Plantas Medicinais

Eufrásia: Alívio Natural para Conjuntivite e Saúde dos Olhos

A eufrásia (Euphrasia officinalis) é usada há séculos para aliviar conjuntivite, fadiga ocular e irritações nas mucosas respiratórias. Veja como prepará-la com segurança, para que serve e quais cuidados observar antes de usar.

Por Conselho Editorial22 Min de Leitura
Evidência Moderada5 Referências
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Erva-de-São-Roberto - Eufrásia - Euphrasia officinalis
Eufrásia (Euphrasia officinalis) em floração: planta medicinal tradicional reconhecida por suas propriedades terapêuticas para a saúde dos olhos e alívio da conjuntivite.

Ao longo dos séculos, poucas plantas conquistaram tanta reputação para os olhos quanto a eufrásia. O apelido “erva-dos-olhos” não surgiu por acaso, já que seu uso tradicional sempre esteve ligado ao alívio de irritações oculares, lacrimejamento e desconfortos comuns. Hoje, além do prestígio histórico, a planta também desperta interesse por reunir compostos adstringentes, anti-inflamatórios e antioxidantes que ajudam a explicar sua permanência na fitoterapia.

O próprio nome eufrásia remete à mitologia grega, derivando de Eufrósine, uma das Três Graças, deusas que personificavam a alegria e o encanto. Essa origem não parece casual: a esperança de alívio que gerações depositaram na planta para os olhos cansados e irritados ecoa no significado de seu nome, e ajuda a explicar por que a tradição em torno dela atravessou tantas culturas e séculos.

O nome científico Euphrasia officinalis aparece com frequência em herbários, compêndios botânicos e textos clássicos de medicina popular. Em diferentes regiões da Europa, a planta foi preparada em infusões, compressas e formulações destinadas principalmente ao cuidado das mucosas. Essa tradição se manteve porque a eufrásia passou a ser vista como uma aliada prática para olhos cansados, pálpebras irritadas e secreções persistentes.

Com o avanço da pesquisa fitoquímica, a planta deixou de ser apenas uma referência histórica e passou a ser observada com mais rigor em laboratório. Os estudos se concentram em seus compostos, em seus benefícios mais consistentes, em suas limitações e nos cuidados necessários para o uso responsável. Assim, a eufrásia permanece relevante tanto pela tradição quanto pelo que a ciência atual já conseguiu esclarecer.

Sumário do Artigo
  1. O Que É a Eufrásia?
  2. Composição Química e Propriedades Farmacológicas
  3. Benefícios da Eufrásia para a Saúde Ocular
  4. Aplicações no Sistema Respiratório
  5. Efeitos na Pele e Ação Anti-inflamatória
  6. Como Usar a Eufrásia com Segurança
  7. Modo de Preparo do Chá de Eufrásia
  8. Pesquisas Científicas e Evidências Atuais
  9. Contraindicações e Possíveis Efeitos Colaterais
  10. Cultivo, Colheita e Sustentabilidade
  11. Perguntas Frequentes sobre a Eufrásia

O Que É a Eufrásia?

A eufrásia é uma planta herbácea anual de pequeno porte, raramente ultrapassando 30 centímetros de altura, geralmente encontrada em campos, prados, pastagens e áreas de charneca do hemisfério norte, com presença marcante na Europa, na Ásia e também na América do Norte. Ela pertence à família Orobanchaceae, embora por muito tempo tenha sido classificada na família Scrophulariaceae, reclassificação motivada por estudos filogenéticos mais recentes. Seu tamanho discreto contrasta com a importância medicinal atribuída à espécie, sobretudo em contextos tradicionais ligados ao cuidado dos olhos e das mucosas respiratórias.

Morfologia e Características Botânicas

As folhas são pequenas, opostas, serrilhadas e de coloração verde intensa. As flores, por sua vez, são delicadas e chamam atenção pela combinação de branco, lilás, estrias arroxeadas e uma mancha amarela central. Essa aparência peculiar foi um dos motivos que fortaleceram sua fama popular, já que muitos observaram semelhanças entre a flor e a região ocular, reforçando antigas interpretações simbólicas sobre seu uso.

A planta cresce melhor em áreas úmidas, porém bem drenadas, e costuma florescer durante os meses mais quentes. Apesar do aspecto frágil, ela consegue se estabelecer em ambientes competitivos graças a uma característica muito particular. Seu ciclo de vida curto e sua presença em campos naturais fizeram da eufrásia uma espécie amplamente conhecida em diferentes tradições rurais e fitoterápicas europeias.

A Doutrina das Assinaturas e o Comportamento Hemiparasita

A fama da eufrásia foi reforçada pela antiga doutrina das assinaturas, uma teoria segundo a qual a aparência de uma planta indicaria sua utilidade medicinal. Como a flor lembrava um olho irritado, a planta passou a ser associada ao tratamento ocular. Embora essa teoria não tenha base científica moderna, ela ajuda a explicar por que a eufrásia se tornou tão conhecida em herbários e práticas populares.

Do ponto de vista botânico, a espécie apresenta comportamento hemiparasita. Isso significa que, além de realizar fotossíntese, ela consegue retirar água e minerais de raízes de plantas vizinhas, especialmente gramíneas, por meio de estruturas especializadas chamadas haustórios, que penetram diretamente nas raízes hospedeiras. Essa adaptação favorece sua sobrevivência em solos menos ricos e torna o cultivo mais delicado do que o de outras ervas medicinais, já que a presença de hospedeiras influencia diretamente seu desenvolvimento.

Composição Química e Propriedades Farmacológicas

A composição química da eufrásia é um dos pontos que sustentam seu valor fitoterápico. Entre os compostos mais citados estão os glicosídeos iridoides, como aucubina, catalpol e eufrósida, flavonoides como apigenina, luteolina e quercetina, além de taninos, ácidos fenólicos (entre eles o ácido cafeico e o ácido ferúlico) e pequenas frações de óleo essencial. Em vez de um único princípio dominante, a planta reúne diferentes substâncias que parecem atuar em conjunto, o que ajuda a explicar seu perfil multifuncional.

Principais Compostos Ativos e Seus Mecanismos

A aucubina costuma receber destaque por sua ação anti-inflamatória, antimicrobiana e hepatoprotetora observada em diferentes contextos experimentais. Os flavonoides entram nesse cenário como antioxidantes importantes, ajudando a neutralizar radicais livres e a reduzir danos celulares. Já os taninos oferecem efeito adstringente, útil para tecidos irritados e secreções excessivas, enquanto os ácidos fenólicos ampliam a atuação antioxidante e protetora da planta.

Esse conjunto de compostos favorece uma ação mais ampla sobre mucosas e tecidos sensibilizados. Em vez de atuar apenas em um ponto isolado, a eufrásia tende a combinar proteção antioxidante, modulação inflamatória e efeito adstringente. Esse perfil farmacológico é compatível com seus usos mais tradicionais, especialmente quando a planta é mencionada em contextos de irritação ocular, desconforto respiratório leve e inflamação superficial.

Propriedades Farmacológicas Descritas

Com base nessa composição, a eufrásia costuma ser descrita como adstringente, anti-inflamatória, antioxidante, antisséptica e tônica para membranas mucosas. Essas classificações não significam ação universal para qualquer sintoma, mas ajudam a entender por que a planta permaneceu ligada ao cuidado dos olhos, nariz e garganta. A combinação entre tradição de uso e coerência farmacológica é um dos fatores que mantêm o interesse científico sobre a espécie.

Benefícios da Eufrásia para a Saúde Ocular

O principal campo de aplicação da eufrásia continua sendo a saúde ocular. Seu uso tradicional está ligado ao alívio de vermelhidão, sensação de ardor, lacrimejamento excessivo e irritação nas pálpebras. A lógica por trás desse uso envolve a combinação de ação anti-inflamatória, efeito adstringente e suporte às mucosas. Ainda que isso não substitua avaliação médica, ajuda a explicar sua permanência em formulações voltadas ao conforto dos olhos.

Conjuntivite, Blefarite e Irritação Ocular

A eufrásia aparece com frequência em discussões sobre conjuntivite leve, seja ela de origem alérgica, viral ou bacteriana, além de blefarite e irritações oculares relacionadas a poeira, poluição ou sensibilização alérgica. A blefarite, inflamação crônica das margens das pálpebras que causa coceira, formação de crostas e vermelhidão, é um dos contextos em que compressas mornas com o chá de eufrásia são tradicionalmente aplicadas sobre os olhos fechados para ajudar a limpar a região e reduzir a inflamação persistente. A planta também é mencionada em relação ao terçol (hordéolo), uma infecção aguda de uma glândula da pálpebra, e ao calázio, sempre no sentido de apoio ao conforto local. Nesses contextos, a planta é valorizada por reduzir desconforto e apoiar a recuperação da superfície ocular. Também é lembrada em situações de pálpebras inflamadas e secreções leves. Ainda assim, qualquer quadro com dor intensa, secreção abundante ou alteração visual exige avaliação oftalmológica.

Quando o uso é feito de forma inadequada, o risco supera o benefício. Por isso, a tradição de aplicar preparações caseiras diretamente nos olhos precisa ser tratada com cautela extrema. A vantagem potencial da planta está associada ao emprego de apresentações apropriadas, especialmente quando há controle de qualidade e esterilidade. Esse ponto é decisivo para diferenciar um uso responsável de uma prática potencialmente perigosa.

Fadiga Ocular e Rotina em Telas

A eufrásia também é frequentemente associada ao alívio da chamada síndrome da visão de computador, o conjunto de sintomas de fadiga ocular que atinge quem passa horas diante de telas de computadores, tablets e smartphones. Sensação de olhos pesados, irritação, secura e desconforto ao final do dia são queixas recorrentes nesse cenário. Embora a planta não resolva as causas estruturais do problema, seu perfil calmante para mucosas ajuda a justificar a busca por produtos que a utilizam nesse contexto específico.

Aplicações no Sistema Respiratório

Embora a fama da eufrásia esteja ligada aos olhos, seu uso tradicional também alcança o trato respiratório superior. A planta costuma ser lembrada em quadros de coriza, desconfortos associados a resfriados, irritação nasal e sinusite leve. Isso ocorre porque suas propriedades adstringentes e anti-inflamatórias não se limitam à superfície ocular. Em diferentes práticas fitoterápicas, ela é descrita como uma aliada das mucosas de modo mais amplo.

Resfriados, Sinusite e Rinite

Em contextos de resfriado comum, a eufrásia é usada principalmente para aliviar congestão, secreção e irritação das vias superiores. Em rinites e sinusites leves, pode contribuir para reduzir a sensação de mucosa sensibilizada e excesso de secreção. O chá quente ou a infusão usada em gargarejos aparece com frequência nesses contextos, sobretudo quando o desconforto respiratório vem acompanhado de irritação na garganta ou sensação de peso facial.

Esse uso não transforma a planta em substituta de tratamentos específicos quando há infecção importante, febre persistente ou dor intensa. Ainda assim, ajuda a entender por que a eufrásia foi incorporada a fórmulas tradicionais voltadas ao trato respiratório. Seu valor está mais no apoio sintomático e no conforto das mucosas do que em promessas amplas, e essa distinção é importante para um uso mais coerente e seguro.

Tosse, Bronquite e Rinite Alérgica Sazonal

Em casos de tosse produtiva e bronquite, a eufrásia costuma ser mencionada como expectorante suave, ajudando a fluidificar e soltar o catarro acumulado nos brônquios e facilitando sua eliminação pela tosse. A planta também aparece em relação à rinite alérgica sazonal, popularmente chamada de febre do feno, contribuindo para o controle de sintomas como coceira no nariz, espirros e lacrimejamento excessivo, num papel próximo ao de um anti-histamínico natural suave. Esses usos reforçam o perfil da eufrásia como planta de apoio às mucosas de modo geral, e não apenas como recurso pontual para os olhos.

Efeitos na Pele e Ação Anti-inflamatória

A ação anti-inflamatória da eufrásia também sustenta aplicações tópicas em pele sensibilizada. Em preparações adequadas, a planta pode ser usada como apoio em irritações superficiais, vermelhidão localizada e pequenas áreas inflamadas. Os taninos e flavonoides ajudam a explicar esse efeito, já que combinam adstringência, modulação inflamatória e proteção antioxidante. Isso faz da eufrásia uma planta de interesse não apenas ocular, mas também dermatológico.

Aplicações Tradicionais na Pele

Historicamente, a planta foi empregada em compressas para pequenas lesões, ardor leve e inflamações superficiais. O objetivo não era apenas reduzir vermelhidão, mas também favorecer sensação de conforto e retração de tecidos irritados. Em pele oleosa ou com tendência a inflamar, a adstringência natural da eufrásia também ajudou a manter sua presença em preparações artesanais voltadas ao cuidado cutâneo.

Tratamento de Acne

A eufrásia também é mencionada em preparações voltadas à acne, geralmente na forma de compressas de chá aplicadas sobre a pele afetada, com o objetivo de acalmar a inflamação local, reduzir a vermelhidão das lesões e apoiar o controle da proliferação bacteriana associada aos quadros mais inflamados. Esse uso soma-se ao perfil adstringente e anti-inflamatório já descrito para outras aplicações cutâneas da planta.

Potencial Cosmético e Proteção Oxidativa

Pesquisas mais recentes ampliaram o interesse pela eufrásia ao observar seu potencial protetor contra danos oxidativos em células da pele. Esse dado reforça a possibilidade de uso em cosméticos voltados ao conforto cutâneo e ao envelhecimento precoce relacionado à inflamação e à exposição ambiental. Embora ainda não seja uma protagonista cosmética popular como outras plantas, a eufrásia passou a ser vista com mais atenção nesse segmento.

Como Usar a Eufrásia com Segurança

A forma de uso depende da finalidade e do tipo de produto disponível. A infusão para consumo oral é uma das apresentações mais tradicionais, normalmente preparada com a planta seca em água quente. Também existem cápsulas, colírios comerciais, extratos e tinturas que utilizam a eufrásia como ingrediente. Em todos os casos, o ponto mais importante é respeitar a forma correta de administração e evitar improvisos em uma área sensível como os olhos.

Preparações Caseiras e Produtos Comerciais

Para uso interno, o chá e os extratos são as formas mais conhecidas. Uma preparação tradicional utiliza cerca de uma a duas colheres de chá da erva seca para cada xícara de água (aproximadamente 250 ml), deixada em infusão por 10 a 15 minutos, geralmente consumida até três vezes ao dia. Já para uso ocular, a situação muda completamente. Preparações caseiras não são estéreis e, por isso, não devem ser pingadas diretamente nos olhos. Esse cuidado não é exagero. Mesmo uma infusão aparentemente limpa pode carregar microrganismos e partículas capazes de irritar ou infectar a superfície ocular, especialmente quando a região já está sensibilizada.

Quando a pessoa deseja utilizar a planta em contexto oftálmico, o mais prudente é recorrer a formulações comerciais apropriadas e a orientação profissional. Produtos industrializados de boa procedência seguem padrões de preparo que reduzem riscos. Essa distinção entre tradição de uso e segurança prática é fundamental. A eufrásia pode ter valor, mas ele depende muito da forma como é utilizada.

Dosagem Recomendada e Orientações

A dosagem varia conforme a apresentação. Em infusões, costuma-se utilizar pequena quantidade da planta seca por xícara de água. Em tinturas, cápsulas e extratos, a concentração pode mudar bastante entre fabricantes. Por isso, seguir o rótulo ou a orientação profissional é a conduta mais segura. O uso prolongado sem supervisão, mesmo em plantas tradicionalmente bem aceitas, não deve ser encarado como algo automático ou isento de risco.

Modo de Preparo do Chá de Eufrásia

  1. Separe de uma a duas colheres de chá da eufrásia seca.
  2. Coloque a erva seca em uma xícara de aproximadamente 250 ml.
  3. Ferva a água e despeje sobre a erva ainda quente.
  4. Tampe a xícara e deixe em infusão por 10 a 15 minutos.
  5. Coe bem a infusão antes de consumir ou de usar em compressas.
  6. Para uso interno, beba o chá morno, no máximo três vezes ao dia.
  7. Para uso externo, embeba um pano limpo na infusão morna e aplique como compressa sobre as pálpebras fechadas, nunca pingando o líquido diretamente dentro dos olhos.

Pesquisas Científicas e Evidências Atuais

O interesse científico pela eufrásia se concentra principalmente em sua atividade anti-inflamatória, antioxidante e protetora sobre tecidos sensíveis. Estudos laboratoriais observaram efeitos positivos do extrato em células da córnea e em fibroblastos de pele submetidos a agressões específicas. Esses resultados fortalecem a coerência biológica da planta, mas não devem ser confundidos com comprovação clínica ampla para qualquer indicação popular atribuída à espécie.

O Que os Estudos Já Sugerem

As publicações disponíveis indicam que a planta possui compostos capazes de modular inflamação e reduzir dano oxidativo em modelos experimentais. Isso sustenta, pelo menos em parte, seus usos tradicionais em olhos e pele. Também há discussões mais recentes sobre atividade antimicrobiana, potencial neuroprotetor e potencial biotecnológico de extratos da eufrásia. Essas observações tornam a planta interessante do ponto de vista farmacológico e justificam a continuidade das investigações.

Limitações e Perspectivas Futuras

Apesar desses achados, ainda faltam mais estudos clínicos robustos em humanos para definir com precisão dose, duração, segurança e eficácia em diferentes situações. Esse é um ponto essencial para evitar exageros. A tradição de uso é valiosa, mas não substitui ensaios clínicos bem conduzidos. No estágio atual, a eufrásia pode ser considerada uma planta promissora e historicamente relevante, mas que ainda exige mais validação clínica em algumas indicações.

Contraindicações e Possíveis Efeitos Colaterais

A eufrásia costuma ser bem tolerada quando usada de maneira adequada, mas isso não elimina contraindicações e cuidados. Pessoas com histórico de sensibilidade a plantas relacionadas devem ter atenção, assim como gestantes e lactantes, já que faltam evidências suficientes para garantir segurança nesses grupos. O mesmo vale para crianças pequenas e idosos muito sensíveis, que devem utilizar qualquer planta medicinal apenas com supervisão compatível com a condição clínica.

Entre os efeitos indesejados mais citados estão confusão mental, constipação, desconforto gastrointestinal leve, dor de cabeça e náusea em situações pontuais, sobretudo quando há uso excessivo ou prolongado. O risco mais importante, contudo, não costuma vir da planta em si, mas do uso inadequado em olhos. Aplicar preparações não estéreis diretamente na região ocular pode provocar irritação intensa, contaminação e agravamento importante do quadro, incluindo complicações como ceratite microbiana e úlceras de córnea em casos extremos, o que transforma uma tentativa caseira em um problema real. Diante de qualquer sinal de piora, como alteração na visão, aumento da dor ou vermelhidão, o uso deve ser suspenso de imediato e a avaliação de um oftalmologista, buscada com urgência.

Também é prudente considerar a possibilidade de interações com outros tratamentos, principalmente quando a eufrásia é usada em paralelo a medicamentos contínuos. Ainda que a literatura sobre interações específicas não seja extensa, a avaliação profissional continua sendo a abordagem mais segura. Em fitoterapia, o fato de um produto ser natural não elimina a necessidade de contexto clínico, dose correta e observação cuidadosa da resposta individual.

Cultivo, Colheita e Sustentabilidade

O cultivo da eufrásia exige mais atenção do que o de muitas ervas medicinais populares, principalmente por causa de seu comportamento hemiparasita. Como a planta depende parcialmente de hospedeiras para extrair nutrientes, o manejo não costuma ser simples em cultivo doméstico comum. Ela prefere solos úmidos, bem drenados e de pH neutro a alcalino, ricos em matéria orgânica, além de exposição ao sol pleno ou sombra parcial. Por depender de hospedeiras, a semeadura conjunta com gramíneas, como a festuca, é a prática mais comum para viabilizar seu desenvolvimento. Ainda assim, em condições adequadas, seu crescimento pode acontecer de forma satisfatória.

Boas Práticas de Colheita e Secagem

A colheita geralmente é feita durante a floração, fase em que a planta apresenta maior interesse fitoterápico. As partes aéreas, incluindo flores, folhas e caules, são as mais utilizadas e devem ser secas com cuidado, em local ventilado, protegido da luz direta e da umidade excessiva. Esse processo ajuda a preservar compostos sensíveis e reduz o risco de deterioração do material vegetal, que precisa manter qualidade adequada para uso posterior em infusões e extratos.

Sustentabilidade e Qualidade da Matéria-Prima

Como ocorre com várias plantas medicinais, a coleta excessiva em ambiente natural pode comprometer populações locais. Por isso, a sustentabilidade se tornou um ponto importante no uso da eufrásia. O cultivo controlado e a aquisição de matéria-prima de origem confiável ajudam a preservar a espécie e garantem melhor padronização do produto final. Em fitoterapia séria, qualidade botânica e responsabilidade ambiental caminham juntas.

Perguntas Frequentes sobre a Eufrásia

A Eufrásia Pode Curar a Miopia ou o Glaucoma?

Não. A eufrásia não corrige erros de refração, como miopia e astigmatismo, nem trata doenças complexas como glaucoma ou catarata. Seu uso tradicional está ligado ao alívio de irritações, inflamações leves e desconfortos de mucosas. Atribuir à planta um efeito sobre doenças estruturais ou degenerativas dos olhos vai além do que a tradição e a pesquisa atual conseguem sustentar.

Posso Usar o Chá de Eufrásia Diretamente nos Olhos?

Não é recomendado. Preparações caseiras não são estéreis e podem contaminar uma região extremamente sensível, com risco de complicações como ceratite microbiana. Mesmo quando a intenção é aliviar irritação, a aplicação direta de chás ou infusões nos olhos pode piorar o quadro e abrir espaço para infecções. Quando há interesse em uso oftálmico, a escolha mais segura envolve produtos apropriados e orientação profissional.

A Eufrásia É Segura para Crianças e Idosos?

O uso nesses grupos exige cautela. Crianças pequenas, idosos frágeis e pessoas com múltiplas condições clínicas precisam de avaliação individual antes de utilizar qualquer planta medicinal com regularidade. A dose, a forma de preparo e o objetivo do uso precisam ser compatíveis com a realidade clínica de cada pessoa. Em situações sensíveis, o acompanhamento profissional não deve ser dispensado.

Quanto Tempo Leva para a Eufrásia Fazer Efeito?

Isso depende da forma de uso, da intensidade dos sintomas e da resposta individual. Em desconfortos leves, algumas pessoas relatam alívio em poucos dias, especialmente quando o uso é consistente e apropriado. Ainda assim, não há um tempo universal. Sintomas persistentes, dor ocular, secreção importante ou piora progressiva exigem avaliação médica, independentemente do tempo de uso da planta.

A Eufrásia Interage com Outros Medicamentos?

A literatura disponível não descreve um grande número de interações bem estabelecidas, mas isso não significa ausência total de risco. Sempre que houver uso de medicamentos contínuos, especialmente em condições crônicas, o mais prudente é informar o profissional de saúde. Essa conduta evita combinações inadequadas e ajuda a integrar a fitoterapia de forma mais segura e coerente ao restante do tratamento.

Onde Posso Comprar Eufrásia de Boa Qualidade?

A eufrásia pode ser encontrada em ervanários, farmácias de manipulação, fornecedores online especializados e lojas de produtos naturais. O mais importante é buscar procedência confiável, rotulagem clara e identificação botânica correta. Produtos com origem incerta ou armazenamento inadequado podem perder qualidade e segurança. Em plantas medicinais, a credibilidade do fornecedor faz diferença real no resultado final.

Qual a Diferença Entre Euphrasia officinalis e Euphrasia rostkoviana?

As duas pertencem ao mesmo gênero e compartilham usos tradicionais semelhantes. Na prática, produtos comerciais podem utilizar diferentes espécies de Euphrasia, desde que a identificação botânica seja bem conduzida. Para o público geral, a diferença costuma ser mais relevante do ponto de vista botânico do que do uso tradicional. Ainda assim, a consistência na identificação continua sendo importante para controle de qualidade.

A Eufrásia Pode Ser Usada na Culinária Como Outras Ervas?

Embora partes da planta possam teoricamente aparecer em usos alimentares muito pontuais, a eufrásia não é uma erva culinária de destaque. Seu perfil está muito mais ligado à fitoterapia do que à gastronomia. O sabor amargo e adstringente também limita esse interesse. Por isso, a planta continua sendo valorizada principalmente por seu papel medicinal e não como ingrediente regular de cozinha.

Referências e Estudos Científicos

5 Referências Citadas

Nível de Evidência: 🥈 Moderado

Baseado em 5 Referências Citadas (5 Peer-Reviewed).

  1. DOI2014 Paduch, R., Woźniak, A., Niedziela, P., & Rejdak, R. “Assessment of Eyebright (Euphrasia Officinalis L.) Extract Activity in Relation to Human Corneal Cells Using In Vitro Tests.” Balkan Medical Journal, 31(1), 29-36. 2014.
  2. DOI2018 Liu, Y., Hwang, E., Ngo, H. T. T., Perumalsamy, H., Kim, Y. J., Li, L., & Yi, T.-H. “Protective Effects of Euphrasia officinalis Extract against Ultraviolet B-Induced Photoaging in Normal Human Dermal Fibroblasts.” International Journal of Molecular Sciences, 19(11), 3327. 2018.
  3. DOI2024 Ververis, A., Kyriakou, S., Paraskeva, H., Panayiotidis, M. I., Plioukas, M., & Christodoulou, K. “Chemical Characterization and Assessment of the Neuroprotective Potential of Euphrasia officinalis.” International Journal of Molecular Sciences, 25(23), 12902. 2024.
  4. DOI2018 Singh, H., Du, J., Singh, P., & Yi, T. H. “Ecofriendly synthesis of silver and gold nanoparticles by Euphrasia officinalis leaf extract and its biomedical applications.” Artificial Cells, Nanomedicine, and Biotechnology, 46(6), 1163-1170. 2018.
  5. DOI2020 Meier-Girard, D., Gerstenberg, G., Stoffel, L., Kohler, T., Klein, S. D., Eschenmoser, M., Mitter, V. R., Nelle, M., & Wolf, U. “Euphrasia Eye Drops in Preterm Neonates With Ocular Discharge: A Randomized Double-Blind Placebo-Controlled Trial.” Frontiers in Pediatrics, 8, 449. 2020.

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