Perfis Botânicos

Cordia lutea (Amarelinha): Perfil Botânico Completo

Por Conselho Editorial6 Min de Leitura
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A Cordia lutea é um arbusto ou pequena árvore nativa das regiões áridas da América do Sul ocidental, valorizada tanto pela beleza ornamental de suas flores amarelas quanto pelo uso medicinal tradicional nas comunidades andinas e costeiras do Peru e Equador. Pertence à família Boraginaceae, a mesma família botânica da borragem e do confrei. Esta página é um perfil botânico aprofundado da espécie, focado em taxonomia formal, identificação morfológica, ecologia de zonas áridas, espécies relacionadas do gênero Cordia, conservação e fitoquímica.

Sumário do Artigo
  1. Taxonomia Formal da Cordia lutea
  2. Identificação Botânica Detalhada
  3. Cultivo Técnico Detalhado
  4. Outras Espécies do Gênero Cordia
  5. Geografia e Distribuição
  6. Fitoquímica Principal
  7. Pragas e Doenças Comuns
  8. Conservação e Status Ambiental
  9. História Botânica
  10. Identificação Visual

Taxonomia Formal da Cordia lutea

A Cordia lutea pertence à família Boraginaceae (sensu APG IV), uma família botânica com cerca de 150 gêneros e 2.700 espécies de distribuição predominantemente tropical e subtropical. A classificação completa segue abaixo:

  • Reino: Plantae
  • Divisão: Magnoliophyta (angiospermas)
  • Classe: Magnoliopsida (dicotiledôneas)
  • Ordem: Boraginales
  • Família: Boraginaceae (sensu APG IV; anteriormente separada em Cordiaceae por alguns autores)
  • Subfamília: Cordioideae
  • Gênero: Cordia (com aproximadamente 300 espécies aceitas)
  • Espécie: Cordia lutea Lam., 1791

Sinônimos Taxonômicos Históricos

  • Cordia rotundifolia Ruiz & Pav.
  • Varronia lutea (Lam.) Borhidi

O nome genérico Cordia homenageia o botânico e farmacêutico alemão Valerius Cordus (1515-1544). O epíteto lutea significa “amarela”, referência à cor vibrante das flores.

Identificação Botânica Detalhada

Morfologia Geral

A Cordia lutea é um arbusto ou pequena árvore decídua, atingindo 2 a 8 metros de altura. Possui copa arredondada e ramificação densa, com caules irregulares e casca acinzentada e rugosa. É uma espécie xerófita, adaptada a ambientes secos com precipitação inferior a 500 milímetros anuais.

Folhas

  • Comprimento: 3 a 10 centímetros
  • Cor: verde-escura na face superior, mais clara e áspera na inferior
  • Forma: ovadas a suborbiculares, com ápice arredondado a obtuso
  • Indumento: superfície áspera (escabra), com tricomas rígidos em ambas as faces
  • Largura: 2 a 7 centímetros
  • Margem: inteira a irregularmente crenada
  • Pecíolo: curto, 5 a 15 milímetros

Flores

As flores são o elemento ornamental mais distintivo da espécie:

  • Cálice: tubuloso, persistente, estriado longitudinalmente, com 5 a 10 dentes
  • Cor: amarelo-vivo a amarelo-alaranjado
  • Diâmetro: 2 a 4 centímetros
  • Floração: durante todo o ano em condições favoráveis, com pico após as chuvas
  • Forma: infundibuliforme (em funil), com 5 lobos expandidos
  • Inflorescência: cimeiras terminais com 3 a 15 flores
  • Polinização: entomófila (abelhas, borboletas, beija-flores)

Frutos e Sementes

  • Cor: branco a creme-translúcido quando maduro
  • Diâmetro: 8 a 15 milímetros
  • Formato: drupa ovoide, envolta pelo cálice acrescente
  • Polpa: mucilaginosa e adocicada (comestível, consumida localmente como fruta silvestre)
  • Sementes: 1, dura, ovoide

Cultivo Técnico Detalhado

Requisitos Edafoclimáticos

  • Altitude: do nível do mar até 2.500 metros
  • Luminosidade: sol pleno obrigatório
  • Pluviosidade: 50 a 500 milímetros anuais. Altamente tolerante à seca
  • Solo: arenoso a argiloso, bem drenado. Tolera solos pobres, alcalinos e salinos. pH 6,0 a 8,5
  • Temperatura: tropical a subtropical. Não tolera geadas. Ideal entre 18ºC e 32ºC

Propagação

  • Estacas: estacas semi-lenhosas enraízam em 30 a 60 dias com auxílio de hormônio de enraizamento
  • Sementes: semeadura em substrato arenoso, germinação em 14 a 30 dias. Escarificação mecânica melhora a taxa de germinação

Outras Espécies do Gênero Cordia

O gênero Cordia possui cerca de 300 espécies pantropicais:

  • Cordia africana Lam.: árvore da África Oriental, madeira nobre usada em marcenaria
  • Cordia alliodora (Ruiz & Pav.) Oken: árvore neotropical de grande porte, madeira valiosa para construção
  • Cordia dichotoma G. Forst. (Lasura): espécie asiática com frutos mucilaginosos comestíveis
  • Cordia myxa L.: espécie asiática e africana com frutos comestíveis (sebesten)
  • Cordia sinensis Lam.: espécie africana e asiática de zonas áridas, ecologicamente análoga a C. lutea
  • Cordia trichotoma (Vell.) Arráb. ex Steud. (Louro-Pardo): árvore nativa brasileira de madeira nobre

Geografia e Distribuição

A Cordia lutea é nativa da América do Sul ocidental:

  • Equador: costa e vales interandinos secos
  • Peru: costa desértica do Pacífico (de Tumbes a Ica), vales interandinos secos. Componente principal dos bosques secos do noroeste peruano

No Brasil, a espécie não é nativa, mas pode ser cultivada em regiões semiáridas do Nordeste com condições edafoclimáticas semelhantes.

Fitoquímica Principal

  • Ácido rosmarínico: ácido fenólico com atividade antioxidante e anti-inflamatória
  • Alcaloides pirrolizidínicos: em baixas concentrações (comum em Boraginaceae)
  • Flavonoides: rutina, quercetina, canferol
  • Mucilagens: abundantes nos frutos e na casca
  • Taninos: 3% a 6% nas folhas secas

Pragas e Doenças Comuns

  • Cochonilhas: infestam ramos em condições de pouca ventilação
  • Ferrugem (Puccinia spp.): manchas alaranjadas nas folhas em períodos úmidos
  • Oídio: revestimento branco em condições de umidade seguida de calor

Conservação e Status Ambiental

A Cordia lutea não está classificada como ameaçada globalmente, mas os ecossistemas de bosque seco onde predomina estão entre os mais ameaçados da América do Sul:

  • Bosques Secos do Noroeste Peruano: remanescentes de bosque seco com C. lutea são fragmentados e ameaçados pela expansão agrícola e pecuária
  • Reflorestamento: usada em programas de recuperação de áreas degradadas em zonas áridas do Peru e Equador
  • Uso Tradicional: comunidades rurais utilizam a madeira como lenha e a planta como cerca viva

História Botânica

A Cordia lutea foi descrita formalmente por Jean-Baptiste Lamarck em 1791, em sua Encyclopédie Méthodique, com base em material proveniente do Peru. A espécie é popularmente conhecida como “overo” ou “muyuyo” nas comunidades costeiras peruanas, onde seus usos medicinais (infusão das flores para afecções hepáticas e respiratórias) são documentados pela etnobotânica andina.

Identificação Visual

  • Cordia sinensis: muito semelhante, mas com folhas menores e mais coriáceas, distribuição afro-asiática
  • Tecoma stans (Ipê-de-Jardim): flores amarelas semelhantes, mas folhas compostas pinadas (não simples) e frutos capsulares longos. Família Bignoniaceae

Referências e Estudos Científicos

3 Referências Citadas

Baseado em 3 Referências Citadas (1 Peer-Reviewed, 2 Complementares).

Estudos Científicos Peer-Reviewed (1)

  1. DOI2007 De la Cruz, H., Vilcapoma, G., Zevallos, P. A. Ethnobotanical study of medicinal plants used by the Andean people of Canta, Lima, Peru. Journal of Ethnopharmacology, 111(2), 284-294. 2007.

Leituras Complementares (2)

  1. 2006 Sánchez Vega, I., Dillon, M. O. Jalcas. In: Mooney, H. A. et al. (Eds.). Biodiversity and Conservation of Neotropical Dry Forests. Botanical Review. 2006.
  2. Lamarck, J.-B. Encyclopédie Méthodique, Botanique. Paris. 1791.

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