A Leonurus cardiaca é uma planta herbácea perene, mais conhecida no Brasil como agripalma, e também chamada de cauda-de-leão, erva-do-coração e motherwort em inglês, entre outros nomes populares. Pertence à família Lamiaceae, a mesma da hortelã e do manjericão, e é nativa da Ásia Central e do sudeste da Europa, hoje naturalizada em diversas partes do mundo.
O uso medicinal da agripalma é documentado há séculos, tanto na tradição europeia quanto na asiática, com destaque para o apoio à saúde do coração e para questões ginecológicas. O interesse científico pela planta cresceu nas últimas décadas: estudos modernos investigam seus compostos bioativos na tentativa de compreender os mecanismos por trás de usos que a tradição já reconhecia havia muito tempo.
Sumário do Artigo
- O Que É a Leonurus Cardiaca?
- Nomes Populares e Sinônimos Botânicos da Agripalma
- Composição Química da Agripalma
- Propriedades Medicinais da Agripalma
- Benefícios da Agripalma para a Saúde do Coração
- Efeitos Anti-Inflamatórios e Antimicrobianos da Agripalma
- A Agripalma e a Saúde da Mulher
- Modo de Preparo do Chá de Agripalma
- Tintura e Outras Formas de Uso da Agripalma
- Sinergia da Agripalma com Outras Plantas Medicinais
- Terapias Associadas: Fitoterapia e Homeopatia
- Contraindicações e Efeitos Colaterais da Agripalma
- Curiosidades e História da Agripalma
- Perguntas Frequentes sobre Leonurus Cardiaca (Agripalma)
O Que É a Leonurus Cardiaca?

A agripalma é uma erva robusta que pode atingir até um metro e meio de altura, com hastes ocas e eretas que crescem a partir de rizomas. Suas folhas têm formato palmado e lobado, cobertas por pelos finos, e suas flores pequenas, de cor rosa ou lilás, se agrupam em cachos densos nas axilas das folhas.
A planta prefere solos bem drenados e locais ensolarados, por isso é frequentemente encontrada em terrenos baldios e à beira de estradas nas regiões onde se naturalizou. O nome em latim, Leonurus, vem do grego e significa “cauda de leão”, em referência ao formato de suas folhas; “cardiaca” remete ao uso histórico da planta para o coração.
Nomes Populares e Sinônimos Botânicos da Agripalma
A agripalma é conhecida por diferentes nomes populares ao redor do mundo:
- Alemão: Echte Herzgespann, Löwenschwanz.
- Espanhol: Agripalma, Cardiaca, Cola de león.
- Francês: Agripaume, Cardiaque, Queue de lion.
- Inglês: Lion’s Ear, Lion’s Tail, Motherwort, Throw-wort.
- Italiano: Agripalma, Cardiaca.
- Português: Agripalma, Cardíaca, Erva-do-coração, Orelha-de-leão, Rabo-de-leão.
Alguns sinônimos botânicos ainda aparecem na literatura, embora o nome cientificamente aceito seja Leonurus cardiaca:
- Leonurus glabra (Ledeb. ex Spreng.) Bunge
- Leonurus intermedius Gilib.
- Leonurus quinquelobatus Gilib.
- Leonurus villosus Rydb.
Composição Química da Agripalma
A composição química da agripalma é rica e diversificada, o que ajuda a explicar sua ampla gama de usos tradicionais. Entre os componentes mais estudados estão os alcaloides, com destaque para a estaquidrina, um alcaloide do tipo pirrolidina relacionado a possíveis efeitos sobre o sistema cardiovascular e a função endotelial. A presença de leonurina, outro alcaloide frequentemente associado à planta, é debatida na literatura científica: alguns estudos a identificam e outros não.
A planta também contém iridoides (como harpagida, ajugol e galiridosídeo, além de um iridoide clorado identificado mais recentemente, o 7-cloro-6-desoxi-harpagida), flavonoides (rutina, quercetina, isoquercitrina e hiperosídeo), ácidos fenólicos (cafeico, clorogênico, ferúlico e chicórico), diterpenos labdânicos furânicos, esteróis e ácido ursólico. O óleo essencial das folhas é composto principalmente por cariofileno, alfa-humuleno, alfa-pineno, beta-pineno, linalol e limoneno.
A Farmacopeia Europeia estabelece um teor mínimo de 0,2% de flavonoides, expressos como hiperosídeo, como parâmetro de qualidade para a droga vegetal seca.
Propriedades Medicinais da Agripalma
- Analgésica (uso tradicional associado ao alívio da dor)
- Anti-inflamatória (uso tradicional associado à redução de processos inflamatórios)
- Antiespasmódica (uso tradicional no alívio de espasmos e cólicas)
- Antimicrobiana (estudada em laboratório por seu possível efeito sobre microrganismos)
- Antioxidante (associada à proteção das células contra danos oxidativos)
- Cardiotônica (uso tradicional como tônico para o coração)
- Emenagoga (uso tradicional associado à estimulação do fluxo menstrual)
- Hipotensora (uso tradicional associado à redução da pressão arterial)
- Nervina (uso tradicional no apoio ao sistema nervoso)
- Sedativa (uso tradicional associado ao relaxamento e ao sono)
- Uterina adstringente (uso tradicional associado à tonificação dos tecidos uterinos)
Benefícios da Agripalma para a Saúde do Coração
O uso da agripalma para a saúde cardiovascular é um dos aspectos mais estudados da planta e um dos motivos do seu nome científico. Pesquisas preliminares associam extratos da planta à modulação de canais iônicos cardíacos, com possível ação sobre os canais de cálcio do tipo L e sobre a corrente elétrica ligada à automaticidade do nó sinoatrial. Esses achados ajudam a sustentar o uso tradicional da agripalma como apoio em quadros de taquicardia, palpitações e irregularidades do ritmo cardíaco, sempre como complemento tradicional, nunca substituto de diagnóstico e tratamento médico de doenças cardíacas e vasculares, especialmente em idosos.

O ácido ursólico presente na planta é estudado por seu possível papel cardioprotetor: pesquisas de laboratório sugerem um leve desacoplamento da fosforilação oxidativa nas mitocôndrias do coração, sem afetar a respiração celular normal, além de uma redução dose-dependente na produção de peróxido de hidrogênio, o que indica atividade antioxidante no nível mitocondrial.
Um estudo clínico conduzido por Shikov e colaboradores (2011) avaliou pacientes com hipertensão arterial em estágios 1 e 2, acompanhada de ansiedade, tratados com 1.200 mg de extrato oleoso de agripalma por dia, durante 28 dias. Os resultados mostraram melhora na pressão arterial sistólica e diastólica, redução da frequência cardíaca e melhora do estado psicoemocional dos pacientes, com menos ansiedade, labilidade emocional, dores de cabeça e distúrbios do sono, benefícios mais pronunciados no estágio 1 da hipertensão.
A planta também tem uso tradicional para irregularidades cardíacas associadas ao excesso de hormônio da tireoide, como no hipertireoidismo e na tireotoxicose, sempre com diagnóstico e acompanhamento médico dessas condições.
Efeitos Anti-Inflamatórios e Antimicrobianos da Agripalma
A agripalma também é estudada por possíveis propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas, embora grande parte dessas evidências venha de estudos de laboratório e modelos animais, não de ensaios clínicos em humanos. A leonurina, um dos alcaloides associados à planta, foi avaliada em modelos animais de inflamação, nos quais pareceu modular a resposta imune, reduzindo marcadores pró-inflamatórios (como TNF-alfa e IL-6) e enzimas ligadas à inflamação (iNOS e COX-2), ao mesmo tempo em que aumentou um marcador anti-inflamatório (IL-10). Em outro modelo animal, de inflamação articular aguda, a leonurina também mostrou efeito redutor sobre mediadores inflamatórios.
Extratos da planta foram associados, em estudos de laboratório, à redução da agregação plaquetária, e o ácido ursólico foi estudado por seu possível efeito sobre a formação de biofilmes de determinadas bactérias, incluindo um possível efeito sinérgico com antibióticos em testes de laboratório. Esses achados ajudam a explicar o uso tradicional da agripalma em contextos inflamatórios, mas não substituem diagnóstico e tratamento médico de infecções e doenças inflamatórias.
A Agripalma e a Saúde da Mulher
O nome popular em inglês, motherwort (“erva-mãe”), reflete o longo uso tradicional da agripalma em contextos relacionados à saúde da mulher, incluindo amenorreia, dismenorreia e sintomas da menopausa. A planta é classificada como emenagoga e adstringente uterina, e seu uso tradicional para cólicas menstruais está associado a um possível efeito relaxante sobre a musculatura uterina.
Estudos em laboratório mostram que a leonurina, alcaloide presente na planta, promove contrações uterinas reais e mensuráveis. É exatamente por esse efeito estimulante sobre o útero que a Leonurus cardiaca é contraindicada durante a gravidez, exceto sob supervisão médica direta em contexto clínico controlado, próximo ao momento do parto: o mesmo mecanismo que a tradição associa ao início do trabalho de parto é o que torna seu uso arriscado em qualquer outra fase da gestação, pelo risco real de contrações prematuras. Mulheres que amamentam também devem evitar o uso, pela falta de estudos de segurança nesse período.
Durante a menopausa, a agripalma tem uso tradicional associado ao alívio de sintomas como ansiedade e palpitações, e a tradição também associa a planta ao bem-estar emocional no período pós-parto, sempre como apoio complementar, nunca como substituto de acompanhamento médico ou psicológico.
Modo de Preparo do Chá de Agripalma
- Ferva 250 ml de água em uma panela ou chaleira.
- Desligue o fogo e adicione meia a uma colher de chá de folhas e flores secas de agripalma.
- Tampe o recipiente e deixe em infusão por 10 a 15 minutos.
- Coe o chá para uma xícara e beba morno.
- Repita o preparo até 3 vezes ao dia, sempre respeitando a orientação de um profissional de saúde ou fitoterapeuta.
Tintura e Outras Formas de Uso da Agripalma
Além do chá, a agripalma também é utilizada na forma de tintura, um extrato alcoólico preparado pela maceração da erva em álcool por um período prolongado. A dosagem tradicional costuma variar entre 1 e 4 ml, de 2 a 3 vezes ao dia, diluída em um pouco de água, mas a concentração exata depende do fabricante ou do preparo caseiro, por isso a orientação de um fitoterapeuta ou profissional de saúde é sempre recomendada antes de iniciar o uso, sobretudo para quem já toma outros medicamentos.
A planta também está disponível em cápsulas, comprimidos e extratos padronizados, formas que oferecem uma dosagem mais precisa e são úteis para quem busca um suporte contínuo. A escolha da forma de preparo depende da condição a ser acompanhada e da preferência pessoal: a tintura tende a ter ação mais rápida, enquanto o chá e as cápsulas são mais indicados para uso continuado. Em qualquer caso, é fundamental adquirir produtos de fontes confiáveis, que garantam a qualidade e a pureza do material vegetal.
Sinergia da Agripalma com Outras Plantas Medicinais
- Cimicífuga (Actaea racemosa) e vitex (Vitex agnus-castus): combinação tradicional para distúrbios menstruais e sintomas da menopausa, pela ação reguladora hormonal atribuída a essas plantas.
- Cúrcuma (Curcuma longa) e gengibre (Zingiber officinale): combinação tradicional de apoio em quadros inflamatórios, somando-se à ação anti-inflamatória atribuída à agripalma.
- Dong quai (Angelica sinensis): erva da medicina tradicional chinesa usada para regular o ciclo menstrual, combinada à agripalma para cólicas e irregularidades menstruais.
- Espinheiro (Crataegus spp.): outro tônico cardíaco tradicional, associado à melhora do fluxo sanguíneo coronariano; a combinação tem uso tradicional para palpitações e hipertensão leve.
- Passiflora (Passiflora incarnata) e valeriana (Valeriana officinalis): combinação clássica para ansiedade com manifestações físicas, como palpitações, pelas propriedades sedativas atribuídas às três plantas.
A combinação de plantas medicinais deve sempre ser orientada por um profissional qualificado, já que associações inadequadas podem gerar efeitos indesejados ou interações.
Terapias Associadas: Fitoterapia e Homeopatia
Na fitoterapia, a agripalma é empregada com foco principal em questões cardíacas e ginecológicas, valorizada por ações cardiotônica, sedativa e antiespasmódica atribuídas pela tradição, e utilizada sobretudo na forma de chás e extratos.
Na homeopatia, a agripalma (Leonurus cardiaca) é utilizada em preparações diluídas e dinamizadas, seguindo os princípios próprios dessa abordagem, que difere significativamente da fitoterapia convencional e cuja eficácia não conta com o mesmo tipo de sustentação científica. A escolha do remédio homeopático é individualizada, e qualquer indicação deve ser feita por um médico homeopata.
Contraindicações e Efeitos Colaterais da Agripalma
Embora considerada segura na maioria dos casos, a agripalma pode causar diarreia, irritação estomacal, sangramento uterino e dermatite de contato, com possível aumento de sensibilidade da pele ao sol.
O uso durante a gravidez é contraindicado, exceto sob supervisão médica direta, pelo efeito estimulante real sobre o útero; mulheres que amamentam também devem evitar o uso, pela falta de estudos de segurança nesse período. O uso também é contraindicado para mulheres com sangramento menstrual intenso, já que a planta pode aumentar o sangramento.
Pessoas com bradicardia (ritmo cardíaco lento) ou hipotensão (pressão arterial baixa) devem usar a agripalma com cautela, pelo efeito hipotensor da planta, que pode reduzir ainda mais a frequência cardíaca e a pressão arterial. Pessoas com distúrbios hemorrágicos ou que usam medicamentos anticoagulantes devem evitar a agripalma, pelo possível aumento do risco de sangramento, e pacientes que usam medicamentos sintéticos para o coração só devem usar a erva sob supervisão médica, pela possível interação.
Curiosidades e História da Agripalma
O nome científico Leonurus cardiaca vem do grego: “leon” significa leão e “oura”, cauda, em referência ao formato das folhas da planta; “cardiaca” remete ao uso tradicional para o coração.
Desde a Grécia Antiga, médicos como Dioscórides já mencionavam a planta, recomendando-a para problemas cardíacos e melancolia. Durante a Idade Média, a agripalma era cultivada nos jardins dos mosteiros europeus, e acreditava-se que protegia contra espíritos malignos e trazia alegria ao coração. O herbalista inglês do século 17, Nicholas Culpeper, associava a planta a Vênus e a descrevia como uma erva que fortalece o coração e afasta a melancolia.
No folclore popular, a agripalma era pendurada em portas para afastar energias negativas e adicionada a banhos para promover calma. Suas flores também são uma importante fonte de néctar para as abelhas, o que torna a planta valiosa para a apicultura.

Perguntas Frequentes sobre Leonurus Cardiaca (Agripalma)
Agripalma Pode Ser Usada na Gravidez?
Não, é contraindicada, exceto sob supervisão médica direta e em contexto clínico controlado, pelo efeito real de estímulo às contrações uterinas.
Agripalma Previne Aborto?
Não. Pelo contrário: a leonurina presente na planta estimula contrações uterinas, o mesmo mecanismo que torna seu uso arriscado durante a gestação.
Quem Toma Remédio para o Coração Pode Usar Agripalma?
Somente sob supervisão médica, pela possível interação com medicamentos cardíacos sintéticos e pelo efeito hipotensor da planta.
Agripalma Serve para Ansiedade?
Há uso tradicional nesse sentido, com efeito sedativo e calmante atribuído aos seus compostos, especialmente quando a ansiedade está associada a hipertensão ou a palpitações, mas ansiedade persistente deve ser avaliada por um profissional de saúde.
Agripalma Trata Arritmia?
Tem uso tradicional complementar no apoio a irregularidades do ritmo cardíaco, mas arritmia exige diagnóstico e tratamento médico específico.
Quem Tem Sangramento Menstrual Intenso Pode Usar Agripalma?
Não, o uso é contraindicado nesse caso.
De Onde Vem o Nome Motherwort?
Do uso tradicional da planta em contextos relacionados à saúde da mulher, especialmente ao parto e ao período pós-parto.
Agripalma Interage com Medicamento para Tireoide?
Tem uso tradicional para sintomas de hipertireoidismo, mas o diagnóstico e o tratamento dessa condição exigem acompanhamento endocrinológico.
Qual É a Melhor Forma de Consumir Agripalma?
Depende da preferência e do objetivo: o chá é uma forma suave e tradicional, a tintura costuma ter ação mais rápida e as cápsulas facilitam uma dosagem mais precisa.
Agripalma Pode Ser Usada por Quem Tem Pressão Baixa ou Batimentos Lentos?
Com cautela: a planta tem efeito hipotensor tradicional e pode reduzir ainda mais a pressão arterial e a frequência cardíaca, por isso pessoas nessa condição devem consultar um profissional de saúde antes de usar.
Referências
Ver Todas as 11 Referências Citadas
Estudos Científicos Peer-Reviewed (2)
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Leituras Complementares (9)
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- Wikipédia: Leonurus cardiaca.






