Chás Medicinais

Chá de Beterraba (Beta vulgaris): Para Que Serve e Como Preparar

O chá de beterraba é fácil de preparar em casa e a ciência associa a raiz a benefícios modestos para o coração e o desempenho físico. Veja o preparo, os cuidados e quem deve evitar a bebida.

Por Conselho Editorial23 Min de Leitura
10 Referências
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Sumário do Artigo
  1. O Que É o Chá de Beterraba
  2. Origem e História da Beterraba
  3. Botânica e Composição da Beterraba
  4. Chá de Beterraba e Saúde Cardiovascular
  5. Desempenho Atlético e Resistência Física
  6. Imunidade, Vitamina C e Folato
  7. Ação Antioxidante e Anti-Inflamatória das Betalaínas
  8. Como Preparar o Chá de Beterraba
  9. Pele e Cabelo
  10. Contraindicações e Efeitos Colaterais
  11. Perguntas Frequentes sobre o Chá de Beterraba

O Que É o Chá de Beterraba

O chá de beterraba é a infusão preparada com a raiz de Beta vulgaris, a mesma hortaliça de cor vinho que aparece em conservas, saladas e sucos na mesa brasileira. A bebida ganhou espaço por dois motivos concretos: o perfil nutricional da raiz e a facilidade de preparo em casa, sem equipamento especial e com poucos ingredientes.

Popularidade, no entanto, costuma andar junto com exagero. Circula por aí a ideia de que a beterraba derrete gordura, limpa artérias, desintoxica o fígado ou substitui remédio para pressão, e nenhuma dessas promessas encontra apoio na literatura séria. O que existe é um conjunto de estudos, boa parte deles conduzida com suco concentrado, apontando associações entre os nitratos e as betalaínas da raiz e marcadores de desempenho físico, estresse oxidativo e saúde cardiovascular.

Este guia trata o assunto nessa medida exata. Nas próximas seções você lê de onde vem a planta, o que a raiz contém, o que os pesquisadores observaram até agora, como preparar a infusão em casa e em quais situações ela pede cautela. Gestantes, pessoas com histórico de cálculo renal e quem já convive com pressão baixa merecem atenção redobrada, e há uma seção inteira dedicada a esses casos.

Origem e História da Beterraba

A trajetória da beterraba até a xícara remonta à Antiguidade. Registros arqueológicos situam o cultivo da planta selvagem na bacia do Mediterrâneo, onde egípcios, gregos e romanos já a conheciam, ainda que valorizassem sobretudo as folhas como alimento e reservassem a raiz, então pequena e fibrosa, para uso medicinal. Foram os romanos que passaram a cultivar a espécie também pela raiz, atraídos pelo sabor e pelas propriedades que lhe atribuíam.

O cultivo se espalhou pela Europa ao longo da Idade Média, e raízes maiores e mais suculentas começaram a ser selecionadas a partir do século XVI. O marco mais importante da história recente da planta veio no fim do século XVIII, quando um químico prussiano identificou açúcar na raiz de uma variedade de polpa branca, descoberta que deu origem, já no século seguinte, à beterraba açucareira e à indústria europeia de açúcar de beterraba, hoje responsável por parcela relevante do açúcar consumido no mundo. A variedade vermelha que chega às feiras e supermercados brasileiros seguiu um caminho paralelo, cultivada por sabor, cor e valor nutricional, e chegou ao país pelas mãos de imigrantes europeus.

Botânica e Composição da Beterraba

A beterraba pertence à espécie Beta vulgaris, da família Amaranthaceae. A parte que vai à panela é a raiz tuberosa, embora as folhas também sejam comestíveis e concentrem boa quantidade de minerais. Três variedades circulam no comércio mundial: a açucareira, matéria-prima da indústria do açúcar, a forrageira, destinada à alimentação animal, e a de mesa, que é a vermelha do hortifrúti.

A cor da raiz não é detalhe estético. Ela vem das betalaínas, pigmentos nitrogenados solúveis em água que se dividem entre betacianinas, responsáveis pelo vermelho arroxeado, e betaxantinas, de tom amarelado. Esses pigmentos estão entre os compostos que mais interessam à pesquisa em alimentos funcionais, ao lado do nitrato inorgânico que a planta absorve do solo em que cresce e acumula na raiz.

O que a análise nutricional identifica na beterraba de mesa, em quantidades relevantes:

  • Betaína: composto derivado da colina, estudado pelo papel no metabolismo da homocisteína e na função hepática.
  • Betalaínas: pigmentos com atividade antioxidante demonstrada em ensaios laboratoriais.
  • Fibras: mistura de frações solúvel e insolúvel, sendo que a solúvel forma gel no intestino e participa da regulação da absorção de gorduras.
  • Folato: vitamina do complexo B ligada à síntese de DNA e à formação de células sanguíneas.
  • Nitratos: precursores do óxido nítrico, o mensageiro químico por trás da vasodilatação.
  • Potássio: mineral envolvido no equilíbrio hídrico e na contração muscular.
  • Vitamina C: antioxidante hidrossolúvel que participa da síntese de colágeno e do funcionamento imune.

Uma ressalva técnica importa desde já. A infusão não extrai tudo o que a raiz contém. Betalaínas e nitratos são hidrossolúveis e passam bem para a água, principalmente quando a beterraba vai ralada ou em fatias finas, mas as fibras ficam retidas no bagaço e parte da vitamina C se degrada com o calor. Quem busca fibra precisa comer a raiz, não apenas bebê-la.

Chá de beterraba (Beta vulgaris) preparado a partir da raiz

A cor vinho da infusão vem das betalaínas, os mesmos pigmentos responsáveis pela betúria inofensiva descrita mais adiante.

Chá de Beterraba e Saúde Cardiovascular

Esse é o território mais estudado. O nitrato presente na raiz é reduzido a nitrito por bactérias que vivem no dorso da língua, e o nitrito segue para a circulação, onde parte dele se converte em óxido nítrico. Essa molécula relaxa a musculatura lisa das paredes arteriais e favorece a vasodilatação, com efeito de queda discreta na resistência vascular periférica.

Siervo e colaboradores reuniram em 2013 os ensaios clínicos disponíveis sobre nitrato inorgânico, suco de beterraba e pressão arterial em adultos, e encontraram reduções modestas, mais consistentes na pressão sistólica. Bonilla Ocampo e colegas repetiram o exercício em 2018, dessa vez restrito ao nitrato do suco de beterraba na hipertensão, e Mirmiran e equipe, em 2020, revisaram as propriedades funcionais da raiz no manejo de doenças cardiometabólicas. Todas apontam na mesma direção e tratam o efeito como coadjuvante de uma dieta rica em hortaliças, jamais como substituto de tratamento.

A proporção merece um alerta. As reduções relatadas na literatura são pequenas e aparecem em estudos de curta duração, quase sempre com suco concentrado, que entrega muito mais nitrato por porção do que uma xícara de chá. Ninguém deve interromper anti-hipertensivo por conta própria, e ninguém deve esperar que a infusão resolva hipertensão já instalada.

As fibras solúveis entram por outro caminho. No intestino, elas formam uma matriz viscosa que interfere na reabsorção dos sais biliares, e o fígado passa a recorrer ao colesterol circulante para repor esses sais. Estudos de intervenção com alimentos ricos nessa fração, sobretudo aveia e psyllium, associam o mecanismo a reduções no colesterol LDL. A beterraba não está entre as fontes mais concentradas de fibra solúvel, então entra nesse capítulo como parte de um padrão alimentar, e não como responsável isolada pelo efeito. O detalhe já mencionado permanece válido: a fibra fica no bagaço, então quem quer esse efeito precisa consumir a raiz assada, cozida ou crua ralada.

O potássio completa o quadro, porque participa do equilíbrio entre sódio e água no organismo, e dietas com boa oferta desse mineral estão associadas a melhor controle pressórico em populações saudáveis. Nada disso funciona isolado. A beterraba tem papel de peça, não de protagonista.

Desempenho Atlético e Resistência Física

O interesse esportivo pela beterraba nasceu da mesma via do óxido nítrico. Ao melhorar a perfusão sanguínea no músculo em atividade e ao tornar a produção de energia na mitocôndria um pouco mais econômica, o nitrato reduz o custo de oxigênio de um esforço submáximo. Traduzindo: o atleta gasta menos oxigênio para sustentar o mesmo ritmo.

Clifford e colaboradores, em revisão publicada em 2015 na Nutrients (PMID 25875121), organizaram as evidências sobre beterraba vermelha em saúde e doença, com atenção a cognição, estresse oxidativo, função endotelial e inflamação. Domínguez e equipe, em 2017, revisaram especificamente os ensaios de resistência cardiorrespiratória com suplementação de suco de beterraba e descreveram melhora de eficiência e de tempo até a exaustão em intensidades submáximas. O padrão que emerge é de ganhos pequenos, mais evidentes em praticantes amadores ou moderadamente treinados do que em atletas de elite, e mais visíveis em esforços de resistência do que em explosão.

Aqui a diferença entre chá e suco pesa muito. Os protocolos de pesquisa costumam usar doses concentradas de nitrato, obtidas com o suco de várias raízes ou com extratos padronizados. Uma xícara de infusão entrega uma fração disso. Quem toma o chá antes de uma corrida pode se sentir bem, mas não deve atribuir à bebida o desempenho que a literatura observou com doses várias vezes maiores.

Outro detalhe prático raramente lembrado: enxaguante bucal antisséptico elimina as bactérias da língua que fazem a conversão de nitrato em nitrito. Usar o produto pouco antes ou pouco depois do chá derruba boa parte do efeito esperado.

Imunidade, Vitamina C e Folato

A beterraba fornece vitamina C, nutriente com papel bem estabelecido na atividade de linfócitos e neutrófilos e na integridade das barreiras epiteliais. Esse papel é consenso na nutrição humana e vale para qualquer fonte alimentar do nutriente, sem nada de específico da hortaliça. Ferreira e da Silva, em 2021, ao estudar o consumo e o aproveitamento integral da beterraba no Brasil, situam a composição nutricional entre os motivos do interesse pela raiz.

Duas ressalvas honestas cabem nesse ponto. A primeira é que a beterraba não está entre as campeãs de vitamina C do reino vegetal, ficando bem atrás de acerola, caju e goiaba. A segunda é que o calor da infusão degrada parte do que a raiz contém, de modo que o chá não deve ser encarado como fonte principal do nutriente.

O folato merece menção separada. Ele participa da síntese de DNA e da maturação de células sanguíneas, funções que se refletem tanto na resposta imune quanto na formação de glóbulos vermelhos. Uma dieta com folato adequado ajuda a manter esse sistema em ordem, mas o chá sozinho não corrige carência instalada. Quem tem exame alterado precisa de conduta clínica, não de infusão.

Ação Antioxidante e Anti-Inflamatória das Betalaínas

As betalaínas são o diferencial químico da beterraba. Poucos alimentos as contêm, e elas demonstram em laboratório capacidade de neutralizar radicais livres e de modular vias inflamatórias, entre elas a do fator nuclear kappa B. Chen e colaboradores, em 2021, revisaram a beterraba como alimento funcional e reuniram os dados sobre a atividade antioxidante desses pigmentos, com destaque para a betanina.

Baião e equipe, em 2017, avaliaram a raiz sob a ótica dos compostos bioativos e apontaram o mesmo conjunto de mecanismos, sempre com a cautela típica de quem trabalha com ensaios celulares e modelos animais. Raish e colaboradores, em 2019, registraram queda de marcadores de estresse oxidativo e de inflamação em modelo animal de lesão cardíaca induzida por fármaco, um resultado que ilustra bem o estágio da evidência. Essa cautela precisa acompanhar o leitor. Atividade antioxidante medida em tubo de ensaio não equivale a benefício clínico comprovado, já que biodisponibilidade, dose realmente ingerida e metabolismo mudam o resultado por completo.

Betalaínas e Doenças Crônicas

Parte da pesquisa com betalaínas investiga relações com doenças crônicas, incluindo o câncer. Tan e Hamid, em revisão narrativa de 2021, reuniram os achados que sustentam essa hipótese e mostraram que eles vêm sobretudo de estudos laboratoriais e de modelos animais, com poucos dados observacionais em humanos. A evidência em pessoas é preliminar e associativa, o que significa que não existe demonstração de que consumir beterraba previna câncer. Ninguém deve trocar acompanhamento médico, rastreamento ou tratamento oncológico por qualquer alimento, e este texto não sugere nada nessa direção.

Betaína e Saúde do Fígado

A betaína, presente em boa quantidade na raiz, atua como doadora de grupos metila e participa do metabolismo da homocisteína, papel bem descrito na bioquímica humana. Daí nasce o interesse pela relação entre o composto e a função hepática, tema que circula bastante em conteúdo popular, às vezes com a promessa exagerada de que o chá “desintoxica” o fígado. O que existe de concreto é pesquisa pré-clínica, feita com extratos e com doses que nenhuma xícara de chá reproduz, e nenhum ensaio clínico sustenta indicar beterraba para doença do fígado. Pessoas com doença hepática diagnosticada seguem precisando de acompanhamento especializado.

Como Preparar o Chá de Beterraba

O preparo é simples e admite variações. A regra que não muda é o corte: quanto mais fina a fatia ou quanto mais fino o ralo, maior a superfície de contato e melhor a extração dos compostos hidrossolúveis.

Ingredientes para duas xícaras:

  • Água: 500 ml.
  • Beterraba: uma unidade média, bem lavada, com casca, cortada em fatias finas ou ralada.
  • Canela: um pedaço pequeno de casca, opcional.
  • Gengibre: duas rodelas finas, opcional.
  • Limão: algumas gotas do suco, opcional, adicionadas depois de coar.

Modo de Preparo

  1. Leve a água ao fogo e espere levantar fervura.
  2. Desligue o fogo e acrescente a beterraba junto com os temperos escolhidos.
  3. Tampe a panela e deixe em infusão por dez a quinze minutos.
  4. Coe a bebida e pingue o limão, se for usar.
  5. Sirva morno ou gelado, conforme a preferência.

Ferver a raiz por muito tempo escurece a bebida e degrada as betalaínas, sensíveis ao calor prolongado e à luz. Infusão fora do fogo preserva melhor a cor e o pigmento. Para consumo frio, guarde em recipiente de vidro fechado na geladeira e beba em até vinte e quatro horas.

Quantidade Diária Realista

Uma a duas xícaras por dia é a faixa razoável para adultos saudáveis, sempre dentro de uma alimentação variada. Não existe benefício conhecido em dobrar a dose, e o aumento do consumo eleva a ingestão de oxalato, assunto da próxima seção. Quem faz uso contínuo de medicamento para pressão deve conversar com quem prescreveu antes de transformar o chá em hábito diário.

Pele e Cabelo

A associação entre beterraba e beleza aparece muito nas redes sociais, quase sempre com promessas maiores do que a evidência permite. O que se pode dizer com honestidade é o seguinte: a vitamina C participa da síntese de colágeno, proteína estrutural da derme, e os antioxidantes da dieta ajudam a conter o estresse oxidativo que acelera o envelhecimento cutâneo. Uma alimentação rica em hortaliças coloridas favorece esse contexto, e a raiz se encaixa nele com naturalidade.

No cabelo o raciocínio é parecido e igualmente indireto. Ferro e folato participam da produção de hemácias, e a anemia figura entre as causas conhecidas de queda capilar difusa. Corrigir deficiência nutricional pode melhorar o quadro, mas isso se faz com diagnóstico e conduta adequada, não com chá. A beterraba contribui como parte da dieta, sem papel de tratamento.

Sobre o uso tópico, circula a recomendação de aplicar o chá ou o suco no couro cabeludo e na pele. Não há evidência clínica que sustente benefício, e o pigmento mancha superfícies e tecidos com facilidade. Quem tem pele sensível ainda corre risco de irritação. O consumo alimentar segue sendo o caminho com melhor relação entre benefício e risco.

Contraindicações e Efeitos Colaterais

Alimento comum não significa alimento isento de cuidado. A beterraba tem particularidades que merecem atenção em alguns perfis.

Oxalatos e Cálculo Renal

A raiz está entre os vegetais com maior teor de oxalato, composto capaz de se ligar ao cálcio e formar cristais de oxalato de cálcio, o tipo mais frequente de cálculo renal. Para quem nunca teve pedra e tem função renal normal, o consumo habitual dentro de uma dieta equilibrada não representa problema conhecido. Quem já teve cálculo de oxalato de cálcio, no entanto, entra em outra categoria e costuma receber orientação para limitar alimentos ricos nesse composto. Nesse grupo, o chá diário precisa ser discutido com nefrologista ou nutricionista antes de virar rotina. Boa hidratação ao longo do dia é medida padrão de prevenção e continua valendo.

Pressão Baixa

O mesmo mecanismo que interessa a quem tem pressão elevada preocupa quem já vive com pressão baixa. Vasodilatação adicional pode acentuar sintomas como escurecimento visual ao levantar, fraqueza e tontura. Pessoas com hipotensão sintomática e pessoas em uso de anti-hipertensivo devem tratar o consumo regular como assunto clínico, não como escolha de cardápio.

Betúria: A Urina Rosada

Depois de consumir beterraba, parte das pessoas nota a urina com tom rosado ou avermelhado, e algo semelhante pode acontecer com as fezes. A coloração da urina tem nome próprio, betúria, e ocorre porque as betalaínas não são completamente metabolizadas, sendo excretadas ainda coloridas. Trata-se de evento inofensivo e passageiro, que desaparece em um ou dois dias após a interrupção do consumo.

O susto costuma vir da confusão com sangramento. Duas diferenças ajudam a distinguir: a betúria acompanha um consumo recente e identificável da raiz, e a cor some quando o alimento sai do cardápio. Se a coloração persistir sem beterraba na dieta, ou se vier acompanhada de ardência, dor ou febre, a avaliação médica passa a ser obrigatória. Sangue na urina nunca deve ser atribuído a alimento sem investigação.

Observações antigas na literatura sugerem que a betúria é mais frequente em pessoas com deficiência de ferro. O achado repetido pode servir de motivo para checar o status desse mineral em exame, sem que isso represente diagnóstico por si só.

Crianças, Gestantes e Lactantes

Beterraba como alimento faz parte da dieta de gestantes e de crianças sem controvérsia, e o folato da hortaliça é inclusive nutriente de interesse na gestação. Na amamentação vale o mesmo raciocínio: o consumo alimentar comum não é apontado como problema. A discussão muda quando se fala em consumo concentrado ou em uso regular de infusões com finalidade funcional, situação em que faltam estudos específicos de segurança para os três grupos. A conduta conservadora é a correta: alimentação normal com a raiz, sim; chá diário ou preparações concentradas, apenas com aval do pré-natal, do pediatra ou de quem acompanha a amamentação. Crianças pequenas, em particular, têm menor volume corporal, e qualquer bebida consumida com propósito de saúde pede orientação profissional.

Outras Situações de Atenção

  • Alergia: rara, mas descrita; qualquer reação cutânea ou respiratória após o consumo pede suspensão e avaliação.
  • Diabetes: a raiz contém açúcares naturais, parte deles extraída para a infusão, e quem monitora glicemia deve considerar isso no planejamento do dia.
  • Interação com medicamentos: anti-hipertensivos e vasodilatadores atuam na mesma via do óxido nítrico, o que torna a conversa com o prescritor necessária.
  • Uso de enxaguante bucal antisséptico: reduz a conversão de nitrato em nitrito e diminui o efeito esperado da bebida.

Perguntas Frequentes sobre o Chá de Beterraba

Chá de Beterraba Abaixa a Pressão?

Estudos com suco de beterraba mostram reduções modestas na pressão arterial, atribuídas à via do óxido nítrico. O chá entrega bem menos nitrato do que o suco concentrado usado nas pesquisas, então o efeito esperado é menor ainda. A bebida pode acompanhar uma dieta cardioprotetora, mas não substitui medicação nem dispensa acompanhamento.

Chá de Beterraba Emagrece?

Não existe evidência de que a infusão cause perda de peso por si mesma. Ela tem poucas calorias, ainda que extraia parte dos açúcares da raiz, e pode ajudar na hidratação e na sensação de saciedade quando entra no lugar de bebidas açucaradas. Emagrecimento depende de acompanhamento adequado, atividade física e balanço energético.

Chá de Beterraba Pode Ser Tomado Todos os Dias?

Para adultos saudáveis, uma a duas xícaras por dia costuma ser uma quantidade razoável. Quem tem histórico de cálculo renal, pressão baixa ou uso contínuo de medicamento para o coração deve checar antes com o profissional que acompanha o caso. Variar as hortaliças da dieta é sempre melhor do que concentrar tudo em uma só.

Chá de Beterraba Serve para Anemia?

A crença é antiga e vem da cor vermelha, mas a beterraba não é fonte rica de ferro. Ela fornece folato, importante para a formação de células sanguíneas, e vitamina C, que favorece a absorção do ferro de origem vegetal. Anemia diagnosticada exige investigação da causa e conduta clínica, não infusão caseira.

Gestante Pode Tomar Chá de Beterraba?

Comer beterraba na gestação é normal e nutricionalmente interessante pelo folato. Já o consumo diário do chá ou de preparações concentradas carece de estudos de segurança específicos, e a orientação conservadora é conversar com quem conduz o pré-natal antes de adotar o hábito.

Por Que a Urina Fica Rosada Depois do Chá de Beterraba?

Esse fenômeno se chama betúria e acontece porque as betalaínas são excretadas sem metabolização completa. É inofensivo e some em um ou dois dias sem a raiz na dieta. Se a cor persistir mesmo sem consumo, ou se vier com ardência, dor ou febre, procure avaliação médica para descartar sangramento.

Qual a Diferença entre o Chá e o Suco de Beterraba?

O suco preserva fibras, quando não é coado, e concentra bem mais nitrato por porção, porque usa a raiz inteira. A infusão extrai apenas os compostos hidrossolúveis e perde parte da vitamina C pelo calor. Quase toda a pesquisa citada em benefícios foi feita com suco, o que recomenda expectativas mais contidas com o chá.

Quem Tem Pedra nos Rins Pode Tomar Chá de Beterraba?

Quem já teve cálculo de oxalato de cálcio costuma receber orientação para limitar alimentos ricos em oxalato, e a beterraba está entre eles. Nesse perfil, o consumo regular precisa ser avaliado por nefrologista ou nutricionista. Para pessoas sem histórico e com função renal normal, o consumo habitual dentro de uma dieta equilibrada não é apontado como problema.

O Chá de Beterraba Contém Glúten ou Lactose?

A infusão preparada em casa com a raiz, água e temperos naturais não contém glúten nem lactose, porque nenhum desses ingredientes entra na receita. A bebida costuma ser bem tolerada por quem tem doença celíaca, sensibilidade ao glúten ou intolerância à lactose. A ressalva vale para produtos industrializados à base de beterraba, cujo rótulo merece conferência, já que aditivos e processos de fabricação compartilhados com outros ingredientes podem trazer risco de contaminação cruzada.

Qual o Melhor Horário para Tomar o Chá de Beterraba?

Não há evidência de um horário biologicamente ideal para consumir a infusão, e a escolha pode seguir a rotina e o paladar de cada pessoa. Quem busca o possível efeito sobre o desempenho físico costuma preferir uma xícara cerca de uma hora antes do treino, intervalo usado nos estudos com suco concentrado, ainda que o chá entregue uma fração menor de nitrato. Fora do contexto esportivo, não há motivo para evitar o consumo à noite, já que a bebida não contém cafeína nem qualquer outro composto com efeito estimulante reconhecido.

Referências

10 Referências Citadas

Baseado em 10 Referências Citadas (1 Peer-Reviewed, 9 Complementares).

Ver Todas as 10 Referências Citadas

Estudos Científicos Peer-Reviewed (1)

  1. PEER2020 Mirmiran, P., Houshialsadat, Z., Gaeini, Z., Bahadoran, Z., & Azizi, F. (2020). Revisão sobre as propriedades funcionais da beterraba no manejo de doenças cardiometabólicas. Nutrition & Metabolism, 17, 3.

Leituras Complementares (9)

  1. 2017 Baião, D. dos S., Silva, D. V. T. da C., & Paschoalin, V. M. F. (2017). Capítulo sobre características bioativas, físico-químicas e nutricionais de formulações de beterraba. Food & Nutrition Journal, 2(1), 1-10.
  2. 2018 Bonilla Ocampo, D. A., Paipilla, A. F., Marín, E., Vargas-Molina, S., Petro, J. L., & Pérez-Idárraga, A. (2018). Revisão sistemática sobre nitrato do suco de beterraba na hipertensão. Biomolecules, 8(4), 134.
  3. 2021 Chen, L., Zhu, Y., Hu, Z., Wu, S., & Jin, C. (2021). Revisão sobre a beterraba como alimento funcional, com foco em atividade antioxidante e antitumoral. Food & Function, 12(19), 8849-8866.
  4. 2015 Clifford, T., Howatson, G., West, D. J., & Stevenson, E. J. (2015). Revisão sobre os potenciais benefícios da beterraba vermelha em saúde e doença. Nutrients, 7(4), 2801-2822. PMID 25875121.
  5. 2017 Domínguez, R., Cuenca, E., Maté-Muñoz, J. L., García-Fernández, P., Serra-Paya, N., Estevan, M. C., Herreros, P. V., & Garnacho-Castaño, M. V. (2017). Revisão sistemática sobre suplementação com suco de beterraba e resistência cardiorrespiratória em atletas. Nutrients, 9(1), 43.
  6. 2021 Ferreira, J. C. B., & da Silva, V. D. M. (2021). Estudo sobre características de consumo e aproveitamento integral da beterraba. Brazilian Journal of Development.
  7. 2019 Raish, M., Ahmad, A., Jan, B. L., & Alkharfy, K. M. (2019). Estudo experimental em ratos sobre suco de beterraba e lesão miocárdica induzida por isoproterenol. Journal of Food Science and Technology, 56(11), 4747-4757.
  8. 2013 Siervo, M., Lara, J., Ogbonmwan, I., & Mathers, J. C. (2013). Revisão sistemática e metanálise sobre nitrato inorgânico, suco de beterraba e pressão arterial em adultos. The Journal of Nutrition, 143(6), 818-826.
  9. 2021 Tan, M. L., & Hamid, N. (2021). Revisão narrativa sobre a beterraba como potencial alimento funcional na quimioprevenção do câncer. Journal of Food Science and Technology, 58(11), 1-18.

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