Chás Medicinais

Chá de Macela (Achyrocline satureioides): Para Que Serve e Como Preparar

Descubra para que serve o chá de macela (camomila nacional): benefícios digestivos e calmantes, modo de preparo correto e as principais contraindicações antes de consumir com regularidade.

Por Conselho Editorial12 Min de Leitura
Evidência Moderada13 Referências
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A macela (Achyrocline satureioides) é uma planta nativa do sul da América do Sul, conhecida popularmente como camomila brasileira ou camomila nacional pelo aroma e pelos usos tradicionais parecidos com os da camomila europeia. O chá feito com suas flores secas tem uso consolidado na medicina popular gaúcha e uruguaia para digestão, cólicas e ansiedade leve, e conta com estudos pré-clínicos e alguns ensaios clínicos que dão suporte a parte desse uso tradicional.

Ainda assim, boa parte da evidência disponível vem de estudos in vitro e em animais, e o perfil de segurança da planta em uso contínuo e prolongado segue pouco estudado. Este guia reúne o que se sabe sobre a composição química da macela, seus usos tradicionais, o modo de preparo do chá e as contraindicações que merecem atenção antes do consumo regular.

Sumário do Artigo
  1. O Que É a Macela
  2. Composição Química da Macela
  3. Benefícios Digestivos do Chá de Macela
  4. Ação Calmante e Apoio para o Sono
  5. Propriedades Anti-Inflamatórias e Analgésicas
  6. Possível Efeito Hepatoprotetor
  7. Uso Tradicional para Imunidade e Vias Respiratórias
  8. Como Preparar o Chá de Macela
  9. Contraindicações do Chá de Macela
  10. Perguntas Frequentes sobre o Chá de Macela

O Que É a Macela

A macela é uma planta herbácea aromática da família Asteraceae, a mesma da camomila e do girassol. É nativa do Brasil, do Uruguai, da Argentina e do Paraguai, e cresce de forma espontânea em campos e pastagens, sobretudo no Rio Grande do Sul. Também é conhecida como marcela, camarinha, camomila-do-campo ou erva-das-lavadeiras.

Suas pequenas flores amareladas se agrupam em capítulos, que são colhidos e secos para uso no chá. O aroma suave e adocicado é uma das características mais marcantes da planta, e é justamente essa semelhança com a camomila que rendeu à macela o apelido de camomila nacional.

Uso Tradicional e Cultural

Povos indígenas da região, entre eles os Guarani, já usavam a macela havia séculos para questões digestivas, febres e dores, e o conhecimento foi documentado por missionários jesuítas durante o período colonial. Em algumas regiões do sul do Brasil, mantém-se até hoje o costume de colher a macela na Sexta-Feira Santa, associando a colheita a crenças populares de purificação. Além do chá, as flores secas também são usadas para perfumar travesseiros e almofadas e, popularmente, como corante natural. Esses usos são culturais e não substituem indicação medicinal.

Composição Química da Macela

Flores de macela (Achyrocline satureioides)

As flores de macela reúnem um conjunto amplo de compostos bioativos, o que explica a diversidade de usos tradicionais atribuídos à planta.

Flavonoides

Os principais flavonoides encontrados nas flores são a quercetina, a luteolina, a 3-O-metilquercetina e a achirobicalcona, uma chalcona descrita como característica do gênero Achyrocline. A quercetina e a luteolina têm ação antioxidante e anti-inflamatória bem documentada em estudos in vitro, enquanto a achirobicalcona é o composto mais associado, em modelos animais, à atividade ansiolítica e sedativa leve da planta.

Óleo Essencial e Terpenoides

O aroma característico da macela vem do seu óleo essencial, rico em terpenoides como o alfa-bisabolol, também presente na camomila, e o cariofileno. Esses compostos estão associados, em estudos pré-clínicos, a atividade calmante, antiespasmódica e anti-inflamatória leve, e ajudam a explicar o uso tradicional do chá para cólicas e desconforto digestivo.

Outros Compostos

A planta também contém cumarinas, ácidos fenólicos (como o ácido cafeico e o ácido clorogênico) e derivados de floroglucinol, aos quais se atribui parte da atividade antioxidante e antiespasmódica observada em laboratório.

Benefícios Digestivos do Chá de Macela

O uso tradicional mais difundido da macela é digestivo. O chá é associado, pela ação carminativa do óleo essencial e pela atividade antiespasmódica observada em estudos pré-clínicos com extratos da planta, ao alívio de indigestão, gases, cólicas estomacais e distensão abdominal. É um dos chás digestivos mais populares no Rio Grande do Sul e no Uruguai, geralmente consumido após as refeições.

A macela também é tradicionalmente associada ao estímulo da produção de bile, o que pode contribuir para a digestão de gorduras e para reduzir a sensação de inchaço após refeições mais pesadas. A ação antiespasmódica atribuída a seus compostos também sustenta o uso tradicional do chá para cólicas menstruais, além das digestivas.

Ação Calmante e Apoio para o Sono

O uso da macela como calmante suave para ansiedade leve e insônia ocasional tem respaldo em estudos pré-clínicos que mostram atividade sedativa e ansiolítica de flavonoides da planta em modelos animais, por um mecanismo semelhante ao já descrito para a camomila comum. Por ser um efeito leve e observado principalmente em estudos com animais, a macela deve ser vista como um apoio complementar, não como substituto de tratamento para ansiedade ou insônia persistentes.

Uma xícara do chá cerca de uma hora antes de dormir é a forma tradicional de uso para esse fim. O relato popular associa o chá a menos sonolência residual no dia seguinte, se comparado a sedativos sintéticos, embora faltem estudos clínicos robustos que confirmem esse ponto especificamente em humanos.

Propriedades Anti-Inflamatórias e Analgésicas

Estudos in vitro mostram que extratos de macela inibem marcadores de inflamação e neutralizam radicais livres, atividade atribuída principalmente à quercetina, à luteolina e ao cariofileno. Essa base química sustenta o uso tradicional do chá, e também de compressas mornas feitas com ele, para desconfortos como dor de cabeça tensional, dores musculares leves e dores articulares ocasionais.

Pesquisas preliminares investigam um possível papel coadjuvante da planta em quadros inflamatórios crônicos, mas os dados ainda são insuficientes para qualquer indicação nesse sentido; o chá não substitui tratamento médico para doenças inflamatórias como a artrite. A mesma base química sustenta o uso tópico tradicional da macela para irritações leves de pele, embora ensaios clínicos dedicados a essa aplicação específica ainda sejam escassos.

Possível Efeito Hepatoprotetor

Estudos pré-clínicos sugerem um possível efeito protetor sobre as células do fígado, atribuído aos compostos antioxidantes da macela, que ajudariam a neutralizar toxinas e radicais livres. Os dados ainda são preliminares e vêm principalmente de modelos animais; pessoas com doença hepática diagnosticada, como hepatite ou cirrose, devem consultar um médico antes de consumir o chá com regularidade.

Uso Tradicional para Imunidade e Vias Respiratórias

A macela é tradicionalmente associada ao fortalecimento das defesas do organismo, o que é atribuído em parte aos seus compostos antioxidantes. Estudos in vitro indicam atividade antimicrobiana de extratos da planta frente a alguns micro-organismos, o que ajuda a explicar o uso popular do chá em quadros leves de resfriado, dor de garganta e congestão nasal, sempre como apoio e nunca como substituto de tratamento médico.

Um ensaio clínico randomizado, controlado por placebo e publicado em 2025 avaliou a infusão de macela em pessoas com sintomas leves de infecção respiratória e observou recuperação mais rápida de sintomas como dor de garganta e espirros no grupo que consumiu o chá, em comparação ao placebo. Trata-se de um estudo sobre sintomas leves; ele não permite concluir que o chá trate infecções respiratórias mais graves, e não substitui avaliação médica em caso de febre persistente, falta de ar ou piora dos sintomas.

Como Preparar o Chá de Macela

  1. Aqueça cerca de 1 litro de água filtrada até o ponto de pré-fervura, quando as primeiras bolhas começarem a se formar no fundo da panela.
  2. Desligue o fogo e acrescente uma colher de sopa das flores secas de macela.
  3. Tampe o recipiente e deixe em infusão por 10 a 15 minutos.
  4. Coe o chá antes de servir. Pode ser adoçado com mel, se desejar, e consumido quente ou frio.

A recomendação tradicional é de 2 a 3 xícaras ao dia, preferencialmente após as refeições para o efeito digestivo, ou à noite para o efeito calmante.

Contraindicações do Chá de Macela

Por pertencer à família Asteraceae, a mesma da camomila, da margarida e do crisântemo, pessoas com alergia conhecida a plantas dessa família devem evitar o uso, pelo risco de reação cruzada como erupção cutânea, inchaço ou dificuldade respiratória. Há poucos estudos de segurança para gestantes e lactantes, por isso a recomendação padrão é evitar o uso nesses grupos até que existam dados mais robustos. Pessoas com doença hepática diagnosticada também devem buscar orientação médica antes de consumir o chá com regularidade.

Consumo em quantidades muito elevadas e por período prolongado deve ser evitado, já que não há dados de segurança suficientes para uso crônico continuado. A macela pode potencializar o efeito de sedativos, calmantes e antidepressivos, e existe a possibilidade de interação com anticoagulantes, com aumento do risco de sangramento, e com hipoglicemiantes, com alteração dos níveis de açúcar no sangue. Quem usa qualquer medicamento de uso contínuo deve consultar um médico ou farmacêutico antes de associar o chá, pela possibilidade de interações ainda não completamente mapeadas.

Perguntas Frequentes sobre o Chá de Macela

Macela e Camomila São a Mesma Planta?

Não. São espécies diferentes (a camomila é Matricaria chamomilla), mas pertencem à mesma família botânica e compartilham compostos e usos tradicionais semelhantes, o que rendeu à macela o apelido de camomila nacional.

O Chá de Macela Pode Ser Tomado Todos os Dias?

Em quantidades moderadas, de até três xícaras por dia, é considerada segura para a maioria dos adultos saudáveis. Para uso diário contínuo por longos períodos, o ideal é fazer pausas periódicas e buscar orientação de um profissional de saúde, pela escassez de estudos de segurança para esse cenário.

Grávidas Podem Tomar Chá de Macela?

Não é recomendado sem orientação médica direta, tanto na gestação quanto na amamentação, pela falta de estudos de segurança suficientes nesses períodos.

O Chá de Macela Serve para Cólica Menstrual?

Sim, o uso tradicional para cólicas inclui tanto as digestivas quanto as menstruais, pela ação antiespasmódica atribuída aos compostos da planta.

Quem Tem Alergia a Camomila Pode Tomar Macela?

Não é recomendado sem avaliação prévia. Ambas pertencem à família Asteraceae, e existe risco real de reação alérgica cruzada.

Como Diferenciar a Macela de Outras Plantas Parecidas?

A macela tem pequenas flores amareladas reunidas em capítulos densos e aroma adocicado característico. Como costuma ser vendida já seca em pacotes, a identificação visual da planta inteira é difícil para quem não é especialista; prefira sempre fornecedores de confiança.

O Chá de Macela Interage com Medicamentos?

Pode interagir, principalmente com sedativos, antidepressivos, anticoagulantes e hipoglicemiantes. Não há mapeamento completo dessas interações; por precaução, quem usa medicamentos de uso contínuo deve consultar um médico ou farmacêutico antes de associar o chá.

Crianças Podem Tomar Chá de Macela?

Apenas com orientação pediátrica. A automedicação em crianças pequenas não é recomendada.

O Chá de Macela Ajuda a Emagrecer?

Não existe efeito direto de queima de gordura associado ao chá de macela. Ele pode ser um apoio complementar em uma rotina de emagrecimento por sua ação digestiva, pelo possível efeito calmante sobre a compulsão alimentar ligada à ansiedade e por um leve efeito diurético, mas não substitui alimentação equilibrada e atividade física.

Onde Comprar Flores de Macela de Boa Qualidade?

Lojas de produtos naturais, mercados de ervas, feiras livres e lojas online costumam vender as flores secas. Prefira produtos com cor amarela viva e aroma fresco, evite os que estiverem desbotados, cheios de caules ou com sinais de mofo, e dê preferência a fornecedores de confiança. Quem prefere comprar pela internet encontra o chá de macela na Loja Medicina Natural.

Referências

13 Referências Citadas

Nível de Evidência: 🥈 Moderado

Baseado em 13 Referências Citadas (6 Peer-Reviewed, 7 Complementares).

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Estudos Científicos Peer-Reviewed (6)

  1. PEER2023 Achyrocline satureioides review: From the pharmacochemical diversity to the technological development of products. Fitoterapia, 2023.
  2. PMC2002 Hepatoprotective activity of Achyrocline satureioides (Lam) DC. Journal of Ethnopharmacology, 2002.
  3. PMC1988 Pharmacological investigations on Achyrocline satureioides (Lam.) DC., compositae. Journal of Ethnopharmacology, 1988.
  4. PEER2010 Antiulcer effects of Achyrocline satureoides (Lam.) DC (Asteraceae) (Marcela) in different experimental models. Journal of Ethnopharmacology, 2010.
  5. PEER2008 Immunomodulatory properties of Achyrocline satureioides (Lam.) DC infusion: a study on human leukocytes. Journal of Ethnopharmacology, 2008.
  6. PEER2004 Antioxidant, a pro-oxidant and cytotoxic effects of Achyrocline satureioides extracts. Life Sciences, 2004.

Leituras Complementares (7)

  1. 2025 Validation of a Traditional Medicine, Achyrocline satureioides Infusion, for the Improvement of Mild Respiratory Infection Symptoms: A Randomized, Placebo-Controlled and Open-Label Clinical Trial. Pharmaceuticals, 2025.
  2. Macela – Achyrocline satureoides Database file in the Tropical Plant Database of herbal remedies. Raintree.
  3. 2011 Phytochemical and pharmacological review of Achyrocline satureioides (Lam.) DC (Marcela). Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences, 2011.
  4. 2015 Achyrocline satureioides (Lam.) DC.: A review of its traditional uses, chemical constituents, and pharmacological activities. Pharmacognosy Reviews, 2015.
  5. Simões CM, et al. Achyrocline satureioides: a review of its ethnopharmacology, phytochemistry and pharmacology. Fitoterapia.
  6. Retta D, et al. Chemical composition and biological effects of Achyrocline satureioides. Journal of Ethnopharmacology.
  7. Lorenzo D, Loayza I. Composição e atividade do óleo essencial de Achyrocline satureioides. Journal of Essential Oil Research.

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