O alcaçuz (Glycyrrhiza glabra) é uma planta herbácea perene da família Fabaceae, valorizada há milênios por suas raízes adocicadas. Também conhecido como alcaçuz-da-europa, alcaçuz-glabro, glicirriza, madeira-doce, pau-doce, raiz-doce ou regaliz, e chamado internacionalmente de licorice root (inglês), réglisse (francês), regaliz (espanhol) ou süßholz (alemão), é nativo do sul da Europa e do oeste da Ásia, de onde se espalhou para quase todo o mundo ao longo de milênios de comércio e uso medicinal.
É importante não confundir a Glycyrrhiza glabra com a Glycyrrhiza uralensis, o alcaçuz-chinês ou gan cao, popularmente também chamado apenas de alcaçuz no Brasil. Ambas pertencem ao mesmo gênero botânico e compartilham compostos como a glicirrizina, além de boa parte dos usos tradicionais, mas são espécies distintas, não sinônimos uma da outra. Este guia trata principalmente da Glycyrrhiza glabra, indicando sempre que uma informação vem de pesquisas conduzidas especificamente com a Glycyrrhiza uralensis.
O alcaçuz tem propriedades tradicionalmente reconhecidas como antibacteriana, antiespasmódica, antifúngica, anti-inflamatória, antioxidante, antitussígena, digestiva, diurética, emoliente, expectorante e laxante, entre outras. É uma das plantas mais prescritas na medicina tradicional chinesa e há registros de seu uso medicinal em papiros e tumbas do Egito Antigo, incluindo a do faraó Tutancâmon. O glicosídeo glicirrizina, concentrado na raiz, é cerca de 50 vezes mais doce que a sacarose, o que torna a planta um adoçante natural popular em doces, chás, cervejas e refrigerantes.
Sumário do Artigo
- O Que É o Alcaçuz (Glycyrrhiza glabra)
- História e Uso Tradicional do Alcaçuz
- Composição Química do Alcaçuz
- Propriedades Medicinais do Alcaçuz
- Ação Anti-Inflamatória do Alcaçuz
- Ação Antimicrobiana e Antiviral do Alcaçuz
- Alcaçuz e a Saúde Digestiva
- Alcaçuz e a Saúde do Sistema Respiratório
- Alcaçuz e a Saúde do Fígado
- Colesterol e Saúde Cardiovascular
- Alcaçuz e o Controle do Açúcar no Sangue
- Equilíbrio Hormonal
- Pesquisa sobre Alcaçuz e Câncer
- Alcaçuz e o Apetite
- Alcaçuz e a Saúde da Pele
- Formas de Uso e Dosagem do Alcaçuz
- Chá de Alcaçuz
- Modo de Preparo do Chá de Alcaçuz
- Tintura de Alcaçuz
- Xarope de Alcaçuz
- Modo de Preparo do Xarope de Alcaçuz
- Uso do Alcaçuz na Culinária
- Contraindicações e Efeitos Colaterais do Alcaçuz
- Perguntas Frequentes sobre Alcaçuz
O Que É o Alcaçuz (Glycyrrhiza glabra)

A Glycyrrhiza glabra é uma planta herbácea de ciclo perene, pertencente à família Fabaceae, o mesmo grupo botânico do feijão, da lentilha e da ervilha. Pode atingir mais de 1,5 metro de altura, com folhas pinadas de até 15 cm formadas por folíolos verde-intensos, flores que variam do roxo ao azul-esbranquiçado e frutos oblongos de 2 a 3 cm. O nome do gênero, Glycyrrhiza, vem do grego e significa “raiz doce”; glabra significa “liso”, em referência às vagens lisas das sementes.
A parte usada em chás e preparações é a raiz, colhida geralmente entre o terceiro e o quinto ano de cultivo, quando a concentração de glicirrizina e demais compostos atinge o pico. É nas raízes, longas e de interior amarelado e fibroso, que a planta armazena os compostos responsáveis tanto pelo sabor adocicado quanto pelas propriedades medicinais mais estudadas.
Nomes Populares e Sinônimos Botânicos
Em português, a planta também é conhecida como alcaçus, alcaçuz-glabro, glicirriza, regoliz e salsa, entre outras variações regionais. Do ponto de vista botânico, a Glycyrrhiza glabra tem como sinônimos aceitos Glycyrrhiza glandulifera, Glycyrrhiza hirsuta, Glycyrrhiza violacea e algumas variedades como Glycyrrhiza glabra var. glandulosa e var. violacea. A Glycyrrhiza uralensis, como explicado acima, não integra essa lista de sinônimos: é uma espécie própria, ainda que próxima e frequentemente comercializada sob o mesmo nome popular de alcaçuz.
Características Botânicas da Planta

O sistema radicular do alcaçuz é um dos traços mais marcantes da espécie: extenso e profundo, formado por raízes e rizomas que se espalham lateralmente no solo. Essa estrutura subterrânea é a razão pela qual a planta tolera bem solos áridos e, ao mesmo tempo, consegue concentrar uma quantidade tão grande de compostos bioativos. A floração ocorre tipicamente no fim do verão, e o cultivo comercial concentra-se em regiões de clima mediterrâneo e da Ásia Ocidental.
História e Uso Tradicional do Alcaçuz
O uso do alcaçuz remonta a milênios e atravessa civilizações muito distintas. No Egito Antigo, a raiz era usada no preparo de uma bebida doce e aromática, tida tanto como iguaria quanto como remédio, e vestígios da planta foram encontrados em tumbas faraônicas, incluindo a de Tutancâmon. Há relatos históricos de que guerreiros citas se sustentavam por mais de uma semana de marcha apenas mastigando a raiz, usada tanto para saciar a sede quanto para obter resistência física. Médicos da Grécia e de Roma, como Hipócrates e Dioscórides, prescreviam o alcaçuz para afecções respiratórias e digestivas.
Na Idade Média europeia, monges cultivavam alcaçuz em jardins de mosteiros para tratar tosse, bronquite e problemas digestivos, e foi nesse período que surgiram os primeiros doces de alcaçuz, que se popularizaram na Europa a partir do século XVI. Na Alemanha, o doce de alcaçuz chegou a ser presente mais popular do que o chocolate. As raízes também são tradicionalmente mastigadas por pessoas tentando abandonar o tabagismo, como apoio ao hábito de levar algo à boca.
Uso na Medicina Tradicional Chinesa
Na medicina tradicional chinesa, o alcaçuz (sobretudo a espécie Glycyrrhiza uralensis) é chamado de gan cao (甘草), ou “raiz doce”, e está presente em cerca de 60% das fórmulas clássicas da farmacopeia chinesa. Ali, ocupa a função de harmonizador: potencializa os efeitos de outras ervas, modera possíveis toxicidades e equilibra as propriedades térmicas das fórmulas, o que lhe rendeu o apelido informal de “rei das ervas” entre os praticantes dessa tradição. Segundo a teoria chinesa, a raiz tonifica o Qi do baço e do estômago, umedece os pulmões para aliviar a tosse e ajuda a aliviar espasmos e dores, sempre em combinação com outras plantas.
Curiosidades Históricas
Na Índia, o alcaçuz integra a medicina ayurvédica no manejo de gripes, afecções oculares e artrite. Alemães medievais o associavam ao cuidado de doenças arteriais e palpitações. Essa convergência de usos tradicionais tão distantes entre si, da China ao Egito e à Europa, é um dos motivos pelos quais o alcaçuz permanece como uma das plantas medicinais mais estudadas da atualidade.
Composição Química do Alcaçuz
A raiz de Glycyrrhiza glabra é uma das mais ricas do reino vegetal em diversidade fitoquímica: mais de 400 compostos já foram identificados no gênero Glycyrrhiza, distribuídos entre saponinas triterpênicas, flavonoides, isoflavonoides, chalconas, cumarinas, fitoesteróis e óleo essencial. Estudos também associam o alcaçuz ao estímulo da produção de interferon, proteína relacionada à resposta imunológica do organismo.
Glicirrizina e Ácido Glicirretínico
A glicirrizina, ou ácido glicirrízico, é o composto mais estudado da planta e o principal responsável pelo sabor doce, podendo representar entre 2% e 25% do peso da raiz seca conforme a variedade e as condições de cultivo. Ao ser ingerida, a glicirrizina é metabolizada pela microbiota intestinal em ácido glicirretínico, forma biologicamente ativa associada aos efeitos anti-inflamatórios, antivirais e sobre o metabolismo do cortisol descritos mais adiante neste guia.
Flavonoides e Outros Fitoquímicos
Mais de 300 flavonoides já foram isolados de espécies de Glycyrrhiza, com destaque para liquiritina, liquiritigenina, isoliquiritigenina, glabridina e glabreno. Esses compostos têm ação antioxidante documentada, neutralizando radicais livres, e a glabridina em particular é estudada por sua capacidade de inibir a tirosinase, enzima-chave na produção de melanina na pele. A composição da raiz inclui ainda ácido uralênico, amido, asparagina, betaína, cumarinas, enzimas, licoricona, sacarídeos, taninos e triterpenos.
Propriedades Medicinais do Alcaçuz
Entre as propriedades tradicionalmente atribuídas ao alcaçuz e parcialmente estudadas em laboratório estão as ações antiespasmódica, anti-inflamatória, antimicrobiana, antioxidante, antisséptica, antitóxica, aromática, diurética, emoliente, expectorante, laxante, refrescante e tônica. Essa amplitude de efeitos é reflexo direto da diversidade de compostos presentes na raiz, e cada uma dessas propriedades é discutida com mais profundidade nas seções seguintes.
Ação Anti-Inflamatória do Alcaçuz
A ação anti-inflamatória é uma das propriedades mais estudadas do alcaçuz. O ácido glicirretínico, metabólito ativo da glicirrizina, é investigado por sua capacidade de inibir vias inflamatórias como a enzima ciclo-oxigenase 2 e o fator de transcrição NF-κB, reduzindo a produção de citocinas pró-inflamatórias como TNF-α, IL-1β e IL-6 em estudos de laboratório. Modelos animais associaram extratos padronizados de alcaçuz à redução do edema quando comparados a um grupo controle, com resultados que se aproximam dos observados com anti-inflamatórios convencionais em algumas condições experimentais, embora isso não signifique equivalência terapêutica comprovada em humanos.
Rica em flavonoides, a raiz é tradicionalmente associada à recuperação de quadros inflamatórios, inclusive na pele, e é usada popularmente como complemento no manejo de dores articulares e espasmos musculares, sempre combinada a outras ervas e nunca como substituto de tratamento médico para artrite ou doenças inflamatórias crônicas.
Ação Antimicrobiana e Antiviral do Alcaçuz
O alcaçuz é estudado por sua atividade contra um espectro amplo de micro-organismos. Extratos da raiz demonstraram, em laboratório, atividade contra bactérias como Helicobacter pylori, Staphylococcus aureus e Escherichia coli, e a licochalcona A, presente sobretudo na Glycyrrhiza inflata, foi associada à inibição do fungo Candida albicans. Esses achados sugerem um papel complementar, nunca substituto, a tratamentos antimicrobianos convencionais.
No campo antiviral, a glicirrizina ganhou atenção científica desde 2003, quando uma publicação associou o composto à inibição, em laboratório, da replicação do coronavírus causador da SARS. Desde então, pesquisas in vitro exploraram sua possível interferência na replicação dos vírus da hepatite B e C, do herpes-vírus e do HIV, além de mecanismos como o bloqueio parcial da ligação viral ao receptor ACE2 e o estímulo à produção de interferon pelo organismo. Durante a pandemia de covid-19, alguns grupos de pesquisa investigaram in vitro se compostos do alcaçuz poderiam interferir na entrada do vírus SARS-CoV-2 nas células; são resultados exploratórios, que não estabelecem o alcaçuz como tratamento ou prevenção para covid-19 nem para qualquer infecção viral, e o diagnóstico e tratamento dessas doenças exigem sempre acompanhamento médico.
Alcaçuz e a Saúde Digestiva
O alcaçuz tem ação laxante suave tradicionalmente reconhecida e é associado à redução da acidez estomacal, sendo usado popularmente na prevenção de dispepsia e como apoio complementar em úlceras gástricas ou duodenais. O ácido glicirretínico é estudado por estimular a produção de muco protetor no estômago, fortalecendo a barreira da mucosa contra o ácido clorídrico e favorecendo, em modelos de pesquisa, a cicatrização de lesões ulcerativas.
Para reduzir os efeitos colaterais associados à glicirrizina, foi desenvolvido o extrato de alcaçuz desglicirrizinado, conhecido pela sigla DGL, do qual a maior parte da glicirrizina é removida. O DGL preserva os flavonoides gastroprotetores e é considerado mais seguro para uso prolongado, sendo comercializado sob a forma de comprimidos mastigáveis para o alívio de azia, queimação e refluxo gastroesofágico. Extratos de alcaçuz também são estudados por sua atividade contra a bactéria Helicobacter pylori, associada a úlceras e gastrite crônica, embora o tratamento dessa infecção continue sendo médico, geralmente combinando antibióticos.
Alcaçuz e a Saúde do Sistema Respiratório
As propriedades demulcentes tornam o alcaçuz tradicionalmente útil para bronquite, catarro e rouquidão. Ao ser consumido em chá ou xarope, forma uma camada protetora e suavizante sobre a faringe e a laringe, o que ajuda a aliviar a sensação de garganta arranhada e a tosse seca. Sua ação expectorante, por sua vez, é tradicionalmente associada à fluidificação do muco acumulado nos brônquios, facilitando sua expulsão em quadros de resfriado e bronquite.
Pesquisas preliminares também têm explorado um possível papel do alcaçuz no manejo da asma, com a hipótese de que seus compostos anti-inflamatórios ajudem a modular a inflamação das vias aéreas. São resultados ainda experimentais, que não substituem o tratamento médico da asma nem de outras doenças respiratórias crônicas.
Alcaçuz e a Saúde do Fígado
A raiz de alcaçuz é usada tradicionalmente no Japão como apoio à recuperação do fígado; desde a década de 1940, um medicamento injetável à base de glicirrizina, combinado com glicina e cisteína, é utilizado na hepatologia japonesa para hepatite crônica. A glicirrizina é estudada como possível complemento no acompanhamento de hepatites virais dos tipos A, B e C, atuando como antioxidante e sendo investigada por sua capacidade de inibir a ativação de células hepáticas ligadas à fibrose.
É essencial entender que hepatites virais têm tratamento médico específico e, no caso das hepatites B e C, antivirais estabelecidos, e o alcaçuz não deve, em nenhuma hipótese, ser usado como substituto desse tratamento, apenas eventualmente como complemento sob orientação do hepatologista responsável.
Um uso histórico da planta, hoje desaconselhado sem supervisão médica rigorosa, é como apoio às glândulas suprarrenais: a glicirrizina tem efeito real sobre o metabolismo do cortisol, o que levou a um uso tradicional relacionado à doença de Addison, condição grave de insuficiência das glândulas suprarrenais. É fundamental deixar claro que a doença de Addison é uma condição potencialmente fatal sem tratamento adequado e exige reposição hormonal com corticosteroides prescrita e monitorada por um endocrinologista; o alcaçuz não substitui esse tratamento em nenhuma circunstância, e qualquer uso nesse contexto só deve ocorrer sob supervisão médica direta.
Colesterol e Saúde Cardiovascular
Estudos, incluindo um conduzido por pesquisadores israelenses e publicado na revista Nutrition em 2002, associam o extrato da raiz de alcaçuz à redução de colesterol total e triglicérides e à menor oxidação do LDL na dieta. A glabridina, um dos flavonoides mais estudados da planta, é apontada como um dos compostos responsáveis por essa ação antioxidante sobre o LDL, um processo relacionado à formação de placas ateroscleróticas. Esses achados não substituem o tratamento médico de colesterol alto ou de doenças cardiovasculares.
Alcaçuz e o Controle do Açúcar no Sangue
Como adoçante natural sem glicose, o alcaçuz é considerado seguro para a maioria dos diabéticos, desde que consumido sem adição de outros açúcares. É importante entender que isso não significa que a planta trate diabetes: o diagnóstico e o tratamento dessa condição exigem acompanhamento médico contínuo, e o uso de alcaçuz deve ser conversado com o médico responsável, especialmente por seu efeito conhecido sobre a pressão arterial e o potássio, detalhado na seção de contraindicações.
Equilíbrio Hormonal
O alcaçuz contém fitoestrógenos, como isoflavonas, com estrutura semelhante à do estrogênio humano, capazes de se ligar a receptores de estrogênio no organismo. Esses compostos, junto aos flavonoides da planta, são estudados por possível papel no equilíbrio de hormônios relacionados à hipófise, o que motiva seu uso tradicional para sintomas de TPM e climatério. Distúrbios menstruais persistentes ou da tireoide, assim como sintomas intensos de menopausa, exigem diagnóstico e acompanhamento médico específico, e o alcaçuz não deve ser usado como terapia isolada para essas condições.
Pesquisa sobre Alcaçuz e Câncer
A isoliquiritigenina, uma chalcona presente no alcaçuz, é estudada em laboratório por sua capacidade de induzir apoptose em linhagens celulares de câncer de mama, cólon, próstata e fígado, por meio de mecanismos que envolvem a ativação de caspases e a interrupção do ciclo celular. A licochalcona A também foi associada, em modelos experimentais, à supressão do crescimento de células de leucemia e de carcinoma pulmonar. São achados pré-clínicos, obtidos em células isoladas ou animais, que não confirmam benefício em humanos e não substituem, em nenhuma hipótese, o diagnóstico e o tratamento oncológico convencional.
Alcaçuz e o Apetite
Alguns estudos associam o alcaçuz a uma leve redução do apetite e da vontade de consumir doces, com uso popular como apoio complementar ao controle alimentar durante a TPM, sempre combinado a hábitos alimentares equilibrados e atividade física, nunca como método isolado de emagrecimento.
Alcaçuz e a Saúde da Pele
O extrato de raiz de alcaçuz é um ingrediente valorizado em cosméticos, sobretudo pela glabridina, estudada por sua capacidade de inibir a tirosinase, enzima-chave na produção de melanina. Por esse mecanismo, o extrato é usado em produtos voltados para manchas escuras, como as causadas pela exposição solar, pela inflamação pós-acne ou pelo melasma, contribuindo para um tom de pele mais uniforme.
As propriedades anti-inflamatórias da glicirrizina e da licochalcona A também tornam o alcaçuz um componente comum em formulações para peles sensíveis e irritadas, incluindo produtos voltados para dermatites como eczema e rosácea. Já as propriedades antioxidantes dos flavonoides da planta são estudadas por seu papel na neutralização de radicais livres gerados pela radiação ultravioleta e pela poluição, fatores que aceleram o envelhecimento cutâneo.
Formas de Uso e Dosagem do Alcaçuz
O alcaçuz está disponível em diferentes apresentações, cada uma mais indicada a um objetivo específico. A Organização Mundial da Saúde recomenda não ultrapassar 100 miligramas de glicirrizina por dia, o equivalente a cerca de 2,5 gramas de raiz seca com teor médio de 4% de glicirrizina; o uso contínuo por mais de 4 a 6 semanas deve ser acompanhado por um profissional de saúde.
- Cápsulas padronizadas: usadas quando se deseja maior controle sobre a concentração de glicirrizina ingerida.
- Chá de raiz: de 1 a 5 gramas de raiz seca em infusão, até 3 xícaras ao dia.
- Extrato de alcaçuz desglicirrizinado (DGL): de 380 a 760 miligramas, até 3 vezes ao dia, cerca de 20 minutos antes das refeições, uso tradicionalmente limitado a até 4 meses consecutivos.
- Extrato líquido: de 2 a 4 mililitros, até 3 vezes ao dia.
Essas faixas refletem o uso tradicional e a literatura disponível, não uma prescrição individual; qualquer uso continuado, especialmente em quem tem outras condições de saúde ou usa medicamentos contínuos, deve ser conversado com um médico ou farmacêutico.
Chá de Alcaçuz

O chá é a forma mais tradicional de consumo do alcaçuz. O uso tradicional é de até três xícaras ao dia, sem adição de açúcar ou adoçantes. Como o teor de glicirrizina varia conforme a variedade e as condições de cultivo, prefira fornecedores que informem a procedência e o controle de qualidade da matéria-prima, como a raiz de alcaçuz da Loja Medicina Natural.
Ingredientes
- 1 litro de água
- 2 colheres de sopa de raiz de alcaçuz moída
Modo de Preparo do Chá de Alcaçuz
- Misture os ingredientes.
- Leve ao fogo por 10 minutos.
- Retire do fogo e coe.
Tintura de Alcaçuz
Misture uma parte de raiz seca com cinco partes de conhaque ou vodca, numa proporção de 50/50 de álcool para água. Sele o recipiente hermeticamente e deixe macerar em local escuro por duas semanas, agitando diariamente. Coe e armazene em garrafa escura por até dois anos. O uso tradicional é de 1 a 3 ml da tintura, até três vezes ao dia.
Xarope de Alcaçuz

O xarope tem uso tradicional para desconfortos peitorais, incluindo tosse e bronquite.
Ingredientes
- 500 g de alcaçuz em pó
- 2 litros de água
- Açúcar
Modo de Preparo do Xarope de Alcaçuz
- Aqueça a água a cerca de 25°C.
- Adicione a erva à água.
- Aguarde 24 horas.
- Filtre o líquido resultante.
- Adicione açúcar na mesma quantidade do líquido e misture bem.
Uso do Alcaçuz na Culinária
Na culinária, o alcaçuz é adicionado a outros alimentos e ervas para melhorar o sabor, sendo usado em bolos, doces, sorvetes, cervejas e vinhos. Como adoçante, pode ser consumido com segurança pela maioria dos diabéticos, desde que nenhum outro açúcar seja acrescentado. É também usado comercialmente como aromatizante em cervejas, refrigerantes e tabaco.
Contraindicações e Efeitos Colaterais do Alcaçuz
O consumo de alcaçuz exige cautela, sobretudo com o uso prolongado ou em doses elevadas de glicirrizina. Esse composto inibe a enzima 11-beta-hidroxiesteroide desidrogenase tipo 2, responsável por converter cortisol em cortisona nos rins; a inibição provoca acúmulo de cortisol que imita os efeitos da aldosterona, quadro conhecido como pseudoaldosteronismo, capaz de causar retenção de sódio, perda de potássio, edema e elevação da pressão arterial mesmo em pessoas sem hipertensão prévia. Em casos graves, pode haver arritmias cardíacas. Um estudo publicado no New England Journal of Medicine associou o consumo do equivalente a 500 miligramas de glicirrizina por dia a uma queda de 26% nos níveis de testosterona sérica em homens.
O uso é contraindicado para pessoas com anemia, arritmias, doenças cardíacas, edema, glaucoma, hipertensão e insuficiência renal, especialmente para quem já usa medicamentos para controlar essas condições. Quem usa medicamentos à base de digoxina não deve usar o alcaçuz, pelo risco de toxicidade digitálica. Outros efeitos relatados incluem dores abdominais e dor de cabeça; em casos raros, foi relatada deficiência respiratória. O uso externo do alcaçuz, em cosméticos, não apresenta os mesmos riscos do uso interno.
Interações Medicamentosas
O alcaçuz pode interagir com corticosteroides, potencializando seus efeitos, e com diuréticos, agravando a perda de potássio. A associação com digoxina eleva o risco de toxicidade digitálica. Pessoas em uso de anticoagulantes, anti-hipertensivos, contraceptivos, medicamentos para diabetes ou reposição hormonal devem evitar o alcaçuz sem orientação médica ou farmacêutica.
Restrições para Gestantes e Grupos de Risco
Estudos epidemiológicos associaram o consumo de grandes quantidades de alcaçuz durante a gestação a um risco aumentado de parto prematuro. Recomenda-se que gestantes não consumam mais de 250 gramas de alcaçuz por semana, e o mais seguro, na dúvida, é evitar completamente o consumo durante a gravidez e a amamentação. Nutrizes, crianças e pessoas anêmicas também devem evitar o uso interno sem orientação médica.
Perguntas Frequentes sobre Alcaçuz
O Que É o Alcaçuz?
O alcaçuz, ou Glycyrrhiza glabra, é uma planta medicinal nativa da Europa e da Ásia. Suas raízes são usadas tradicionalmente como adoçante natural e em preparações para fins terapêuticos, sobretudo digestivos e respiratórios.
Qual a Diferença entre Alcaçuz Comum e Alcaçuz Desglicirrizinado (DGL)?
O alcaçuz comum contém glicirrizina, composto ligado ao sabor doce e a boa parte das propriedades medicinais, mas também aos efeitos colaterais sobre pressão arterial e potássio. O DGL passou por um processo que remove a glicirrizina, mantendo os flavonoides gastroprotetores, o que o torna mais indicado para uso prolongado.
Alcaçuz Trata Hepatite B ou C?
Não. É estudado como possível complemento, mas hepatites virais têm tratamento médico específico, incluindo antivirais, e o alcaçuz não substitui esse tratamento.
Alcaçuz Trata a Doença de Addison?
Não. É uma condição potencialmente fatal que exige reposição hormonal prescrita e monitorada por um endocrinologista; o alcaçuz não substitui esse tratamento em nenhuma circunstância.
Quem Tem Pressão Alta Pode Consumir Alcaçuz?
Não é recomendado sem orientação médica. O uso é contraindicado em hipertensão, e o consumo excessivo ou prolongado pode elevar a pressão mesmo em quem não tem hipertensão prévia.
Alcaçuz Cura Câncer?
Não. Há estudos pré-clínicos sobre compostos da planta, como a isoliquiritigenina, mas isso não confirma benefício em humanos nem substitui diagnóstico e tratamento oncológico.
Quem Toma Digoxina Pode Usar Alcaçuz?
Não. O uso é contraindicado para quem usa medicamentos à base de digoxina, pelo risco de toxicidade digitálica.
Alcaçuz É Seguro para Diabéticos?
Como adoçante, sim, na maioria dos casos, mas sem substituir o tratamento médico do diabetes e sempre com atenção aos efeitos sobre pressão e potássio.
Grávidas Podem Usar Alcaçuz?
Devem evitar, sobretudo em grandes quantidades: estudos associam o consumo elevado de alcaçuz na gestação a maior risco de parto prematuro.
O Uso Prolongado de Alcaçuz Tem Riscos?
Sim. Pode causar pseudoaldosteronismo, com redução do potássio, retenção de sódio e elevação da pressão arterial, além de, em homens, possível redução dos níveis de testosterona em uso excessivo.
Referências
Ver Todas as 12 Referências Citadas
Estudos Científicos Peer-Reviewed (6)
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