Chás Medicinais

Chá de Alcaçuz (Glycyrrhiza glabra): Para Que Serve e Como Preparar

O chá de alcaçuz (Glycyrrhiza glabra) tem usos tradicionais reais para tosse e digestão, mas seu consumo excessivo já causou casos documentados de arritmia cardíaca. Veja os benefícios, os riscos e como preparar com segurança.

Por Conselho Editorial12 Min de Leitura
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Glycyrrhiza Glabra -ALCAÇUZ
Glycyrrhiza Glabra -ALCAÇUZ
Sumário do Artigo
  1. O Que É o Alcaçuz
  2. Segurança: o Risco Real de Overdose de Glicirrizina
  3. Composição Química da Raiz de Alcaçuz
  4. História e Uso Tradicional do Alcaçuz
  5. Alívio para o Sistema Respiratório
  6. Suporte à Saúde Digestiva e Gástrica
  7. Ação Anti-Inflamatória
  8. Saúde da Pele
  9. Saúde Hormonal Feminina
  10. Como Preparar o Chá de Alcaçuz
  11. Contraindicações e Interações
  12. Perguntas Frequentes sobre o Chá de Alcaçuz

O Que É o Alcaçuz

O chá de alcaçuz (Glycyrrhiza glabra) é uma bebida milenar, valorizada há séculos por seu sabor adocicado e por usos tradicionais respiratórios e digestivos reais. A planta é originária de partes da Europa e da Ásia, e sua raiz seca, fonte de mais de 300 compostos já identificados, é a parte mais usada tanto em chás quanto em preparações industriais.

Mas o mesmo composto que sustenta boa parte desses benefícios, a glicirrizina, também é responsável por um risco real e documentado: o consumo crônico e excessivo já causou casos registrados de arritmia cardíaca fatal. Essa informação é central neste artigo, não uma nota de rodapé, e por isso aparece logo na seção seguinte, antes de qualquer benefício.

Segurança: o Risco Real de Overdose de Glicirrizina

Este é o ponto mais importante deste artigo. O consumo excessivo ou prolongado de glicirrizina causa pseudo-hiperaldosteronismo: o corpo retém sódio e água e perde potássio, levando à tríade de alcalose metabólica, hipertensão e hipocalemia (potássio baixo). Casos documentados na literatura médica mostram que essa hipocalemia pode ser grave o suficiente para causar arritmias cardíacas fatais, incluindo taquicardia ventricular e torsades de pointes, com múltiplos óbitos já registrados por consumo crônico excessivo de alcaçuz, seja em balas, chá concentrado ou suplementos.

O risco é real mesmo sem uso de doses consideradas extremas: a maioria dos casos graves envolve consumo prolongado e regular, não apenas overdose aguda. Por isso, mais do que “consumir com moderação”, o essencial é não exceder a dose recomendada, fazer pausas regulares no uso e procurar atendimento médico imediato diante de sintomas como cãibras, fraqueza muscular, inchaço incomum ou palpitações durante o uso regular de alcaçuz.

Composição Química da Raiz de Alcaçuz

Detalhe aproximado da flor e das folhas compostas de Glycyrrhiza glabra

Além da glicirrizina, saponina triterpenoide de 30 a 50 vezes mais doce que o açúcar e que o corpo metaboliza em ácido glicirretínico (também biologicamente ativo), a raiz contém flavonoides antioxidantes, como a isoliquiritigenina e a liquiritigenina, além de cumarinas, fitoestrógenos e polissacarídeos. A interação entre essas famílias de compostos é apontada por pesquisadores como uma possível explicação para a diversidade de efeitos da planta, embora seja a glicirrizina que concentre tanto os benefícios mais estudados quanto o risco central de segurança descrito acima.

História e Uso Tradicional do Alcaçuz

A utilização do alcaçuz remonta a milhares de anos, com evidências encontradas em tumbas egípcias: acredita-se que os faraós apreciavam uma bebida doce feita a partir da raiz, associada a propriedades revitalizantes. Na Grécia Antiga, médicos como Hipócrates e Teofrasto já registravam seu uso para tosse, asma e outros problemas respiratórios, enquanto os romanos o empregavam para aliviar dores de estômago, com o naturalista Plínio, o Velho, descrevendo a planta em sua obra História Natural.

Na Medicina Tradicional Chinesa, o alcaçuz (Gan Cao) é considerado uma das ervas mais importantes, tratado como uma erva “guia” que harmoniza os ingredientes em fórmulas complexas e modera efeitos mais fortes de outras plantas. Essa longa história de uso contínuo em culturas tão distintas ajuda a explicar por que o alcaçuz segue sendo uma das raízes medicinais mais estudadas hoje.

Alívio para o Sistema Respiratório

O alcaçuz é tradicionalmente reconhecido para problemas respiratórios, com ação expectorante e demulcente documentada, o que sustenta seu uso para bronquite, resfriado e tosse.

Ação Expectorante e Antitussígena

A glicirrizina e outros compostos ajudam a fluidificar o muco nas vias aéreas, tornando a tosse mais produtiva, enquanto a ação demulcente forma uma camada protetora sobre a mucosa irritada da garganta. Estudos preliminares sugerem que extratos de alcaçuz podem ajudar a reduzir o reflexo da tosse, embora mais confirmação clínica em humanos ainda seja necessária.

Combate a Infecções Respiratórias

Alguns flavonoides do alcaçuz são estudados por seu possível papel antiviral, incluindo um efeito sobre a produção de interferon, proteína envolvida na defesa antiviral do corpo. A evidência ainda é preliminar, mas sustenta o uso tradicional do chá como coadjuvante em gripes e resfriados, nunca como substituto de tratamento médico.

Suporte à Saúde Digestiva e Gástrica

O alcaçuz aumenta a produção de muco protetor no estômago, o que sustenta seu uso tradicional para azia e indigestão.

Proteção contra Úlceras Gástricas

A planta é pesquisada para prevenção e cicatrização de úlceras pépticas, incluindo possível inibição da aderência da bactéria H. pylori, uma das principais causas de úlceras e gastrite. A forma DGL (alcaçuz deglicirrizinado, com a maior parte da glicirrizina removida) é preferida especificamente para uso digestivo prolongado, já que reduz o risco cardiovascular descrito na seção de segurança sem perder o benefício gástrico; em alguns estudos, seus resultados foram comparáveis aos de certos tratamentos convencionais, ainda que isso exija mais confirmação.

Alívio da Indigestão e do Refluxo Ácido

Propriedades antiespasmódicas são associadas a relaxamento da musculatura do trato gastrointestinal, o que pode reduzir inchaço e desconforto após as refeições. Ao reforçar a proteção da mucosa, o alcaçuz também é estudado como forma de amenizar a sensação de queimação associada ao refluxo, embora não substitua acompanhamento médico em casos persistentes.

Ação Anti-Inflamatória

A glicirrizina e os flavonoides inibem enzimas pró-inflamatórias (COX, LOX), o que sustenta pesquisa preliminar sobre artrite e doenças inflamatórias intestinais.

Inibição de Vias Inflamatórias

Ao suprimir a atividade dessas enzimas, alvos de muitos anti-inflamatórios sintéticos, o alcaçuz é estudado como uma via natural de modulação da inflamação crônica de baixo grau, associada a diversas condições modernas.

Modulação da Resposta Imunológica

Pesquisadores estudam o papel do alcaçuz no equilíbrio da resposta imunológica, o que pode ser relevante em contextos autoimunes, mas essa aplicação ainda exige mais confirmação clínica e acompanhamento médico direto antes de qualquer uso direcionado.

Saúde da Pele

O alcaçuz também sustenta usos tópicos para eczema e psoríase, com resultados comparáveis, em alguns estudos, a corticosteroides tópicos leves, mas com necessidade de mais confirmação clínica robusta.

Tratamento de Eczema e Psoríase

Extratos de alcaçuz aplicados topicamente são associados a redução de vermelhidão, prurido e inflamação, e o consumo do chá é estudado como possível complemento a esse efeito, agindo por via sistêmica.

Clareamento de Manchas e Uniformização do Tom

A glabridina, composto do alcaçuz, inibe a tirosinase, enzima da produção de melanina, o que sustenta seu uso em cosméticos para clarear manchas causadas por acne, exposição solar ou melasma. A ação antioxidante da planta complementa esse efeito, protegendo contra danos de radicais livres.

Saúde Hormonal Feminina

Os fitoestrógenos do alcaçuz são estudados para sintomas de menopausa e para redução de testosterona em mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP).

Alívio dos Sintomas da Menopausa

Alguns estudos sugerem que os fitoestrógenos do alcaçuz, ao se ligar a receptores de estrogênio, podem reduzir a frequência e a intensidade de ondas de calor, e a planta também é estudada quanto a um possível papel na preservação óssea durante a menopausa. Ainda assim, por envolver atividade hormonal combinada ao risco cardiovascular da glicirrizina, esse uso exige acompanhamento médico e não deve substituir terapias já indicadas por um profissional.

Manejo da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)

Alguns estudos mostram que o alcaçuz pode ajudar a reduzir níveis de testosterona em mulheres com SOP, com melhora de acne, hirsutismo e ovulação relatada em parte dessas pesquisas. Por se tratar de uma condição hormonal complexa, o uso deve sempre ser acompanhado por um profissional de saúde.

Como Preparar o Chá de Alcaçuz

Xícara de chá de alcaçuz de coloração dourada, ao lado de raízes secas e fibras da planta usadas no preparo

Para raízes, a decocção é preferida à infusão, porque permite uma extração mais completa dos compostos ativos.

  1. Meça de 1 a 2 gramas de raiz seca de alcaçuz para cada 200 ml de água fria.
  2. Leve a mistura ao fogo em uma panela e espere levantar fervura.
  3. Reduza o fogo e mantenha fervura branda por 10 a 15 minutos.
  4. Desligue o fogo e deixe a mistura descansar por alguns minutos.
  5. Coe para remover os pedaços da raiz e sirva.
  6. Consuma no máximo uma a duas xícaras por dia, com pausas regulares no uso contínuo.

O chá pode ser consumido quente ou frio, e seu sabor naturalmente doce dispensa adoçantes; combinações com gengibre ou hortelã são populares. Consulte um profissional de saúde antes de iniciar uso regular e contínuo.

Contraindicações e Interações

Contraindicado na gravidez e na amamentação, pelo possível efeito da glicirrizina no desenvolvimento fetal. Pessoas com hipertensão devem evitar ou usar com cautela extrema, pelo risco real de piora da pressão. Interage com anti-hipertensivos, anticoagulantes e diuréticos (risco de perda adicional de potássio), e pode potencializar corticosteroides. Pessoas com doença cardíaca, hepática ou renal devem evitar completamente sem orientação médica direta, dado o risco cardiovascular documentado da glicirrizina.

Perguntas Frequentes sobre o Chá de Alcaçuz

O Chá de Alcaçuz Pode Causar Problemas Cardíacos Sérios?

Sim, e esse é o ponto de segurança mais importante sobre a planta: o consumo excessivo ou prolongado de glicirrizina já causou casos documentados de hipocalemia grave e arritmia cardíaca fatal, incluindo taquicardia ventricular e torsades de pointes. Respeite a dose recomendada, faça pausas regulares no uso e procure atendimento médico se notar cãibras, fraqueza muscular, inchaço incomum ou palpitações.

Qual a Diferença entre o Alcaçuz Comum e o DGL?

O DGL (alcaçuz deglicirrizinado) tem a maior parte da glicirrizina removida, o que reduz o risco cardiovascular associado ao consumo prolongado. Por isso, é a forma preferida para uso digestivo contínuo, como no suporte ao tratamento de úlceras.

Grávidas e Lactantes Podem Consumir o Chá de Alcaçuz?

Não. A glicirrizina pode afetar o desenvolvimento fetal, e a segurança do uso durante a lactação não está estabelecida. O consumo deve ser evitado nessas fases.

O Chá de Alcaçuz Pode Aumentar a Pressão Arterial?

Sim, o consumo excessivo e prolongado pode elevar a pressão arterial, porque a glicirrizina favorece a retenção de sódio e água no organismo. Pessoas com hipertensão devem evitar o chá ou usá-lo apenas sob orientação médica, monitorando a pressão regularmente.

O Chá de Alcaçuz Ajuda a Emagrecer?

Não há evidência robusta em humanos. Alguns estudos em animais sugerem efeito sobre a gordura corporal, mas isso não foi confirmado clinicamente em pessoas, e o chá não deve ser usado como estratégia de emagrecimento.

Como o Chá Atua na Tosse?

Tem ação expectorante, que ajuda a fluidificar o muco e tornar a tosse mais produtiva, e ação demulcente, que forma uma camada protetora sobre a mucosa irritada da garganta, aliviando a irritação e reduzindo o reflexo de tosse.

Posso Usar o Alcaçuz para Problemas de Pele?

Sim, tanto por via oral, pela ação anti-inflamatória sistêmica, quanto por via tópica, com extratos usados para clarear manchas e amenizar eczema e psoríase, sempre respeitando a dose recomendada quando consumido em chá.

O Alcaçuz Interage com Medicamentos?

Sim, de forma clinicamente relevante: interage com anti-hipertensivos, anticoagulantes e diuréticos, além de poder potencializar corticosteroides. Informe seu médico sobre o uso antes de combinar o chá com qualquer medicamento contínuo.

Qual a Quantidade Diária Segura de Chá de Alcaçuz?

Geralmente, uma a duas xícaras por dia, sem uso contínuo por longos períodos. Faça pausas regulares e evite completamente o consumo se tiver doença cardíaca, hepática, renal ou hipertensão.

Referências

10 Referências Citadas

Baseado em 10 Referências Citadas (10 Complementares).

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