Plantas Medicinais

Pinheiro-Silvestre (Pinus sylvestris): Óleo Essencial e Usos Tradicionais

O pinheiro-silvestre (Pinus sylvestris) é usado tradicionalmente para aliviar a respiração e cuidar da pele, mas seu óleo essencial exige doses corretas e atenção a riscos reais de alergia que poucos textos mencionam.

Por Conselho Editorial19 Min de Leitura
Evidência Moderada18 Referências
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O Pinus sylvestris é uma árvore conífera perene que pode atingir até 40 metros de altura, com uma copa que se torna irregular e achatada com a idade. Sua característica mais marcante é a casca, que na parte superior do tronco e nos galhos mais grossos assume uma cor laranja-avermelhada vibrante, descamando em finas placas. As agulhas são curtas, de cor verde-azulada, agrupadas em pares. Os cones (pinhas) são pequenos e cônicos, de cor marrom-acinzentada. É uma árvore extremamente resistente, adaptada a uma vasta gama de climas e solos.
Pinus sylvestris (Pinheiro-Silvestre): ilustração botânica detalhada com características morfológicas da espécie, incluindo árvore, folhas, pinhas e sementes.

O pinheiro-silvestre, cientificamente Pinus sylvestris, é uma conífera nativa das regiões de clima frio da Europa e da Ásia, com a distribuição geográfica mais ampla entre todas as espécies de pinheiro do planeta. Ao longo dos séculos, suas acículas, seus brotos jovens, sua casca, seu pólen e o óleo essencial extraído de seus ramos deram origem a um repertório amplo de usos tradicionais, do chá respiratório às preparações tópicas em aromaterapia, sustentado por compostos como o alfa-pineno, os flavonoides e a vitamina C.

Esse repertório tradicional convive com limites de segurança reais que vale conhecer antes de usar a planta, especialmente no caso do óleo essencial, que concentra alérgenos reconhecidos e exige cuidado redobrado em quem tem asma, está grávida ou amamenta.

Sumário do Artigo
  1. Nomes Populares e Sinônimos Botânicos do Pinheiro-Silvestre
  2. Família Botânica do Pinheiro-Silvestre
  3. Partes Usadas do Pinheiro-Silvestre
  4. Usos Etnobotânicos e Tradicionais do Pinheiro-Silvestre
  5. Propriedades Tradicionalmente Atribuídas ao Pinheiro-Silvestre
  6. Perfil Fitoquímico do Pinheiro-Silvestre
  7. Formas de Preparo do Pinheiro-Silvestre
  8. Sinergia com Outras Plantas Medicinais
  9. Como Preparar o Chá de Acícula de Pinheiro-Silvestre
  10. Como Fazer Inalação de Óleo Essencial de Pinheiro-Silvestre
  11. Terapias Associadas ao Pinheiro-Silvestre
  12. Uso Respiratório Tradicional do Pinheiro-Silvestre
  13. Uso Tópico e o Risco de Sensibilização da Pele
  14. Potencial Antioxidante e Ação na Pele
  15. Fortalecimento do Sistema Imunológico
  16. Contraindicações e Efeitos Colaterais do Pinheiro-Silvestre
  17. Curiosidades e Fatos Históricos sobre o Pinheiro-Silvestre
  18. Perguntas Frequentes sobre o Pinheiro-Silvestre

Nomes Populares e Sinônimos Botânicos do Pinheiro-Silvestre

Na literatura de fitoterapia e nos mercados internacionais, o pinheiro-silvestre aparece sob diversos nomes populares, o que pode gerar confusão na hora de identificar corretamente o produto ou a planta.

  • Alemão: Waldkiefer, Föhre, Gemeine Kiefer.
  • Espanhol: pino silvestre, pino de Valsaín, pino albar.
  • Francês: pin sylvestre, pin d’Écosse.
  • Inglês: Scots pine, Scotch pine, European red pine.
  • Italiano: pino silvestre, pino di Scozia.
  • Português: pinheiro-silvestre, pinheiro-de-casquinha, pinheiro-de-riga, pinheiro-escocês, pinheiro-da-flandres, pinho-nórdico.

O nome científico aceito para a espécie é Pinus sylvestris L., descrito por Lineu em 1753, sem sinônimos botânicos relevantes em uso corrente.

Família Botânica do Pinheiro-Silvestre

O pinheiro-silvestre pertence à família Pinaceae, um dos grupos mais antigos e difundidos entre as plantas vasculares, caracterizado por árvores e arbustos com folhas em forma de acícula e cones lenhosos. A família reúne coníferas de grande importância ecológica e econômica, adaptadas a uma ampla variedade de climas e solos.

Poucas espécies de pinheiro ocupam uma faixa geográfica tão extensa quanto o pinheiro-silvestre, que cresce do Círculo Polar Ártico ao norte da Espanha e da Turquia, sempre como espécie pioneira de solos arenosos e perturbados.

Casca laranja-avermelhada característica do pinheiro-silvestre (Pinus sylvestris)

Uma das formas mais confiáveis de reconhecer a espécie em campo é a casca da parte superior do tronco, de tom alaranjado a avermelhado, que se destaca da casca mais escura e sulcada da base.

Na Europa, o pinheiro-silvestre costuma ser confundido com outras espécies de Pinus de uso semelhante. O pinheiro-bravo (Pinus pinaster) tem acículas bem mais longas e é a fonte da casca usada na produção do extrato comercial conhecido como pycnogenol, enquanto o pinheiro-negro (Pinus nigra) tem acículas mais escuras e rígidas e cones maiores. As três espécies compartilham um perfil fitoquímico semelhante, dominado por ácidos resínicos e óleos ricos em pineno, mas os estudos de segurança e eficácia não costumam ser intercambiáveis entre espécies diferentes do gênero.

Partes Usadas do Pinheiro-Silvestre

  • Acículas (folhas).
  • Brotos jovens.
  • Casca.
  • Óleo essencial.
  • Pólen.

Usos Etnobotânicos e Tradicionais do Pinheiro-Silvestre

O uso do pinheiro-silvestre atravessa culturas e continentes. Povos indígenas da América do Norte preparavam chá de acículas, rico em vitamina C, para prevenir e lidar com o escorbuto durante os invernos rigorosos, além de aplicar as acículas em cataplasmas para dores reumáticas, feridas e infecções de pele.

Na China e na Coreia, as acículas de pinheiro são um pilar da medicina tradicional há séculos, associadas à longevidade e usadas tradicionalmente para apoiar a circulação e o sistema respiratório, além de compor vinhos e vinagres fermentados.

Na Europa, gregos e romanos já usavam as acículas e a resina do pinheiro para aliviar resfriados e tosses, conhecimento preservado nos mosteiros medievais. Em diversas culturas, o pinheiro era símbolo de força e renovação.

Além do uso respiratório, o óleo essencial e o pólen do pinheiro-silvestre têm emprego tradicional no alívio de dores musculares e reumáticas, e a resina e a madeira sempre tiveram papel relevante na cultura material das regiões onde a árvore ocorre.

Propriedades Tradicionalmente Atribuídas ao Pinheiro-Silvestre

A tradição fitoterápica atribui ao pinheiro-silvestre um conjunto de propriedades, sempre no sentido de uso tradicional e não de comprovação clínica definitiva:

  • Antibacteriana (estudada por sua possível ação sobre o crescimento de bactérias).
  • Antifúngica (avaliada frente a fungos e leveduras em estudos laboratoriais).
  • Anti-inflamatória (associada tradicionalmente ao alívio de desconforto articular e muscular).
  • Antioxidante (atribuída aos compostos fenólicos e à vitamina C das acículas).
  • Broncodilatadora (atribuída ao alfa-pineno, componente do óleo essencial).
  • Expectorante (uso tradicional para facilitar a eliminação de secreções).
  • Imunoestimulante (associada ao conteúdo de vitaminas A e C das acículas).

Perfil Fitoquímico do Pinheiro-Silvestre

A composição fitoquímica das acículas de pinheiro-silvestre é complexa e é a principal responsável por suas múltiplas propriedades tradicionais. Um dos componentes mais estudados é a vitamina C, presente em concentrações elevadas que superam, em muitos casos, a quantidade encontrada em laranjas e limões, conferindo às acículas um efeito antioxidante relevante e um papel no suporte ao sistema imunológico. As acículas também são fonte de vitamina A, importante para a saúde da função imune, da pele e da visão.

Outro grupo de compostos de destaque são os monoterpenos, como o alfa-pineno, o beta-pineno, o careno, o canfeno e o limoneno, responsáveis pelo aroma característico das florestas de pinheiro e por parte importante das ações atribuídas à espécie. O alfa-pineno é associado a propriedades anti-inflamatórias, antimicrobianas e broncodilatadoras, enquanto o limoneno tem efeitos ansiolíticos e gastroprotetores descritos na literatura.

As acículas também contêm compostos fenólicos, incluindo flavonoides como as proantocianidinas (taninos condensados), antioxidantes associados a benefícios cardiovasculares como a melhoria da circulação e a redução da fragilidade capilar. Ácidos fenólicos como o ácido cafeico e o ácido gálico complementam essa ação anti-inflamatória e antioxidante. A extração desses compostos é favorecida em preparações aquosas quentes, como o chá, o que explica a popularidade dessa forma de consumo.

O pólen do pinheiro-silvestre é usado tradicionalmente em produtos cosméticos, como cremes e óleos de banho, e vem sendo estudado por seu potencial antioxidante, embora a pesquisa disponível ainda seja limitada.

Formas de Preparo do Pinheiro-Silvestre

O pinheiro-silvestre é tradicionalmente preparado de diferentes formas, cada uma associada a um uso específico:

  • Chá (infusão): preparado com acículas frescas ou brotos jovens, é a forma mais simples de uso interno.
  • Óleo essencial: extraído das acículas e dos brotos jovens por destilação a vapor, usado por inalação e, com cautela, em diluição tópica.
  • Produtos de pólen: pomadas, cremes e óleos de banho de uso cosmético.
  • Tinturas e extratos: preparações concentradas usadas para padronizar a dose dos princípios ativos da planta.

Sinergia com Outras Plantas Medicinais

O pinheiro-silvestre pode ser combinado com outras plantas para complementar seus usos tradicionais, sempre com orientação de um profissional de saúde para garantir segurança e adequação da combinação ao caso individual. Para uso respiratório, a combinação com eucalipto (Eucalyptus globulus) ou tomilho (Thymus vulgaris) é tradicionalmente associada a um efeito expectorante e calmante mais completo. Para dores musculares, a sinergia com arnica (Arnica montana) ou gaultéria (Gaultheria procumbens) é tradicionalmente descrita como complementar ao efeito do óleo de pinheiro.

Como Preparar o Chá de Acícula de Pinheiro-Silvestre

  1. Pique cerca de uma colher de sopa de acículas frescas de pinheiro-silvestre, colhidas em área limpa e não poluída.
  2. Coloque as acículas picadas em uma xícara.
  3. Aqueça a água até ficar bem quente, mas sem ferver, para preservar melhor a vitamina C.
  4. Despeje a água sobre as acículas e deixe em infusão por 10 a 15 minutos, com a xícara tampada.
  5. Coe e beba em seguida, adoçando com mel se desejar.

Como Fazer Inalação de Óleo Essencial de Pinheiro-Silvestre

  1. Ferva 1 litro de água e transfira para uma tigela ou recipiente largo.
  2. Adicione de 2 a 3 gotas de óleo essencial de pinheiro-silvestre à água quente.
  3. Incline o rosto sobre o recipiente, a uma distância segura do vapor, e cubra a cabeça com uma toalha para concentrar os vapores.
  4. Inspire os vapores por cerca de 10 minutos, com os olhos fechados.
  5. Interrompa a inalação em caso de irritação nas vias respiratórias ou desconforto.

Terapias Associadas ao Pinheiro-Silvestre

Aromaterapia

Na aromaterapia, o óleo essencial de pinheiro-silvestre é valorizado por seu aroma fresco e amadeirado, usado em difusores para promover sensação de clareza mental e bem-estar emocional. A aplicação tópica, sempre bem diluída em óleo vegetal carreador, também é usada tradicionalmente em massagens, respeitando os limites de segurança descritos na seção sobre risco de sensibilização da pele.

Fitoterapia

A fitoterapia emprega o pinheiro-silvestre principalmente para condições respiratórias. As acículas e os brotos jovens são usados em infusões tradicionalmente associadas ao alívio de tosse, bronquite e sinusite, enquanto a casca é utilizada em extratos por seu potencial anti-inflamatório e antioxidante.

Uso Respiratório Tradicional do Pinheiro-Silvestre

O óleo essencial extraído das acículas e brotos jovens é rico em alfa-pineno, componente ao qual se atribui efeito broncodilatador, o que sustenta o uso tradicional do pinheiro-silvestre como descongestionante em quadros respiratórios. Historicamente, o óleo era associado a propriedades antibacterianas, anti-inflamatórias, expectorantes e analgésicas, usado por inalação em banhos de vapor ou difusores para aliviar sintomas de resfriado e congestão. Em quem já tem doença respiratória de base, como asma, a inalação do óleo pode intensificar certos parâmetros inflamatórios, o que pede cautela redobrada nesses casos específicos.

Além do óleo essencial inalado, o chá preparado com as acículas frescas é outra forma tradicional de uso respiratório, funcionando como expectorante e ajudando a soltar secreções acumuladas nas vias aéreas e a aliviar a tosse produtiva associada a bronquites, gripes e resfriados. A ação anti-inflamatória atribuída ao alfa-pineno também é tradicionalmente associada ao alívio de quadros como faringite, laringite e sinusite, em que a inflamação da mucosa causa dor e dificuldade para respirar ou engolir.

Compostos antimicrobianos do óleo essencial também têm atividade descrita em estudos laboratoriais contra bactérias e vírus associados a infecções respiratórias, o que sustenta o uso preventivo tradicional do chá ou da difusão do óleo em ambientes fechados durante os meses mais frios.

Uso Tópico e o Risco de Sensibilização da Pele

Na pele, compostos do óleo essencial de pinheiro-silvestre têm efeito calmante sobre irritação e coceira em preparações bem formuladas, mas existe um risco real e bem documentado de sensibilização cutânea. Alfa-pineno, beta-pineno e limoneno, três dos principais componentes do óleo, são alérgenos reconhecidos, e esse risco cresce conforme o óleo envelhece e se oxida em contato com o ar. Por essa razão, associações internacionais de segurança em fragrâncias restringem a concentração de óleo de pinheiro-silvestre em produtos de uso prolongado na pele e exigem que a presença desses alérgenos seja informada no rótulo acima de determinados limites. Um óleo essencial guardado por muito tempo ou exposto à luz e ao ar tem, portanto, mais chance de causar reação alérgica do que um frasco recém-aberto e bem armazenado.

O óleo essencial também não deve ser aplicado próximo aos olhos, pelo risco de irritação ocular, e seu uso tópico não é recomendado no rosto de bebês e crianças menores de 2 anos, pelo risco de espasmos e desconforto respiratório.

Potencial Antioxidante e Ação na Pele

A concentração de compostos fenólicos, flavonoides e vitamina C nas acículas forma uma defesa antioxidante importante contra os radicais livres, moléculas instáveis geradas por processos metabólicos e por fatores externos como poluição e radiação ultravioleta, que causam estresse oxidativo e podem danificar células, DNA e proteínas.

Na pele, a vitamina C tem papel na síntese de colágeno, proteína que confere firmeza e estrutura à derme, e as proantocianidinas fortalecem os capilares e favorecem a microcirculação cutânea. Por isso o chá de acículas e extratos tópicos bem formulados são tradicionalmente associados a uma pele com aspecto mais nutrido e saudável, embora, como visto na seção anterior, o óleo essencial puro exija cautela pelo risco de sensibilização.

Em nível sistêmico, estudos preliminares sugerem que os compostos antioxidantes das acículas de pinheiro podem contribuir para reduzir a inflamação crônica e ter efeito neuroprotetor, dois fatores associados ao declínio cognitivo relacionado à idade.

Fortalecimento do Sistema Imunológico

A vitamina C presente nas acículas é fundamental para a produção e a função de células imunes, incluindo os leucócitos, linha de frente da defesa do corpo contra patógenos, e para a atividade dos fagócitos, células que englobam e neutralizam bactérias e vírus invasores.

A vitamina A, também presente nas acículas, contribui para a manutenção das barreiras mucosas do trato gastrointestinal e respiratório, a primeira linha de defesa física contra a entrada de microrganismos. A combinação das vitaminas A e C é tradicionalmente associada a um efeito protetor em múltiplos níveis do sistema imunológico.

Compostos com atividade antimicrobiana descrita em estudos laboratoriais, como o alfa-pineno e o beta-pineno, somam uma camada adicional de suporte, o que reforça o uso tradicional das acículas, seja como chá, extrato ou óleo essencial, como estratégia de apoio à função imune.

Contraindicações e Efeitos Colaterais do Pinheiro-Silvestre

A precaução mais importante no uso de acículas de pinheiro é a identificação correta da espécie antes de qualquer consumo interno. Coníferas como o cipreste (Cupressus spp.), o pinheiro-de-norfolk (Araucaria heterophylla) e o teixo (Taxus spp.) se assemelham a pinheiros mas são tóxicas, e sua ingestão pode causar distúrbios gastrointestinais, problemas neurológicos e, em casos extremos, ser fatal. Na dúvida sobre a identificação da árvore, o consumo não deve ocorrer; guias de campo confiáveis ou a consulta a um botânico são recomendados.

Grávidas e lactantes devem evitar o consumo de chá ou extratos de acículas de pinheiro. Algumas espécies do gênero, como o pinheiro-ponderosa (Pinus ponderosa), contêm ácido isocupréssico, substância associada a abortos em gado; a pesquisa em humanos ainda é limitada, mas a prudência recomenda evitar o consumo na gravidez e na amamentação.

O óleo essencial exige cautela redobrada em pessoas com asma brônquica e não deve ser usado sem orientação profissional nesses casos, já que a inalação pode, em alguns quadros, intensificar parâmetros inflamatórios e desencadear desconforto respiratório em vez de aliviá-lo.

Produtos à base de pólen de pinheiro podem causar reações alérgicas, como irritação na pele, espirros e coceira, especialmente em quem já tem alergia conhecida ao pólen de coníferas. O óleo essencial não deve ser aplicado próximo aos olhos, e seu uso tópico não é recomendado no rosto de bebês e crianças menores de 2 anos.

A origem das acículas também importa: árvores próximas a áreas industriais, campos agrícolas pulverizados com agrotóxicos ou estradas movimentadas podem acumular poluentes, tornando as acículas impróprias para consumo. O ideal é colher de árvores em áreas limpas, sem uso de produtos químicos. Consulte sempre um profissional de saúde ou um fitoterapeuta antes de iniciar qualquer uso terapêutico do pinheiro-silvestre, especialmente em combinação com outras plantas ou medicamentos.

Curiosidades e Fatos Históricos sobre o Pinheiro-Silvestre

O pinheiro-silvestre é a única espécie de pinheiro nativa do norte da Europa, com distribuição que vai da Europa Ocidental à Sibéria Oriental, a mais ampla entre todas as coníferas do planeta. Durante séculos, suas florestas forneceram a madeira usada em mastros de navios das potências marítimas europeias, e a resina, conhecida como terebintina, foi por muito tempo um produto estratégico de valor comercial elevado.

Na Escócia, os remanescentes da floresta caledônia, relicto pós-glacial de importância ecológica excepcional, abrigam espécies raras como o esquilo-vermelho e o tetraz-silvestre, e hoje são alvo de programas de restauração. Ali, o pinheiro-silvestre é considerado um símbolo nacional, representando as antigas florestas que cobriam grande parte do país.

Em diversas culturas europeias, o costume de decorar as casas com ramos de pinheiro no solstício de inverno é precursor direto da moderna árvore de Natal, e a resina do pinheiro é usada desde a Antiguidade para fins medicinais e como selante.

Perguntas Frequentes sobre o Pinheiro-Silvestre

Para Que Servem as Acículas e o Óleo Essencial de Pinheiro-Silvestre?

Tradicionalmente, as acículas em chá e o óleo essencial por inalação ajudam a aliviar a congestão respiratória, graças ao efeito broncodilatador atribuído ao alfa-pineno, além do uso tópico calmante do óleo bem formulado para irritação e coceira na pele. As acículas frescas também são fonte de vitamina C e de compostos antioxidantes que sustentam o uso tradicional de apoio à imunidade.

Como Preparar o Chá de Acícula de Pinheiro-Silvestre?

Pique cerca de uma colher de sopa de acículas frescas e coloque em uma xícara. Despeje água bem quente, mas não fervente, para preservar a vitamina C, e deixe em infusão por 10 a 15 minutos. Coe e beba, adoçando com mel se desejar. Use apenas acículas de espécies comestíveis, como o próprio pinheiro-silvestre, colhidas em áreas limpas e não poluídas.

Posso Usar o Óleo Essencial de Pinheiro-Silvestre Internamente?

Não. Óleos essenciais são extremamente concentrados e não devem ser ingeridos, exceto sob orientação estrita de um profissional qualificado em aromaterapia clínica. Para uso interno, a forma tradicional mais segura é o chá preparado por infusão das acículas.

O Óleo de Pinheiro-Silvestre Pode Causar Alergia na Pele?

Sim. Alfa-pineno, beta-pineno e limoneno, presentes no óleo, são alérgenos reconhecidos, e o risco de sensibilização cutânea aumenta conforme o óleo envelhece e se oxida em contato com o ar.

Quem Tem Asma Pode Usar Óleo Essencial de Pinheiro-Silvestre por Inalação?

Apenas com cautela e, de preferência, orientação profissional. Estudos mostram que a inalação pode aliviar a função respiratória em alguns casos, mas também intensificar parâmetros inflamatórios em quem já tem doença respiratória de base, o que exige atenção redobrada.

Grávidas ou Lactantes Podem Consumir Acícula ou Óleo de Pinheiro-Silvestre?

A recomendação geral é evitar. Algumas espécies do gênero, como o pinheiro-ponderosa, contêm substâncias associadas a abortos em animais, e a pesquisa em humanos ainda é limitada. Por precaução, o consumo de chá, extrato ou óleo essencial deve ser evitado na gravidez e na amamentação.

Como Diferenciar o Pinheiro-Silvestre de Coníferas Tóxicas Como o Teixo?

Pinheiros como o silvestre têm acículas agrupadas em feixes e produzem pinhas de madeira. O teixo (Taxus), por outro lado, tem acículas achatadas e individuais que crescem direto do galho e produz pequenos frutos vermelhos e carnudos em forma de copo, em vez de pinhas. A ausência de pinhas é um sinal de alerta importante.

Qual a Diferença entre Pinheiro-Silvestre e Pinheiro-Bravo?

O pinheiro-bravo (Pinus pinaster) tem acículas bem mais longas e é a fonte da casca usada no extrato comercial pycnogenol, enquanto o pinheiro-silvestre tem acículas mais curtas e é reconhecido pela casca bicolor, alaranjada na parte superior do tronco.

O Óleo de Pinheiro-Silvestre Ajuda em Dores Musculares e Articulares?

O óleo essencial de pinheiro-silvestre é tradicionalmente associado ao alívio de desconforto muscular e articular, usado diluído em massagens ou em combinação com plantas como arnica e gaultéria. A pesquisa disponível sobre esse uso específico ainda é limitada, e o uso tópico deve respeitar sempre a diluição adequada e os cuidados descritos na seção sobre risco de sensibilização da pele.

Como Reduzir o Risco de Reação Alérgica ao Óleo de Pinheiro-Silvestre?

Usar o óleo dentro do prazo de validade, guardá-lo bem fechado, ao abrigo de luz e calor, e evitar frascos antigos ou já abertos há muito tempo, já que a oxidação progressiva do óleo é o principal fator que aumenta seu potencial alergênico.

Referências

18 Referências Citadas

Nível de Evidência: 🥈 Moderado

Baseado em 18 Referências Citadas (5 Peer-Reviewed, 3 Institucionais, 10 Complementares).

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Estudos Científicos Peer-Reviewed (5)

  1. PMC2009 Lee KH, Cho EM. Effect of pine pollen extract on experimental chronic arthritis. Phytother Res. 23(5):651-657, 2009.
  2. PMC2004 Motiejūnaitė O, Pečiulytė D. Fungicidal properties of Pinus sylvestris L. for improvement of air quality. Medicina (Kaunas). 40(8):787-794, 2004.
  3. PEER2018 Scalas D et al. Use of Pinus sylvestris L. (Pinaceae), Origanum vulgare L. (Lamiaceae), and Thymus vulgaris L. (Lamiaceae) essential oils and their main components to enhance itraconazole activity against azole susceptible/not-susceptible Cryptococcus neoformans strains. BMC Complementary and Alternative Medicine. 18(143):1-13, 2018.
  4. PEER Chemical composition and antioxidant activity of essential oil from needles of Pinus ponderosa
  5. PEER A Review of the Bioactivity and Potential Health Benefits of Pine Bark Extract

Fontes Institucionais (3)

  1. GOV Antioxidant and Antimicrobial Activities of Pine Needle (Pinus densiflora) Extract
  2. GOV Essential Oils of Pinus species: Chemistry, Antimicrobial and Antioxidant activities
  3. GOV The effect of pine needle extract on inflammatory markers in subjects with metabolic syndrome

Leituras Complementares (10)

  1. 2017 Farjon A. A Handbook of the World’s Conifers. Brill, Leiden, 2017.
  2. Linnaeus C. Species Plantarum. Stockholm, 1753.
  3. 1967 Mirov NT. The Genus Pinus. Ronald Press, New York, 1967.
  4. 1959 Steven HM, Carlisle A. The Native Pinewoods of Scotland. Oliver and Boyd, Edinburgh, 1959.
  5. Phytopharmaceutical Cooperation. Pine.
  6. A Review on the Phytochemistry and Pharmacological Effects of Pine Needles
  7. Pine Needles: A Potential Source of Bioactive Compounds: A Review
  8. Therapeutic Potential of Pine-Derived Phytochemicals
  9. Vitamin C in Pine Needles
  10. Evaluation of the anti-inflammatory and antinociceptive activities of the hydroalcoholic extract from Pinus pinaster bark

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