Poucos ingredientes parecem tão comuns quanto o óleo de canola. Ele entra em refogados, frituras e massas sem chamar muita atenção, mas carrega uma história curiosa, um processo industrial discutido e uma reputação que divide especialistas e consumidores. Justamente por isso, entender o que há por trás desse óleo faz mais sentido do que simplesmente tratá-lo como uma escolha neutra da despensa.
Sua origem está ligada à colza, uma planta que antes levantava preocupações por causa do teor de ácido erúcico. A partir de melhoramento genético, cientistas canadenses desenvolveram uma variedade mais adequada ao consumo humano. Desde então, o óleo de canola ganhou espaço pelo custo acessível, pelo sabor discreto e pelo perfil de gorduras que costuma ser apontado como mais favorável do que o de outros óleos vegetais comuns.
Ao mesmo tempo, o tema continua cercado por dúvidas legítimas. O refino intenso, o uso de solventes, a presença de canola geneticamente modificada e os efeitos do aquecimento repetido alimentam o debate. Para ajudar a separar argumento sólido de exagero, este artigo reúne origem, composição, benefícios, controvérsias e formas de uso do óleo de canola em uma leitura clara, prática e baseada no que a literatura costuma discutir.
O Que é o Óleo de Canola e Como Ele é Produzido?
O óleo de canola vem de uma planta de flores amarelas da família Brassicaceae, a mesma da couve, do repolho e do brócolis. Seu ancestral direto é a colza, ou Brassica napus, que originalmente apresentava alto teor de ácido erúcico. Como essa característica gerava preocupação para o consumo humano, pesquisadores canadenses selecionaram variedades com níveis muito menores dessa substância.
Foi desse trabalho que surgiu o termo “canola”, registrado no Canadá em 1979. O nome combina “Canada” e “ola”, referência a óleo. A proposta era simples: diferenciar a nova variedade da colza tradicional e destacar um produto mais apropriado para uso alimentar. A partir daí, a canola passou a ocupar grande espaço na indústria de alimentos, especialmente por unir produtividade agrícola, custo competitivo e boa estabilidade culinária.
Na produção industrial mais comum, as sementes são limpas, quebradas e aquecidas para facilitar a extração do óleo. Em seguida, a maior parte do produto comercial passa por refino, processo que pode envolver solventes como o hexano, além de etapas de branqueamento e desodorização. Esse caminho melhora o ponto de fumaça e a vida útil do óleo, mas também reduz parte dos compostos naturalmente presentes na matéria-prima.
Existe ainda a versão prensada a frio, obtida sem calor elevado e sem solventes químicos. Nesse caso, o óleo tende a preservar melhor antioxidantes e vitaminas lipossolúveis, embora seja mais caro e menos comum no varejo. A diferença entre essas versões importa porque boa parte das discussões sobre saúde, estabilidade e valor nutricional do óleo de canola depende diretamente do modo como ele foi extraído e processado.
Composição Nutricional do Óleo de Canola
Perfil de Gorduras
O ponto mais citado em favor do óleo de canola é seu perfil de gorduras. Ele apresenta baixo teor de gordura saturada, algo em torno de 7% do total, porcentagem menor do que a observada em muitos outros óleos vegetais e muito inferior à de gorduras sólidas tradicionais. Por isso, costuma ser lembrado em estratégias alimentares que buscam reduzir a ingestão de gordura saturada no dia a dia.
A maior parte de sua composição é formada por gorduras monoinsaturadas, principalmente ácido oleico. Esse grupo representa cerca de 63% do total e costuma ser associado a um padrão lipídico mais favorável para a saúde cardiovascular. É justamente essa predominância que aproxima o óleo de canola, em alguns aspectos, de outros óleos valorizados na alimentação contemporânea, ainda que existam diferenças importantes entre eles.
As gorduras poli-insaturadas também têm presença relevante. Entre elas, aparecem o ácido linoleico, da família ômega-6, e o ácido alfa-linolênico, um tipo de ômega-3 de origem vegetal. Essa combinação costuma ser apresentada como uma vantagem, porque oferece um equilíbrio melhor do que o observado em óleos muito concentrados em ômega-6. Ainda assim, a qualidade final do produto depende do refino, do armazenamento e do modo de uso.
Vitaminas e Compostos Sensíveis ao Refino
Além das gorduras, o óleo de canola fornece vitamina E e vitamina K. A vitamina E atua como antioxidante e ajuda a proteger as células contra danos oxidativos, enquanto a vitamina K participa da coagulação sanguínea e da saúde óssea. O problema é que o processamento industrial mais intenso pode reduzir parte desses nutrientes, o que ajuda a explicar por que a versão prensada a frio costuma ser vista com mais interesse por quem busca menor intervenção industrial.
Principais Benefícios do Óleo de Canola Para a Saúde
Colesterol e Saúde Cardiovascular
Grande parte da reputação positiva do óleo de canola está ligada ao coração. Como ele é pobre em gordura saturada e rico em gorduras insaturadas, seu uso no lugar de fontes mais saturadas pode ajudar a melhorar o perfil lipídico. Em estudos citados com frequência, dietas que substituíram gorduras saturadas por óleo de canola mostraram redução do colesterol LDL, o chamado “colesterol ruim”, em proporções consideradas clinicamente relevantes.
Em um desses contextos, a queda do LDL chegou a cerca de 16%, reforçando o interesse do óleo em estratégias alimentares de prevenção cardiovascular. Isso não significa que o óleo de canola seja um alimento milagroso, mas indica que sua troca por gorduras menos favoráveis pode ser útil. O benefício aparece com mais clareza quando ele entra em uma alimentação equilibrada, rica em vegetais, fibras e outras fontes de gordura de melhor qualidade.
Glicose, Síndrome Metabólica e Pressão Arterial
Outro campo em que o óleo de canola chama atenção é o controle metabólico. Algumas pesquisas sugerem que ele pode contribuir para melhorar a glicemia e a sensibilidade à insulina quando faz parte de dietas de baixa carga glicêmica. Esse efeito interessa especialmente a pessoas com diabetes tipo 2 ou com risco aumentado para a doença, embora o contexto alimentar completo continue sendo mais importante do que um único ingrediente isolado.
Também há dados associando seu consumo a melhora de marcadores ligados à síndrome metabólica. Em alguns grupos, observou-se redução de gordura abdominal e queda da pressão arterial. Esses achados ajudam a explicar por que o óleo de canola aparece em recomendações alimentares voltadas para fatores de risco cardiovascular. Ainda assim, seu benefício não depende apenas da composição química, mas do padrão de uso, da quantidade total e do restante da dieta.
Controvérsias e Possíveis Riscos do Óleo de Canola
Refino, Solventes e Perda de Nutrientes
As críticas mais recorrentes ao óleo de canola começam no processo industrial. A maior parte do produto vendido em supermercados passa por refino intenso, com uso de calor elevado, branqueamento, desodorização e, em muitos casos, solventes como o hexano. Embora esse processo aumente a estabilidade e torne o óleo mais neutro no sabor, ele também reduz parte dos compostos naturais da semente, incluindo antioxidantes e vitaminas.
Esse ponto não transforma automaticamente o óleo refinado em um alimento impróprio, mas mostra que ele está longe de ser um produto minimamente processado. Para quem valoriza alimentos com menor intervenção industrial, essa diferença pesa bastante. O contraste entre o óleo refinado e o óleo prensado a frio é importante justamente porque muitos argumentos favoráveis à canola ignoram que boa parte do que chega à mesa já passou por etapas que alteram sua composição original.
Aquecimento Repetido, Gorduras Trans e Excesso de Ômega-6
Outro problema surge quando o óleo é submetido a aquecimento repetido, como acontece em frituras por imersão. Nesse cenário, a estabilidade do óleo diminui e compostos indesejáveis podem se formar. Um dos dados mais citados no debate mostra que o aquecimento repetido do óleo de canola elevou a quantidade de gorduras trans em até 233%. Como as gorduras trans estão associadas a maior risco cardiovascular, esse é um ponto que merece atenção real.
Também existe a discussão sobre a proporção entre ômega-6 e ômega-3. Embora o óleo de canola tenha uma relação mais equilibrada do que muitos óleos comuns, ele ainda contribui para uma dieta que, no padrão ocidental, já costuma ser rica em ômega-6. Quando esse excesso não é compensado por boas fontes de ômega-3, o ambiente inflamatório pode se tornar menos favorável. Por isso, o problema não é apenas o óleo, mas o conjunto alimentar em que ele se insere.
Canola Geneticamente Modificada
A maior parte da canola cultivada mundialmente é geneticamente modificada para resistir a herbicidas, e essa característica também alimenta desconfianças. Órgãos reguladores consideram os alimentos OGM seguros dentro dos parâmetros aprovados, mas parte dos consumidores prefere evitá-los por precaução ou por questões ambientais. Nesse caso, a saída costuma ser buscar versões orgânicas ou rotuladas como não transgênicas, ainda que elas sejam menos acessíveis e mais caras.
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Óleo de Canola vs. Outros Óleos: Uma Comparação Útil
Azeite de Oliva, Soja e Girassol
Comparar o óleo de canola com outros óleos ajuda a enxergar melhor seus pontos fortes e fracos. O azeite de oliva extravirgem, por exemplo, também é rico em gorduras monoinsaturadas, mas se destaca ainda mais pelos compostos fenólicos antioxidantes. Em contrapartida, seu sabor é mais marcante e seu uso costuma ser mais valorizado em preparações frias ou em cocções leves, principalmente quando se trata de um azeite de alta qualidade.
O óleo de soja e o óleo de girassol aparecem como concorrentes frequentes. O de soja é muito usado na cozinha brasileira e costuma ter teor maior de ômega-6, o que pode pesar em dietas já desequilibradas. O de girassol varia conforme a variedade, podendo ser mais rico em ácido oleico ou mais carregado em poli-insaturados. Nesse cenário, a canola chama atenção pelo baixo teor de gordura saturada e por um equilíbrio de ácidos graxos que, ao menos em teoria, parece mais interessante.
Quando a Canola Faz Mais Sentido na Cozinha
Na prática, o óleo de canola costuma ser uma escolha útil quando a prioridade é um óleo neutro, leve e com bom desempenho culinário. Ele não substitui automaticamente o azeite de oliva em valor gastronômico nem supera todos os outros óleos em qualidade nutricional. Seu espaço faz mais sentido quando se pensa em versatilidade, custo e perfil de gorduras. A decisão mais sensata continua sendo variar as fontes de gordura, em vez de depender de uma única opção.
Como Usar o Óleo de Canola na Culinária Diária
Preparações em Alta Temperatura
O óleo de canola refinado costuma ser escolhido por quem precisa de um óleo com sabor discreto e ponto de fumaça alto. Isso o torna bastante útil em salteados, assados e frituras rápidas, nas quais o objetivo é cozinhar sem transferir gosto marcante ao alimento. Ainda assim, uma coisa é usar o óleo em fogo alto ocasionalmente; outra, bem diferente, é reutilizá-lo várias vezes, prática que aumenta bastante o risco de degradação.
Molhos, Saladas e Panificação
Em molhos, marinadas e receitas de panificação, o óleo de canola também funciona bem. Sua textura leve ajuda a criar emulsões estáveis, e seu sabor neutro permite que ervas, especiarias e outros ingredientes se destaquem. Nas massas, ele pode substituir manteiga ou outras gorduras, reduzindo o teor de gordura saturada da receita. Quando a escolha for uma versão prensada a frio, o uso em preparações frias tende a ser ainda mais interessante.
Na prática cotidiana, o melhor uso depende do tipo de óleo que você comprou. A versão refinada é mais adequada para cozimento, enquanto a prensada a frio costuma ser mais interessante em pratos frios ou aquecidos de forma suave. Em qualquer caso, o ponto central é evitar exageros, não reutilizar óleo escurecido e combinar a canola com outras fontes de gordura, como azeite, abacate, castanhas e sementes.
Impacto Ambiental da Produção de Óleo de Canola
A expansão do cultivo de canola também levanta discussões ambientais importantes. Como acontece com outras grandes commodities agrícolas, a produção em larga escala depende de áreas extensas de plantio e, muitas vezes, de sistemas intensivos de manejo. O uso de herbicidas e pesticidas, especialmente em variedades geneticamente modificadas, preocupa consumidores e pesquisadores que observam efeitos sobre biodiversidade, qualidade do solo e equilíbrio dos ecossistemas locais.
A monocultura é outro ponto sensível. Quando grandes áreas repetem o mesmo cultivo, o solo tende a perder diversidade biológica e a ficar mais vulnerável a pragas, doenças e degradação. A rotação de culturas ajuda a reduzir esse problema e é vista como uma prática mais sustentável. Ao mesmo tempo, a própria indústria da canola investe em variedades mais resistentes e em técnicas de manejo que buscam diminuir o consumo de insumos químicos e melhorar a eficiência produtiva.
Há ainda um aspecto positivo pouco lembrado: o farelo resultante da extração do óleo é usado como fonte proteica na alimentação animal, o que amplia o aproveitamento da planta. Mesmo assim, a avaliação ambiental da canola não pode ser feita apenas com base nesse aproveitamento. O impacto depende do modelo agrícola adotado, da região de cultivo e do volume de insumos empregados. Em outras palavras, sustentabilidade aqui também é uma questão de contexto.
Mitos e Verdades Sobre o Óleo de Canola
O Óleo de Canola é Tóxico Por Causa do Ácido Erúcico?
Essa ideia vem da confusão entre canola e colza tradicional. A colza antiga realmente tinha alto teor de ácido erúcico, o que gerou preocupação em estudos com animais. Já a canola moderna foi desenvolvida justamente para reduzir esse teor a níveis muito baixos, inferiores a 2%. Por isso, o óleo de canola disponível para consumo humano não é o mesmo produto que originou esse receio histórico.
O Óleo de Canola é um Lubrificante Industrial?
O equívoco também nasce da mistura entre produtos diferentes. Certos óleos de colza com composição inadequada para uso alimentar tiveram, de fato, aplicação industrial. Isso não significa que o óleo de canola vendido para consumo seja um lubrificante disfarçado de alimento. A versão alimentar foi criada com outra finalidade, outra composição e outro padrão regulatório, o que muda completamente o debate.
Todo Óleo de Canola é Hidrogenado e Cheio de Gorduras Trans?
Não. O óleo de canola líquido vendido em garrafas não é, por definição, um óleo hidrogenado. As gorduras trans aparecem principalmente em processos de hidrogenação parcial e no aquecimento repetido em altas temperaturas. Por isso, a presença de gorduras trans depende muito mais do processamento posterior e do modo de uso do que do óleo em seu estado inicial.
O Óleo de Canola Causa Inflamação?
Essa afirmação simplifica demais uma questão complexa. O óleo de canola contém ômega-6, mas também fornece ALA, um tipo de ômega-3 vegetal. Em uma dieta equilibrada, ele não parece agir como um gatilho inflamatório automático. O problema costuma surgir quando o padrão alimentar inteiro é excessivamente rico em óleos refinados, ultraprocessados e fontes de ômega-6, sem contraponto adequado de alimentos frescos e fontes de ômega-3.
Óleo de Canola e a Saúde Cerebral
Ácidos Graxos e Função Cognitiva
O cérebro depende intensamente de lipídios para manter a integridade das membranas celulares e a comunicação entre neurônios. Nesse sentido, o perfil de gorduras do óleo de canola desperta interesse, sobretudo pela presença de ALA e pela predominância de monoinsaturadas. Em teoria, isso sugere uma base mais favorável do que a de gorduras mais saturadas ou de óleos submetidos a uso repetido e degradação térmica intensa.
O Que as Pesquisas Sugerem
Apesar desse raciocínio, as pesquisas sobre canola e cérebro ainda não permitem conclusões simples. Alguns estudos em animais levantaram preocupações ao associar dietas ricas em óleo de canola a alterações cognitivas e aumento de marcadores ligados à doença de Alzheimer. Esses achados chamaram atenção, mas não podem ser transportados automaticamente para seres humanos, já que modelos animais têm limitações evidentes e protocolos muito específicos.
Por outro lado, gorduras monoinsaturadas costumam aparecer em padrões alimentares associados a menor risco de declínio cognitivo, como a dieta mediterrânea. Além disso, a vitamina E presente no óleo de canola ajuda a proteger as células contra estresse oxidativo, fator que também pesa na saúde cerebral. O ponto mais prudente, portanto, é evitar conclusões extremas: nem o óleo deve ser tratado como vilão absoluto, nem como protetor cerebral garantido.
O Papel do Equilíbrio Alimentar
Quando o assunto é cérebro, o contexto da dieta continua sendo decisivo. Nenhum óleo, isoladamente, determina o desempenho cognitivo ou o risco de demência. O mais coerente é olhar para o conjunto: variedade de gorduras, presença de peixes, nozes, sementes, vegetais, frutas e baixo consumo de ultraprocessados. Nesse cenário, o óleo de canola pode ter espaço, mas dificilmente será o protagonista da saúde cerebral.
Óleo de Canola e a Perda de Peso
Gorduras Monoinsaturadas e Saciedade
O óleo de canola não é um alimento Para emagrecer por si só, mas isso não significa que precise ser tratado como inimigo automático de quem quer perder peso. Suas gorduras monoinsaturadas podem favorecer a saciedade quando substituem fontes menos interessantes da dieta. Em vez de pensar na canola como atalho, faz mais sentido encará-la como uma possível troca dentro de um padrão alimentar mais organizado.
Gordura Abdominal e Contexto da Dieta
Algumas pesquisas apontaram redução de gordura abdominal em contextos dietéticos que incluíam óleo de canola. Esse dado é interessante porque a gordura visceral está ligada a maior risco cardiometabólico. Ainda assim, o benefício não aparece como efeito mágico do óleo isolado, mas como parte de uma intervenção alimentar mais ampla, geralmente com melhor qualidade geral da dieta, controle calórico e ajustes de macronutrientes.
Também é importante lembrar que todo óleo é calórico. Uma colher de sopa concentra bastante energia, e o consumo excessivo favorece ganho de peso, independentemente da origem da gordura. A lógica, portanto, é substituir, não somar. Trocar manteiga, gordura animal ou excesso de molhos cremosos por uma quantidade moderada de óleo de canola pode fazer sentido. Acrescentá-lo sem critério, não.
Conclusão: Óleo de Canola Vale a Pena?
O óleo de canola não cabe bem em respostas simplistas. Ele não é o vilão industrial definitivo que algumas narrativas sugerem, mas também não merece ser tratado como símbolo absoluto de saúde. Seu perfil de gorduras tem pontos favoráveis, especialmente quando substitui fontes mais saturadas, e há dados consistentes ligando seu consumo a melhora de colesterol, glicemia e alguns marcadores metabólicos em determinados contextos.
Ao mesmo tempo, as ressalvas fazem diferença. O tipo de processamento, o aquecimento repetido, o contexto inflamatório da dieta e a qualidade geral da alimentação mudam completamente a conversa. Para quem escolhe usar óleo de canola, a abordagem mais sensata é priorizar moderação, evitar reutilização em frituras, considerar versões menos processadas quando possível e manter variedade de gorduras na rotina. Mais do que defender ou condenar um único óleo, vale buscar equilíbrio e contexto.
Perguntas Frequentes Sobre o Óleo de Canola
O Óleo de Canola é o Mesmo Que Óleo de Colza?
Não. O óleo de canola vem de uma variedade desenvolvida a partir da colza, mas com teor muito baixo de ácido erúcico, justamente Para torná-la mais adequada ao consumo humano. A confusão entre os dois produtos é uma das principais razões Para o medo em torno da canola. Embora tenham a mesma origem botânica, não são equivalentes do ponto de vista alimentar.
O Óleo de Canola é Saudável Para o Coração?
Ele pode ser uma escolha interessante Para a saúde cardiovascular quando substitui gorduras mais saturadas. Seu perfil rico em gorduras insaturadas está associado à redução do colesterol LDL em alguns estudos. Ainda assim, o benefício depende do contexto: quantidade usada, qualidade do óleo, padrão geral da dieta e modo de preparo influenciam muito mais do que a simples presença da canola na cozinha.
O Processo de Refino do Óleo de Canola é Prejudicial?
O refino não torna automaticamente o óleo impróprio, mas levanta questões válidas. Esse processo melhora estabilidade e ponto de fumaça, porém reduz parte de compostos antioxidantes e vitaminas. Além disso, ele aproxima o produto de uma lógica mais industrial do que nutricional. Para quem busca menor intervenção, a versão prensada a frio tende a ser mais atraente, especialmente em usos frios.
O Óleo de Canola Contém Gorduras Trans?
Em seu estado inicial, o óleo de canola líquido não é uma fonte relevante de gorduras trans. O problema aparece quando há hidrogenação parcial ou aquecimento repetido em alta temperatura, como em frituras com reutilização do óleo. Nesses cenários, compostos indesejáveis podem se formar. Por isso, a maneira de usar o óleo pesa tanto quanto a composição que ele apresenta ao sair da embalagem.
Qual é o Ponto de Fumaça do Óleo de Canola?
O óleo de canola refinado costuma ter ponto de fumaça alto, em torno de 242°C, o que ajuda a explicar seu uso frequente em preparações quentes. Já a versão prensada a frio tem menor tolerância ao calor e funciona melhor em molhos, finalizações e receitas com aquecimento mais suave. Essa diferença é importante porque a escolha errada do tipo de óleo compromete estabilidade e qualidade final.
O Óleo de Canola é uma Boa Fonte de Ômega-3?
Ele fornece ALA, um tipo de ômega-3 vegetal, e isso é um ponto positivo em comparação com vários óleos comuns. Ainda assim, não se deve tratá-lo como substituto direto de fontes mais ricas em EPA e DHA, como peixes gordurosos. O mais adequado é vê-lo como uma contribuição modesta dentro de uma dieta que também inclua outras fontes de ômega-3.
Todo Óleo de Canola é Geneticamente Modificado?
A maior parte da canola produzida no mundo é geneticamente modificada, especialmente em grandes sistemas agrícolas. Isso não significa que toda garrafa disponível seja obrigatoriamente transgênica, já que existem versões orgânicas e não-OGM. O problema é que elas costumam ser menos comuns e mais caras. Para quem deseja evitá-las, a leitura cuidadosa do rótulo faz diferença.
Como Devo Armazenar o Óleo de Canola?
O ideal é manter o óleo em local fresco, protegido da luz e bem fechado após o uso. Calor, oxigênio e luminosidade aceleram a oxidação e comprometem sabor, aroma e estabilidade. Também vale evitar deixar a garrafa perto do fogão por longos períodos. Um armazenamento simples, mas correto, ajuda a preservar a qualidade do óleo e reduz a chance de rancificação precoce.
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