Plantas Medicinais

Grindélia: Saiba para Que Serve a Planta

A grindélia é usada tradicionalmente para tosse, asma e irritações de pele. Veja para que serve, como preparar a infusão com segurança e quais contraindicações observar.

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Grindelia robusta - GOMA-DE-GRINDELIA; GRINDÉLIA.
A Grindélia (Grindelia robusta) é reconhecida por suas flores amarelas vibrantes e propriedades medicinais para o sistema respiratório.

A grindélia (Grindelia robusta) é uma planta nativa do sudoeste dos Estados Unidos e do México, historicamente valorizada pelos povos nativos norte-americanos como fitoterápico respiratório e cicatrizante de pele; seu uso interno, porém, exige orientação profissional, pela margem estreita entre a dose terapêutica e a irritação gástrica e renal.

Sumário do Artigo
  1. O Que É a Grindélia
  2. História e Uso Tradicional entre os Povos Nativos
  3. Composição Química
  4. O Que os Estudos Mostram sobre a Grindélia
  5. Uso Tradicional para o Sistema Respiratório
  6. Uso Tradicional para o Sistema Urinário
  7. Uso Tópico para Hera-Venenosa e Irritações de Pele
  8. Como Preparar a Infusão de Grindélia
  9. Cultivo da Grindélia
  10. Contraindicações
  11. Perguntas Frequentes sobre a Grindélia

O Que É a Grindélia

Planta perene da família Asteraceae, a mesma das margaridas e girassóis, a grindélia cresce em planícies e solos pobres do sudoeste dos Estados Unidos e do México. Suas flores amarelas secretam uma resina pegajosa que lhe rendeu o apelido de gumplant (“planta de goma”) em inglês, resina que concentra boa parte dos compostos ativos da planta.

Existem mais de 65 espécies do gênero Grindelia, entre elas G. camporum, G. integrifolia, G. rigida e G. squarrosa, usadas de forma intercambiável na fitoterapia por apresentarem perfil de compostos semelhante ao da Grindelia robusta. A parte medicinal usada são as partes aéreas floridas, colhidas antes da abertura completa dos botões, quando a concentração de resina é maior, utilizadas frescas ou secas.

História e Uso Tradicional entre os Povos Nativos

O uso medicinal da grindélia foi documentado pela primeira vez entre tribos nativas norte-americanas, que empregavam a planta para problemas respiratórios e aplicavam sua resina topicamente em afecções de pele, como a reação alérgica causada pela hera-venenosa. Com a colonização europeia, esse conhecimento chegou aos médicos ecléticos do século XIX, que passaram a valorizar a erva por suas propriedades expectorantes e antiespasmódicas.

Esse reconhecimento levou a grindélia a ser listada na Farmacopeia dos Estados Unidos entre 1882 e 1926, um marco que formalizou seu uso terapêutico na época. Ela perdeu espaço na medicina convencional com o avanço dos medicamentos sintéticos, mas nunca caiu em desuso e segue como referência na fitoterapia moderna.

Composição Química

A resina das flores, que pode representar até 20% do peso seco da planta, é composta principalmente por ácidos diterpênicos, como o ácido grindélico e o ácido 7,8-epoxigrindélico, compostos associados à ação anti-inflamatória observada em estudos de laboratório.

Além da resina, a grindélia contém flavonoides metilados (como quercetina e kaempferol), saponinas triterpenoides (grindelina e ácido oleanólico) e um óleo essencial rico em borneol e alfa-pineno, responsável pelo aroma balsâmico característico da planta. Taninos e ácido clorogênico completam o perfil químico, contribuindo para a adstringência observada no uso tópico.

O Que os Estudos Mostram sobre a Grindélia

Estudos de laboratório sugerem que extratos de grindélia podem inibir a produção de mediadores inflamatórios, reduzindo a secreção de interleucinas e metaloproteinases em macrófagos ativados; essa ação é atribuída principalmente aos flavonoides e aos ácidos diterpênicos da resina. O óleo essencial, rico em pineno e borneol, também apresenta atividade antimicrobiana em ensaios de laboratório.

A confirmação clínica dessas propriedades em humanos ainda é limitada, e o conhecimento acumulado sobre a grindélia reflete, sobretudo, séculos de uso tradicional documentado, e não ensaios clínicos controlados em larga escala.

Uso Tradicional para o Sistema Respiratório

O uso mais consolidado da grindélia é como expectorante tradicional para tosse produtiva, bronquite crônica, enfisema e asma, sobretudo em quadros acompanhados de taquicardia e agitação do sistema nervoso, situação em que a planta era historicamente valorizada por seu efeito calmante sobre a frequência cardíaca associado ao alívio respiratório. Acredita-se que as saponinas e a resina atuem em conjunto para fluidificar o muco acumulado nas vias aéreas, facilitando a tosse produtiva, enquanto os compostos antiespasmódicos ajudariam a relaxar a musculatura brônquica contraída.

A planta também é tradicionalmente usada para tosse convulsa e outras tosses espasmódicas, pelo seu efeito calmante relatado sobre o sistema nervoso. A confirmação clínica moderna dessas aplicações em ensaios controlados ainda é limitada, e a grindélia não substitui o tratamento médico prescrito para asma, bronquite ou qualquer outra condição respiratória.

Uso Tradicional para o Sistema Urinário

A fitoterapia tradicional também atribui à grindélia um papel de apoio no desconforto de cistites e outras irritações do trato urinário, atribuído às suas propriedades antiespasmódicas e diuréticas suaves. Esse uso é predominantemente empírico, sem confirmação em ensaios clínicos robustos, e não deve substituir a avaliação e o tratamento médico de infecções urinárias.

Uso Tópico para Hera-Venenosa e Irritações de Pele

Um dos usos mais difundidos entre os povos nativos norte-americanos é o alívio da dermatite de contato causada pelo urushiol da hera-venenosa (Toxicodendron radicans), planta comum na América do Norte; a aplicação tópica da infusão ou de uma compressa é tradicionalmente relatada como redutora de coceira, dor e tempo de cicatrização, efeito atribuído à ação anti-inflamatória e adstringente da resina. A planta também é usada topicamente para picadas de inseto, queimaduras leves de primeiro grau e rachaduras na pele ressecada.

Como Preparar a Infusão de Grindélia

  1. Ferva uma xícara, cerca de 250 ml, de água.
  2. Adicione uma colher de chá da erva seca.
  3. Abafe o recipiente e deixe em infusão por 10 a 15 minutos.
  4. Coe bem antes de beber, removendo os pequenos pelos da planta que podem irritar a mucosa da garganta.

Para uso tópico, a mesma infusão, preparada de forma mais concentrada, pode ser aplicada com uma compressa de pano limpo sobre a área afetada. Extratos e tinturas de grindélia também são encontrados comercialmente, mas a dosagem deve seguir sempre a orientação do fabricante ou de um profissional de saúde qualificado.

Cultivo da Grindélia

A grindélia é nativa de regiões áridas e semiáridas, o que a torna adaptada a solos pobres e com pouca água disponível, uma vantagem para o cultivo em áreas onde outras culturas teriam dificuldade. A propagação é feita por sementes, e a planta prefere solo bem drenado e exposição solar plena.

A colheita deve ocorrer durante a floração, preferencialmente antes que os botões se abram completamente, quando a resina está mais concentrada. Depois de colhida, a erva deve secar à sombra, em local arejado, para preservar os compostos voláteis e evitar a oxidação dos flavonoides pela luz direta; já seca, deve ser armazenada em recipiente hermético, ao abrigo de luz e umidade.

Contraindicações

O uso interno exige orientação de um profissional de saúde: doses excessivas podem causar irritação gástrica e renal significativa, já que a margem entre dose terapêutica e dose irritante não é ampla. Gestantes, lactantes e crianças pequenas devem evitar o uso interno pela falta de estudos de segurança robustos. Pessoas com doença renal ou gástrica preexistente devem ter cautela redobrada, pelo potencial irritante da planta sobre esses órgãos em uso prolongado ou em doses elevadas.

Perguntas Frequentes sobre a Grindélia

A Grindélia Serve para Asma?

Há uso tradicional bem estabelecido nesse sentido, sobretudo em quadros com taquicardia associada, mas a grindélia não substitui o tratamento médico prescrito para asma.

Posso Usar Grindélia para Hera-Venenosa?

Sim, o uso tópico da infusão ou de uma compressa é tradicionalmente relatado como eficaz para aliviar a coceira e acelerar a cicatrização da dermatite causada pelo urushiol.

A Grindélia É Segura para Uso Interno Contínuo?

Não sem orientação profissional. A segurança do uso prolongado não é extensivamente estudada, e a margem entre a dose terapêutica e a dose que causa irritação gástrica e renal é estreita; o uso interno deve se limitar a condições agudas e por períodos curtos.

Grávidas e Lactantes Podem Usar Grindélia?

O uso interno não é recomendado durante a gravidez e a amamentação, nem para crianças pequenas sem supervisão médica, pela falta de estudos de segurança suficientes.

Qual a Diferença entre as Espécies de Grindélia?

Existem mais de 65 espécies do gênero, mas as mais usadas na fitoterapia (G. camporum, G. robusta e G. squarrosa) têm perfil de compostos semelhante e são usadas de forma intercambiável.

A Grindélia Serve para Qualquer Tipo de Tosse?

Ela é mais indicada para tosses produtivas, com catarro, pela sua ação expectorante tradicional. Também há relatos de efeito calmante em tosses secas e espasmódicas, mas sua principal indicação é auxiliar a expectoração e aliviar a congestão no peito.

Qual Parte da Planta É Usada para Fins Medicinais?

São usadas as partes aéreas floridas, colhidas antes da abertura completa dos botões, quando a concentração da resina ativa é maior.

A Grindélia Serve para Picadas de Inseto?

Sim, o uso tópico tradicional inclui alívio de coceira e desconforto de picadas de inseto, além de queimaduras leves.

Pessoas com Problema nos Rins Podem Usar Grindélia?

Devem ter cautela redobrada e só usar sob orientação médica, pelo potencial irritante da planta sobre os rins, especialmente em uso prolongado ou em doses elevadas.

Como a Grindélia Deve Ser Armazenada?

Em recipiente fechado, ao abrigo de luz, calor e umidade, para preservar a resina ativa das flores secas.

Referências

10 Referências Citadas

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