A cereja-negra (Prunus serotina) é uma árvore nativa do leste da América do Norte, pertencente à família Rosaceae, a mesma das rosas e de outras frutas do gênero Prunus. Também é conhecida como cerejeira-brava, cerejeira-negra, cerejeira-preta ou cerejeira-selvagem, sendo chamada em inglês de black cherry ou wild black cherry. Não confunda a espécie com outras cerejeiras do mesmo gênero: a cereja doce comum (Prunus avium), a cereja azeda (Prunus cerasus), a Prunus virginiana, chamada de chokecherry nos Estados Unidos, e o louro-cerejo (Prunus laurocerasus), planta ornamental bem mais tóxica e sem qualquer uso alimentar. São espécies diferentes, com composição e riscos próprios, mesmo que o nome popular cerejeira sirva para todas elas.
Valorizada há séculos por povos indígenas da América do Norte, a planta tem uso tradicional que vai muito além do consumo da fruta: a casca e os frutos aparecem em diferentes preparações populares, da tosse à digestão, enquanto as folhas ficam fora de qualquer preparo caseiro pelo teor de compostos cianogênicos. Ao mesmo tempo, a cereja-negra contém glicosídeos cianogênicos, como a prunasina e a amigdalina, compostos que exigem atenção redobrada ao preparo e à dosagem. Este guia reúne a composição fitoquímica da planta, os usos tradicionais e estudados, o modo de preparo do chá e as contraindicações que precisam ser respeitadas.
Sumário do Artigo
- O Que É a Cereja-Negra (Prunus serotina)?
- Nomes Populares e Sinônimos Botânicos
- Composição Nutricional e Fitoquímica da Cereja-Negra
- Propriedades Medicinais da Cereja-Negra
- Benefícios Cardiovasculares e Controle da Pressão Arterial
- Propriedades Anti-Inflamatórias e Alívio da Dor
- Ação Antioxidante e Combate aos Radicais Livres
- Saúde Respiratória e Alívio da Tosse
- Benefícios para a Digestão e Saúde Gastrointestinal
- Uso Tradicional da Fruta de Cereja-Negra
- Como Preparar o Chá de Cereja-Negra
- Outras Formas de Preparo: Tintura, Extrato e Xarope
- Uso na Culinária e Formas de Consumo
- Sinergia com Outras Plantas Medicinais
- Terapias Associadas: Fitoterapia e Homeopatia
- Contraindicações e Efeitos Colaterais da Cereja-Negra
- História e Curiosidades da Cerejeira-Negra
- Perguntas Frequentes sobre Cereja-Negra
O Que É a Cereja-Negra (Prunus serotina)?
A cerejeira-negra é uma árvore de folha caduca que pode atingir entre 15 e 25 metros de altura na fase adulta. Na juventude, o tronco tem casca lisa; com o passar dos anos, ela se torna rachada, em tons de cinza-escuro a preto. As folhas são pequenas, de formato ovalado a lanceolado, com margens finamente serrilhadas e um brilho característico na face superior; permanecem verdes na maior parte do ano e assumem tons de amarelo e vermelho no outono.
As flores são brancas, pequenas, reunidas em cachos alongados que surgem na primavera, após as folhas.

As flores são hermafroditas e polinizadas por insetos, dando origem a frutos do tipo drupa, que amadurecem no final do verão, passando do vermelho ao preto. Cada fruto contém uma única semente dura, que nunca deve ser consumida.
Para os povos indígenas do leste da América do Norte, a árvore era um recurso versátil: a casca seca era remédio popular para tosses e resfriados, os frutos eram consumidos frescos, secos ou em geleias, e a madeira, avermelhada e durável, era usada na fabricação de móveis e utensílios.
Nomes Populares e Sinônimos Botânicos
A cereja-negra é conhecida por diferentes nomes ao redor do mundo:
- Alemão: Amerikanische Traubenkirsche, Spätblühende Traubenkirsche.
- Espanhol: capulín, cerezo negro, cerezo silvestre.
- Francês: cerisier d’automne, cerisier noir.
- Inglês: black cherry, mountain black cherry, rum cherry, wild black cherry.
- Italiano: ciliegio nero americano, ciliegio tardivo.
- Português: cerejeira-brava, cerejeira-negra, cerejeira-preta, cerejeira-selvagem.
O nome popular em inglês rum cherry vem do uso tradicional do suco da fruta como mistura em bebidas à base de rum, nos Estados Unidos.
Na botânica, a espécie já foi classificada sob outros nomes, hoje considerados sinônimos de Prunus serotina: Cerasus serotina (Ehrh.) Poit. & Turpin e Padus serotina (Ehrh.) Borkh.
Composição Nutricional e Fitoquímica da Cereja-Negra
A fruta da cereja-negra é rica em carboidratos e proteínas, superando outras frutas do gênero Prunus, como a ameixa, nesses nutrientes. É também boa fonte de minerais importantes para a saúde óssea e a função neuromuscular, como cálcio, fósforo, magnésio e potássio, este último associado à regulação da pressão arterial. Soma-se a isso um teor relevante de fibra alimentar.
O perfil fitoquímico da planta é amplo. Os frutos concentram compostos fenólicos, com destaque para as antocianinas, como a cianidina-3-O-rutinosídeo, responsáveis pela cor escura característica e por parte da atividade antioxidante da fruta. Outros fenólicos presentes incluem o ácido clorogênico, glicosídeos de quercetina, taninos e cumarinas.
A planta também contém glicosídeos cianogênicos, principalmente a prunasina e a amigdalina, mais concentrados nas sementes e nas folhas murchas. A amigdalina é a mesma substância vendida como vitamina B17, suplemento sem eficácia comprovada contra o câncer e com casos documentados de intoxicação por cianeto. Em pequenas quantidades controladas, esses compostos têm uso tradicional, como o efeito relaxante da prunasina sobre o reflexo da tosse; em doses elevadas, porém, liberam ácido cianídrico (cianeto de hidrogênio) no organismo e podem ser tóxicos, o que exige cautela no preparo e no consumo de qualquer parte da planta.
Propriedades Medicinais da Cereja-Negra
- Adstringente: tradicionalmente associada à contração de tecidos e mucosas.
- Antiespasmódica: uso tradicional no alívio de espasmos musculares.
- Antioxidante: ajuda a neutralizar radicais livres.
- Expectorante: uso tradicional para favorecer a eliminação do muco das vias respiratórias.
- Sedativa: tradicionalmente associada a calma e relaxamento.
- Tônica: tradicionalmente associada ao fortalecimento do organismo.
Benefícios Cardiovasculares e Controle da Pressão Arterial
Parte do interesse científico recente pela cereja-negra vem de seus possíveis efeitos sobre o sistema cardiovascular. Em estudos de laboratório, extratos da fruta mostraram capacidade de relaxar vasos sanguíneos, efeito que pode favorecer o fluxo sanguíneo e reduzir a resistência arterial.
Em modelos animais, ratos com hipertensão induzida que receberam extrato aquoso de cereja-negra apresentaram redução da pressão sistólica após algumas semanas de administração, resultado atribuído aos polifenóis da fruta, como a quercetina e as antocianinas, que parecem melhorar a função do endotélio, o revestimento interno dos vasos sanguíneos. São achados pré-clínicos, promissores, mas que não substituem o acompanhamento médico da hipertensão nem autorizam o uso da planta como tratamento da condição.
De forma mais geral, dietas ricas em polifenóis estão associadas a menor risco cardiovascular, e a cereja-negra se encaixa nesse perfil pela capacidade antioxidante medida em laboratório, mecanismo estudado como forma de reduzir o estresse oxidativo sobre as artérias, fator relevante no desenvolvimento da aterosclerose.
Propriedades Anti-Inflamatórias e Alívio da Dor
A cereja-negra tem uso tradicional associado ao alívio de dores articulares, quadros que costumam envolver processos inflamatórios crônicos. Estudos de laboratório sugerem que compostos bioativos da fruta, sobretudo as antocianinas, podem ajudar a modular a resposta inflamatória.
A associação entre cereja e ácido úrico pede uma ressalva: a menor frequência de crises de gota foi observada com a cereja azeda (Prunus cerasus), e não com a Prunus serotina, que não tem pesquisa equivalente sobre esse efeito. De qualquer forma, gota e artrite exigem diagnóstico e acompanhamento médico.
Como a inflamação crônica de baixo grau também está ligada a outras condições, como doenças cardíacas e diabetes, o efeito anti-inflamatório estudado na planta desperta interesse que vai além do alívio articular, embora ainda dependa de mais pesquisa em humanos.
Ação Antioxidante e Combate aos Radicais Livres
A capacidade antioxidante é um dos aspectos mais estudados da cereja-negra. Testes de laboratório como DPPH e FRAP, usados para medir a neutralização de radicais livres, mostram valores elevados para a fruta, superiores aos de outras frutas conhecidas por seu teor antioxidante, como uvas e ameixas. A parte que concentra mais fenólicos é a casca do próprio fruto, e não a casca da árvore, o que explica a recomendação de comer a fruta com casca. O caroço, esse sim, precisa ser sempre retirado e descartado.
Antocianinas e flavonoides são os principais responsáveis por essa ação: eles doam elétrons aos radicais livres, ajudando a estabilizá-los e a proteger células, DNA e proteínas contra danos oxidativos. Esse tipo de proteção é estudado por seu possível papel na prevenção de doenças ligadas ao envelhecimento celular, mas não substitui hábitos de vida saudáveis nem acompanhamento médico.
Saúde Respiratória e Alívio da Tosse
O uso tradicional da casca de cereja-negra para problemas respiratórios é um dos mais antigos e documentados, sendo ingrediente clássico de xaropes e tônicos para tosse. A combinação de ação antitussígena, expectorante e sedativa ajuda a explicar esse uso, já que pode acalmar a tosse seca e, ao mesmo tempo, favorecer a eliminação do muco na tosse produtiva.
O principal composto associado a esse efeito é a prunasina, glicosídeo cianogênico com ação calmante sobre a tosse e capacidade de relaxar espasmos dos músculos brônquicos. Essa ação alivia o sintoma, mas não trata a infecção ou a causa subjacente da tosse; o alívio é sintomático, e o quadro de base ainda precisa ser investigado e tratado por um profissional.
Além da tosse, a casca também tem uso tradicional para dor de garganta, laringite e bronquite, graças à sua ação adstringente sobre as mucosas inflamadas, geralmente na forma de chás e decocções. O preparo, as doses da tradição e os limites de segurança dessa parte da planta estão detalhados no guia sobre a casca de cerejeira. Como o excesso de prunasina pode ser tóxico, a dosagem correta é indispensável, e a orientação de um profissional de saúde é sempre recomendada antes de iniciar o uso.
Benefícios para a Digestão e Saúde Gastrointestinal
A casca e os frutos da cereja-negra também têm uso tradicional voltado à saúde digestiva. A casca tem propriedades tônicas e adstringentes, tradicionalmente usadas para aliviar dores de estômago, indigestão e quadros leves de diarreia, por sua ação de tonificar os tecidos do trato digestivo.
Os frutos, por sua vez, são boa fonte de fibras, que favorecem a regularidade intestinal, ajudam a prevenir a constipação e servem de alimento para bactérias benéficas da microbiota intestinal, com possível reflexo na digestão e na imunidade.
As propriedades anti-inflamatórias da planta também podem beneficiar o sistema digestivo, contribuindo para acalmar o trato gastrointestinal em quadros inflamatórios leves, embora condições como a síndrome do intestino irritável exijam diagnóstico e acompanhamento médico específicos.
Uso Tradicional da Fruta de Cereja-Negra

A fruta madura, diferentemente da casca e das sementes, tem emprego culinário tradicional e ação adstringente, registrada na tradição popular para quadros intestinais leves. Diarreia com sangue, febre ou desidratação é situação de atendimento médico, nunca de manejo caseiro.
Por seu alto teor de fibras, está associada ao controle do apetite e à sensação de saciedade prolongada, podendo ser uma opção de doce mais saudável dentro de uma dieta equilibrada, já que ajuda a reduzir a ingestão calórica quando substitui sobremesas mais açucaradas.
Como Preparar o Chá de Cereja-Negra

Ingredientes
- 1 colher de chá de casca seca de cereja-negra
- 200 ml de água filtrada
Modo de Preparo
- Coloque a água em um recipiente e leve ao fogo.
- Espere entrar em ebulição.
- Desligue o fogo.
- Acrescente a casca de cereja-negra.
- Tampe o recipiente e aguarde cerca de 15 minutos.
- Coe e beba a mistura.
A quantidade acima reproduz o registro do uso tradicional e não equivale a uma dose comprovadamente segura. Nunca use quantidades excessivas de cereja-negra: a casca contém prunasina e pode liberar compostos tóxicos quando usada incorretamente. Nenhum preparo caseiro elimina os compostos cianogênicos da casca, e esta infusão não é exceção, porque é a quantidade de casca que determina o risco, não o modo de preparo. Peça orientação médica antes de iniciar qualquer uso de Prunus serotina.
Outras Formas de Preparo: Tintura, Extrato e Xarope
Tintura da Casca
A tintura da casca é preparada por maceração da casca seca em álcool, geralmente na proporção de 1 para 5 (casca para álcool), por um período de 2 a 4 semanas. É usada em pequenas doses, sempre sob orientação profissional, devido à concentração de compostos ativos.
Extrato Fluido
O extrato fluido é uma forma concentrada dos constituintes da cereja-negra, obtida por processos específicos de extração. É usado em formulações fitoterápicas e deve ser administrado com precisão, seguindo as recomendações de um especialista.
Xarope Tradicional para a Tosse
Xaropes à base de casca de cereja-negra fazem parte do uso tradicional para tosse e irritação na garganta, geralmente combinados com mel. Pela concentração de compostos cianogênicos na casca, esse tipo de preparação deve ser feito ou indicado por um profissional qualificado, e não a partir de receitas caseiras sem orientação, para evitar o risco de dose excessiva.
Uso na Culinária e Formas de Consumo
Na culinária, tanto a cereja-negra quanto a cereja tradicional (Prunus avium) podem ser consumidas ao natural ou usadas em bolos, tortas, sucos, geleias, compotas, licores e vinhos. Na Europa, frutas fermentadas de espécies do gênero entram na produção de licores tradicionais, em processos industriais com controle de teor de cianeto que não têm equivalente caseiro; a madeira da árvore também é usada para defumar alimentos, conferindo sabor característico.
As sementes de cereja, de qualquer uma dessas espécies, concentram glicosídeos cianogênicos, que liberam ácido cianídrico quando a semente é mastigada ou triturada; por isso não devem ser consumidas em nenhuma circunstância, e é fundamental removê-las por completo ao preparar a fruta para receitas.
Sinergia com Outras Plantas Medicinais
A cereja-negra pode ser combinada com outras plantas para complementar seus efeitos tradicionais. Para suporte respiratório, é comum a associação com eucalipto ou tomilho; para relaxamento, passiflora ou valeriana aparecem nas mesmas combinações da tradição. Como o efeito sedativo das plantas se soma, nenhuma dessas associações deve ser feita por conta própria, sobretudo por quem já usa medicação sedativa ou xarope para tosse. Qualquer combinação de plantas medicinais deve ser avaliada previamente por um profissional de saúde, especialmente considerando a toxicidade potencial da cereja-negra em doses elevadas.
Terapias Associadas: Fitoterapia e Homeopatia
Fitoterapia
Na fitoterapia, a cereja-negra é empregada principalmente por suas propriedades expectorantes e sedativas, com a casca em preparações para tosse e bronquite e os frutos valorizados por seu teor de antioxidantes. Por causa dos glicosídeos cianogênicos presentes na planta, seu uso medicinal exige conhecimento aprofundado e produtos de procedência verificável.
Homeopatia
Na homeopatia, a Prunus serotina é usada em diluições específicas, associada a quadros de tosse espasmódica, irritação na garganta e desconfortos digestivos, segundo a lógica própria dessa abordagem terapêutica, que não deve substituir avaliação médica convencional quando há sinais de alerta.
Contraindicações e Efeitos Colaterais da Cereja-Negra
A casca, as folhas e, principalmente, os caroços da cereja-negra contêm glicosídeos cianogênicos, com destaque para a prunasina e a amigdalina. Esses compostos ficam inertes enquanto o tecido da planta está intacto. Quando a parte vegetal é mastigada, macerada, murcha ou digerida, uma enzima da própria planta entra em contato com o glicosídeo e libera ácido cianídrico. É o mesmo mecanismo que responde pelo efeito calmante sobre o reflexo da tosse e pelo risco de intoxicação: o que muda entre um e outro é a quantidade.
Por isso o risco não é igual em todas as partes da planta. Da mais perigosa para a mais segura:
- Caroço, a semente dura de dentro do fruto: nunca deve ser consumido, em nenhuma circunstância, nem inteiro, nem quebrado, nem moído.
- Folhas, sobretudo murchas ou danificadas: concentram teores altos de prunasina, que se tornam mais disponíveis conforme a folha murcha, e não servem para chá nem para nenhum preparo caseiro.
- Casca seca: é a parte de uso tradicional e ainda assim só em dose pequena, por período curto e com orientação profissional.
- Fruto maduro sem o caroço: é a parte considerada alimento, no consumo habitual de fruta.
Os sinais de intoxicação por cianeto costumam aparecer numa sequência que se agrava rápido: inquietação, dor de cabeça, náuseas e vômitos, tontura, fraqueza, falta de coordenação e dificuldade respiratória, podendo chegar a convulsões, coma e óbito. Diante de qualquer um desses sinais depois do uso da planta, interrompa o consumo e procure atendimento de emergência imediato.
Não existe quantidade caseira segura calculada para a casca. A EFSA, agência europeia de segurança dos alimentos, fixou em 2019 uma dose de referência aguda de 20 microgramas de cianeto por quilo de peso corporal, válida para qualquer alimento que contenha glicosídeos cianogênicos. Esse limite não se converte em gramas de casca, porque o teor de prunasina varia conforme a procedência, a idade e o processamento do material. O calor do preparo reduz apenas parte dos compostos cianogênicos, sem eliminá-los.
O uso tradicional da casca costuma trabalhar com dias, não com semanas, e nunca de forma contínua. Preparações caseiras sem controle de concentração são especialmente arriscadas justamente por essa variação de teor entre um lote e outro.
Quem pensa em colher a planta por conta própria precisa de outra camada de cuidado. Nunca use folhas frescas ou murchas, nunca aproveite galhos podados ou caídos e nunca guarde o caroço para nenhum preparo. Confirme a identificação botânica antes de tudo, porque cerejeira nomeia várias espécies diferentes, entre elas o louro-cerejo (Prunus laurocerasus), arbusto ornamental comum em jardins e bem mais tóxico que a Prunus serotina.
Gestantes não devem usar a casca nem outras partes medicinais da cerejeira-negra, pelo risco de comprometer o desenvolvimento fetal; não há estudos que confirmem a segurança do uso medicinal durante a amamentação, e lactantes devem evitar o uso sem orientação médica. O uso medicinal da casca também não é recomendado para crianças, mais sensíveis aos compostos cianogênicos; o consumo da fruta madura, sem as sementes, costuma ser considerado seguro, mas vale consultar um pediatra antes de introduzir qualquer novidade na alimentação infantil.
Pessoas com doenças hepáticas ou renais devem redobrar a cautela e buscar orientação médica antes de usar a planta. Há ainda potencial de interação medicamentosa: pelos possíveis efeitos sobre a pressão arterial, a cereja-negra pode interagir com anti-hipertensivos, e pelo efeito sedativo, pode potencializar sedativos e medicamentos para tosse. Quem usa medicamentos controlados deve informar o médico antes de consumir qualquer preparação à base de cereja-negra.
História e Curiosidades da Cerejeira-Negra
O nome do gênero, Prunus, é o termo latino para a ameixeira. A cerejeira-negra é nativa do leste da América do Norte e se comporta como espécie pioneira, entre as primeiras a colonizar áreas perturbadas, como campos abandonados e clareiras florestais; foi também introduzida como árvore ornamental na Europa, onde se tornou invasora em algumas regiões, afetando a biodiversidade local.
Suas flores fornecem néctar e pólen para abelhas, borboletas e outros polinizadores, e os frutos alimentam diversas espécies de aves e mamíferos, que ajudam a dispersar as sementes; a árvore também serve de hospedeira para larvas de várias espécies de lepidópteros, o que reforça seu papel ecológico dentro da floresta nativa. A madeira segue entre as mais valorizadas na marcenaria dos Estados Unidos, presente em móveis finos e armários.
Perguntas Frequentes sobre Cereja-Negra
Grávidas Podem Consumir Cereja-Negra?
Não. A casca e as demais partes medicinais da planta são contraindicadas na gravidez, pelo risco de comprometer o desenvolvimento fetal.
As Sementes de Cereja Podem Ser Comidas?
Não, em nenhuma circunstância. Elas concentram glicosídeos cianogênicos, que liberam ácido cianídrico ao serem mastigadas ou trituradas, e devem ser sempre removidas antes do preparo da fruta.
Qual a Diferença entre a Cereja-Negra e a Cereja Comum?
A cereja-negra (Prunus serotina) é uma espécie diferente da cereja doce comum (Prunus avium). Costuma ser menor e mais escura, com sabor que varia de doce a levemente adstringente, e a árvore se destaca também pelo uso tradicional da casca e pelo valor comercial da madeira.
A Cereja-Negra Pode Interagir com Medicamentos?
Sim. Pelos possíveis efeitos sobre a pressão arterial, pode interagir com anti-hipertensivos; pelo efeito sedativo, pode potencializar sedativos e remédios para tosse. Quem usa medicação controlada deve conversar com o médico antes de consumir a planta.
Cereja-Negra Serve para Tosse?
Há uso tradicional nesse sentido, atribuído à prunasina, associada a uma ação calmante sobre o reflexo da tosse. Esse efeito é sintomático e não atua sobre a infecção ou a causa por trás do sintoma.
Onde a Cerejeira-Negra É Encontrada?
É nativa do leste norte-americano, onde também se comporta como espécie pioneira em áreas de vegetação perturbada.
Lactantes Podem Usar Cereja-Negra?
Não há estudos que confirmem a segurança do uso medicinal da planta durante a amamentação; o uso deve ser evitado sem orientação médica.
Existe Limite de Quantidade para o Chá de Cereja-Negra?
Sim, e ele não está calculado para o preparo caseiro: o teor de prunasina da casca varia de lote para lote, e nenhuma medida de cozinha equivale a uma dose comprovadamente segura. O uso excessivo pode ser tóxico; a quantidade deve ser definida por um profissional.
A Cereja-Negra É Segura para Crianças?
O uso medicinal da casca não é recomendado para crianças, mais sensíveis aos compostos cianogênicos da planta. O consumo da fruta madura, sem as sementes, costuma ser considerado seguro, mas vale consultar um pediatra antes.
Como Armazenar os Frutos Secos da Cereja-Negra?
Em recipiente hermético, em local fresco, seco e ao abrigo da luz. Umidade e exposição direta à luz degradam os compostos ativos da fruta e reduzem sua durabilidade.
Referências
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Estudos Científicos Peer-Reviewed (4)
- PEER2021 Brozdowski, J.; Waliszewska, B.; Gacnik, S.; Hudina, M.; Veberic, R.; Mikulic-Petkovsek, M. Phenolic composition of leaf and flower extracts of black cherry (Prunus serotina Ehrh.). Annals of Forest Science, 2021;78:66.
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- PMC2013 Luna-Vázquez, F. J.; Ibarra-Alvarado, C.; Rojas-Molina, A. et al. Nutraceutical Value of Black Cherry Prunus serotina Ehrh. Fruits: Antioxidant and Antihypertensive Properties. Molecules, 2013;18(12):14597-14612.
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Fontes Institucionais (2)
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Leituras Complementares (3)
- 2021 Brozdowski, J.; Waliszewska, B.; Löffler, J.; Hudina, M.; Veberic, R.; Mikulic-Petkovsek, M. Composition of Phenolic Compounds, Cyanogenic Glycosides, Organic Acids and Sugars in Fruits of Black Cherry (Prunus serotina Ehrh.). Forests, 2021;12(6):762.
- 2011 Jiménez, M.; Castillo, I.; Azuara, E.; Beristain, C. I. Antioxidant and antimicrobial activity of capulin (Prunus serotina subsp capuli) extracts. Revista Mexicana de Ingeniería Química, 2011;10(1):29-37.
- 2026 Missouri Botanical Garden. Prunus serotina – Plant Finder. Acesso em: 10 set. 2026.






