Saúde da Mulher

Gordura no Fígado: Saiba Como Reverter a Esteatose Hepática

Descubra as causas da gordura no fígado, os sintomas de alerta e como a dieta, o exercício e a perda de peso ajudam a reverter a esteatose hepática aos poucos. Veja também quando procurar um médico e quais exames confirmam o diagnóstico.

Por Conselho Editorial21 Min de Leitura
Evidência Moderada10 Referências
Publicado em Atualizado em
A gordura no fígado, conhecida como esteatose hepática, é uma condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura nas células do fígado. Muitas vezes silenciosa no início, ela pode passar despercebida por bastante tempo. Por isso, imagens explicativas sobre gordura no fígado são essenciais para ampliar a conscientização e facilitar o entendimento do problema.
O fígado é um órgão vital responsável por filtrar toxinas e metabolizar gorduras. A esteatose hepática pode ser revertida com mudanças no estilo de vida.

Muita gente descobre a gordura no fígado por acaso, num exame de rotina pedido por outro motivo qualquer, e só então percebe que o problema já vinha se instalando havia meses ou anos sem dar sinal algum. Esse cenário é comum: a condição, hoje conhecida clinicamente como esteatose hepática, tornou-se uma das doenças hepáticas mais frequentes do mundo, e sua expansão acompanha de perto o crescimento da obesidade, do diabetes tipo 2 e da síndrome metabólica em geral.

Parte da comunidade médica internacional passou a adotar o termo MASLD (sigla em inglês para doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica) justamente para reforçar essa ligação com distúrbios metabólicos sistêmicos, como resistência à insulina, colesterol alterado e pressão alta. A mudança de nome não é apenas semântica: ela ajuda médicos e pacientes a enxergar a esteatose como parte de um quadro metabólico mais amplo, e não como um problema isolado do fígado.

Este guia reúne o que hoje se sabe sobre causas, sintomas, diagnóstico e tratamento da gordura no fígado, incluindo o papel central da dieta e da atividade física na reversão do quadro. A proposta é oferecer informação clara e baseada em evidências, para que cada leitor entenda seus próprios riscos, converse com mais segurança com o médico e saiba quais mudanças de hábito realmente fazem diferença.

Sumário do Artigo
  1. O Que É Gordura no Fígado (Esteatose Hepática)?
  2. As Principais Causas da Esteatose Hepática
  3. Sinais e Sintomas: Como Reconhecer a Gordura no Fígado
  4. Como o Diagnóstico da Esteatose Hepática É Feito
  5. Tratamentos e Mudanças no Estilo de Vida
  6. A Dieta Ideal para um Fígado Saudável
  7. A Importância da Atividade Física Regular
  8. Complicações e Riscos Associados
  9. Prevenção: Como Evitar o Acúmulo de Gordura no Fígado
  10. Cuidados Antes de Usar Chás e Suplementos para o Fígado
  11. Perguntas Frequentes Sobre Gordura no Fígado

O Que É Gordura no Fígado (Esteatose Hepática)?

Comparação entre um fígado saudável e um fígado com gordura, ilustrando a esteatose hepática

A esteatose hepática, nome técnico da gordura no fígado, é definida pelo acúmulo excessivo de lipídios, principalmente triglicerídeos, dentro dos hepatócitos, que são as células do fígado. Quando esse acúmulo ultrapassa cerca de 5% a 10% do peso do órgão, considera-se presente a doença. O fígado fica sobrecarregado e, com o tempo, funções importantes como metabolizar nutrientes, produzir substâncias essenciais e filtrar compostos que o corpo precisa eliminar tendem a ficar comprometidas.

DHGA, DHGNA e a Chegada do Termo MASLD

Historicamente, a condição foi dividida em dois grandes grupos. A doença hepática gordurosa alcoólica (DHGA) está ligada ao consumo crônico e excessivo de bebidas alcoólicas. Já a doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) ganhou destaque por sua forte relação com obesidade, diabetes tipo 2 e alterações nos lipídios do sangue. Mais recentemente, parte da comunidade médica passou a adotar o termo MASLD no lugar de DHGNA, reforçando essa conexão metabólica sem alterar, na prática, a forma como o quadro costuma ser investigado e tratado.

Por Que Esse Diagnóstico Se Tornou Tão Frequente

A MASLD é hoje a forma mais comum de doença hepática crônica no mundo ocidental, e sua prevalência caminha lado a lado com a epidemia global de obesidade e diabetes. Aumento da circunferência abdominal, colesterol alterado, dificuldade para controlar a glicose e pressão alta costumam aparecer no mesmo contexto clínico. Por isso, falar sobre gordura no fígado vai muito além do próprio fígado: trata-se de um sinal de alerta metabólico que merece avaliação médica e revisão consistente do estilo de vida.

As Principais Causas da Esteatose Hepática

Representação das doenças do fígado, incluindo a gordura no fígado e suas causas

Obesidade Abdominal e Resistência à Insulina

A obesidade, sobretudo a abdominal, segue como a causa mais bem estabelecida da esteatose hepática. O tecido adiposo visceral, aquele acumulado ao redor da cintura, é metabolicamente ativo e libera substâncias que favorecem um ambiente inflamatório no organismo. Nesse cenário, a resistência à insulina ganha força e dificulta o uso eficiente da glicose pelas células, o que leva o corpo a produzir e armazenar mais gordura, inclusive de forma ectópica, ou seja, fora dos locais habituais de armazenamento, como dentro do próprio fígado.

Triglicerídeos Altos, Álcool e Outros Fatores de Risco

Níveis cronicamente elevados de triglicerídeos no sangue também aumentam a chance de depósito de gordura no fígado. O consumo excessivo e continuado de álcool é outra causa bem documentada, porque seu metabolismo produz substâncias tóxicas que lesionam as células hepáticas e intensificam o estresse oxidativo. Em muitos casos, esses fatores se somam a colesterol alterado, hipertensão e histórico familiar da doença, o que torna o quadro clínico ainda mais complexo.

Sedentarismo, Dieta Inadequada e Predisposição Genética

Uma rotina sedentária favorece o ganho de peso e dificulta o equilíbrio metabólico como um todo. Uma dieta rica em açúcares refinados, gorduras saturadas e trans, frituras e alimentos ultraprocessados cria um terreno propício para o acúmulo de gordura hepática; refrigerantes, doces e o excesso de calorias líquidas pesam bastante nesse processo. Além dos hábitos, algumas pessoas parecem ter maior predisposição genética para acumular gordura no fígado, o que ajuda a explicar por que nem todo mundo evolui da mesma forma diante dos mesmos fatores de risco.

Sinais e Sintomas: Como Reconhecer a Gordura no Fígado

Fígado saudável, sem sinais de gordura no fígado ou esteatose hepática

Uma Doença Frequentemente Silenciosa

Na maior parte dos casos, a gordura no fígado evolui de forma silenciosa por bastante tempo. A pessoa não percebe qualquer alteração relevante na rotina e só descobre o problema ao fazer exames pedidos por outro motivo de saúde. Essa ausência de sinais nos estágios iniciais explica por que o diagnóstico costuma ser tardio, e reforça por que quem tem fatores de risco, como obesidade, diabetes ou colesterol alterado, merece atenção redobrada mesmo sem sintomas.

Sintomas Mais Comuns Quando a Doença Avança

Quando os sintomas aparecem, costumam ser pouco específicos no início. Cansaço persistente, sensação de peso abdominal e um desconforto leve na parte superior direita do abdômen, justamente onde o fígado está localizado, estão entre as queixas mais relatadas. Esses sinais não confirmam o diagnóstico por si só, mas justificam investigação médica quando persistem por várias semanas.

Sinais de Alerta em Estágios Mais Graves

Nas fases mais avançadas, quando já existe inflamação importante, fibrose ou cirrose, podem surgir manifestações mais preocupantes: acúmulo de líquido no abdômen (ascite), aumento do fígado, coloração amarelada na pele ou nos olhos (icterícia), emagrecimento involuntário e perda de apetite. Esses sinais indicam comprometimento hepático mais relevante e pedem avaliação médica rápida.

Como o Diagnóstico da Esteatose Hepática É Feito

Fígado afetado por gordura no fígado, condição conhecida como esteatose hepática

Avaliação Clínica e Exames de Sangue

O caminho do diagnóstico geralmente começa com uma conversa detalhada sobre histórico de saúde: colesterol alto, diabetes, ganho de peso ao longo do tempo, hipertensão e uso de álcool. Em seguida, o médico costuma solicitar exames de sangue, incluindo as enzimas hepáticas TGO (AST) e TGP (ALT). Esses resultados não fecham o diagnóstico sozinhos, mas ajudam a identificar inflamação e a direcionar os próximos passos da investigação.

Ultrassom Abdominal e Elastografia Hepática

Entre os exames de imagem, o ultrassom abdominal segue como a ferramenta mais usada na prática clínica: é acessível, não invasivo e mostra com boa sensibilidade a presença de gordura no fígado. Em muitos casos, a elastografia hepática é acrescentada à avaliação para medir a rigidez do tecido, o que ajuda a estimar o grau de fibrose e a separar quadros mais simples de situações que exigem vigilância mais próxima.

Ressonância Magnética e Biópsia Hepática

Em situações específicas, a investigação pode avançar para métodos mais detalhados. A ressonância magnética permite quantificar com boa precisão a quantidade de gordura e o grau de comprometimento do fígado. Já a biópsia hepática, embora invasiva, ainda é considerada o método mais completo para confirmar inflamação, diferenciar esteatose simples de esteato-hepatite e definir o estágio da fibrose; por ser invasiva, costuma ficar reservada para casos selecionados.

Tratamentos e Mudanças no Estilo de Vida

Ilustração da progressão da saúde do fígado com mudanças no estilo de vida

Perda de Peso: a Base do Tratamento

O tratamento da esteatose hepática se concentra, antes de tudo, na correção das causas que sustentam o acúmulo de gordura, e hoje não existe um medicamento único aprovado para tratar isoladamente o problema. A perda de peso tem papel central nesse processo: estudos indicam que perder de 5% a 10% do peso corporal total já costuma ser suficiente para reduzir de forma relevante a quantidade de gordura no fígado, a inflamação e, em estágios iniciais, até o grau de fibrose.

Atividade Física Como Parte do Tratamento

A atividade física regular ajuda a gastar energia, melhora a sensibilidade à insulina e favorece o controle do peso corporal, mesmo quando a perda de peso na balança acontece mais devagar do que o esperado. A recomendação geral costuma ficar entre 150 e 300 minutos semanais de atividade aeróbica de intensidade moderada, associados a exercícios de força para preservar ou ampliar a massa muscular.

Medicamentos e Acompanhamento Médico

Embora não exista um remédio único capaz de resolver isoladamente a gordura no fígado, alguns medicamentos podem entrar no manejo de condições associadas ou de casos selecionados de inflamação hepática, sempre sob avaliação de um médico. Estatinas, metformina, pioglitazona e vitamina E são exemplos que aparecem em contextos específicos, mas nenhum deles substitui alimentação adequada, exercício regular e acompanhamento contínuo, que seguem como a base real do tratamento.

A Dieta Ideal para um Fígado Saudável

Chás e alimentos associados aos cuidados com a saúde hepática

Dieta Mediterrânea Como Modelo Alimentar

A alimentação exerce papel decisivo tanto na prevenção quanto no tratamento da esteatose hepática. Entre os modelos mais estudados, a dieta mediterrânea aparece com frequência por valorizar alimentos frescos, integrais e pouco processados; frutas, grãos integrais, legumes, leguminosas e verduras compõem a base dessa rotina alimentar, oferecendo fibras, antioxidantes e melhor qualidade nutricional geral.

Gorduras Boas, Fibras e Peixes Ricos em Ômega-3

A escolha das fontes de gordura também importa. Azeite de oliva, castanhas e nozes costumam ser bem vistas nesse contexto, assim como peixes ricos em ômega-3, entre eles atum, salmão e sardinha. As fibras merecem destaque à parte, porque ajudam na saciedade, no controle glicêmico e na saúde intestinal; arroz integral, aveia, feijão, grão-de-bico e lentilha são exemplos úteis dentro dessa estratégia.

O Que Reduzir ou Evitar na Dieta

Na outra ponta, faz diferença reduzir alimentos ultraprocessados, bebidas açucaradas, doces, frituras e o excesso de gorduras saturadas e trans. Biscoitos recheados, fast-food, produtos muito calóricos, refrigerantes e sucos industrializados costumam pesar negativamente no controle da doença, e o álcool também entra entre os itens que merecem maior restrição. Em vez de mudanças radicais e passageiras, costuma funcionar melhor um padrão alimentar viável e mantido no longo prazo.

A Importância da Atividade Física Regular

Pessoa se exercitando ao ar livre como parte do tratamento da gordura no fígado

Como o Exercício Beneficia o Fígado

A atividade física não atua apenas na balança. Ela melhora a forma como o corpo usa a glicose, ajuda a reduzir a gordura visceral e favorece um ambiente metabólico menos inflamatório, fatores que influenciam diretamente a saúde hepática. Por isso, o exercício tem valor mesmo quando a perda de peso acontece de forma mais lenta do que o esperado.

Exercícios Aeróbicos e a Meta de 150 Minutos Semanais

Bicicleta, caminhada em ritmo acelerado, corrida leve, dança e natação são exemplos de atividades aeróbicas que podem contribuir bastante para reduzir a gordura hepática. O principal benefício aparece quando a prática deixa de ser esporádica e passa a fazer parte da rotina semanal; acumular pelo menos 150 minutos semanais de atividade moderada costuma ser uma meta frequentemente recomendada, podendo chegar a 300 minutos conforme o objetivo e a orientação médica.

Treino de Força e Avaliação Profissional

Os exercícios de resistência, como musculação e treino funcional, também têm papel relevante, porque ajudam a manter a massa muscular e melhoram o gasto energético mesmo em repouso. Quando combinados com atividades aeróbicas, formam uma estratégia mais completa. Ainda assim, o plano ideal precisa considerar idade, condicionamento físico, limitações e presença de outras doenças, por isso iniciar qualquer programa com orientação profissional é uma medida prudente.

Complicações e Riscos Associados

Ilustração das doenças do fígado e da progressão da gordura no fígado

Da Esteatose à Esteato-Hepatite (MASH)

Ignorar a gordura no fígado pode abrir caminho para formas mais sérias de comprometimento hepático. Em alguns pacientes, o acúmulo de gordura permanece relativamente estável por anos; em outros, ele evolui para inflamação ativa e dano celular, quadro hoje frequentemente chamado de MASH (esteato-hepatite associada à disfunção metabólica). Quando essa transição acontece, o risco de progressão aumenta e o acompanhamento médico precisa se tornar mais atento.

Fibrose, Cirrose e Perda de Função Hepática

Com inflamação persistente, o organismo inicia um processo de cicatrização no fígado. Esse tecido cicatricial, chamado de fibrose, substitui gradualmente áreas saudáveis e pode se tornar mais extenso com o tempo. Em estágios avançados, a fibrose evolui para cirrose, situação em que o órgão perde parte relevante de sua estrutura e capacidade funcional, aumentando o risco de insuficiência hepática.

Risco Cardiovascular e Câncer de Fígado

Os riscos não se limitam ao sistema hepático. A gordura no fígado costuma caminhar junto com maior chance de doença cardiovascular, incluindo infarto e AVC, especialmente quando há diabetes, pressão alta e colesterol alterado no mesmo contexto. Em casos avançados, também aumenta o risco de câncer de fígado (carcinoma hepatocelular). Esse conjunto de complicações explica por que a esteatose não deve ser tratada como um achado banal, mesmo quando começou sem sintomas.

Prevenção: Como Evitar o Acúmulo de Gordura no Fígado

Etapas do diagnóstico da gordura no fígado e da esteatose hepática

Hábitos Alimentares e Controle de Peso

Prevenir a esteatose hepática depende, em grande parte, de escolhas repetidas ao longo do tempo. Manter um peso compatível com a saúde, organizar a alimentação e evitar o excesso de calorias vindas de ultraprocessados já representa um passo importante; frutas, grãos integrais, leguminosas, proteínas adequadas e vegetais tendem a compor uma base mais favorável. O objetivo não é perfeição imediata, mas constância suficiente para reduzir o acúmulo progressivo de gordura.

Controle Metabólico e Restrição ao Álcool

Também faz diferença acompanhar colesterol, glicemia, pressão arterial e triglicerídeos, especialmente em quem já recebeu diagnóstico de diabetes tipo 2, obesidade abdominal ou síndrome metabólica. Quanto melhor esse controle, menor tende a ser a pressão metabólica sobre o fígado. O consumo de álcool merece atenção especial, porque pode acelerar lesões hepáticas; em pessoas com diagnóstico confirmado, a restrição costuma ser uma orientação especialmente importante.

Check-ups Regulares e Diagnóstico Precoce

Exames de rotina ajudam a identificar alterações antes que sintomas apareçam, abrindo uma janela valiosa para intervenção precoce. Esse cuidado é ainda mais relevante para quem tem histórico familiar, excesso de peso ou alterações metabólicas persistentes. Quanto mais cedo a situação é reconhecida, maiores tendem a ser as chances de resposta com mudanças de estilo de vida e acompanhamento médico adequado.

Cuidados Antes de Usar Chás e Suplementos para o Fígado

Plantas e suplementos vendidos como aliados do fígado não são isentos de risco, e essa ressalva pesa ainda mais para quem já tem esteatose. Produtos fitoterápicos e suplementos figuram entre as causas reconhecidas de lesão hepática induzida por substâncias, de modo que o uso por conta própria pode agravar o quadro e ainda atrapalhar a interpretação de exames como TGO e TGP. As observações a seguir tratam dos itens mais citados quando o assunto é saúde do fígado e não substituem a avaliação de um profissional de saúde.

Cardo-Mariano: Alergias e Interações

O cardo-mariano (Silybum marianum) pertence à família Asteraceae, a mesma da arnica, da camomila e do crisântemo, e pode desencadear reações em pessoas alérgicas a esse grupo de plantas. Entre os efeitos mais relatados aparecem desconforto abdominal, efeito laxante leve e náusea, geralmente associados a doses maiores. Como o extrato interfere em enzimas hepáticas responsáveis pelo metabolismo de medicamentos, quem usa remédios de ajuste fino, entre eles anticoagulantes, antidiabéticos e imunossupressores, precisa conversar com o médico antes de incluir a planta na rotina. A segurança durante a gestação e a amamentação não está bem estabelecida.

Chá-Verde: Atenção aos Extratos Concentrados

A infusão preparada em casa e o extrato concentrado em cápsulas não têm o mesmo perfil de risco, e essa diferença é decisiva para quem tem gordura no fígado. Extratos de chá-verde (Camellia sinensis) padronizados em altas doses de EGCG já foram associados a casos de lesão hepática aguda, e agências sanitárias de vários países passaram a recomendar cautela com esse tipo de produto. A cafeína da bebida também merece atenção, porque em pessoas sensíveis pode provocar ansiedade, aumento da pressão arterial, insônia e palpitação, sobretudo quando somada a café, energéticos ou medicamentos estimulantes. Gestantes precisam considerar o total de cafeína do dia, e quem usa anticoagulantes deve informar ao médico o consumo regular.

Cúrcuma: Vesícula Biliar, Anticoagulantes e Doses Altas

A cúrcuma (Curcuma longa) estimula a contração da vesícula biliar, o que a torna desaconselhada em casos de obstrução das vias biliares e exige cautela em quem tem cálculo na vesícula. A literatura registra casos de lesão hepática associados a suplementos de curcumina, sobretudo com formulações de alta absorção, muitas delas combinadas com piperina, a substância da pimenta-preta. Doses altas também têm efeito antiplaquetário descrito, o que pede atenção de quem usa anticoagulantes ou antiagregantes e de quem tem cirurgia marcada. O uso como tempero na cozinha é bem diferente do uso em cápsulas concentradas, e essa segunda forma não é recomendada na gestação sem orientação médica.

Quando Levar o Assunto ao Médico

Para quem já tem diagnóstico confirmado, a conduta mais segura é levar à consulta a lista completa do que usa, incluindo cápsulas, chás, produtos comprados sem receita e vitaminas. Nenhum desses itens substitui perda de peso, alimentação adequada e atividade física regular, que seguem como a base do tratamento. Se durante o uso de qualquer suplemento surgirem sinais como cansaço fora do comum, dor na parte superior direita do abdômen, náusea persistente, pele e olhos amarelados ou urina escura, o produto deve ser interrompido e o caso avaliado sem demora.

Perguntas Frequentes Sobre Gordura no Fígado

Gordura no Fígado É Perigosa?

Sim, a gordura no fígado pode ser perigosa, especialmente quando o quadro evolui sem diagnóstico e sem correção das causas que o sustentam. Embora muitas pessoas passem anos sem sintomas importantes, a doença pode progredir para inflamação, fibrose, cirrose e, em casos graves, câncer de fígado. A esteatose hepática também costuma caminhar junto com maior risco cardiovascular, o que amplia o impacto do problema sobre a saúde geral.

É Possível Reverter a Gordura no Fígado?

Sim, em muitos casos, principalmente nos estágios iniciais, a gordura no fígado pode regredir com mudanças consistentes no estilo de vida. Perda de peso gradual, alimentação equilibrada, atividade física regular e controle das condições metabólicas associadas costumam produzir melhora relevante. O fígado tem capacidade de regeneração, e isso ajuda bastante quando a intervenção começa cedo.

Quem Tem Gordura no Fígado Pode Beber Álcool?

De modo geral, o consumo de álcool não é recomendado para quem tem gordura no fígado, porque o álcool agrava a sobrecarga hepática, pode aumentar a inflamação e favorece a progressão para estágios mais graves, como fibrose e cirrose. Em muitos casos, a orientação médica caminha para abstinência completa, sobretudo quando já existe lesão hepática identificada.

Quais Exames Detectam a Doença?

O diagnóstico costuma combinar avaliação clínica, exames de sangue e métodos de imagem. As enzimas hepáticas TGO e TGP ajudam a levantar suspeitas e acompanhar inflamação, enquanto o ultrassom abdominal é o exame mais usado para visualizar gordura no fígado. A elastografia contribui para estimar fibrose, a ressonância pode detalhar melhor alguns casos, e a biópsia hepática fica reservada para situações que exigem definição mais precisa.

Qual a Diferença Entre Esteatose e Esteato-Hepatite?

A esteatose hepática simples corresponde ao acúmulo de gordura no fígado sem inflamação relevante ou dano celular importante. Já a esteato-hepatite (MASH) representa uma fase mais avançada, em que além da gordura existe inflamação ativa e lesão das células hepáticas, o que eleva o risco de progressão para fibrose, cirrose e outras complicações.

Crianças Podem Ter Gordura no Fígado?

Sim, crianças e adolescentes também podem desenvolver gordura no fígado, cenário que se tornou mais frequente com o aumento da obesidade infantil, do sedentarismo e do consumo de alimentos ultraprocessados. Nessa faixa etária, o manejo também depende de mudanças de hábitos, organização da rotina familiar e acompanhamento com um profissional habilitado para avaliar cada caso.

Chás e Suplementos Naturais Ajudam a Tratar?

Alguns chás e suplementos, como o cardo-mariano (Silybum marianum), o chá-verde (Camellia sinensis) e a cúrcuma (Curcuma longa), vêm sendo estudados por possível ação antioxidante ou anti-inflamatória, mas não substituem o tratamento principal da gordura no fígado. A base do cuidado continua sendo perda de peso, alimentação adequada, atividade física e acompanhamento médico; qualquer uso complementar deve ser discutido com um profissional de saúde, especialmente quando já existem exames alterados ou uso de medicamentos.

Qual Profissional de Saúde Devo Procurar?

O primeiro passo pode ser uma consulta com clínico geral ou médico de família, que costuma avaliar sintomas, fatores de risco e exames iniciais. Quando há suspeita mais forte ou confirmação do diagnóstico, o acompanhamento pode seguir com gastroenterologista ou hepatologista, especialistas mais ligados ao tema; o suporte de um nutricionista também costuma ser muito útil, porque alimentação e organização da rotina têm peso central na melhora do quadro.

Referências

10 Referências Citadas

Nível de Evidência: 🥈 Moderado

Baseado em 10 Referências Citadas (5 Peer-Reviewed, 1 Institucional, 4 Complementares).

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Estudos Científicos Peer-Reviewed (5)

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  2. DOI2018 Chalasani, Naga, Zobair Younossi, Joel E. Lavine, Michael Charlton, Kenneth Cusi, Mary Rinella, Stephen A. Harrison, Elizabeth M. Brunt, & Arun J. Sanyal. The diagnosis and management of nonalcoholic fatty liver disease: Practice guidance from the American Association for the Study of Liver Diseases. Hepatology, 67(1), 328-357. 2018.
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  4. DOI2016 Younossi, Zobair M., Aaron B. Koenig, Dinan Abdelatif, Yousef Fazel, Linda Henry, & Mark Wymer. Global epidemiology of nonalcoholic fatty liver disease-Meta-analytic assessment of prevalence, incidence, and outcomes. Hepatology, 64(1), 73-84. 2016.
  5. DOI2022 Riazi, Kiarash, Hassan Azhari, Jacob H. Charette, Fox E. Underwood, James A. King, Elnaz Ehteshami Afshar, Mark G. Swain, Stephen E. Congly, Gilaad G. Kaplan, & Abdel-Aziz Shaheen. The prevalence and incidence of NAFLD worldwide: a systematic review and meta-analysis. Lancet Gastroenterology & Hepatology, 7(9), 851-861. 2022.

Fontes Institucionais (1)

  1. GOV National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK). NAFLD & NASH. Disponível em: niddk.nih.gov

Leituras Complementares (4)

  1. Mayo Clinic. Nonalcoholic fatty liver disease. Disponível em: mayoclinic.org
  2. Johns Hopkins Medicine. Nonalcoholic Fatty Liver Disease. Disponível em: hopkinsmedicine.org
  3. Ministério da Saúde do Brasil. Esteatose Hepática. Disponível em: gov.br/saude
  4. Hospital Israelita Albert Einstein. Esteatose Hepática. Disponível em: einstein.br

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