Plantas Medicinais

Zedoária (Curcuma zedoaria): O Que É, para Que Serve e Quem Deve Evitar

Zedoária é confundida com a cúrcuma, mas tem outra química e outros riscos. Veja a diferença real entre as duas plantas, os usos tradicionais da zedoária e por que grávidas devem evitar seu uso.

Por Conselho Editorial18 Min de Leitura
Evidência Alta10 Referências
Publicado em Atualizado em
Raiz de zedoária - Curcuma zedoaria
Rizoma seco de zedoária (Curcuma zedoaria), planta medicinal da família do gengibre utilizada no preparo de chás terapêuticos e na medicina tradicional.

Curcuma zedoaria (Christm.) Roscoe é o rizoma conhecido como zedoária, planta herbácea perene da família Zingiberaceae, a mesma do gengibre e da cúrcuma. Originária do sul e do sudeste asiático, a espécie é cultivada há séculos na Índia, na Indonésia e na Tailândia, onde integra tanto a medicina tradicional quanto a culinária local. No Brasil ela circula com o nome de açafrão-branco, e é aí que nasce o maior mal-entendido sobre a planta: muita gente compra zedoária esperando os efeitos da cúrcuma e recebe outra coisa. O rizoma, parecido ao do gengibre na forma, tem polpa clara, aroma canforáceo e sabor amargo e adstringente, bem diferente do laranja intenso e do sabor terroso da cúrcuma.

Antes de qualquer outra informação, um alerta de segurança que não pode esperar até o fim da página: a zedoária é contraindicada na gravidez, e existe estudo experimental de toxicidade reprodutiva que reforça essa proibição. Os detalhes estão logo abaixo.

Sumário do Artigo
  1. Nomes Populares e Internacionais da Zedoária
  2. Sinônimos Botânicos da Zedoária
  3. Família Botânica da Zedoária
  4. Zedoária e Cúrcuma: Qual a Diferença
  5. O Que É a Zedoária: Botânica e Origem
  6. Confusão de Espécies: O Problema Central da Literatura
  7. Alerta: Contraindicação na Gravidez
  8. Propriedades Tradicionais Atribuídas à Zedoária
  9. Fitoquímicos: Perfil Químico da Zedoária
  10. Estudos Pré-Clínicos: O Que Eles Não Provam
  11. O Que Já Foi Testado em Pessoas
  12. Preparações Tradicionais da Zedoária
  13. Como Preparar Chá de Zedoária
  14. Sinergia: Combinações Tradicionais com Outras Plantas
  15. Uso Tradicional Como Digestivo e Colagogo
  16. Interações Medicamentosas e Cautela com Anticoagulantes
  17. Quem Deve Evitar a Zedoária
  18. Curiosidades e Fatos Históricos Sobre a Zedoária
  19. Perguntas Frequentes Sobre a Zedoária

Nomes Populares e Internacionais da Zedoária

  • Português: Açafrão-da-índia, Cúrcuma-branca, Zedoária.
  • Alemão: Weiße Curcuma, Zitwer.
  • Espanhol: Cúrcuma blanca, Zedoaria.
  • Francês: Curcuma blanc, Zédoaire.
  • Inglês: White Turmeric, Zedoary, Zeodaria.
  • Italiano: Curcuma bianca, Zedoaria.

Sinônimos Botânicos da Zedoária

  • Amomum latifolium Lam.
  • Amomum latifolium Salisb.
  • Amomum zedoaria Christm.
  • Costus luteus Blanco
  • Costus nigricans Blanco
  • Curcuma malabarica Velay., Amalraj & Mural.
  • Curcuma pallida Lour.
  • Curcuma raktakanta Mangaly & M.Sabu
  • Curcuma speciosa Link (nome ilegítimo)
  • Erndlia zerumbet Giseke
  • Roscoea lutea (Blanco) Hassk. (nome ilegítimo)
  • Roscoea nigrociliata Hassk.

Família Botânica da Zedoária

A Curcuma zedoaria pertence à família Zingiberaceae, que reúne outras plantas conhecidas como o gengibre (Zingiber officinale) e a cúrcuma (Curcuma longa). A família é caracterizada por ervas com rizomas subterrâneos, frequentemente aromáticos, distribuídas em regiões tropicais e subtropicais do planeta. A zedoária compartilha com seus parentes próximos a presença de compostos bioativos no rizoma, mas tem perfil químico próprio, como fica claro na comparação a seguir.

Zedoária e Cúrcuma: Qual a Diferença

São espécies diferentes do mesmo gênero botânico. A cúrcuma é Curcuma longa, o pó amarelo-alaranjado conhecido no Brasil como açafrão-da-terra, presente no curry e nos suplementos de curcumina. O rizoma da zedoária, Curcuma zedoaria, tem polpa clara, sabor bem mais amargo e aroma canforáceo.

A diferença química é o que separa as duas de verdade. Na cúrcuma, o marcador é a curcumina, pigmento fenólico que responde pela cor e pela maior parte da pesquisa do gênero. Na zedoária, quem domina é o óleo essencial, rico em sesquiterpenos.

Um levantamento publicado na Natural Product Research em 2025 analisou 42 acessos de C. zedoaria do leste da Índia e apontou como predominantes acetato de gama-eudesmol, 1,8-cineol, curdiona, curzereno, curzerenona, germacreno B e germacrona. A curcumina não aparece nessa lista.

Pesquisadores vietnamitas isolaram na zedoária os quatro genes da mesma rota que produz curcumina em C. longa, e detectaram o composto em cultura de tecido da espécie. Ter a maquinaria genética, porém, é diferente de acumular curcumina no rizoma: a zedoária nunca foi fonte comercial da substância, e quem a procura ali erra de planta.

O Que É a Zedoária: Botânica e Origem

Curcuma zedoaria (Christm.) Roscoe é o nome científico aceito da espécie. É uma herbácea perene, de folhas grandes e alongadas, que forma sob o solo um rizoma carnoso e ramificado, a única parte usada em chás e preparações.

Quando cortado, o rizoma mostra polpa clara, às vezes levemente azulada, bem distinta do laranja intenso da cúrcuma.

Rizoma de Curcuma zedoaria cortado, com a polpa clara que distingue o açafrão-branco da cúrcuma

Rizoma de Curcuma zedoaria, o açafrão-branco: polpa clara e aroma canforáceo, bem diferentes da cúrcuma.

Confusão de Espécies: O Problema Central da Literatura

Quem pesquisa zedoária em bases científicas esbarra rápido num obstáculo. O gênero Curcuma reúne dezenas de espécies, e boa parte do que circula como “estudo sobre zedoária” trata de outras plantas. Na farmacopeia chinesa, a droga vegetal chamada Ezhu, traduzida como zedoary, corresponde com frequência a Curcuma phaeocaulis e Curcuma wenyujin.

Além disso, a maioria dos trabalhos sobre Curcuma, câncer e inflamação investiga curcumina extraída de Curcuma longa. Por isso, quando um texto atribui à zedoária o currículo científico da cúrcuma, o erro vem de uma literatura que mistura nomes. Na prática, a evidência específica de C. zedoaria é bem menor do que a fama sugere, e é essa evidência específica, e só ela, que este artigo usa.

Alerta: Contraindicação na Gravidez

A zedoária não deve ser usada por gestantes em nenhuma forma, seja chá, cápsula, extrato ou óleo essencial. Essa é a recomendação mais firme deste artigo.

Dois motivos a sustentam. O primeiro vem da tradição: em vários sistemas de medicina asiática a zedoária aparece como emenagoga, isto é, estimulante do fluxo menstrual, e essa classe de planta é evitada na gestação por precaução. Esse ponto se apoia no uso tradicional, não em ensaio clínico.

O segundo motivo é bem mais concreto. Um estudo publicado na Reproductive Toxicology em 2013 administrou óleo essencial de C. zedoaria por via oral a ratas prenhes, nas doses de 100 e 200 mg/kg. Os animais tratados apresentaram perda de peso e alterações hematológicas e bioquímicas, tanto nas mães quanto nos embriões. Para os autores, a embriotoxicidade pode estar ligada à calcificação placentária decorrente da inibição da angiogênese mediada por VEGF, e os sesquiterpenos do óleo seriam os compostos tóxicos responsáveis.

Trata-se de pesquisa animal, com doses distantes do consumo alimentar. Mesmo assim, na gravidez o padrão de decisão é outro: diante de um sinal de embriotoxicidade, a conduta prudente é não usar.

Propriedades Tradicionais Atribuídas à Zedoária

Uso popular e ensaios de laboratório associam ao rizoma da zedoária as seguintes atividades, sem validação clínica em humanos:

  • Analgésica (uso tradicional para alívio de dor)
  • Anti-asmática (uso tradicional em quadros respiratórios)
  • Antibacteriana (observada em ensaio de laboratório)
  • Anti-inflamatória (observada em ensaio de laboratório)
  • Antioxidante (observada em ensaio de laboratório)
  • Antisséptica (uso tradicional em pele e mucosas)
  • Antiviral (observada em ensaio de laboratório)
  • Aperitiva (estimulante do apetite)
  • Carminativa (alívio de gases intestinais)
  • Colagoga (estímulo à secreção biliar)
  • Digestiva (uso tradicional em dispepsia)
  • Diurética (uso tradicional)
  • Estomáquica (tônica para o estômago)
  • Hepatoprotetora (observada em ensaio de laboratório)
  • Tônica (revigorante, uso tradicional geral)

Os rótulos “anticancerígeno” e “antitumoral”, às vezes atribuídos à planta, merecem nota à parte: vêm de testes em células e em animais, sem qualquer validação em humanos. A seção sobre estudos pré-clínicos, mais adiante, detalha exatamente o que essa pesquisa mostra e o que ela não prova.

Fitoquímicos: Perfil Químico da Zedoária

O perfil químico da zedoária é dominado pelo óleo essencial e pelos sesquiterpenos do rizoma, não pela curcumina. Como já mostrado, o levantamento de 2025 na Natural Product Research aponta como constituintes predominantes o acetato de gama-eudesmol, o 1,8-cineol, a curdiona, o curzereno, a curzerenona, o germacreno B e a germacrona. Outros sesquiterpenos descritos na literatura da espécie incluem curcumenona, curcumenol e zederona, além de componentes voláteis como cânfora, canfeno e alfa-pineno, que respondem pelo aroma canforáceo característico do rizoma.

A curcumina, marcador da cúrcuma, aparece na zedoária em quantidade irrelevante para fins práticos. Estudos genéticos identificaram na espécie os quatro genes da rota que produz curcuminoides, e detectaram o composto em cultura de tecido, mas isso não se traduz em acúmulo relevante no rizoma colhido: a zedoária nunca foi fonte comercial de curcumina.

Estudos Pré-Clínicos: O Que Eles Não Provam

Existem estudos conduzidos com a espécie correta, e quase todos são de laboratório ou de animais. No campo oncológico, pesquisadores coreanos isolaram catorze sesquiterpenos do rizoma de C. zedoaria e os testaram em células de câncer gástrico AGS. Apenas três mostraram efeito citotóxico, com IC50 entre 212 e 392 micromolar, valores altos que indicam potência fraca mesmo em placa de cultura.

Não existe evidência de que a zedoária trate, controle ou substitua tratamento para câncer em seres humanos. Célula em placa não é paciente, a concentração usada em cultura não tem tradução direta para o consumo humano, e um composto purificado em laboratório não equivale a chá ou cápsula caseira.

Outros achados pré-clínicos incluem ação anti-inflamatória de sesquiterpenos em macrófagos, diarilheptanoides estudados contra células de câncer de mama triplo-negativo em cultura, e inibição da enzima alfa-glicosidase por diterpenos labdânicos. São pistas químicas legítimas, mas nenhuma chegou a validação clínica.

O Que Já Foi Testado em Pessoas

Existe um ensaio clínico feito com a espécie certa. Publicado no Arab Journal of Gastroenterology em 2025, ele randomizou 68 pacientes com doença hepática gordurosa não alcoólica de graus 1 e 2. Um grupo recebeu pó de C. zedoaria em cápsula, 500 mg duas vezes ao dia, e o outro recebeu vitamina E, ambos por 60 dias.

Os autores relataram melhora em dispepsia, dor surda no hipocôndrio direito, inapetência e mal-estar, com vantagem para o grupo da zedoária. Os desfechos objetivos, porém, não acompanharam: não houve mudança relevante em enzimas hepáticas nem no perfil lipídico, e a redução da esteatose foi parecida nos dois grupos. Nenhum evento adverso ligado ao produto foi registrado.

Os limites pesam bastante. O estudo é pequeno, cego apenas de um lado, sem grupo placebo, e os ganhos relatados são subjetivos. Dos 68 randomizados, apenas 50 chegaram ao fim, e a análise final considerou somente quem completou o protocolo. Portanto, ele sugere tolerabilidade e possível alívio sintomático de curto prazo, não eficácia comprovada contra a doença.

Preparações Tradicionais da Zedoária

O rizoma seco é a base das preparações mais comuns: chá por infusão, tinturas e extratos hidroalcoólicos, além de compressas e cataplasmas de uso tópico com o rizoma moído, empregadas tradicionalmente em contusões e afecções articulares. A escolha da forma depende da finalidade e deve respeitar as contraindicações listadas neste artigo, sobretudo gravidez, amamentação e uso pediátrico.

Como Preparar Chá de Zedoária

  1. Ferva 250 ml de água.
  2. Adicione 1 colher de chá do rizoma seco e picado de zedoária.
  3. Deixe em infusão por 10 a 15 minutos, com o recipiente tampado.
  4. Coe e beba morno, de preferência após as refeições.

Tradicionalmente, o chá é consumido até três vezes ao dia. Tinturas de zedoária, quando usadas, seguem em geral doses de poucas gotas diluídas em água, algumas vezes ao dia, sempre com produto de procedência confiável. Nenhuma dessas formas deve ser usada por gestantes, lactantes ou crianças pequenas.

Sinergia: Combinações Tradicionais com Outras Plantas

Na tradição fitoterápica, a zedoária é combinada com outras plantas conforme o objetivo. Para queixas digestivas, soma-se ao gengibre (Zingiber officinale) ou à hortelã-pimenta (Mentha piperita), reforçando a ação carminativa. Em fórmulas voltadas ao conforto articular e à digestão, aparece ao lado da cúrcuma (Curcuma longa), sua parente próxima. Combinações com equinácea (Echinacea purpurea) ou alho (Allium sativum) também são citadas na tradição popular. Qualquer combinação de plantas medicinais deve ser conversada com um profissional de saúde antes do uso, sobretudo por quem já toma outros medicamentos.

Uso Tradicional Como Digestivo e Colagogo

O emprego mais consistente da zedoária ao longo do tempo é digestivo. Revisões dedicadas à espécie descrevem uso popular em diarreia, dispepsia e flatulência, além de aplicações variadas na Ayurveda e em medicinas folclóricas asiáticas, incluindo uso local em afecções cutâneas, corrimento vaginal e infecções de garganta, sempre no âmbito da tradição popular, sem estudo clínico que confirme eficácia nessas indicações.

A planta também é usada como colagogo, isto é, estimulante do fluxo de bile. Justamente por isso ela é inadequada para quem tem cálculos biliares sintomáticos ou obstrução das vias biliares. Estimular a contração da vesícula nesse cenário pode desencadear cólica, e a avaliação médica precisa vir antes de qualquer planta.

Sobre uso pediátrico, a orientação aqui é inequívoca. Zedoária não é planta para bebês nem para crianças pequenas, em nenhuma indicação, incluindo quadros respiratórios comuns. Não existe estudo de segurança pediátrica para a espécie.

Interações Medicamentosas e Cautela com Anticoagulantes

Neste ponto a honestidade vale mais do que uma lista longa. Não há estudo de interação medicamentosa conduzido especificamente com Curcuma zedoaria em humanos. O que existe é cautela de classe.

Plantas da família Zingiberaceae, gengibre e cúrcuma incluídos, costumam receber alerta quanto a possível efeito sobre a agregação plaquetária. A extrapolação prudente é tratar a zedoária com o mesmo cuidado, sem afirmar que a interação está demonstrada. Assim, quem usa apixabana, rivaroxabana, varfarina ou antiagregantes plaquetários deve conversar com o médico antes.

Cabe um registro adicional. No estudo dos diterpenos labdânicos, predições computacionais apontaram possível inibição da enzima CYP3A4 por um dos compostos. Isso é hipótese gerada por software, não interação observada em pessoas. Ainda assim, reforça a regra de não combinar zedoária com medicação contínua sem supervisão.

Quem Deve Evitar a Zedoária

Estas são as situações em que a planta não deve ser consumida ou exige liberação médica prévia.

  • Crianças pequenas e bebês, em qualquer forma e para qualquer finalidade.
  • Gestantes, sem exceção e em qualquer trimestre.
  • Lactantes, pela ausência de dados de segurança durante a amamentação.
  • Pessoas com cálculos biliares sintomáticos ou obstrução das vias biliares.
  • Pessoas em uso contínuo de medicamentos metabolizados pelo fígado, sem orientação profissional.
  • Pessoas que usam anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários, sem liberação médica.

Fora desses grupos, a zedoária segue sendo um rizoma aromático de uso tradicional, com histórico digestivo respeitável e evidência clínica rasa. Encará-la assim, sem promessas infladas, é o que permite usá-la com segurança.

Curiosidades e Fatos Históricos Sobre a Zedoária

A zedoária tem uma história de uso que atravessa vários continentes. Na Idade Média, era especiaria valiosa na Europa, importada do Oriente e usada como substituto aromático do gengibre e da cúrcuma. A planta também ocupou lugar na medicina ayurvédica e na medicina tradicional chinesa, onde era empregada em queixas digestivas e inflamatórias. Na Índia, cantores tradicionalmente mastigavam pequenos pedaços do rizoma para limpar a garganta antes de se apresentar. O próprio nome zedoária deriva do árabe “zadwār”, herança do comércio de especiarias que levou a planta do sudeste asiático até a Europa medieval.

Perguntas Frequentes Sobre a Zedoária

O Que É a Zedoária?

A zedoária é o rizoma de Curcuma zedoaria (Christm.) Roscoe, planta perene da família Zingiberaceae, originária do sul e do sudeste asiático. No Brasil também é chamada de açafrão-branco.

Zedoária e Cúrcuma São a Mesma Planta?

Não. São espécies distintas do mesmo gênero: a zedoária é Curcuma zedoaria e a cúrcuma é Curcuma longa. Elas se parecem no formato do rizoma, mas diferem na cor, no sabor e na composição química.

A Zedoária Contém Curcumina?

Em quantidade irrelevante. A curcumina é o marcador da cúrcuma, não da zedoária. Estudos genéticos mostram que a zedoária tem os genes da rota dos curcuminoides, porém seu perfil é dominado pelos sesquiterpenos do óleo essencial.

Para Que a Zedoária É Usada Tradicionalmente?

Tradicionalmente ela é empregada como amargo digestivo e colagogo, em queixas como diarreia, dispepsia e flatulência. Um ensaio clínico pequeno em doença hepática gordurosa registrou alívio de sintomas, sem melhora dos exames.

A Zedoária Ajuda a Emagrecer?

Não há evidência científica robusta de que a zedoária cause emagrecimento. Seu uso tradicional como digestivo pode ter algum papel de apoio dentro de uma alimentação equilibrada, mas a planta não substitui dieta e atividade física, e não deve ser vista como solução para perda de peso.

A Zedoária Trata Câncer?

Não. Existe apenas pesquisa pré-clínica preliminar, em células e animais, sem validação clínica. Além disso, boa parte dos estudos citados como sendo de zedoária trata de outras espécies do gênero. Nenhuma planta substitui tratamento oncológico prescrito.

Grávidas Podem Tomar Zedoária?

Não. A zedoária é contraindicada na gravidez em qualquer forma de uso. A tradição a classifica como emenagoga, e um estudo em ratas prenhes mostrou toxicidade reprodutiva do óleo essencial da espécie.

Zedoária Serve para Bebê com Resfriado?

Não. Zedoária não deve ser dada a bebês nem a crianças pequenas, em nenhuma situação, resfriado incluído. Não existe estudo de segurança pediátrica para a espécie, e sintomas respiratórios em bebês pedem avaliação médica.

A Zedoária Interage com Anticoagulantes?

Não há estudo de interação feito diretamente com a espécie. Como precaução, plantas da família Zingiberaceae recebem alerta quanto a possível efeito sobre as plaquetas. Por isso, quem usa anticoagulante deve consultar o médico antes.

Referências

10 Referências Citadas

Nível de Evidência: 🥇 Alto

Baseado em 10 Referências Citadas (10 Peer-Reviewed).

Ver Todas as 10 Referências Citadas
  1. PMC2025 Ashraf A, Rather SA, Mehraj M. “Evaluation of Curcuma zedoaria Rosc. in the management of non-alcoholic fatty liver Disease: A Randomized, single blind, controlled trial.” Arab Journal of Gastroenterology, 2025. .
  2. PMC2019 Ayati Z, Ramezani M, Amiri MS, et al. “Ethnobotany, Phytochemistry and Traditional Uses of Curcuma spp. and Pharmacological Profile of Two Important Species (C. longa and C. zedoaria): A Review.” Current Pharmaceutical Design, 2019. .
  3. PMC2018 Lan TTP, Huy ND, Luong NN, et al. “Identification and Characterization of Genes in the Curcuminoid Pathway of Curcuma zedoaria Roscoe.” Current Pharmaceutical Biotechnology, 2018. .
  4. PMC2025 Le TH, Lu DNT, Nguyen HX, et al. “Isolation, structural elucidation, and integrated biological and computational evaluation of antidiabetic labdane diterpenes from Curcuma zedoaria rhizomes.” RSC Advances, 2025. .
  5. PMC2019 Lee TK, Lee D, Lee SR, et al. “Sesquiterpenes from Curcuma zedoaria rhizomes and their cytotoxicity against human gastric cancer AGS cells.” Bioorganic Chemistry, 2019. .
  6. PMC2019 Lee TK, Trinh TA, Lee SR, et al. “Bioactivity-based analysis and chemical characterization of anti-inflammatory compounds from Curcuma zedoaria rhizomes using LPS-stimulated RAW264.7 cells.” Bioorganic Chemistry, 2019. .
  7. PMC2009 Lobo R, Prabhu KS, Shirwaikar A, et al. “Curcuma zedoaria Rosc. (white turmeric): a review of its chemical, pharmacological and ethnomedicinal properties.” Journal of Pharmacy and Pharmacology, 2009. .
  8. PMC2025 Panda N, Lenka J, Sahoo S, Kar B. “Volatile profiling of forty-two white turmeric (Curcuma zedoaria Rosc.) accessions revealed its drug yielding potential with quality constituents.” Natural Product Research, 2025. .
  9. PMC2025 Tang H, Kang H, Zhou W, et al. “Bioactivity-guided isolation of anti-proliferative compounds from Curcuma zedoaria against triple negative breast cancer cells.” Analytical Methods, 2025. .
  10. PMC2013 Zhou L, Zhang K, Li J, et al. “Inhibition of vascular endothelial growth factor-mediated angiogenesis involved in reproductive toxicity induced by sesquiterpenoids of Curcuma zedoaria in rats.” Reproductive Toxicology, 2013. .

Este conteúdo foi útil?

O que você achou deste artigo?

Continue Lendo Neste Tópico

Pode Interessar