Plantas Medicinais

Olíbano (Boswellia carterii): Benefícios e Evidência Real

Olíbano (Boswellia carterii) é uma resina milenar cujos ácidos boswélicos vêm sendo estudados por seu possível papel na inflamação articular. Veja o que a ciência realmente mostra, as contraindicações e como usar a resina com segurança.

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Olíbano - Boswellia carterii
Resina natural de olíbano (Boswellia carterii), extraída da árvore Boswellia e utilizada há milênios na medicina tradicional e aromaterapia.

O olíbano, cientificamente Boswellia carterii, é a resina aromática extraída de árvores do gênero Boswellia, nativas das regiões áridas do Chifre da África e da Península Arábica. Seu uso atravessa milênios de comércio, religião e medicina tradicional, do Egito Antigo à Índia ayurvédica. Hoje a ciência moderna começa a validar parte dessa tradição, embora seja importante entender uma distinção logo de início: a maior parte da pesquisa clínica mais robusta sobre os compostos ativos da Boswellia vem de uma espécie próxima, a Boswellia serrata, nativa da Índia. Isso não invalida o que se sabe sobre o olíbano de Boswellia carterii especificamente, mas ajuda a calibrar expectativas sobre o que é evidência direta e o que é extrapolação razoável entre espécies do mesmo gênero.

Este guia reúne o que a pesquisa atual mostra sobre a composição química do olíbano, sua ação anti-inflamatória, os usos tradicionais na pele, nas vias respiratórias e na aromaterapia, além das contraindicações, interações medicamentosas e questões de sustentabilidade que cercam a colheita da resina.

Sumário do Artigo
  1. O Que É o Olíbano (Boswellia carterii)?
  2. Uma História Milenar: da Rota do Incenso à Medicina Tradicional
  3. Composição Química: Ácidos Boswélicos e Óleo Essencial
  4. Ácidos Boswélicos e Inflamação: o Que a Ciência Mostra
  5. Benefícios Tradicionais para a Pele
  6. Potencial Imunomodulador e Pesquisa sobre Câncer
  7. Efeitos na Saúde Respiratória
  8. Olíbano e a Saúde Cerebral: uma Linha de Pesquisa Ainda Inicial
  9. Aromaterapia e Uso Contemplativo
  10. Como Usar o Olíbano com Segurança
  11. Como Diluir e Aplicar o Óleo Essencial de Olíbano
  12. Interações Medicamentosas e Precauções
  13. Segurança, Contraindicações e Efeitos Colaterais
  14. Sustentabilidade e Controle de Qualidade
  15. Perguntas Frequentes sobre o Olíbano

O Que É o Olíbano (Boswellia carterii)?

Árvore de Boswellia em paisagem árida e pedregosa, com galhos retorcidos e folhagem esparsa
A Boswellia carterii é uma árvore de pequeno porte da família Burseraceae, adaptada a solos rochosos e climas áridos da Somália, do Iêmen e de Omã. A resina é obtida por meio de incisões controladas no tronco, das quais escorre um líquido leitoso que endurece em contato com o ar, formando as chamadas “lágrimas” que são então raspadas e coletadas manualmente.

Quimicamente, o olíbano é uma mistura complexa de óleos essenciais voláteis, gomas polissacarídicas e resinas triterpênicas. São justamente essas resinas, e dentro delas o grupo dos ácidos boswélicos, que concentram o interesse científico atual sobre a planta.

Carterii ou Sacra? A Questão do Nome Botânico

Bases botânicas de referência, como o World Flora Online, registram Boswellia carteri Birdw. como sinônimo de Boswellia sacra Flück., nome anterior e portanto prioritário: para a taxonomia aceita, a resina somali e o incenso omani vêm da mesma espécie. Revisões de fitoquímica seguem publicando sob os dois nomes e separando as resinas por procedência, o que traz uma lição prática: a origem declarada e o laudo de análise informam mais que o nome no rótulo.

Uma História Milenar: da Rota do Incenso à Medicina Tradicional

Comercializado havia mais de cinco mil anos pela Rota do Incenso, que ligava o sul da Arábia ao Mediterrâneo por caravanas de camelos, o olíbano já foi, em determinados períodos históricos, mais valioso que o ouro. No Egito Antigo, a resina era componente essencial do processo de mumificação, graças a propriedades antimicrobianas que ajudavam a preservar os corpos, além de ser queimada em oferendas aos deuses e usada no preparo do kohl, a maquiagem tradicional para os olhos.

Significado Religioso e Cultural

Na tradição judaica, o olíbano integrava o incenso sagrado do Tabernáculo. No relato bíblico, foi um dos presentes dos Reis Magos ao menino Jesus, simbolizando divindade e status real, e a Igreja Católica segue usando sua fumaça em cerimônias até hoje, associada a orações que sobem aos céus.

Uso na Medicina Ayurvédica

Na medicina ayurvédica indiana, uma resina de Boswellia conhecida localmente como “salai guggul”, geralmente extraída de Boswellia serrata, é usada há séculos para desconforto articular, problemas respiratórios e queixas digestivas, dentro do sistema tradicional de equilíbrio dos doshas. Essa tradição de uso é parte do que motivou a pesquisa científica moderna a investigar os ácidos boswélicos com mais profundidade.

Composição Química: Ácidos Boswélicos e Óleo Essencial

A resina do olíbano é formada por três frações principais. Entre 5% e 9% do peso correspondem a óleos essenciais voláteis, responsáveis pelo aroma amadeirado e levemente cítrico da resina; monoterpenos como alfa-pineno e limoneno predominam nessa fração e têm propriedades terapêuticas próprias, exploradas sobretudo na aromaterapia. Uma fração polissacarídica, a goma, corresponde a cerca de 20% do total e influencia as propriedades físicas da resina.

A fração mais estudada, porém, é a terpênica, que pode representar entre 60% e 85% do peso da resina e reúne os ácidos boswélicos, triterpenos pentacíclicos entre os quais o AKBA, ou ácido acetil-11-ceto-beta-boswélico, se destaca como o composto mais potente e mais estudado. Uma revisão de 2022 mediu cerca de 40 mg de AKBA por grama de resina, teor que varia com a procedência.

Ácidos Boswélicos e Inflamação: o Que a Ciência Mostra

O AKBA e outros ácidos boswélicos inibem a enzima 5-lipoxigenase, ou 5-LOX, responsável pela produção de leucotrienos a partir do ácido araquidônico na cascata inflamatória. Essa inibição explica o interesse científico consistente em espécies de Boswellia para condições inflamatórias crônicas, sobretudo articulares.

Evidência Clínica Mais Forte: Osteoartrite de Joelho

A linha de evidência mais sólida para o gênero Boswellia está na osteoartrite de joelho. Uma revisão sistemática com meta-análise de 2020 reuniu sete ensaios randomizados e 545 pacientes e concluiu que a Boswellia e seus extratos reduziram dor e rigidez e melhoraram a função articular.

A maioria desses ensaios usou extratos padronizados de Boswellia serrata, caso do estudo de Kimmatkar e colaboradores, de 2003, com 30 pacientes em desenho cruzado, e do extrato comercial 5-Loxin, testado em 75 participantes por noventa dias, com melhora de dor e função física já no sétimo dia na dose maior. Um ensaio de 2024, com 105 pessoas, registrou melhora da dor em cinco dias. No uso tópico, a evidência também vem da espécie indiana: um estudo de 2023 aplicou solução oleosa de extrato em 70 pacientes por quatro semanas, com resultado superior ao do placebo.

Para o olíbano de Boswellia carterii especificamente, o que existe são estudos de laboratório e em animais, sem ensaio clínico de porte publicado em bases indexadas. Aplicar a ele esses resultados é extrapolação plausível, não dado demonstrado.

Mecanismo de Ação: Inibição da 5-LOX e Diferença para os AINEs

Diferentemente dos anti-inflamatórios não esteroides, que atuam sobre as enzimas COX-1 e COX-2, os ácidos boswélicos não parecem interferir de forma relevante na via da ciclo-oxigenase. Isso importa porque a inibição da COX-1 está associada a efeitos colaterais gastrointestinais, como úlceras, comuns no uso prolongado de AINEs; o mecanismo diferente da Boswellia é uma das razões pelas quais o gênero desperta interesse para o manejo de longo prazo da inflamação crônica, embora isso não signifique que seja isento de riscos próprios.

Outro mecanismo em estudo é a possível supressão da ativação do fator nuclear kappa B, o NF-κB, um complexo proteico que regula a expressão de genes ligados à resposta imune e inflamatória; sua ativação desregulada é associada a diversas doenças inflamatórias crônicas. A pesquisa nessa linha ainda é majoritariamente pré-clínica.

Outras Condições Inflamatórias em Investigação

Fora do contexto articular, o quadro é mais irregular do que costuma aparecer em textos de divulgação. Uma revisão sistemática publicada no BMJ em 2008 reuniu sete ensaios randomizados com extratos de Boswellia serrata, em cinco condições diferentes, e classificou a evidência como encorajadora, mas não conclusiva.

A doença de Crohn é o exemplo mais instrutivo. Um estudo alemão de 2001 sugeriu benefício na fase ativa, mas o ensaio multicêntrico de 2011, com 82 pacientes seguidos por até 52 semanas, não confirmou o resultado: 59,9% dos tratados e 55,3% do placebo permaneceram em remissão, sem diferença estatística. Para colite ulcerativa e asma a situação é parecida, e nada disso substitui o tratamento médico estabelecido.

Benefícios Tradicionais para a Pele

Na cosmética, o olíbano é valorizado por propriedades adstringentes, citofiláticas e anti-inflamatórias. É tradicionalmente usado em cremes e séruns voltados a peles maduras, ajudando na sensação de firmeza e no controle da oleosidade. Estudos preliminares também associam extratos de Boswellia ao alívio de sintomas de acne e eczema, sempre como coadjuvante e nunca como substituto de tratamento dermatológico prescrito.

Sobre reparo de tecidos há um exemplo clínico publicado: um ensaio controlado por placebo com 50 pacientes testou extrato de Boswellia serrata em aftas orais e encontrou redução do tamanho da lesão e da dor, em estudo pequeno e sobre mucosa, não sobre pele. Para uso tópico, o óleo essencial deve sempre ser diluído em óleo carreador, e existe relato de caso de dermatite alérgica ao óleo da espécie confirmada por teste de contato.

Potencial Imunomodulador e Pesquisa sobre Câncer

Estudos em laboratório e em modelos animais sugerem que os ácidos boswélicos podem induzir apoptose, a morte celular programada, em diferentes linhagens de células tumorais, incluindo células de cólon, próstata, mama e pâncreas, e podem atuar como imunomoduladores. Esses achados vêm quase inteiramente de pesquisa in vitro e pré-clínica; a pesquisa em humanos ainda é muito limitada, e o olíbano não deve substituir tratamento convencional para câncer nem qualquer terapia oncológica prescrita por um médico.

O uso oncológico com evidência clínica é bem mais restrito. Um ensaio controlado por placebo publicado na revista Cancer em 2011 acompanhou 44 pacientes irradiados por tumores cerebrais e encontrou redução de mais de 75% do edema cerebral em 60% dos que receberam extrato de Boswellia serrata, contra 26% no placebo. O efeito recaiu sobre o edema da radioterapia, não sobre o tumor, em estudo piloto.

Efeitos na Saúde Respiratória

O olíbano tem uso tradicional para desconforto respiratório, historicamente por meio da inalação da fumaça da resina queimada. Pesquisas preliminares sobre extratos de Boswellia investigam um possível papel na asma brônquica, pela mesma inibição da produção de leucotrienos discutida acima. Há também uso tradicional para bronquite e sinusite, atribuído a um efeito expectorante que ajudaria a soltar secreções.

O ensaio mais citado nessa área é antigo e pequeno: em 1998, um estudo duplo-cego com 40 pacientes asmáticos usou goma resina de Boswellia serrata por seis semanas e relatou melhora em 70% dos tratados, contra 27% do placebo. O relato é anterior aos padrões metodológicos atuais e nunca foi replicado, o que mantém essas aplicações abaixo do nível de evidência da osteoartrite e longe de substituir o tratamento médico de doenças respiratórias, sobretudo em quadros agudos ou graves.

Olíbano e a Saúde Cerebral: uma Linha de Pesquisa Ainda Inicial

Como a neuroinflamação crônica está associada a doenças neurodegenerativas como Alzheimer, Parkinson e esclerose múltipla, pesquisadores têm investigado se as propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes da Boswellia poderiam ter efeito protetor sobre o tecido cerebral. Um composto específico do óleo essencial, o incensol acetato, tem sido estudado por sua possível ativação de canais iônicos cerebrais, os canais TRPV3, ligados à percepção de calor e conforto, e por um possível efeito sobre humor e ansiedade em modelos animais.

Essa linha de pesquisa ainda é inicial, concentrada em estudos de laboratório e em animais, e insuficiente para qualquer recomendação clínica sobre depressão, ansiedade ou doenças neurodegenerativas em humanos.

Aromaterapia e Uso Contemplativo

Na aromaterapia, o aroma amadeirado e levemente cítrico do olíbano é associado a relaxamento profundo e à prática contemplativa, sendo usado com frequência em sessões de meditação e ioga. O uso mais comum é por difusor, com o óleo essencial diluído em água, ou por inalação direta do frasco.

Como Usar o Olíbano com Segurança

O olíbano está disponível em três formas principais, cada uma com suas próprias indicações. Extratos padronizados em cápsula concentram uma porcentagem definida de ácidos boswélicos, geralmente entre 30% e 65%, e são a forma mais estudada para uso interno, sempre com orientação profissional e nunca por automedicação. O óleo essencial, obtido por destilação a vapor da resina, é usado em aromaterapia ou, diluído, em aplicação tópica. A resina bruta pode ser queimada como incenso, em ambientes ventilados e nunca para inalação direta e prolongada da fumaça.

As doses usadas em estudos e em produtos licenciados no exterior giram entre 250 mg e 500 mg de extrato, duas a três vezes ao dia, e o LiverTox, base do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, classifica a espécie como causa improvável de dano hepático.

O Que Se Sabe sobre Queimar a Resina

Queimar a resina é a forma de uso mais antiga e a menos estudada quanto à segurança. A fumaça de incenso carrega material particulado fino, e uma meta-análise de 2024, com nove estudos de caso-controle na Ásia, encontrou associação entre queima habitual de incenso e câncer de pulmão, com razão de chances agrupada de 1,33. Os autores apontam limitações: são estudos observacionais sujeitos a viés de memória, poucos ajustaram para tabagismo e a exposição não foi separada por tipo nem por frequência.

O dado não se refere à resina pura e não torna um incenso ocasional um risco demonstrado, mas ajuda a calibrar o hábito: ambientes ventilados, uso espaçado e cautela redobrada em casas com crianças pequenas, gestantes ou pessoas com doenças respiratórias crônicas.

Como Diluir e Aplicar o Óleo Essencial de Olíbano

  1. Escolha um óleo carreador adequado, como óleo de coco fracionado, amêndoas ou jojoba.
  2. Misture de duas a três gotas de óleo essencial de olíbano para cada colher de sopa de óleo carreador.
  3. Aplique uma pequena quantidade da mistura no antebraço e aguarde 24 horas, observando sinais de irritação, antes de usar em áreas maiores da pele.
  4. Para aromaterapia, adicione algumas gotas da mistura diluída, ou do óleo essencial puro conforme instrução do fabricante, a um difusor de ambientes.
  5. Nunca aplique o óleo essencial puro diretamente sobre a pele.
  6. Consulte um profissional de saúde antes do uso regular, especialmente durante a gravidez, a amamentação ou na presença de doenças autoimunes.

Interações Medicamentosas e Precauções

Embora seja de origem vegetal, o olíbano pode interagir com medicamentos. O uso concomitante com anti-inflamatórios não esteroides pode, em teoria, potencializar efeitos e elevar o risco de eventos adversos, o que justifica cautela e conversa prévia com um médico.

Há também atenção especial para anticoagulantes e antiplaquetários, como varfarina, clopidogrel e ácido acetilsalicílico. Extratos de Boswellia inibem a agregação plaquetária em experimentos, e o Memorial Sloan Kettering Cancer Center orienta que o uso combinado pode aumentar o risco de sangramento, o que exige monitoramento médico cuidadoso.

Um estudo in vitro de 2025, em células de hepatocarcinoma humano, observou que o extrato da resina induziu a expressão dos genes das enzimas CYP1A2, CYP2B6 e CYP3A4, do sistema citocromo P450, que metaboliza boa parte dos fármacos de uso corrente. A relevância clínica não foi medida em pessoas, e quem usa medicação contínua deve conversar com um médico antes do uso regular.

Segurança, Contraindicações e Efeitos Colaterais

O olíbano é considerado geralmente seguro, com efeitos colaterais raros e leves: desconforto gastrointestinal, náusea, diarreia ou refluxo no uso interno, e irritação de pele ocasional no uso tópico não diluído. Somado ao relato de dermatite alérgica de contato ao óleo da espécie, isso torna recomendável um teste de sensibilidade de 24 horas antes do uso regular.

Em experimentos de laboratório, o extrato da espécie reduziu citocinas do perfil TH1 e aumentou as do perfil TH2, ou seja, deslocou o padrão da resposta imune em vez de simplesmente estimulá-la. Por precaução, pessoas com doenças autoimunes devem tratar o uso regular como decisão médica. Gestantes e lactantes devem evitar o olíbano pela falta de estudos de segurança nesses grupos.

Sustentabilidade e Controle de Qualidade

Detalhe dos galhos retorcidos e da casca descamante de uma árvore de Boswellia, de onde se extrai a resina de olíbano

Pressão sobre as Árvores de Boswellia

A demanda crescente por olíbano pressiona árvores de Boswellia em seus habitats nativos. A colheita excessiva de resina enfraquece as árvores, tornando-as mais suscetíveis a doenças e pragas, e em casos extremos pode levar à morte da árvore. A colheita tradicional, feita corretamente por coletores experientes que permitem descanso entre extrações, é sustentável, mas a pressão econômica e a pobreza nas regiões produtoras favorecem práticas mais destrutivas. Escolher produtos de marcas com certificação de origem responsável e comércio justo ajuda a proteger populações silvestres e sustentar as comunidades que dependem da resina.

Como Reconhecer um Produto de Qualidade

A potência e a pureza dos extratos de Boswellia variam bastante entre fabricantes. Procure produtos padronizados para um teor específico de ácidos boswélicos, geralmente entre 30% e 65%, e certificados por boas práticas de fabricação, conhecidas pela sigla BPF ou GMP. A adulteração é um problema conhecido no mercado de suplementos: alguns produtos usam espécies de Boswellia mais baratas ou ingredientes não declarados, e a análise por cromatografia líquida de alta eficiência, a HPLC, é o método mais confiável para confirmar identidade e pureza. Marcas transparentes, que disponibilizam laudos de análise laboratorial, costumam ser a escolha mais segura.

Perguntas Frequentes sobre o Olíbano

O Olíbano Realmente Ajuda na Artrite?

A evidência mais forte vem de ensaios com Boswellia serrata: uma meta-análise de 2020 reuniu sete ensaios randomizados e 545 pacientes com osteoartrite de joelho e encontrou redução de dor e rigidez e melhora da função articular. Para o olíbano de Boswellia carterii não há ensaio clínico de porte publicado.

Quanto Tempo o Olíbano Leva para Fazer Efeito?

Nos ensaios com extratos padronizados de Boswellia serrata em osteoartrite de joelho, a melhora de dor apareceu entre cinco e sete dias e seguiu aumentando ao longo de noventa dias, mas a meta-análise de 2020 sugere pelo menos quatro semanas antes de avaliar resposta.

Qual a Diferença entre Boswellia Carterii e Boswellia Serrata?

São nomes de espécies do mesmo gênero, com uma camada extra de confusão: bases botânicas tratam Boswellia carteri como sinônimo de Boswellia sacra, enquanto parte da literatura química sustenta que as resinas somali e omani têm perfis distintos. O desequilíbrio de evidência não muda: a pesquisa clínica robusta vem da Boswellia serrata, nativa da Índia, enquanto o olíbano do Chifre da África e da Arábia tem estudos sobretudo pré-clínicos.

O Olíbano Pode Ser Ingerido com Segurança?

Apenas na forma de extratos padronizados em cápsula, e mesmo assim com orientação profissional. O óleo essencial de olíbano não deve ser ingerido fora de supervisão qualificada.

Quem Deve Evitar o Uso de Olíbano?

Gestantes e lactantes, pela falta de estudos de segurança, e pessoas com doenças autoimunes ou em uso de anticoagulantes, antiplaquetários ou anti-inflamatórios, já que a planta pode interagir com esses tratamentos ou alterar a resposta imune.

O Olíbano Realmente Ajuda contra o Câncer?

Estudos em laboratório e em animais sugerem que os ácidos boswélicos induzem morte de células tumorais, mas a pesquisa em humanos ainda é muito limitada, e o olíbano não deve substituir tratamento convencional para câncer. O uso oncológico com ensaio clínico publicado é outro: redução do edema cerebral em pacientes irradiados, em um estudo piloto com 44 participantes.

Posso Aplicar Óleo Essencial de Olíbano Diretamente na Pele?

Não. O óleo essencial é concentrado o suficiente para causar irritação quando aplicado puro, e deve sempre ser diluído em óleo carreador, como coco ou jojoba, antes do uso tópico.

Qual a Diferença entre Olíbano e Mirra?

São resinas de gêneros botânicos diferentes: o olíbano vem de Boswellia e a mirra de Commiphora. Ambas têm longa história de uso conjunto em rituais religiosos, mas perfis químicos e aromas distintos.

O Olíbano Ajuda na Ansiedade?

O aroma do olíbano é associado a relaxamento e a uma sensação de calma, sendo usado com frequência em aromaterapia para esse fim. Pesquisas preliminares sobre o composto incensol acetato investigam um possível efeito sobre humor e ansiedade, mas essa linha de pesquisa ainda é inicial, restrita a modelos animais, e não substitui o tratamento médico para transtornos de ansiedade.

Como Escolher um Olíbano de Boa Qualidade?

Procure extratos padronizados que informem o teor de ácidos boswélicos, geralmente entre 30% e 65%, e certificação de boas práticas de fabricação. Para óleos essenciais, prefira produtos puros, sem diluição não informada, de marcas que disponibilizem laudos de análise laboratorial e que sigam práticas de colheita responsável da resina.

O Olíbano É Sustentável?

A demanda crescente pressiona árvores de Boswellia em seus habitats nativos, e a colheita excessiva pode enfraquecer as árvores e reduzir populações silvestres ao longo do tempo. Escolher produtos de marcas com certificação de origem responsável e comércio justo ajuda a proteger essas árvores e as comunidades que dependem da resina.

Referências

21 Referências Citadas

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Baseado em 21 Referências Citadas (7 Peer-Reviewed, 1 Institucional, 13 Complementares).

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Estudos Científicos Peer-Reviewed (7)

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Fontes Institucionais (1)

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Leituras Complementares (13)

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