Plantas Medicinais

Uva-Ursi: Saiba para Que Serve o Chá

Uva-ursi (Arctostaphylos uva-ursi): descubra para que serve, como preparar o chá e a tintura com segurança, e por que o uso deve ser sempre pontual e de curto prazo.

Por Conselho Editorial10 Min de Leitura
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Uva-de-urso - Uva-ursina - Arctostaphylos-uva-ursi
Arctostaphylos uva-ursi com frutos vermelhos característicos. As bagas e folhas são utilizadas na preparação do chá medicinal.

A uva-ursi (Arctostaphylos uva-ursi) é um antisséptico urinário tradicional, com monografia na União Europeia e registro simplificado na Anvisa para infecções do trato urinário. O uso deve ser sempre de curto prazo, no máximo uma semana seguida, por causa da hidroquinona, o metabólito que responde tanto pela ação antibacteriana quanto pelas restrições de segurança.

Sumário do Artigo
  1. O Que É a Uva-Ursi
  2. Partes Usadas e Composição Química
  3. Usos Tradicionais e Etnobotânicos
  4. Propriedades Atribuídas à Uva-Ursi
  5. Infecções Urinárias: o Uso com Aprovação Regulatória
  6. O Que Dizem os Estudos Clínicos
  7. Outros Usos Tradicionais
  8. Como Preparar a Uva-Ursi
  9. Sinergia com Outras Plantas
  10. Contraindicações e Efeitos Colaterais
  11. Curiosidades e Fatos Históricos
  12. Perguntas Frequentes sobre a Uva-Ursi

O Que É a Uva-Ursi

Arbusto rasteiro e perene da família Ericaceae, a mesma dos mirtilos e das azaleias, a uva-ursi é encontrada em regiões frias e circumboreais do Hemisfério Norte, como Escandinávia, Sibéria, Himalaia e América do Norte. Em português também é chamada de buxilo, búxulo, erva-ursina, ursina, uva-de-urso e uva-ursina, este o nome adotado na monografia europeia; internacionalmente é conhecida como bearberry, em inglês, e gayuba, em espanhol. O nome científico aceito para identificação precisa da espécie é Arctostaphylos uva-ursi (L.) Sprengel. As folhas são a parte usada na fitoterapia; os frutos, embora comestíveis, têm sabor insípido e não concentram os compostos de interesse terapêutico.

Partes Usadas e Composição Química

Chá de uva-ursi (Arctostaphylos uva-ursi)

As folhas secas concentram a arbutina, glicosídeo fenólico convertido no organismo em hidroquinona, composto com ação antibacteriana documentada contra bactérias comuns em infecções urinárias. O teor de arbutina varia de 5% a 16% conforme a época da colheita, e a farmacopeia europeia exige um mínimo de 7% para a matéria-prima ter qualidade farmacêutica. Ao lado dela aparecem ácidos fenólicos, alantoína, flavonoides como o hiperosídeo, metilarbutina, taninos, de 10% a 20%, responsáveis pela ação adstringente, e triterpenos.

O caminho até a bexiga tem mais etapas do que costuma se dizer. Absorvida no intestino, a arbutina libera hidroquinona, que o fígado conjuga em formas inativas e solúveis, eliminadas pela urina; ali, bactérias com atividade de beta-glicosidase, entre elas a Escherichia coli, devolvem parte dela à forma livre. A ação antibacteriana atinge o pico cerca de três a quatro horas após a ingestão. É essa mesma hidroquinona, porém, que exige uso de curto prazo (veja contraindicações).

Usos Tradicionais e Etnobotânicos

Historicamente, a uva-ursi foi empregada por povos indígenas da América do Norte no cuidado de dores na bexiga e infecções urinárias, e suas folhas secas, chamadas kinnikinnick, serviram como substituto do tabaco em misturas de fumo ritual entre algumas tribos. Na Europa, foi um dos fitoterápicos mais antigos indicados para bexiga e rins.

Propriedades Atribuídas à Uva-Ursi

A tradição fitoterápica e estudos preliminares atribuem à uva-ursi as seguintes propriedades:

  • Adstringente, pelos taninos das folhas.
  • Anti-inflamatória, com possível papel no alívio de irritações no trato urinário.
  • Antisséptica urinária, pela hidroquinona liberada da arbutina.
  • Diurética, favorecendo a eliminação de urina.

Infecções Urinárias: o Uso com Aprovação Regulatória

A monografia europeia adotada em 2018 trata a uva-ursi como medicamento fitoterápico tradicional para alívio dos sintomas de infecções urinárias baixas leves e recorrentes em mulheres, e apenas depois que um médico descartar condições mais graves. O texto desaconselha o uso em menores de 18 anos e em homens, lista distúrbios renais entre as contraindicações e limita o tratamento a uma semana.

No Brasil, a Instrução Normativa nº 2 de 2014 inclui a espécie na lista de medicamentos fitoterápicos de registro simplificado, com dose diária de 400 mg a 840 mg de derivados de hidroquinona expressos em arbutina. A norma traz três restrições que costumam escapar de quem compra o produto: venda sob prescrição médica, uso limitado a uma semana contínua e a cinco semanas por ano, e proibição abaixo dos 12 anos.

O Que Dizem os Estudos Clínicos

Dois ensaios randomizados testaram a planta em mulheres com infecção urinária não complicada. No estudo britânico ATAFUTI, de 2019, com 382 participantes, o extrato de uva-ursi não reduziu de forma significativa o consumo de antibióticos, 39,9% contra 47,4% no grupo placebo.

O ensaio alemão REGATTA, de 2021, comparou a planta com o antibiótico fosfomicina em 398 mulheres. Quem começou pela uva-ursi usou 63,6% menos antibióticos, mas teve carga de sintomas maior e mais complicações: oito casos de pielonefrite contra dois, e três casos de febre contra nenhum. A leitura conjunta é direta, e a planta não substitui o antibiótico quando ele está indicado; retardar o tratamento aumenta o risco de a infecção subir para os rins.

Outros Usos Tradicionais

No plano da tradição, sem respaldo de estudos clínicos, a uva-ursi também é associada ao cuidado de diarreia crônica e, por via tópica, a feridas, queimaduras leves e irritações de pele, aproveitando a ação adstringente dos taninos.

Como Preparar a Uva-Ursi

  1. Use de 1,5 a 4 gramas de folhas secas picadas para cada 150 ml de água, medida da monografia europeia.
  2. Prepare como infusão, abafada por 10 a 15 minutos, ou como macerado em água fria, em repouso por pelo menos 30 minutos.
  3. Coe antes de beber e consuma o macerado logo após o preparo.
  4. Tome de duas a quatro vezes ao dia, sem passar de 8 gramas de folhas no total diário.

A escolha entre os dois preparos não é detalhe menor: a água quente arrasta boa parte dos taninos, enquanto a maceração a frio deixa a maioria deles na folha, o que rende uma bebida menos adstringente e mais fácil para o estômago. Mantenha boa hidratação e não ultrapasse o período recomendado (veja contraindicações).

Além da infusão, a planta está disponível em outras formas:

  • Cápsulas, com extrato padronizado para dosagem controlada.
  • Extrato líquido, na proporção de 1:1, com 1,5 a 4 ml até três vezes ao dia e máximo de 8 ml diários.
  • Extrato seco, em dose equivalente a 100 mg a 210 mg de derivados de hidroquinona, de duas a quatro vezes ao dia.

Siga as instruções do fabricante ou a orientação de um profissional de saúde qualificado.

Ao escolher onde comprar, prefira fornecedores que informem a origem e o controle de qualidade das folhas, como o chá de uva-ursi da Loja Medicina Natural.

Sinergia com Outras Plantas

Na fitoterapia tradicional, a uva-ursi costuma ser combinada com outras plantas para apoiar objetivos específicos, sempre sob orientação profissional:

  • Alteia (Althaea officinalis), rica em mucilagens que acalmam as mucosas.
  • Dente-de-leão (Taraxacum officinale), para reforçar o efeito diurético.
  • Equinácea (Echinacea purpurea), como suporte tradicional ao sistema imunológico.
  • Malva (Malva sylvestris), também mucilaginosa, com efeito semelhante ao da alteia.

Consulte sempre um profissional de saúde antes de combinar plantas medicinais.

Contraindicações e Efeitos Colaterais

O motivo do limite de tempo costuma ser mal explicado. Não há casos publicados convincentes de lesão hepática atribuída à uva-ursi, e a base LiverTox, do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, classifica a planta como causa improvável de dano ao fígado. A restrição vem da hidroquinona isolada: em animais, o composto puro em doses muito acima das do uso humano produziu tumores renais em ratos e lesões hepáticas em camundongos, e testes em cultura de células apontaram genotoxicidade. Nada disso foi demonstrado em quem usou a planta dentro do prazo recomendado, que é justamente o que preserva essa margem.

A uva-ursi é contraindicada em caso de hipersensibilidade e em distúrbios renais, pela via de eliminação urinária dos compostos ativos. Não é recomendada na gravidez nem na amamentação, por falta de dados de segurança, e também não em menores de 18 anos pela monografia europeia, faixa que a Anvisa fixa em 12 anos. Quem tem alta sensibilidade estomacal ou úlceras deve evitá-la. Entre os efeitos relatados estão dor de estômago, náusea e vômito, por isso recomenda-se tomar com alimentos; a urina pode ficar castanho-esverdeada, o que é inofensivo. Procure um médico se os sintomas piorarem ou se aparecerem dor lombar, espasmos, febre ou sangue na urina.

A monografia europeia não registra interações medicamentosas conhecidas, mas duas ressalvas se sustentam. A Comissão E alemã desaconselha associar a planta a medicamentos que acidificam a urina, porque isso reduz a ação antibacteriana. E, como polifenóis semelhantes aos das folhas reduzem a absorção de ferro não heme em humanos, convém espaçar o chá de suplementos de ferro.

Curiosidades e Fatos Históricos

O nome Arctostaphylos uva-ursi significa literalmente uva de urso, referência ao gosto dos ursos pelos frutos da planta. A arbutina, seu principal composto ativo, também é usada na indústria cosmética por seu possível papel no clareamento de manchas na pele.

Perguntas Frequentes sobre a Uva-Ursi

Por Quanto Tempo Posso Tomar Chá de Uva-Ursi?

No máximo uma semana seguida, pela monografia europeia, e no máximo cinco semanas por ano, pela Anvisa. Se os sintomas persistirem por mais de quatro dias de uso, procure atendimento.

A Uva-Ursi Trata Infecção Urinária Sozinha?

Pode ajudar em casos leves, mas infecções urinárias confirmadas, especialmente recorrentes ou com febre, exigem avaliação e tratamento médico.

A Uva-Ursi Substitui o Antibiótico?

Não. No ensaio REGATTA, quem começou pela uva-ursi usou menos antibióticos, mas teve mais sintomas e mais casos de infecção nos rins do que quem recebeu fosfomicina desde o início.

Homens Podem Tomar Uva-Ursi?

A monografia europeia não recomenda, porque sintomas urinários masculinos pedem investigação e supervisão médica.

Precisa de Receita para Comprar Uva-Ursi no Brasil?

Sim. Na lista da Anvisa, o fitoterápico de uva-ursi é de venda sob prescrição médica.

Quem Tem Problema nos Rins Pode Tomar Uva-Ursi?

Não. Distúrbios renais constam entre as contraindicações formais, e os compostos ativos são eliminados pela via renal.

Grávidas Podem Tomar Chá de Uva-Ursi?

Não. A segurança na gravidez e na amamentação não foi estabelecida.

Preciso Evitar Frutas Cítricas ao Tomar Uva-Ursi?

A recomendação vem de monografias antigas, que supunham depender de urina alcalina. Estudos posteriores indicam que alcalinizar não é necessário, e a monografia europeia vigente não faz essa exigência.

Por Que a Urina Fica Esverdeada com o Uso?

É um efeito inofensivo dos metabólitos da hidroquinona, entre o esverdeado e o acastanhado.

Crianças Podem Tomar Chá de Uva-Ursi?

Não. A Anvisa veda o uso abaixo de 12 anos e a monografia europeia, abaixo de 18.

Posso Tomar Uva-Ursi Junto com Outros Medicamentos?

Consulte sempre um médico ou farmacêutico, sobretudo se usa remédios que acidificam a urina ou suplementos de ferro.

Qual a Diferença entre Chá e Tintura de Uva-Ursi?

Ambos contêm os mesmos compostos ativos; a tintura é mais concentrada e prática, mas as duas formas exigem os mesmos cuidados de dose e de tempo de uso.

Referências Científicas

9 Referências Citadas

Nível de Evidência: 🥈 Moderado

Baseado em 9 Referências Citadas (4 Peer-Reviewed, 1 Institucional, 4 Complementares).

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Estudos Científicos Peer-Reviewed (4)

  1. DOI2021 Gágyor I, et al. Uva ursi versus fosfomycin in uncomplicated urinary tract infection. Clin Microbiol Infect, 2021;27(10):1441-1447. DOI: 10.1016/j.cmi.2021.05.032.
  2. DOI1999 Hurrell RF, et al. Inhibition of non-haem iron absorption by polyphenolic beverages. Br J Nutr, 1999;81(4):289-295. DOI: 10.1017/S0007114599000537.
  3. DOI2019 Moore M, et al. Uva-ursi extract and ibuprofen for uncomplicated urinary tract infection (ATAFUTI). Clin Microbiol Infect, 2019;25(8):973-980. DOI: 10.1016/j.cmi.2019.01.011.
  4. DOI2002 Yarnell E. Botanical medicines for the urinary tract. World J Urol, 2002;20(5):285-293. DOI: 10.1007/s00345-002-0293-0.

Fontes Institucionais (1)

  1. GOV LiverTox. Uva Ursi. NIDDK. Disponível em: ncbi.nlm.nih.gov.

Leituras Complementares (4)

  1. 2014 Anvisa. Instrução Normativa nº 2, de 13 de maio de 2014.
  2. 1998 Blumenthal M, et al. The Complete German Commission E Monographs, 1998.
  3. 2009 EMA/HMPC. Assessment Report on Arctostaphylos uva-ursi, folium. EMA/HMPC/573462/2009.
  4. 2016 EMA/HMPC. European Union Herbal Monograph on Arctostaphylos uva-ursi, folium. EMA/HMPC/750269/2016, 2018.

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