Chás Medicinais

Chá de Espinheira Santa (Maytenus ilicifolia): Para Que Serve e Como Preparar

O chá de espinheira-santa (Maytenus ilicifolia) protege a mucosa gástrica e alivia gastrite, azia e úlcera. Veja como preparar, doses e contraindicações.

Por Conselho Editorial13 Min de Leitura
Evidência Alta10 Referências
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Incluída na RENISUS como gastroprotetor natural, a espinheira-santa é a alternativa fitoterápica do SUS aos inibidores de bomba de prótons. Trata gastrites e úlceras com eficácia comprovada, reduzindo custos e efeitos colaterais do uso prolongado de omeprazol.
Incluída na RENISUS como gastroprotetor natural, a espinheira-santa é a alternativa fitoterápica do SUS aos inibidores de bomba de prótons. Trata gastrites e úlceras com eficácia comprovada, reduzindo custos e efeitos colaterais do uso prolongado de omeprazol.

O chá de espinheira-santa é tradicionalmente utilizado para auxiliar em quadros de gastrite, úlcera péptica e outros sintomas dispépticos, como azia, desconforto e dor abdominal, náusea e queimação no estômago. A proteção que a planta oferece à mucosa gástrica está relacionada à sua composição química rica em fitocomplexos.

A espinheira-santa é rica em flavonoides, taninos e triterpenos, compostos que agem inibindo os receptores H2 da histamina nas células parietais do estômago, reduzindo a secreção ácida gástrica, além de modular o efeito da gastrina. A planta também exerce ação bacteriostática contra a Helicobacter pylori, ao alterar a permeabilidade da membrana microbiana e dificultar a adesão da bactéria às células gástricas.

A espécie está incluída na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS) como gastroprotetora natural, reconhecimento que reflete o volume de estudos pré-clínicos e clínicos reunidos sobre seu uso tradicional no alívio de sintomas digestivos. Isso não significa que o chá deva substituir o tratamento prescrito por um médico para gastrite ou úlcera, incluindo o uso de inibidores de bomba de prótons como o omeprazol quando indicados; qualquer mudança no tratamento em curso deve ser sempre conversada antes com um profissional de saúde.

Sumário do Artigo
  1. O Que É a Espinheira Santa
  2. Outros Nomes Populares da Espinheira Santa
  3. Usos Tradicionais do Chá de Espinheira Santa
  4. Composição Química da Espinheira Santa
  5. Mecanismos de Ação e Atividade Gastroprotetora
  6. Pesquisas Científicas sobre a Espinheira Santa
  7. Benefícios do Chá de Espinheira Santa para o Estômago
  8. Ação Anti-Inflamatória e Analgésica
  9. Espinheira Santa e a Saúde da Pele
  10. Modo de Preparo do Chá de Espinheira Santa
  11. Contraindicações e Efeitos Colaterais da Espinheira Santa
  12. História e Uso Tradicional da Espinheira Santa
  13. Cultivo, Qualidade e Sustentabilidade da Espinheira Santa
  14. Espinheira Santa Comparada a Outros Tratamentos Naturais
  15. Considerações Finais sobre a Espinheira Santa
  16. Perguntas Frequentes sobre o Chá de Espinheira Santa

O Que É a Espinheira Santa

A espinheira-santa é uma árvore ou arbusto perene da família Celastraceae, cujo nome científico é Maytenus ilicifolia. Nativa do sul do Brasil e de regiões vizinhas do Paraguai e da Argentina, a planta pode atingir até cinco metros de altura e se desenvolve bem em solos bem drenados, em clima subtropical. Suas folhas, rígidas, ovais e de bordas espinhosas, característica que deu origem ao nome popular, são a parte utilizada para fins medicinais e podem ser colhidas ao longo de todo o ano.

Outros Nomes Populares da Espinheira Santa

Cancerosa, espinheira-santa, maiteno, salva-vidas.

Usos Tradicionais do Chá de Espinheira Santa

  • Ação antibacteriana (combate H. pylori, Staphylococcus aureus, Streptococcus sp., Escherichia coli);
  • Cólicas;
  • Diurético;
  • Gases intestinais;
  • Infecção urinária;
  • Prisão de ventre;
  • Problemas estomacais (úlceras, azia, gastrite);
  • Refluxos gástricos.

Composição Química da Espinheira Santa

Os benefícios terapêuticos da espinheira-santa vêm de uma composição química diversa. Entre os triterpenos, destacam-se a friedelina e o friedelanol, compostos associados à ação anti-inflamatória e analgésica. Os taninos, polifenóis de propriedades adstringentes, contribuem para a proteção da mucosa gástrica e para a cicatrização de úlceras, além de conferir ao chá seu sabor característico amargo. Já entre os flavonoides, a planta é rica em quercetina e kaempferol, antioxidantes que combatem radicais livres e ajudam a prevenir o dano celular.

Mecanismos de Ação e Atividade Gastroprotetora

O efeito protetor da espinheira-santa é comparado ao da cimetidina, anti-histamínico com ação inibitória sobre a secreção gástrica de ácidos e sobre quadros hemorrágicos digestivos comumente observados na úlcera péptica. O extrato das folhas mostrou efeitos antiulcerogênicos em pacientes com dispepsia alta ou úlcera péptica em estudos já publicados.

Os triterpenos, como a friedelina, atuam inibindo a bomba de prótons H+/K+-ATPase, enzima responsável pela produção de ácido no estômago, o que reduz a acidez gástrica de forma eficaz. Os taninos, por sua ação adstringente, precipitam proteínas na superfície da mucosa e formam uma camada protetora sobre as lesões, protegendo as úlceras da ação do ácido e da pepsina e acelerando a cicatrização. Já os flavonoides, como a quercetina, inibem a produção de prostaglandinas e leucotrienos, contribuindo para reduzir a inflamação da parede do estômago.

Além dos triterpenos, taninos e flavonoides, a infusão das folhas fornece polissacarídeos, cujo possível mecanismo gastroprotetor inclui a capacidade de se ligar à superfície da mucosa gástrica, atuando como uma camada protetora, a atividade anti-secretora do suco gástrico, o aumento da síntese de muco e o sequestro de radicais livres.

A ação bacteriostática contra o H. pylori, uma das principais causas de gastrite e úlceras, ocorre por alterações na permeabilidade da membrana microbiana, que levam a perdas de eletrólitos e água e dificultam a adesão da bactéria às células gástricas.

Pesquisas Científicas sobre a Espinheira Santa

Estudos pré-clínicos em animais e estudos clínicos em pacientes com dispepsia e úlcera péptica sustentam a atividade antiulcerogênica da espinheira-santa e a melhora de sintomas relatada com o uso do extrato das folhas, em linha com o uso tradicional da planta. A pesquisa sobre novos compostos e possíveis mecanismos de ação segue em andamento, e a espécie continua sendo investigada como fonte de novos fitoterápicos gastroprotetores.

Benefícios do Chá de Espinheira Santa para o Estômago

O chá de espinheira-santa é amplamente utilizado para aliviar os sintomas da gastrite, reduzindo a acidez e a inflamação do estômago. No caso das úlceras pépticas, os compostos da planta formam uma camada protetora sobre a mucosa, cobrindo as áreas lesionadas e protegendo-as da ação do ácido gástrico, o que contribui para acelerar a cicatrização.

Ação Anti-Inflamatória e Analgésica

Além da ação gastroprotetora, a espinheira-santa possui propriedades anti-inflamatórias atribuídas a compostos como os triterpenos, que ajudam a reduzir a inflamação em diversos tecidos. Sua ação analgésica auxilia no alívio de dores de diferentes origens, como dores de estômago, cólicas e dores musculares, sendo considerada por muitos uma alternativa mais suave aos analgésicos sintéticos.

Espinheira Santa e a Saúde da Pele

A espinheira-santa também é usada topicamente para a pele, aproveitando suas propriedades anti-inflamatórias e cicatrizantes. Extratos da planta podem auxiliar em problemas como acne e eczema, ajudando a reduzir a inflamação e a vermelhidão. A ação cicatrizante acelera a recuperação de cortes, arranhões e queimaduras leves: os taninos presentes na planta ajudam a formar uma camada protetora sobre a área lesionada, favorecendo a regeneração celular. Cremes, loções e pomadas com extrato de espinheira-santa estão disponíveis no mercado; antes de utilizá-los, vale consultar um dermatologista sobre o produto mais adequado.

Partes Utilizadas

Folhas.

Modo de Preparo do Chá de Espinheira Santa

O método indicado pela farmacopeia é a decocção, que extrai melhor os taninos e triterpenos das folhas rígidas da planta.

  1. Adicione uma colher de sopa de folhas secas de espinheira-santa a 150 ml de água fria.
  2. Leve ao fogo e deixe ferver por cinco minutos.
  3. Desligue o fogo e mantenha as folhas em contato com a água por mais 15 minutos.
  4. Coe e sirva.

Outra forma de preparo é por infusão: para cada xícara de água, use uma colher de sopa de folhas secas, despeje a água fervente sobre as folhas, tampe o recipiente e deixe em infusão de 10 a 15 minutos antes de coar.

Sugestão de Consumo

O chá deve ser ingerido em até 10 horas após o preparo, não podendo ser reaquecido. A sugestão clássica é tomar 150 ml da infusão duas horas após o almoço e à noite, podendo ser administrado até quatro vezes ao dia. Também é comum recomendar de duas a três xícaras diárias, preferencialmente cerca de 30 minutos antes das principais refeições, visando maximizar o efeito protetor sobre a mucosa gástrica. O sabor é amargo e pode ser suavizado com mel.

Formas de Uso Além do Chá

Além do chá tradicional, a espinheira-santa está disponível em outras apresentações. Extratos fluidos e tinturas, geralmente diluídos em água, permitem uma dosagem mais precisa dos compostos ativos. Cápsulas de pó oferecem praticidade e evitam o sabor amargo da planta, devendo a dosagem seguir as instruções do fabricante. Para uso tópico, pomadas, cremes e o próprio pó da planta, misturado com um pouco de água até formar uma pasta, podem ser aplicados diretamente na área afetada.

Contraindicações e Efeitos Colaterais da Espinheira Santa

O uso é contraindicado durante a gestação e a lactação, por reduzir a produção de leite materno, e para menores de 12 anos. Pessoas em uso de anti-hipertensivos devem ter cautela, já que a planta pode potencializar o efeito desses medicamentos e levar a uma queda excessiva da pressão arterial. O uso concomitante com sais de ferro também deve ser evitado: os taninos presentes na espinheira-santa podem se ligar ao mineral, prejudicando sua absorção, o que exige atenção especial de pessoas com anemia ferropriva.

Pessoas com hipersensibilidade à planta podem apresentar reações alérgicas, como coceira, vermelhidão e inchaço; nesse caso, o uso deve ser interrompido imediatamente. O uso prolongado ou em doses excessivas pode causar náuseas e boca seca. Antes de iniciar o uso, especialmente para quem já toma outros medicamentos, vale começar com uma dose pequena, observar a resposta do organismo e informar o médico ou farmacêutico responsável pelo tratamento, que poderá avaliar possíveis interações e a segurança do uso contínuo.

História e Uso Tradicional da Espinheira Santa

O uso medicinal da espécie é antigo. Povos indígenas do sul do Brasil, do Paraguai e da Argentina já conheciam suas propriedades e a utilizavam para tratar problemas de estômago e cicatrizar feridas, conhecimento transmitido oralmente de geração em geração. Com a chegada dos colonizadores, jesuítas registraram em seus escritos a eficácia observada da planta, que acabou incorporada à medicina popular brasileira como remédio caseiro comum e, mais tarde, passou a ser investigada pela ciência moderna, que hoje busca confirmar e explicar os efeitos relatados há séculos pelo uso tradicional.

Cultivo, Qualidade e Sustentabilidade da Espinheira Santa

O aumento da demanda por espinheira-santa levanta preocupações sobre a extração predatória de populações selvagens, o que torna o cultivo sustentável, como o plantio em sistemas agroflorestais, uma alternativa importante para preservar a biodiversidade local. A planta se adapta bem a solos ricos em matéria orgânica, com irrigação adequada especialmente no início do cultivo, e a colheita seletiva das folhas garante que continue a crescer e produzir. A certificação orgânica, que garante ausência de agrotóxicos, é um diferencial na escolha de produtos de origem sustentável.

A eficácia do tratamento também depende da qualidade da matéria-prima. A identificação botânica correta é essencial, já que existem outras espécies que podem ser confundidas com a espinheira-santa, e o uso da planta errada pode ser ineficaz ou até tóxico. A secagem deve ser feita à sombra, em local arejado, para preservar os compostos ativos, com armazenamento em recipientes bem fechados e ao abrigo de luz e umidade. Selos de qualidade e certificados de análise ajudam a garantir a procedência e a segurança do produto.

Espinheira Santa Comparada a Outros Tratamentos Naturais

Outras plantas também são usadas tradicionalmente para problemas digestivos, cada uma com um mecanismo de ação distinto: o boldo estimula a produção de bile, auxiliando na digestão, enquanto a camomila tem efeito calmante e anti-inflamatório. A espinheira-santa se destaca pela ação antiulcerogênica e pela capacidade de proteger diretamente a mucosa gástrica, o que a torna especialmente associada a gastrite e úlceras. A combinação de plantas medicinais pode ser benéfica, mas deve ser feita com orientação de um fitoterapeuta, que considera as necessidades individuais de cada pessoa.

Considerações Finais sobre a Espinheira Santa

A espinheira-santa é um exemplo da riqueza da flora brasileira, com uso tradicional documentado há gerações e hoje estudado pela ciência. O uso responsável da planta, respeitando dosagens e contraindicações, aliado à orientação profissional e à escolha de produtos de procedência e qualidade certificadas, é o que tende a garantir melhores resultados. A pesquisa sobre a espinheira-santa segue em andamento, com potencial para revelar novos usos e aplicações.

Perguntas Frequentes sobre o Chá de Espinheira Santa

O Chá de Espinheira Santa Emagrece?

Não há evidências científicas de que o chá de espinheira santa emagreça. Seu uso principal é para problemas digestivos e ele não possui propriedades que promovam a perda de peso, embora uma boa digestão possa contribuir para o bem-estar geral.

Posso Tomar o Chá de Espinheira Santa Todos os Dias?

O uso diário do chá é possível, mas com moderação, seguindo a dosagem de duas a três xícaras por dia. O uso prolongado deve ser acompanhado por um profissional de saúde, que poderá avaliar a necessidade e a segurança do tratamento contínuo.

Qual o Melhor Horário para Tomar o Chá?

Uma recomendação comum é tomar o chá cerca de 30 minutos antes das refeições, o que maximiza seus efeitos protetores sobre a mucosa gástrica. Outra prática tradicional é consumi-lo duas horas após o almoço e à noite.

O Chá de Espinheira Santa Tem Sabor Amargo?

Sim, o chá de espinheira santa tem um sabor caracteristicamente amargo, devido à presença de taninos e outros compostos. Se o sabor for muito forte, é possível adoçar com mel.

Posso Usar a Espinheira Santa Junto com Outros Medicamentos?

É importante ter cautela ao combinar a espinheira santa com outros medicamentos, pois ela pode interagir com alguns fármacos. Pessoas que usam anti-hipertensivos devem ter atenção redobrada. Consulte sempre um médico ou farmacêutico antes de fazer a combinação.

Onde Posso Comprar Folhas de Espinheira Santa?

As folhas de espinheira santa podem ser encontradas em lojas de produtos naturais, farmácias de manipulação e feiras de ervas. É importante comprar de fornecedores confiáveis, o que garante a qualidade e a pureza do produto.

A Espinheira Santa É a Mesma Coisa Que Aroeira?

Não, espinheira santa e aroeira são plantas diferentes. Embora ambas sejam usadas na medicina popular, elas têm propriedades distintas: a espinheira santa é a Maytenus ilicifolia, enquanto aroeira pode se referir a várias espécies do gênero Schinus. É importante não confundir as plantas.

O Chá de Espinheira Santa Serve para Refluxo?

Sim, o chá de espinheira santa pode ajudar a aliviar os sintomas do refluxo. Sua ação protetora da mucosa gástrica ajuda a reduzir a acidez e a irritação do esôfago, podendo ser um complemento ao tratamento convencional do refluxo.

Referências

10 Referências Citadas

Nível de Evidência: 🥇 Alto

Baseado em 10 Referências Citadas (7 Peer-Reviewed, 2 Institucionais, 1 Complementar).

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Estudos Científicos Peer-Reviewed (7)

  1. PMC Pharmacological and Toxicological Study of Maytenus ilicifolia
  2. PEER Evaluation of antinociceptive, anti-inflammatory and antiulcerogenic activities of Maytenus ilicifolia
  3. PEER Flavonoid-rich fraction of Maytenus ilicifolia Mart. ex. Reiss protects the gastric mucosa
  4. PMC Flavonoid-rich fraction of Maytenus ilicifolia Mart. ex. Reiss
  5. PEER Phytochemistry and Pharmaceutical Technology Studies on Monteverdia ilicifolia
  6. PEER Characterization of the chemical profile and the effects of ethanolic extracts of Maytenus ilicifolia
  7. PEER Extraction and characterization of volatile compounds in Maytenus ilicifolia

Fontes Institucionais (2)

  1. GOV Wound healing activity of the hydroethanolic extract of Maytenus ilicifolia
  2. GOV Use of Maytenus Ilicifolia in the Treatment of Dyspepsia

Leituras Complementares (1)

  1. A Polysaccharide from a Tea (Infusion) of Maytenus ilicifolia

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