Plantas Medicinais

Poejo: Saiba Para Que Serve e os Riscos

Conheça os benefícios, efeitos colaterais, indicações e propriedades medicinais do poejo (Mentha pulegium), erva também chamada de menta-selvagem e pennyroyal.

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Poejo - Mentha pulegium
Poejo (Mentha pulegium) em floração, exibindo suas características flores lilás em formato de pompom ao longo das hastes verticais.

O poejo, cientificamente Mentha pulegium, é uma planta da família Lamiaceae com longa história de uso popular como digestivo e repelente de insetos. É também uma das plantas medicinais com toxicidade mais bem documentada na literatura médica: seu óleo essencial já causou mortes reais por insuficiência hepática aguda, sobretudo em contextos de tentativa de indução de aborto, e esse risco precisa vir antes de qualquer benefício tradicional neste texto, não depois.

Sumário do Artigo
  1. O Que É o Poejo
  2. Um Uso Tradicional Antigo, Hoje Reavaliado
  3. A Pulegona e Por Que Ela É Perigosa
  4. Uso Interno do Óleo Essencial: Nunca
  5. Chá de Poejo: Risco Dependente de Dose Não Padronizável
  6. Gravidez: Contraindicação Absoluta
  7. Uso como Repelente: A Aplicação Mais Segura
  8. Uso Tópico: Desaconselhado como Regra
  9. Contraindicações Absolutas
  10. Perguntas Frequentes sobre o Poejo

O Que É o Poejo

Planta herbácea perene de até 40 cm, com folhas pequenas e aroma mentolado intenso, nativa da Europa e do norte da África e hoje presente em todo o mundo, favorecida por solos úmidos. Não deve ser confundida com a hortelã comum (Mentha spicata) ou a hortelã-pimenta (Mentha piperita): a diferença química central é a pulegona, presente no poejo em concentração muito maior e ausente ou mínima nas outras mentas.

Um Uso Tradicional Antigo, Hoje Reavaliado

O nome “pulegium” vem do latim “pulex” (pulga), referência ao uso já registrado pelos romanos como repelente contra esses insetos, prática que atravessou séculos na Europa. Ao lado disso, o poejo também constava em farmacopeias antigas como digestivo popular e remédio para resfriados, uso que persistiu na medicina caseira até bem entrado o século XX, antes de a toxicologia moderna caracterizar com precisão o mecanismo de dano hepático da pulegona. É esse conhecimento mais recente, não uma mudança na composição da planta, que reposicionou o poejo de “erva caseira comum” para “planta que exige cautela real”, uma revisão de risco que vale a pena entender antes de repetir usos tradicionais sem questionar.

A Pulegona e Por Que Ela É Perigosa

A pulegona, cetona monoterpênica que pode representar até 95% do óleo essencial da planta, é hepatotóxica por um mecanismo bem estabelecido: o fígado a converte em menthofuran, metabólito que esgota as reservas de glutationa hepática, a mesma via de dano por trás da intoxicação grave por paracetamol. Sem glutationa suficiente para neutralizar esse metabólito, ocorre necrose das células do fígado, que em casos graves evolui para falência hepática e, historicamente, morte. A literatura toxicológica documenta intoxicação grave com poucos mililitros de óleo essencial puro e mortes com quantidades próximas de uma colher de sopa (15 a 30 ml). O dano hepático costuma se manifestar horas ou dias depois da ingestão, não de imediato: sentir-se bem nas primeiras horas não significa que o risco passou, e por isso procurar atendimento médico cedo é decisivo, já que existe antídoto eficaz (N-acetilcisteína) quando administrado dentro dessa janela inicial, o mesmo usado na intoxicação por paracetamol.

Uso Interno do Óleo Essencial: Nunca

Não existe dose segura de óleo essencial de poejo por via oral. A concentração de pulegona no óleo essencial é ordens de grandeza maior do que na planta seca usada em chá, e a venda do óleo para uso interno é restrita em vários países exatamente por esse histórico de óbitos. Isso vale mesmo em contextos onde o óleo é apresentado como “natural” ou “tradicional”: natureza não implica segurança quando a substância em questão é uma hepatotoxina bem caracterizada.

Chá de Poejo: Risco Dependente de Dose Não Padronizável

O chá de folhas tem uso tradicional como digestivo, carminativo (reduz gases) e antiespasmódico para cólicas leves, mas a concentração de pulegona na planta varia de forma imprevisível conforme região de cultivo, época de colheita e preparo, o que torna impossível garantir uma dose “segura” de forma consistente entre diferentes lotes ou fontes da planta. Sinais de intoxicação incluem náusea, vômito, dor abdominal, tontura e confusão mental; qualquer um desses sintomas exige interromper o uso e procurar atendimento médico, não esperar para ver se passa sozinho. Álcool, paracetamol e outros medicamentos que sobrecarregam o fígado ou induzem as mesmas enzimas hepáticas amplificam esse risco, e por isso não devem ser combinados com o consumo de poejo em nenhuma quantidade.

Gravidez: Contraindicação Absoluta

O poejo tem uso tradicional histórico como emenagogo (estimulante do fluxo menstrual) e abortivo, precisamente porque estimula contração uterina. Esse mesmo mecanismo, somado à hepatotoxicidade da pulegona, torna o uso na gravidez uma combinação de dois riscos graves simultâneos: hemorragia e falência hepática, com casos fatais documentados especificamente nesse contexto de tentativa de indução de aborto com óleo de poejo. É essencial dizer isso sem rodeio: o poejo não interrompe uma gravidez de forma segura. A dose que afeta o útero é próxima da dose que destrói o fígado, e há mulheres que morreram sem que a gravidez fosse interrompida. Quem está enfrentando uma gravidez não planejada precisa de atendimento em serviço de saúde, não de uma planta que arrisca a vida sem garantir o resultado buscado. Não existe forma segura de usar poejo, em qualquer preparação, durante a gestação, e essa contraindicação vale também para quem apenas suspeita estar grávida ou está tentando engravidar, já que a fase mais arriscada para o desenvolvimento do bebê costuma ocorrer antes mesmo de a gravidez ser confirmada.

Uso como Repelente: A Aplicação Mais Segura

O uso ambiental (folhas secas em sachês, queima da erva em ambiente ventilado, óleo em difusor bem ventilado) para repelir traças, pulgas e mosquitos tem respaldo em estudos que confirmam a ação inseticida da pulegona, e é a aplicação da planta com melhor relação risco-benefício, já que não envolve ingestão nem aplicação direta na pele. Um ponto crítico aqui: nunca aplique óleo ou qualquer preparação de poejo diretamente em cães ou gatos para repelir pulgas. Existe caso documentado de morte canina por aplicação tópica de óleo de poejo com essa finalidade. O uso contra pulgas deve ficar restrito ao ambiente (casa, tapetes, camas), mantendo o animal fora do alcance direto do produto.

Uso Tópico: Desaconselhado como Regra

Referências de segurança em aromaterapia, como o guia Essential Oil Safety de Tisserand e Young, classificam o óleo essencial de poejo como não recomendado por nenhuma via, incluindo a pele: a pulegona atravessa a barreira cutânea em quantidade real, e o caso fatal documentado em animal envolveu justamente aplicação dérmica. A recomendação mais segura é evitar o uso tópico do óleo de poejo como regra geral. Se, ainda assim, o uso tópico for considerado, restrinja-se a área pequena, uso ocasional, sempre bem diluído em óleo carreador, nunca em feridas abertas, e mantenha as mesmas exclusões já descritas: gestantes (inclusive quem suspeita estar grávida), lactantes, crianças e animais de estimação não devem ter contato com o produto em nenhuma hipótese.

Contraindicações Absolutas

Gestantes, sob nenhuma circunstância. Lactantes, pela ausência de dados sobre passagem de compostos para o leite. Crianças, pela maior sensibilidade à toxicidade da pulegona. Pessoas com doença hepática ou renal preexistente, pelo risco de sobrecarregar órgãos já comprometidos.

Perguntas Frequentes sobre o Poejo

O Óleo Essencial de Poejo É Seguro para Ingerir?

Não, em nenhuma circunstância. Existem mortes documentadas na literatura médica por ingestão de óleo essencial de poejo, mesmo em quantidades pequenas, por insuficiência hepática aguda.

Por Que o Poejo É Tóxico ao Fígado?

A pulegona, seu composto principal, é convertida pelo fígado em menthofuran, que esgota as reservas de glutationa e causa necrose das células hepáticas, mecanismo semelhante ao da intoxicação grave por paracetamol.

Existe uma Quantidade Segura de Chá de Poejo?

Não é possível garantir isso com precisão: a concentração de pulegona na planta varia de forma imprevisível conforme cultivo e colheita. Qualquer sintoma como náusea, tontura ou confusão mental exige parar o uso e procurar atendimento médico.

Grávidas Podem Tomar Chá de Poejo?

Não. O poejo é abortivo e hepatotóxico, uma combinação de riscos graves que torna seu uso absolutamente contraindicado durante toda a gestação.

O Poejo Pode Ser Usado na Pele?

Guias de segurança em aromaterapia desaconselham o óleo de poejo por qualquer via, incluindo a pele, já que a pulegona é absorvida pelo organismo também por essa rota. Se ainda assim for considerado, use apenas em área pequena, bem diluído, nunca em feridas abertas, e mantenha gestantes, crianças e animais de estimação longe do produto.

Posso Dar Chá de Poejo para Bebês?

Não. O sistema hepático imaturo do bebê é muito mais sensível à toxicidade da pulegona. Isso vale também para o “poejinho” (Cunila microcephala), planta diferente mas com pulegona na composição, tradicionalmente dada a bebês no Sul do Brasil: apesar do nome parecido sugerir algo mais brando, o mesmo risco se aplica. Camomila e erva-doce, sempre com orientação pediátrica, são alternativas mais seguras para cólica.

Qual a Diferença entre Poejo e Hortelã?

Ambos são da família Lamiaceae e têm aroma mentolado, mas são espécies diferentes. O poejo contém concentração muito maior de pulegona, o composto hepatotóxico, o que o torna significativamente menos seguro para consumo regular que a hortelã comum.

Para Que Serve o Poejo com Segurança?

Seu uso mais seguro é como repelente ambiental de insetos (sachês, queima da erva seca, difusor bem ventilado), aplicação que não envolve ingestão nem contato direto e prolongado com a pele.

Referências

5 Referências Citadas

Baseado em 5 Referências Citadas (5 Complementares).

  1. 2024 Amtaghri S, et al. Mentha Pulegium: A Plant with Several Medicinal Properties. Endocrine, Metabolic & Immune Disorders – Drug Targets, 2024;24(1):20-28.
  2. 1987 Gordon WP, Huitric AC, Seth CL, McClanahan RH, Nelson SD. The metabolism of the abortifacient terpene, (R)-(+)-pulegone, to a proximate toxin, menthofuran. Drug Metabolism and Disposition, 1987;15(5):589-594.
  3. 1982 Gordon WP, et al. Hepatotoxicity and pulmonary toxicity of pennyroyal oil and its constituent terpenes in the mouse. Toxicology and Applied Pharmacology, 1982;65(3):413-424.
  4. 2021 Mentha pulegium L.: A Plant Underestimated for Its Toxicity. Molecules, 2021;26(8):2154.
  5. 2003 Sztajnkrycer MD, et al. Mitigation of pennyroyal oil hepatotoxicity in the mouse. Academic Emergency Medicine, 2003;10(10):1024-1028.

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