A madressilva (Lonicera japonica), também chamada de madressilva-japonesa, é uma trepadeira ornamental e medicinal originária do leste da Ásia. Reconhecida por suas flores perfumadas que mudam de cor, do branco para o amarelo, a planta tem sido amplamente utilizada na medicina tradicional chinesa. Suas propriedades a tornam um recurso valorizado na fitoterapia, especialmente em infusões e outras preparações.
Sumário do Artigo
- Nomes Populares e Internacionais da Madressilva
- Sinônimos Botânicos da Madressilva
- Família Botânica da Madressilva
- Partes Usadas da Madressilva para Chás e Preparações
- Identidade Botânica e Risco de Substituição
- Usos Etnobotânicos e Tradicionais da Madressilva
- Propriedades Medicinais da Madressilva
- Perfil Fitoquímico da Madressilva
- Atividade Antioxidante e Pesquisas em Laboratório
- Formas de Preparo da Madressilva
- Combinações Sugeridas com Outras Plantas
- Como Preparar Chá de Madressilva
- Terapias Associadas
- Contraindicações e Efeitos Colaterais da Madressilva
- Curiosidades e Fatos Históricos da Madressilva
- Perguntas Frequentes sobre Madressilva
Nomes Populares e Internacionais da Madressilva

- Alemão: Japanisches Geißblatt, Gold-und-Silber-Geißblatt.
- Espanhol: madreselva japonesa, madreselva de Japón.
- Francês: chèvrefeuille du Japon.
- Inglês: Japanese honeysuckle, golden-and-silver honeysuckle.
- Italiano: caprifoglio giapponese.
- Português: madressilva, madressilva-japonesa, madressilva-do-japão, madressilva-dos-jardins.
Sinônimos Botânicos da Madressilva
- Caprifolium chinense S.Watson ex Loudon
- Caprifolium japonicum (Thunb.) Dum.Cours.
- Caprifolium roseum Lam.
- Lonicera brachypoda Siebold
- Lonicera chinensis P. Watson
- Lonicera fauriei H. Lév. & Vaniot
- Lonicera shintenensis Hayata
Família Botânica da Madressilva
A madressilva pertence à família Caprifoliaceae. O nome aceito é Lonicera japonica Thunb., publicado por Carl Peter Thunberg em 1784, na décima quarta edição do Systema Vegetabilium, conforme o registro do World Flora Online.
Partes Usadas da Madressilva para Chás e Preparações
- Caules
- Flores
- Folhas
Identidade Botânica e Risco de Substituição
Nem tudo que é vendido como madressilva vem da mesma espécie. A Farmacopeia da República Popular da China separou, na edição de 2005, duas drogas vegetais que antes circulavam juntas: Lonicerae Japonicae Flos, o jīn yín huā, formado apenas pelos botões florais de Lonicera japonica colhidos antes da abertura, e Lonicerae Flos, o shān yín huā, obtido de outras espécies do gênero. A revisão sistemática de Chen e colaboradores, publicada em 2024 no Journal of Ethnopharmacology, observa que a edição de 2020 voltou a atribuir às duas as mesmas funções, o que ajuda a explicar a confusão que persiste no mercado.
A substituição continua acontecendo no comércio. Um levantamento publicado por He e colaboradores em 2019 na revista PeerJ registra que espécies próximas seguem sendo rotuladas como jīn yín huā, entre elas Lonicera confusa, Lonicera hypoglauca, Lonicera macranthoides e Lonicera similis. O mesmo trabalho lembra os parâmetros de qualidade exigidos no material seco: ácido clorogênico acima de 1,5% e luteolosídeo acima de 0,050%. Na hora de comprar, procure o nome científico no rótulo, não apenas o nome popular.
Usos Etnobotânicos e Tradicionais da Madressilva
A madressilva possui uma longa história de uso na medicina tradicional chinesa. Convém distinguir dois nomes tratados como equivalentes: jīn yín huā, a flor de ouro e prata, designa as flores e os botões florais secos, enquanto rěn dōng téng nomeia os caules e ramos. A revisão de Shang e colaboradores, publicada em 2011 no Journal of Ethnopharmacology, registra a planta como erva de grau superior em clássicos como o Shen Nong Ben Cao Jing, com usos anotados em quadros de vento-calor exógeno, doenças febris epidêmicas, feridas e carbúnculos.
A planta é valorizada, segundo essa tradição, por suas propriedades de limpar o calor e remover toxinas do corpo. É tradicionalmente utilizada como apoio em quadros de febre, resfriado, inflamação e infecção. Também há uso tradicional para alívio de dor de garganta e desconforto respiratório.
O peso da espécie na farmacopeia chinesa atual é considerável: He e colaboradores estimam que ela entre em mais de 30% das prescrições em uso. A revisão de Zheng e colaboradores, de 2022, na Frontiers in Pharmacology, a situa ao mesmo tempo como alimento e como medicamento, com registros de consumo em forma de chá que atravessam mais de 1.500 anos.
Propriedades Medicinais da Madressilva
- Analgésica (associada a alívio da dor)
- Antibacterial (ação documentada contra bactérias, incluindo cepas estreptocócicas)
- Antiespasmódica (reduz espasmos musculares)
- Anti-Inflamatória (reduz processos inflamatórios)
- Antioxidante (ação contra radicais livres)
- Antiviral (ação documentada contra vírus)
- Depurativa (auxilia na purificação do organismo)
- Diurética (aumenta a produção de urina)
- Expectorante (facilita a eliminação de muco)
- Febrífuga (reduz a febre)
- Hepatoprotetora (tradicionalmente associada à proteção do fígado)
São atribuições da tradição e achados de laboratório, não efeitos confirmados em ensaios clínicos.
Perfil Fitoquímico da Madressilva
A Lonicera japonica é rica em uma variedade de compostos bioativos estudados por sua possível relação com as propriedades atribuídas à planta. Entre os principais fitoquímicos identificados em pesquisas, destacam-se ácidos fenólicos, flavonoides, saponinas e iridoides, compostos associados a efeitos anti-inflamatórios, antioxidantes e antimicrobianos observados em estudos de laboratório.
Esse inventário cresceu rápido. A revisão de Shang e colaboradores, de 2011, contabilizava mais de 140 compostos isolados. Cinco anos depois, o levantamento de Wang e colaboradores, na BioMed Research International, chegou a 212 substâncias catalogadas nos botões florais:
- Ácidos orgânicos: 40 compostos.
- Flavonoides: 27 compostos.
- Iridoides: 83 compostos.
- Outras classes: 45 compostos.
- Triterpenoides: 17 compostos.
Os polissacarídeos ganharam revisão dedicada em 2023, assinada por Yang e colaboradores na revista Molecules, com resultados restritos a modelos celulares e animais. Entre os compostos individuais mais citados estão:
- Ácido Cafeico
- Ácido Clorogênico
- Ácido Protocatecuico
- Chrysin
- Hiperosídeo
- Loniceracetalides A e B
- Loniceroside A, B e C
- Loniflavone
- Luteolina
- Methyl Caffeate
- Methyl Chlorogenic Acid
- Methyl 3,4-di-O-Caffeoylquinate
- 3,4-di-O-Caffeoylquinic Acid
Atividade Antioxidante e Pesquisas em Laboratório
Estudos em laboratório identificaram ácidos e antioxidantes na madressilva com atividade documentada contra radicais livres, incluindo pesquisas preliminares em células de câncer, inclusive de mama. São achados de laboratório, ainda distantes de qualquer uso como tratamento. A madressilva não deve ser vista como terapia complementar de câncer, e qualquer suspeita ou diagnóstico oncológico exige acompanhamento médico especializado.
Um exemplo ajuda a calibrar expectativas. Em 2022, trabalho publicado na revista Antioxidants testou o extrato etanólico dos botões florais sobre neutrófilos humanos isolados em placa e observou redução da geração de superóxido, efeito atribuído aos ácidos clorogênicos. Achados em células isoladas orientam a pesquisa seguinte, mas não dizem o que uma xícara de chá faz em uma pessoa.
Formas de Preparo da Madressilva
- Cápsulas
- Chá/Infusão
- Extrato Fluido
- Tintura
- Xarope
Combinações Sugeridas com Outras Plantas
A madressilva pode ser combinada com outras plantas para associar diferentes propriedades tradicionais. Para resfriados e gripes, é frequentemente associada à Forsythia suspensa, formando uma combinação clássica na medicina chinesa. Para suporte ao sistema imunológico, pode ser usada com equinácea. Em formulações voltadas a processos inflamatórios, a combinação com gengibre ou cúrcuma também é utilizada tradicionalmente.
O par com a forsítia é o mais estudado do conjunto. A revisão de Guo, Lin e Wang, publicada em 2015 na Chinese Medicine, aponta o ácido clorogênico como marcador principal do lado da madressilva e o forsitosídeo A do lado da forsítia, com atividades antibacteriana, anti-inflamatória, antioxidante e antiviral observadas em ensaios pré-clínicos.
Como Preparar Chá de Madressilva
- Aqueça 200 ml de água até ferver.
- Adicione de 1 a 2 colheres de chá de flores e folhas secas de Lonicera japonica.
- Desligue o fogo, tampe o recipiente e deixe em infusão por 10 a 15 minutos.
- Coe e sirva. Pode ser consumido quente ou frio, em até 2 a 3 xícaras por dia.
Tintura de Madressilva
A tintura de Lonicera japonica é uma forma concentrada de extrair os compostos ativos da planta. Geralmente, utilizam-se de 20 a 30 gotas diluídas em água, de 2 a 3 vezes ao dia, mas a dosagem pode variar conforme a concentração do produto e a finalidade do uso. Siga sempre a orientação de um profissional de saúde ou as instruções do fabricante antes de iniciar o uso.
Terapias Associadas
Aromaterapia
Embora a madressilva não seja amplamente utilizada em aromaterapia na forma de óleo essencial, o aroma doce e floral de suas flores pode ser apreciado em ambientes para promover relaxamento e bem-estar. O perfume natural da planta tem efeito calmante associado, contribuindo para uma atmosfera tranquila.
Fitoterapia
Na fitoterapia, a madressilva é utilizada tradicionalmente para apoiar o organismo em quadros como infecções respiratórias, febre, dor de garganta e afecções inflamatórias da pele, aproveitando as propriedades anti-inflamatórias, antibacterianas e antivirais atribuídas à planta pela tradição chinesa.
Contraindicações e Efeitos Colaterais da Madressilva
Embora a madressilva seja geralmente considerada segura quando usada de forma correta, é importante conhecer suas contraindicações e possíveis efeitos colaterais. O contato direto da planta com a pele pode causar reações alérgicas em pessoas sensíveis, e por isso, quem tem sensibilidade conhecida a plantas da família Caprifoliaceae deve evitar o uso. Gestantes, lactantes, crianças pequenas e pessoas com condições médicas preexistentes devem consultar um profissional de saúde antes de usar a planta. O consumo excessivo pode causar desconforto gastrointestinal leve.
Os frutos da madressilva são tóxicos e não devem ser ingeridos. O serviço de extensão da Universidade Estadual da Carolina do Norte aponta as saponinas como princípio tóxico e descreve um quadro que pode incluir coma, convulsões, diarreia, dilatação das pupilas, insuficiência respiratória, suor frio, taquicardia e vômito quando grandes quantidades das bagas são ingeridas. O risco recai sobretudo sobre crianças pequenas.
O uso também é contraindicado em quadros de diarreia aquosa e excesso de muco nas vias respiratórias.
Nem todas as espécies de madressilva são usadas da mesma forma: Lonicera caprifolium e Lonicera periclymenum devem ser usadas apenas externamente.
O Que Mostram os Estudos de Segurança
Thanabhorn e colaboradores publicaram em 2006, no Journal of Ethnopharmacology, um estudo de toxicidade aguda e subaguda do extrato etanólico das folhas em ratos. A dose oral única de 5.000 mg/kg não produziu mortalidade, e a administração de 1.000 mg/kg por dia durante 14 dias não alterou peso corporal, parâmetros hematológicos, bioquímica clínica ou histopatologia. O resultado tranquiliza dentro dos limites do modelo: são ratos, extrato de folhas e exposição curta, o que não equivale a atestado de segurança para uso humano prolongado.
Convém separar o chá caseiro das preparações injetáveis usadas em hospitais chineses. Uma meta-análise de 56 estudos, com 11.001 pacientes tratados com a injeção Shuanghuanglian, que combina escutelária, forsítia e madressilva, encontrou 6,5% de reações adversas. Essa forma não é vendida no Brasil e o número não se transfere para a infusão, mas lembra que a planta tem atividade farmacológica mensurável.
Interações Medicamentosas
O potencial da madressilva para interferir na coagulação vem de estudos de laboratório que descreveram efeito antiplaquetário, não de ensaios clínicos que tenham medido sangramento em pessoas. A precaução, ainda assim, se justifica: quem usa anticoagulantes ou antiagregantes deve conversar com o médico antes de consumir a planta com regularidade. A mesma cautela vale para medicamentos de diabetes, de pressão arterial e imunossupressores.
Pelo mesmo motivo, o uso deve ser suspenso com antecedência antes de qualquer procedimento cirúrgico e informado ao médico ou farmacêutico.
Curiosidades e Fatos Históricos da Madressilva

- As flores da madressilva mudam de cor ao longo do tempo, começando brancas e tornando-se amarelas, o que deu origem ao nome em inglês golden-and-silver honeysuckle.
- Em algumas culturas, a planta é vista como símbolo de amor e devoção, e suas flores são usadas em arranjos florais e perfumes pelo aroma doce e agradável.
- Apesar de sua importância medicinal, a madressilva é considerada invasora em várias partes do mundo. O serviço de extensão da Universidade Estadual da Carolina do Norte a classifica como altamente invasora, por deslocar plantas nativas na disputa por água, espaço, luz e nutrientes.
- Na medicina tradicional chinesa, a planta é um dos ingredientes mais importantes em fórmulas para resfriados e gripes, geralmente combinada com outras ervas.
Perguntas Frequentes sobre Madressilva
A Madressilva É Segura para Todos?
Não. Gestantes, lactantes, crianças pequenas e pessoas com alergia a plantas da família Caprifoliaceae devem evitar o consumo. Quem tem alguma condição médica preexistente ou usa medicamentos deve consultar um profissional de saúde antes de usar, para evitar possíveis interações ou efeitos adversos.
Quais São os Principais Benefícios da Madressilva?
Os principais benefícios tradicionalmente atribuídos à madressilva incluem suporte em quadros inflamatórios, infecções e resfriados, além de propriedades antioxidantes que ajudam a proteger o corpo contra danos celulares. Na medicina tradicional chinesa, a planta é valorizada por sua capacidade de limpar o calor e eliminar toxinas do organismo.
Como Saber Se a Madressilva Comprada É a Espécie Certa?
Procure o nome científico no rótulo. Várias espécies do gênero Lonicera circulam com o mesmo nome popular, e a farmacopeia chinesa reconhece como material oficial apenas os botões florais de Lonicera japonica.
Como Devo Armazenar a Madressilva para Uso Medicinal?
As flores e folhas secas devem ser guardadas em um recipiente hermético, em local fresco, seco e protegido da luz. Isso ajuda a preservar os princípios ativos da planta e prolongar sua validade.
Madressilva Cura Câncer?
Não. Há pesquisas em laboratório sobre atividade antioxidante em células cancerosas, mas isso está longe de significar tratamento. Qualquer suspeita ou diagnóstico de câncer exige acompanhamento médico especializado.
Madressilva Ajuda a Emagrecer?
Não há evidência clínica que sustente esse uso, e a planta não deve ser tratada como recurso para perda de peso.
Os Frutos da Madressilva Podem Ser Comidos?
Não. Os frutos da planta são tóxicos e não devem ser ingeridos. As saponinas são apontadas como princípio tóxico, e a ingestão de grandes quantidades pode provocar sintomas graves.
Madressilva Pode Ser Usada Antes de Cirurgia?
Não é recomendado. A planta pode afetar a coagulação sanguínea, por isso o uso deve ser suspenso com antecedência e informado ao médico antes de qualquer procedimento cirúrgico.
Todas as Espécies de Madressilva São Usadas da Mesma Forma?
Não. Algumas espécies, como Lonicera caprifolium e Lonicera periclymenum, devem ser usadas apenas externamente.
Madressilva Serve para Dor de Garganta?
Sim, há uso tradicional para alívio de dor de garganta, mas ela não substitui tratamento médico em quadros persistentes ou graves.
Madressilva Pode Ser Usada na Gravidez ou Amamentação?
Não é recomendado. Mulheres grávidas ou amamentando devem evitar o uso da madressilva e consultar um médico antes de qualquer utilização medicinal da planta.
Madressilva Interage com Algum Medicamento?
Sim. A madressilva pode interagir principalmente com anticoagulantes, além de possivelmente influenciar medicamentos para diabetes e pressão arterial. É importante informar o médico ou farmacêutico sobre o uso da planta.
Referências
Ver Todas as 15 Referências Citadas
Estudos Científicos Peer-Reviewed (11)
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- WebMD. Honeysuckle – Uses, Side Effects, and More.






