos sanguíneos e o fluxo sanguíneo.

Outros estudos investigam se a fruta contribui para a redução do colesterol LDL, o chamado colesterol ruim, cujo controle é importante na prevenção da aterosclerose. O bainiku-ekisu, o suco concentrado do fruto, é tradicionalmente valorizado nesse contexto, embora essas evidências ainda estejam em estágio preliminar e não substituam o acompanhamento médico de quem tem hipertensão ou doença cardiovascular diagnosticada.

Pesquisas Preliminares Sobre Potencial Antitumoral

Estudos em laboratório, feitos em células e em modelos animais, têm investigado o comportamento de extratos de umê diante de células tumorais, incluindo tumores do trato gastrointestinal. Compostos como o ácido oleanólico e o ácido ursólico são apontados como possíveis responsáveis por esse efeito observado em laboratório.

Esses achados são preliminares e não comprovam eficácia em humanos; o umê não deve ser usado como substituto de nenhum tratamento oncológico. Pacientes em quimioterapia ou radioterapia devem consultar sempre a equipe médica responsável antes de incluir o umê ou qualquer suplemento na rotina, já que interações com medicamentos e protocolos de tratamento não podem ser descartadas.

Uso do Umê na Culinária

Além do umeboshi, o umê é usado para fazer licor (umeshu) e vinagre (umezu), além de condimentos para temperar arroz, legumes, marinadas, saladas e sushi. Os frutos frescos também são transformados em compotas, geleias e molhos, o que faz do umê um ingrediente versátil da culinária japonesa e chinesa.

Como Preparar Chá de Umeboshi

  1. Amasse de um a dois umeboshis dentro de uma xícara.
  2. Despeje uma xícara de água quente sobre a ameixa amassada e misture bem.
  3. Deixe amornar um pouco antes de beber, preferencialmente após as refeições.

Variedades de Prunus mume

Existem centenas de variedades de Prunus mume, classificadas pela cor das flores, pelo formato dos frutos e pelas características de crescimento. No Japão, elas costumam ser agrupadas em três categorias: “Yabai”, com variedades mais rústicas; “Hibai”, com flores em tons vermelhos e rosados; e “Bungo”, híbridos entre o Prunus mume e o damasqueiro (Prunus armeniaca), que produzem frutos maiores.

Entre as cultivares mais usadas para produzir umeboshi está a “Nanko”, originária da prefeitura de Wakayama, no Japão, com frutos grandes, polpa espessa e caroço pequeno.

O Umê na Medicina Tradicional Asiática

Na Medicina Tradicional Chinesa (MTC), o umê, conhecido como Wu Mei, é classificado como uma erva de sabor azedo e natureza neutra, associada aos meridianos do Baço, Fígado, Intestino Grosso e Pulmão. Sua ação é considerada adstringente, e por isso é tradicionalmente indicado, segundo essa medicina tradicional, em quadros de diarreia crônica e tosse persistente.

O Wu Mei também é tradicionalmente empregado, na MTC, em fórmulas voltadas à sede intensa e à secura, e em preparações relacionadas a parasitas intestinais, como as lombrigas. Esses usos refletem uma tradição milenar e não substituem diagnóstico e tratamento médico ou antiparasitário convencional quando necessários.

No Japão, a medicina Kampo, derivada da MTC, também valoriza o umê: o bainiku-ekisu, concentrado do fruto, é um remédio popular tradicionalmente associado ao combate à fadiga. Ele costuma ser descrito como um “alimento alcalino”, classificação de origem tradicional que não corresponde a um mecanismo cientificamente comprovado de alteração do pH sanguíneo, que é regulado pelo próprio organismo.

Cultivo do Umezeiro

O umezeiro prospera em climas temperados, com invernos frios o suficiente para induzir a dormência, mas sem geadas tardias que prejudiquem a floração precoce. O solo ideal é bem drenado, fértil e com pH levemente ácido a neutro.

A propagação comercial é feita principalmente por enxertia, que garante uniformidade e qualidade dos frutos, já que mudas de semente costumam não repetir as características da planta-mãe. A poda de formação organiza a estrutura da árvore nos primeiros anos, enquanto a poda de produção favorece a entrada de luz e a circulação de ar na copa, reduzindo a incidência de doenças e melhorando a qualidade dos frutos.

Significado Cultural do Umê na Ásia

A capacidade de florescer no rigor do fim do inverno fez do umezeiro um símbolo de resiliência e renovação em várias culturas asiáticas. Na China, ele integra, ao lado do bambu e do pinheiro, os “Três Amigos do Inverno”, motivo artístico que celebra a resistência diante da adversidade, enquanto no Japão os festivais de observação das flores de umê reúnem pessoas todos os anos.

No cotidiano japonês, o umeboshi costuma ser colocado no centro do arroz das caixas de bento, lembrando a bandeira nacional (Hinomaru), e é tradicionalmente associado a propriedades protetoras e purificadoras, inclusive em costumes de Ano Novo em algumas regiões.

Umeboshi: o Ponto Que Exige Atenção

O umeboshi tradicional, feito com frutos verdes conservados em sal por meses, tem teor de sódio elevado. Pessoas com hipertensão ou que precisam controlar o consumo de sal devem moderar o consumo dessa forma específica do fruto, mesmo podendo se beneficiar dos demais compostos do umê presentes em outras formas, como a polpa fresca, o suco ou o extrato.

Contraindicações e Cuidados

O umeboshi, pelo alto teor de sódio da conservação em sal, deve ser consumido com moderação por hipertensos, por pessoas com doença renal e por quem precisa restringir sódio na dieta. Fora dessa forma específica de consumo, a fruta é considerada segura, sem efeitos colaterais relevantes relatados na literatura consultada para o consumo moderado da polpa fresca, do suco ou do extrato.

Como outros membros do gênero Prunus, as sementes e as folhas do umezeiro contêm compostos cianogênicos, como a amigdalina, que em grandes quantidades podem liberar cianeto. A polpa da fruta, parte habitualmente consumida, contém apenas vestígios desses compostos e é considerada segura nas formas tradicionais de consumo; ainda assim, sementes e folhas não devem ser ingeridas.

Gestantes e lactantes podem, em quantidades alimentares moderadas, consumir o umê, inclusive como uso tradicional para náusea gestacional, mas devem consultar um obstetra antes de recorrer a extratos concentrados ou a um consumo mais intenso.

Perguntas Frequentes sobre o Umê

O Que É o Umê?

O umê é o fruto do umezeiro (Prunus mume), ameixa asiática usada há milênios na China e no Japão, tanto na culinária quanto na fitoterapia tradicional. Também é chamado de abricó-japonês ou ameixa-japonesa.

Umeboshi e Umê São a Mesma Coisa?

Não exatamente. O umê é a fruta fresca; o umeboshi é o produto derivado, feito da conserva do fruto verde em sal, tradicionalmente com folhas de shiso, por meses, resultando em um sabor mais salgado e ácido e em um teor de sódio bem mais elevado.

Quais São os Principais Benefícios do Umê para a Saúde?

O umê é tradicionalmente associado à digestão, com uso histórico para constipação, náusea e desconforto gástrico, além de reunir compostos antioxidantes e ser estudado por seu possível papel na saúde cardiovascular. Parte dessas aplicações tem respaldo em estudos preliminares, e outra parte se apoia principalmente no uso tradicional.

O Umê Serve para Enjoo e Náusea?

Sim, esse é um dos usos tradicionais mais consolidados da fruta, incluindo a náusea gestacional, embora a maior parte da evidência disponível ainda seja baseada em uso tradicional, e não em ensaios clínicos robustos.

O Umê Ajuda na Gastrite?

Há indícios de que o extrato de umê pode reduzir infecção e inflamação associadas ao Helicobacter pylori, bactéria ligada a úlceras e gastrites, segundo estudo publicado no European Journal of Clinical Nutrition. Ainda assim, o tratamento da gastrite deve ser sempre acompanhado por um médico.

Umeboshi Faz Mal para Quem Tem Pressão Alta?

O umeboshi deve ser consumido com moderação por quem tem pressão alta, pelo alto teor de sódio da conservação em sal. As demais formas do fruto, como a polpa fresca e o suco, não apresentam essa mesma restrição relevante.

O Umê Tem Efeitos Colaterais?

O umê é considerado seguro para a maioria das pessoas nas formas tradicionais de consumo. O maior cuidado é com o sódio do umeboshi processado, além de nunca consumir sementes ou folhas do umezeiro, que contêm compostos potencialmente tóxicos em grandes quantidades.

Grávidas Podem Comer Umê?

Em quantidades alimentares moderadas, geralmente sim, inclusive como uso tradicional para náusea gestacional; extratos concentrados ou um consumo mais intenso devem ser conversados antes com o obstetra.

O Umê Ajuda a Emagrecer?

As fibras da fruta contribuem para a saciedade, mas não há comprovação de um efeito isolado de emagrecimento atribuível ao umê.

Como o Umê É Usado na Culinária Japonesa?

Além do umeboshi, o umê é usado para fazer licor (umeshu) e vinagre (umezu), além de temperos para arroz, marinadas, saladas e sushi. Produtos derivados costumam ser encontrados em lojas de produtos asiáticos, lojas de produtos naturais e no comércio online.

Referências

8 Referências Citadas

Nível de Evidência: 🥈 Moderado

Baseado em 8 Referências Citadas (4 Peer-Reviewed, 4 Complementares).

Ver Todas as 8 Referências Citadas

Estudos Científicos Peer-Reviewed (4)

  1. PMC Anticancer properties of Prunus mume extracts (Chinese plum, Japanese apricot).
  2. PEER Therapeutic Potential and Bioactive Compounds of Prunus mume: A Comprehensive Review of Pharmacological Benefits and Future Directions. Journal of Food Biochemistry.
  3. PMC Current and Potential Trends in the Bioactive Properties and Health Benefits of Prunus mume Sieb. et Zucc.: A Comprehensive Review for Value Maximization. Critical Reviews in Food Science and Nutrition.
  4. PEER2018 The Genetic Architecture of Floral Traits in the Woody Plant Prunus mume. Nature Communications, 2018.

Leituras Complementares (4)

  1. 2010 Inhibitory effects of Japanese apricot (Prunus mume) on Helicobacter pylori-related chronic gastritis. European Journal of Clinical Nutrition, 2010.
  2. 2009 Shi J, et al. Antioxidant capacity of extract from edible flowers of Prunus mume in China and its active components. LWT-Food Science and Technology, 2009;42(2):477-482.
  3. Prunus mume: Japanese Apricot, Japanese Flowering Apricot. PFAF Plant Database.
  4. 2021 Comprehensive Review of Phytochemical Constituents, Pharmacological Properties, and Clinical Applications of Prunus mume. Frontiers in Pharmacology, 2021.

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