Plantas Medicinais

Maracujá (Passiflora): O Calmante Natural para Ansiedade

Maracujá (Passiflora) alivia ansiedade e insônia? Veja como usar em chá e extrato, doses seguras, contraindicações e o que dizem os estudos científicos.

Por Conselho Editorial20 Min de Leitura
Evidência Moderada10 Referências
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Maracujá
Suco natural de maracujá (Passiflora edulis) com sementes - fonte rica em flavonoides e compostos calmantes para ansiedade e insônia.

O maracujá pertence ao gênero Passiflora e é uma fruta tropical apreciada pelo aroma intenso e pela acidez marcante. Além do uso culinário, diferentes partes da planta se tornaram populares na fitoterapia, sobretudo flores e folhas. O interesse cresce porque o consumo costuma ser simples, em infusões ou extratos, e porque a tradição indígena e colonial já associava a planta a estados de tensão e dificuldade para dormir.

Em espécies medicinais como Passiflora incarnata, alcaloides harmânicos e flavonoides aparecem como classes de compostos mais investigadas. Esses constituintes são estudados por possíveis efeitos sobre vias relacionadas ao sistema GABA, ao estresse oxidativo e à inflamação. Contudo, a força das evidências varia conforme a espécie, a parte usada e o tipo de preparo, o que exige atenção à identificação botânica e à qualidade do produto.

Sumário do Artigo
  1. A Fascinante História e Origem do Maracujá
  2. Botânica e Variedades de Passiflora
  3. Composição Fitoquímica do Maracujá
  4. Maracujá para Ansiedade e Insônia
  5. Outros Benefícios Potenciais do Maracujá
  6. Como Usar o Maracujá: Preparo e Dosagem
  7. Segurança, Contraindicações e Efeitos Colaterais
  8. Cultivo do Maracujá em Casa
  9. Maracujá na Culinária
  10. Importância Econômica e Cultural do Maracujá
  11. Perguntas Frequentes sobre o Maracujá

A Fascinante História e Origem do Maracujá

O maracujá tem origem nas regiões tropicais e subtropicais das Américas, com uso alimentar e medicinal associado a povos indígenas, sobretudo no território que hoje corresponde ao Brasil. Flores, folhas e frutos circulavam como recursos de sobrevivência e como apoio em períodos de cansaço, inquietação e noites mal dormidas. Com o contato colonial, a planta passou a ser descrita e transportada, ganhando novos sentidos culturais, sem perder a presença cotidiana em práticas populares.

No século XVII, missionários europeus destacaram a complexidade da flor e consolidaram o nome Passiflora, ligado à interpretação religiosa de seus elementos, a chamada “flor-da-paixão”. A partir daí, o cultivo ornamental se expandiu em jardins botânicos e estufas europeias e, gradualmente, o uso medicinal voltou ao centro do interesse, especialmente em preparações sedativas. Hoje, o maracujá é cultivado em regiões tropicais de diferentes continentes, com Brasil, Colômbia e Equador entre os maiores produtores mundiais, e com variedades adaptadas tanto ao consumo do fruto quanto a extratos padronizados para fins terapêuticos.

Botânica e Variedades de Passiflora

A flor de maracujá, ou Passiflora, é uma obra de arte da natureza. Sua estrutura complexa e cores deslumbrantes, variando do branco ao roxo, simbolizam a Paixão de Cristo. Esta imagem detalhada revela a beleza que inspirou seu nome e fascina botânicos e jardineiros, sendo um prenúncio do fruto saboroso que está por vir.

O gênero Passiflora reúne mais de 500 espécies, em geral trepadeiras com gavinhas, folhas alternadas e flores de estrutura complexa. A corona filamentosa e o conjunto de estames e estigmas criam um padrão que favorece polinizadores específicos, como abelhas e beija-flores; em muitas plantações comerciais, a polinização manual ainda é necessária para garantir frutificação abundante. Os frutos variam em acidez, aroma e tamanho, e as partes aéreas variam em perfil químico, o que muda o uso tradicional e comercial.

Espécies Mais Usadas no Dia a Dia

A espécie alimentar mais comum é Passiflora edulis, que se apresenta em duas formas principais: a amarela (f. flavicarpa), maior e mais ácida e ideal para sucos, e a roxa (f. edulis), menor, mais doce e aromática. Em termos de fitoterapia, a espécie mais pesquisada é Passiflora incarnata, originária da América do Norte e tradicionalmente associada a efeito sedativo, com flores lilases e frutos pouco aproveitados. No Brasil, Passiflora alata, o chamado maracujá-doce, também aparece com relevância, combinando frutos grandes e adocicados, consumidos in natura, com folhas de propriedades calmantes, embora menos potentes que as de P. incarnata. A escolha da espécie influencia o resultado, porque os marcadores fitoquímicos não são idênticos.

Composição Fitoquímica do Maracujá

A atividade atribuída ao maracujá costuma ser associada a ácidos fenólicos, alcaloides e flavonoides, presentes em diferentes concentrações conforme espécie e parte da planta. Isoorientina, isovitexina, orientina e vitexina são exemplos recorrentes em folhas e partes aéreas. Já compostos do grupo β-carbolina, como harmano e harmina, são citados por possível participação em efeitos no sistema nervoso, ainda que em níveis variáveis.

Flavonoides e Antioxidantes

Flavonoides são estudados por ação antioxidante, com potencial para reduzir danos associados ao estresse oxidativo. Em termos práticos, isso se conecta a inflamação de baixo grau e a processos de envelhecimento celular, embora o efeito dependa de dose e biodisponibilidade. Em extratos, a composição é sensível ao método de preparo, tempo de infusão e proporção planta-água, o que ajuda a explicar diferenças entre resultados observados em pesquisas.

Alcaloides Harmânicos e Sistema Nervoso

Alcaloides harmânicos são descritos como moduladores de vias neuroquímicas e aparecem com destaque na literatura sobre Passiflora incarnata. A hipótese mais repetida envolve interação indireta com o sistema GABA, associado à redução de excitabilidade neuronal. Contudo, a mesma literatura ressalta que extratos diferentes podem produzir respostas distintas, o que reforça a necessidade de padronização quando a finalidade é terapêutica.

Compostos como harmalina e harmina se concentram principalmente nas sementes e já foram estudados isoladamente por seus efeitos psicoativos em outras plantas; no maracujá, porém, eles ocorrem em concentrações consideradas seguras e não psicoativas. Parte da literatura descreve esses alcaloides como inibidores da monoamina oxidase (MAO), mecanismo também compartilhado por alguns antidepressivos, o que ajuda a explicar o interesse científico na classe.

Ácidos Fenólicos e Outras Substâncias

Além de flavonoides e alcaloides, o maracujá reúne ácidos fenólicos, como o ácido cafeico, associados a propriedades anti-inflamatórias em estudos preliminares. A casca concentra fibras que contribuem para a saúde digestiva, enquanto a polpa é fonte relevante de vitaminas A e C, nutrientes ligados ao suporte do sistema imunológico. A combinação desses fitoquímicos ajuda a explicar por que o maracujá é descrito como um recurso vegetal multifacetado, e não apenas como planta calmante.

Maracujá para Ansiedade e Insônia

Presente na RENISUS como ansiolítico natural, o maracujá oferece ao SUS uma alternativa aos benzodiazepínicos para ansiedade leve a moderada. Sua inclusão visa reduzir a prescrição de medicamentos controlados e o risco de dependência química em pacientes da atenção básica.

O uso calmante do maracujá se tornou o aspecto mais conhecido da planta, especialmente quando o foco está em flores e folhas. A preferência recai sobre espécies com maior tradição em sedação leve, com destaque para Passiflora incarnata. Em muitos contextos, a escolha se deve à busca por suporte em ansiedade leve e dificuldade ocasional para iniciar o sono, sem a intenção de substituir medicamentos prescritos.

Mecanismos Possíveis no Sistema GABA

Uma linha de pesquisa descreve que constituintes de Passiflora podem modular receptores GABA-A ou influenciar a disponibilidade de GABA em circuitos neurais. Essa via é relevante porque GABA atua como neurotransmissor inibitório central, relacionado a relaxamento e diminuição de alerta excessivo. Estudos pré-clínicos e revisões apontam essa hipótese como plausível, embora a magnitude do efeito dependa do extrato e do desenho do estudo.

Evidências e Expectativas Realistas

Ensaios clínicos e revisões sobre Passiflora incarnata relatam redução de ansiedade em alguns contextos, inclusive em comparação com ansiolíticos clássicos em cenários específicos. Ainda assim, há limitações metodológicas recorrentes, como amostras pequenas e variação na padronização dos produtos. Na prática, a expectativa mais realista é um efeito de suporte, mais útil em quadros leves e em rotinas de higiene do sono, do que em transtornos graves.

Em um desses ensaios, extrato de Passiflora incarnata mostrou eficácia comparável à de um ansiolítico padrão no controle de ansiedade pré-operatória, com a vantagem de menos queixas de sonolência diurna no grupo que usou a planta. Resultados como esse reforçam a hipótese de um efeito real, ainda que modesto e dependente do extrato usado.

Melhora da Qualidade do Sono

Além do efeito sobre a ansiedade, o maracujá é associado a uma melhora discreta na qualidade do sono, mais evidente em quadros de insônia leve do que em distúrbios do sono mais graves. Diferente de indutores de sono mais potentes, o efeito tende a ser gradual, favorecendo um estado de relaxamento que facilita adormecer, em vez de provocar sonolência abrupta. Por isso, o chá de folhas antes de deitar é uma prática comum, sobretudo quando combinado a uma rotina consistente de higiene do sono.

Outros Benefícios Potenciais do Maracujá

Saúde Cardiovascular

O maracujá é frequentemente associado a hábitos alimentares saudáveis, em parte por seu teor de fibras quando a dieta inclui a fruta e subprodutos da casca. Compostos antioxidantes também são citados como apoio a equilíbrio inflamatório, um fator ligado ao risco cardiovascular. Contudo, o impacto clínico depende mais do conjunto da alimentação e do estilo de vida do que do uso isolado de um único alimento ou chá.

Alguns estudos preliminares também associam os alcaloides do maracujá a um possível efeito vasodilatador, que ajudaria a relaxar vasos sanguíneos e favorecer o fluxo sanguíneo; a evidência ainda é incipiente e não substitui o acompanhamento médico da pressão arterial.

Controle da Glicemia

A farinha da casca é lembrada por concentrar pectina e outras fibras, que podem retardar a absorção de carboidratos e reduzir picos glicêmicos após refeições. Esse mecanismo faz sentido do ponto de vista fisiológico, mas os efeitos variam com dose, padrão alimentar e tolerância individual. Em pessoas com diabetes, resistência à insulina ou uso de hipoglicemiantes, a melhor conduta é observar respostas com orientação profissional, evitando ajustes de medicação por conta própria.

Ação Anti-Inflamatória e Analgésica

Extratos de folhas e cascas de Passiflora edulis são investigados por possíveis efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios em modelos experimentais. Esses achados ajudam a explicar por que a planta aparece em estudos sobre inflamação intestinal e marcadores de estresse oxidativo. Ainda assim, extrapolar resultados de animais para rotinas humanas exige cautela, e a via de uso, a dose e a duração do consumo são fatores decisivos.

Parte dessa literatura também investiga o uso do maracujá em quadros de dor leve a moderada, incluindo pesquisas preliminares sobre osteoartrite; a hipótese é que o efeito analgésico esteja ligado tanto à ação anti-inflamatória quanto à influência da planta sobre o sistema nervoso, mas a evidência em humanos ainda é limitada.

Como Usar o Maracujá: Preparo e Dosagem

Na prática, folhas secas são usadas em infusão, e extratos aparecem em cápsulas ou tinturas, com diferenças de concentração entre marcas. Para infusão, a proporção costuma variar entre 1 e 2 colheres de chá de folhas por xícara, com tempo de repouso de 5 a 10 minutos. Em suplementação, o rótulo indica a dose do extrato, o que ajuda na reprodutibilidade, desde que o produto seja padronizado.

  1. Ferva a água e desligue o fogo assim que levantar fervura.
  2. Coloque de 1 a 2 colheres de chá de folhas secas de maracujá em uma xícara.
  3. Despeje a água quente sobre as folhas e tampe o recipiente.
  4. Deixe em infusão por 5 a 10 minutos, coe e beba ainda morno.

Chá de Folhas

O chá tende a ser usado no fim do dia, quando o objetivo é relaxamento, e muitas rotinas preferem consumo cerca de uma hora antes de deitar. O sabor é herbal e pode ser suavizado sem adoçantes em excesso, para não comprometer hábitos noturnos. A regularidade importa mais do que doses elevadas, e a combinação com higiene do sono, como luz baixa e redução de telas, costuma melhorar a percepção do efeito.

Em rotinas voltadas para ansiedade, algumas práticas populares recorrem a duas ou três xícaras ao longo do dia, enquanto para insônia uma única xícara antes de deitar costuma ser suficiente; ainda assim, esses valores são referências de uso tradicional, não prescrições fixas.

Extratos, Tinturas e Cápsulas

Extratos líquidos e cápsulas oferecem praticidade e controle de dose, mas exigem leitura cuidadosa do rótulo, porque a concentração pode variar por espécie, solvente e proporção droga-extrato. Em uso concomitante com sedativos, antidepressivos ou ansiolíticos, a prudência é maior devido a possível somatória de efeitos. Quando a meta é suporte para ansiedade leve, preferir produtos com identificação botânica clara reduz o risco de confusão entre espécies.

Segurança, Contraindicações e Efeitos Colaterais

Em uso moderado, preparações de Passiflora costumam ser bem toleradas, mas o perfil de segurança depende da espécie, da dose e da forma farmacêutica. Desconforto gastrointestinal, sonolência excessiva e tontura aparecem como possibilidades em doses altas ou em pessoas sensíveis. A maior preocupação prática envolve interações com fármacos que atuam no sistema nervoso central, sobretudo quando a pessoa já usa medicamentos sedativos.

Crianças, Gestantes e Lactantes

Em crianças, a recomendação tende a ser mais conservadora, com atenção a dose e a indicação, porque a sensibilidade pode ser maior e a resposta mais imprevisível. O uso medicinal durante gestação e lactação costuma ser evitado por falta de dados robustos de segurança, especialmente com extratos concentrados; alguns compostos também são citados, em caráter teórico, como possíveis estimulantes de contrações uterinas, o que reforça a orientação de evitar o uso terapêutico nessas fases. Quando o consumo é apenas alimentar, como a polpa do fruto, o contexto é diferente, mas o uso terapêutico pede cautela.

Interações Medicamentosas

Produtos de Passiflora podem potencializar a sedação quando combinados com álcool, ansiolíticos, anti-histamínicos sedativos e hipnóticos. Essa soma pode reduzir reflexos e aumentar risco de quedas, o que é relevante para quem dirige ou opera máquinas. Em casos de tratamento psiquiátrico em curso, o ajuste deve ser discutido com o profissional responsável, evitando a troca de medicamentos por fitoterápicos sem acompanhamento.

Pessoas com pressão arterial já baixa também merecem atenção, porque o maracujá pode potencializar o efeito hipotensor e acentuar sintomas como tontura.

Recomendações para Uso Seguro

Como orientação geral, faz sentido começar sempre pela menor dose eficaz e observar a resposta do próprio corpo antes de aumentar a quantidade ou a frequência de uso. Não exceder as doses habitualmente recomendadas e buscar orientação de um médico ou fitoterapeuta são medidas importantes, sobretudo quando o objetivo é tratar uma condição específica. A procedência do produto também importa: folhas e suplementos de fornecedores confiáveis ajudam a garantir pureza e consistência de dose, reduzindo variações que dificultam avaliar o real efeito do uso.

Cultivo do Maracujá em Casa

O cultivo doméstico costuma ser viável porque o maracujazeiro é vigoroso e responde bem a sol pleno, solo drenado e adubação orgânica regular. Como trepadeira, precisa de suporte, como treliça, cerca ou caramanchão, para crescer com ventilação e reduzir risco de doenças fúngicas. A rega deve manter o solo úmido sem encharcar, e a poda ajuda a organizar ramos e estimular brotações produtivas.

Plantio e Germinação

O cultivo pode começar a partir de sementes retiradas de frutos maduros e saudáveis, lavadas e postas para secar à sombra por alguns dias antes do plantio. As sementes podem ir direto para sementeiras ou para o local definitivo, desde que recebam sol pleno e solo fértil, bem drenado e rico em matéria orgânica. A germinação costuma ser mais lenta que a de hortaliças comuns, o que pede paciência nas primeiras semanas.

Colheita e Secagem de Folhas

Para uso em infusão, a colheita privilegia folhas saudáveis, sem manchas, preferencialmente pela manhã, quando a planta está menos estressada. A secagem deve ocorrer à sombra, em local ventilado, para evitar perda de aroma e escurecimento excessivo. Depois de secas, as folhas ficam melhor em pote fechado, ao abrigo de luz e umidade. Essa rotina reduz variações sensoriais e favorece constância no preparo.

Maracujá na Culinária

Na cozinha, o maracujá aparece em bebidas, molhos, sobremesas e sucos, equilibrando doçura e acidez com perfume característico. A polpa combina bem com laticínios, chocolate e frutas mais doces, enquanto a acidez funciona como contraste em caldas e geleias.

Sobremesas Clássicas e Inovadoras

No Brasil, o mousse de maracujá é uma sobremesa icônica, valorizada pela simplicidade de preparo e pelo sabor marcante. Pavês, sorvetes e tortas também figuram entre as preparações mais populares, sempre equilibrando a acidez da fruta com o doce da receita. Caldas, geleias e recheios de bolo são outros usos frequentes, e confeiteiros contemporâneos têm explorado o maracujá em sobremesas mais elaboradas.

Bebidas Refrescantes e Coquetéis

O suco de maracujá é consumido puro, com água ou combinado a outras frutas, e também ocupa lugar de destaque na coquetelaria brasileira. A caipirinha de maracujá é uma variação bastante popular, em que a acidez da fruta complementa destilados como cachaça, gim e vodca. Smoothies e vitaminas também se beneficiam do sabor e dos nutrientes da fruta.

Toque Exótico em Pratos Salgados

O uso do maracujá em pratos salgados é uma tendência crescente, com molhos à base da fruta acompanhando frutos do mar e peixes. A acidez realça o sabor delicado dos pescados, enquanto aves e carnes de porco também harmonizam bem com o contraste agridoce da fruta. Vinagretes para saladas ganham um toque tropical quando levam maracujá, sem exigir grandes quantidades para manter o sabor presente.

Subprodutos e Aproveitamento da Casca

Farinha de casca é usada como fonte de fibra em iogurtes, massas e vitaminas, em porções pequenas para manter a textura agradável. O objetivo costuma ser aumentar saciedade e melhorar a regularidade intestinal, mais do que buscar efeito imediato. Como a casca pode concentrar compostos diferentes da polpa, a procedência e o modo de preparo importam, e o consumo deve ser gradual para evitar desconforto gastrointestinal.

Importância Econômica e Cultural do Maracujá

A cadeia do maracujá movimenta agricultura familiar e indústria, com destaque para o uso do fruto em polpa congelada, sucos e aromatizantes.

O Mercado Global do Maracujá

A demanda por maracujá tem crescido no mercado internacional, com países da América do Norte, da Ásia e da Europa importando a fruta processada. A indústria de alimentos e bebidas é a principal compradora, incorporando o maracujá a chás, coquetéis, iogurtes e sorvetes. A crescente busca por sabores exóticos e por ingredientes considerados funcionais ajuda a explicar esse crescimento.

Impacto Social e Agricultura Familiar

Em muitas regiões produtoras, o cultivo do maracujá está associado à agricultura familiar, porque a cultura se adapta bem a pequenas propriedades e permite diversificar a produção. Programas de incentivo e cooperativas ajudam a fortalecer pequenos produtores, contribuindo para geração de renda e para o desenvolvimento rural nessas comunidades.

Simbolismo Cultural

Além da economia, a flor do maracujá mantém forte presença simbólica, associada ao nome “flor-da-paixão” e à leitura religiosa que se popularizou na Europa desde o século XVII. A estética da flor aparece em artesanato, identidade visual de produtos e ilustrações botânicas, e em diversas culturas a fruta também está associada à celebração e à hospitalidade. Esse componente cultural ajuda a explicar por que o maracujá transita bem entre cozinha, fitoterapia e jardinagem, mantendo relevância em diferentes públicos e contextos.

Perguntas Frequentes sobre o Maracujá

Crianças e Gestantes Podem Usar Chá?

Em crianças, a recomendação tende a ser conservadora e individualizada, com supervisão profissional quando houver intenção terapêutica. Para uso medicinal, a orientação mais prudente é evitar na gestação e na amamentação, sobretudo com extratos concentrados, porque faltam dados robustos de segurança nessas fases.

Posso Usar com Remédio para Ansiedade?

É preciso cautela porque produtos de Passiflora podem somar sedação com álcool, ansiolíticos, antidepressivos sedativos e hipnóticos. Essa combinação pode aumentar tontura e reduzir reflexos, com risco maior ao dirigir ou operar máquinas. A decisão mais segura é alinhar dose e horários com o médico que acompanha o tratamento.

Qual É a Melhor Espécie para Acalmar?

A espécie Passiflora incarnata costuma concentrar a maior parte das evidências em ansiedade e sono, por isso aparece em extratos padronizados. Passiflora edulis é mais ligada ao uso alimentar, embora folhas sejam usadas em infusões, e Passiflora alata é relevante no contexto brasileiro. A escolha depende de identificação botânica e objetivo do uso.

A Fruta Tem o Mesmo Efeito?

A polpa do maracujá contribui mais com nutrientes e fibras, enquanto o efeito calmante é associado sobretudo a flores e folhas, onde se concentram compostos discutidos em pesquisas sobre sedação leve. Por isso, a fruta pode apoiar bem-estar geral, mas tende a ter efeito mais discreto sobre relaxamento do que a infusão.

Farinha da Casca Ajuda a Emagrecer?

A farinha é rica em fibras, como pectina, que aumentam saciedade e podem reduzir picos glicêmicos ao retardar a absorção de carboidratos. Isso pode ajudar no controle do apetite, mas não substitui alimentação equilibrada e atividade física. O uso mais consistente é em pequenas porções, observando tolerância intestinal.

O Chá de Maracujá Vicia?

Não há evidências de que o consumo moderado do chá de maracujá cause dependência química, e seus compostos atuam de forma mais suave do que a de calmantes sintéticos. Ainda assim, isso não significa que doses muito acima do recomendado sejam automaticamente seguras, e o uso contínuo em quantidades elevadas deve ser evitado sem orientação profissional.

Quanto Tempo Leva para o Chá de Maracujá Fazer Efeito?

O tempo de resposta varia de pessoa para pessoa, mas relatos mais comuns apontam início de relaxamento entre 30 e 60 minutos após o consumo. Fatores como metabolismo individual, concentração do preparo e sensibilidade a compostos calmantes influenciam essa janela. Para um efeito mais perceptível, o uso regular tende a funcionar melhor do que doses isoladas e ocasionais.

Posso Cultivar Maracujá em Apartamento?

É possível, mas exige adaptação, porque o maracujazeiro é uma trepadeira vigorosa que demanda bastante sol e espaço para se desenvolver bem. Em apartamentos, um vaso grande em uma varanda ensolarada, com uma treliça de apoio, costuma ser o cenário mais viável. Nessas condições, porém, a produção de frutos tende a ser bem mais limitada do que em cultivo de quintal ou plantação.

Referências e Estudos Científicos

10 Referências Citadas

Nível de Evidência: 🥈 Moderado

Baseado em 10 Referências Citadas (8 Peer-Reviewed, 2 Complementares).

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Estudos Científicos Peer-Reviewed (8)

  1. DOI2020 Janda, Katarzyna, et al. “Passiflora incarnata in Neuropsychiatric Disorders-A Systematic Review.” Nutrients. 2020. .
  2. DOI2001 Dhawan, Kamaldeep, et al. “Anti-Anxiety Studies on Extracts of Passiflora incarnata Linneaus.” Journal of Ethnopharmacology. 2001. .
  3. DOI2013 Miroddi, Marco, et al. “Passiflora incarnata L.: Ethnopharmacology, Clinical Application, Safety and Evaluation of Clinical Trials.” Journal of Ethnopharmacology. 2013. .
  4. DOI1988 Speroni, E., et al. “Neuropharmacological Activity of Extracts from Passiflora incarnata.” Planta Medica. 1988. .
  5. DOI2010 Elsas, S.-M., et al. “Passiflora incarnata L. (Passionflower) Extracts Elicit GABA Currents in Hippocampal Neurons in Vitro, and Show Anxiogenic and Anticonvulsant Effects in Vivo, Varying with Extraction Method.” Phytomedicine. 2010. .
  6. DOI2011 Appel, Kurt, et al. “Modulation of the γ-Aminobutyric Acid (GABA) System by Passiflora incarnata L.” Phytotherapy Research. 2011. .
  7. DOI2004 Zibadi, Sherma, and Ronald R. Watson. “Passion Fruit (Passiflora edulis): Composition, Efficacy and Safety.” Evidence-Based Integrative Medicine. 2004. .
  8. DOI2008 Movafegh, Ali, et al. “Preoperative Oral Passiflora incarnata Reduces Anxiety in Ambulatory Surgery Patients: A Double-Blind, Placebo-Controlled Study.” Anesthesia & Analgesia. 2008. .

Leituras Complementares (2)

  1. 2021 Cazarim, M. S., et al. “Passiflora edulis f. flavicarpa Deg. as a Source of Antioxidant and Anti-Inflammatory Compounds.” Food Research International. 2021.
  2. 2019 Kim, M., et al. “Anxiolytic-Like Effects of Passiflora incarnata Extract Are Mediated by Modulation of the GABAergic System in the Hippocampus.” Journal of Nutritional Biochemistry. 2019.

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