Frutos Medicinais

Naranjilla: Guia Completo da Fruta Andina e Benefícios

A naranjilla é uma fruta andina rica em espermidina, potássio e antioxidantes. Conheça os benefícios comprovados, receitas tradicionais, cultivo no Brasil e as contraindicações.

Por Conselho Editorial22 Min de Leitura
Evidência Alta12 Referências
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Solanum quitoense - LULO; NARANJILLA
Naranjilla (Solanum quitoense) in natura: fruta andina de casca amarela e polpa verde característica, rica em vitamina C e antioxidantes

Poucas frutas tropicais reúnem tantas qualidades nutricionais e medicinais quanto a naranjilla. Conhecida cientificamente como Solanum quitoense, essa fruta andina permanece relativamente desconhecida fora da América do Sul, apesar de carregar um perfil bioquímico que desperta cada vez mais interesse na comunidade científica. Pertencente à família Solanaceae, a mesma do tomate e da batata, a espécie cresce naturalmente nas encostas montanhosas da Colômbia, do Equador e do Peru, onde os incas já a cultivavam séculos antes da colonização europeia, chamando-a de “lulum”. O seu sabor único, descrito como uma combinação entre abacaxi e lima, esconde compostos bioativos raros como as fenolâmidas derivadas de espermidina, que vão muito além do paladar e posicionam esta fruta como um alimento funcional de grande potencial.

Na Colômbia, a fruta é conhecida como lulo e faz parte da cultura gastronômica local há gerações. Nos países de língua espanhola, o nome naranjilla, que significa “pequena laranja”, faz referência ao formato arredondado e à coloração alaranjada da casca quando madura. Este guia completo apresenta as propriedades nutricionais e medicinais da naranjilla com base em estudos científicos recentes, abordando desde a composição de vitaminas e minerais até os compostos bioativos exclusivos da espécie, os modos de uso culinário, as condições ideais de cultivo e as contraindicações conhecidas.

Sumário do Artigo
  1. O Que É a Naranjilla e Qual a Sua Origem
  2. Composição Nutricional da Naranjilla
  3. Compostos Bioativos e Fitoquímicos da Naranjilla
  4. Propriedades Medicinais da Naranjilla
  5. Espermidina na Naranjilla e Seus Efeitos Anti-Idade
  6. Benefícios da Naranjilla para a Saúde Digestiva
  7. Naranjilla e a Saúde Cardiovascular
  8. Ação Antioxidante e Anti-Inflamatória da Naranjilla
  9. Modo de Uso da Naranjilla
  10. Cultivo da Naranjilla em Clima Tropical
  11. Naranjilla na Saúde Ocular
  12. Contraindicações e Efeitos Colaterais da Naranjilla
  13. Perguntas Frequentes sobre a Naranjilla

O Que É a Naranjilla e Qual a Sua Origem

A Solanum quitoense é uma planta perene tropical nativa do noroeste da América do Sul, cujo nome científico faz referência direta à cidade de Quito, capital do Equador, onde a espécie foi catalogada pela primeira vez. Pode atingir até 2,5 metros de altura, com folhas grandes de formato oval ou de coração, que chegam a 60 centímetros de comprimento e são cobertas por tricomas curtos de coloração roxa, conferindo à planta uma aparência aveludada e distinta. Uma característica exclusiva da naranjilla é o anel de polpa verde visível quando o fruto maduro é cortado transversalmente.

Classificação Botânica e Variedades da Solanum quitoense

Dentro do gênero Solanum, a naranjilla pertence ao subgênero Leptostemonum e à seção Lasiocarpa. Espécies próximas incluem a S. lasiocarpum e a S. sessiliflorum, com as quais pode ser hibridizada. Há pelo menos três variedades reconhecidas: uma com espinhos nos caules, outra sem espinhos e uma terceira chamada baquicha, que produz frutos avermelhados e folhas lisas.

Nomes Populares da Naranjilla ao Redor do Mundo

Na Costa Rica, no Equador, na Nicarágua e no Panamá, a fruta é chamada de naranjilla. Na Colômbia, o nome popular é lulo, derivado do termo quéchua “lulum”, utilizado pelos incas. Em inglês, é frequentemente referida como naranjilla ou lulo fruit. No Brasil, a fruta ainda não possui um nome popular consolidado, sendo geralmente chamada pelo nome em espanhol. Essa diversidade de denominações reflete a ampla distribuição geográfica da espécie e a sua importância cultural em diferentes países andinos.

Composição Nutricional da Naranjilla

A naranjilla é uma fruta de baixíssimo valor calórico: cada 100 gramas de polpa fornece aproximadamente 25 calorias, com 5,9 gramas de carboidratos, 1,1 grama de fibra alimentar, apenas 0,26 grama de gordura e 0,44 grama de proteína, compondo a água cerca de 93% do peso total, o que torna essa fruta uma excelente opção para hidratação natural.

Vitaminas Presentes no Fruto

Entre as vitaminas, destaca-se a vitamina K, com 15% do valor diário recomendado por xícara de polpa, e a niacina (vitamina B3), com 11%. Outras vitaminas presentes incluem a vitamina A, na forma de betacaroteno, a tiamina (vitamina B1), o ácido pantotênico (vitamina B5), a vitamina B6 e a vitamina E. A casca fresca é particularmente rica em ácido ascórbico, com 25,2 miligramas por 100 gramas, e em alfa-tocoferol, com 7,9 miligramas por 100 gramas.

Minerais e Oligoelementos da Naranjilla

O potássio é o mineral mais abundante na polpa, com 240 miligramas por xícara. Cálcio, ferro, fósforo e magnésio também estão presentes em quantidades moderadas. As sementes concentram os oligoelementos mais raros, como cobre, ferro, manganês e zinco, em proporções superiores às encontradas na polpa e na casca, o que sugere que o consumo integral do fruto maximiza a absorção de micronutrientes essenciais ao organismo.

Compostos Bioativos e Fitoquímicos da Naranjilla

A naranjilla destaca-se entre as frutas tropicais pela diversidade de compostos bioativos nas suas diferentes partes. A casca é rica em flavonoides, com 14,2 miligramas por grama de extrato, e a polpa contém altos níveis de ácido cítrico, com 4,22 gramas por 100 gramas, o que além do sabor ácido característico confere propriedades antioxidantes reconhecidas. As sementes concentram as fenolâmidas derivadas de espermidina, com impressionantes 37,8 miligramas por grama de extrato.

Carotenoides Identificados no Fruto

Estudos identificaram diversos carotenoides na naranjilla, entre eles o all-trans-betacaroteno, o 13-cis-betacaroteno, o 9-cis-betacaroteno e a luteína, responsáveis pela coloração alaranjada da casca e por funções antioxidantes no organismo humano. A luteína, em particular, protege a retina contra danos causados pela luz azul e pelo estresse oxidativo, e a combinação de luteína e zeaxantina na polpa reforça o potencial da fruta para a saúde ocular.

Fenolâmidas e Ácidos Fenólicos da Solanum quitoense

As fenolâmidas são metabólitos especializados formados pela conjugação de ácidos hidroxicinâmicos com poliaminas como a espermidina, concentrando-se principalmente nas sementes da naranjilla. Pesquisas recentes demonstraram que possuem atividades antimicrobiana, antioxidante, anti-inflamatória e potencialmente anticancerígena in vitro. Além das fenolâmidas, o fruto contém ácidos clorogênicos e outros compostos fenólicos que contribuem para o seu perfil bioativo diversificado.

Propriedades Medicinais da Naranjilla

A medicina tradicional andina utiliza a naranjilla há séculos para diferentes finalidades: na etnobotânica equatoriana, o fruto é tradicionalmente empregado no preparo de bebidas caseiras associadas ao alívio de anginas, termo popular para inflamações na garganta, e de dores de garganta em geral, e as flores da planta são utilizadas em preparações caseiras voltadas ao manejo tradicional de quadros de diarreia. Embora muitas dessas aplicações ainda careçam de validação clínica rigorosa, os compostos bioativos identificados na fruta oferecem uma base científica plausível para vários desses usos tradicionais.

Atividade Antioxidante Comprovada em Estudos Laboratoriais

Extratos hidroetanólicos da espécie demonstraram capacidade de inibir a peroxidação lipídica e a hemólise oxidativa em estudos laboratoriais, processos nos quais radicais livres atacam as membranas celulares e contribuem para o envelhecimento e para doenças crônicas. A casca, rica em flavonoides e vitamina C, apresentou os melhores resultados antioxidantes entre as partes do fruto analisadas.

Potencial Antimicrobiano das Sementes da Naranjilla

O extrato das sementes demonstrou o efeito antifúngico mais forte contra o Aspergillus versicolor, fungo frequentemente associado à contaminação de alimentos, um efeito atribuído ao alto teor de derivados de espermidina presentes nas sementes. Pesquisadores estudam o potencial desses compostos como conservantes naturais para a indústria alimentícia, em substituição a aditivos sintéticos.

Espermidina na Naranjilla e Seus Efeitos Anti-Idade

A espermidina é uma das substâncias mais estudadas no campo da longevidade celular, e a naranjilla é uma das suas fontes alimentares mais concentradas. Essa poliamina natural estimula a autofagia, processo pelo qual as células eliminam componentes danificados e reciclam materiais para manter o funcionamento adequado, considerado um mecanismo fundamental para retardar o envelhecimento celular e para o estudo preventivo de doenças degenerativas.

Evidências Científicas sobre a Espermidina

Pesquisas conduzidas por Madeo e colaboradores demonstraram que a suplementação com espermidina prolongou a expectativa de vida em diversas espécies estudadas, de leveduras a camundongos, com aumento de aproximadamente 10% da longevidade em modelos animais. Dados epidemiológicos em humanos indicam que uma maior ingestão de espermidina pela alimentação está associada à redução da mortalidade geral, cardiovascular e por câncer, achados publicados em periódicos como a Nature Cell Biology e a revista Autophagy.

Fonte Natural Concentrada de Espermidina

As sementes da naranjilla concentram fenolâmidas derivadas de espermidina em proporções raramente encontradas em outras frutas: com 37,8 miligramas por grama de extrato, representam uma das fontes vegetais mais ricas desse composto. O consumo da fruta inteira, incluindo as sementes, pode contribuir para a ingestão dietética de espermidina, o que posiciona a naranjilla como um alimento funcional de potencial geroprotector, ou seja, com possível papel protetor contra os efeitos do envelhecimento.

Autofagia e Proteção Neurológica

A autofagia estimulada pela espermidina não beneficia apenas a longevidade geral. Estudos indicam que o processo também exerce efeitos neuroprotetores, melhorando a performance cognitiva e a memória em modelos experimentais, e favorece a eliminação de proteínas mal dobradas associadas a doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson. Embora sejam necessários mais ensaios clínicos em humanos, os resultados preliminares são promissores.

Benefícios da Naranjilla para a Saúde Digestiva

O sistema digestivo é um dos principais beneficiários do consumo regular de naranjilla. A casca contém 16,5 gramas de fibra alimentar por 100 gramas, quantidade expressiva que supera a de muitas frutas populares e que atua como prebiótico, alimentando as bactérias benéficas do intestino e favorecendo o trânsito intestinal, o que pode ajudar a prevenir a constipação.

Ácido Cítrico e Digestão

A polpa é excepcionalmente rica em ácido cítrico, com 4,22 gramas por 100 gramas, que estimula a produção de enzimas digestivas e facilita a absorção de minerais como cálcio e ferro no trato gastrointestinal. Na culinária andina, o suco de naranjilla é frequentemente consumido antes das refeições justamente pelas suas propriedades digestivas.

Efeitos sobre o Microbioma Intestinal

As fibras solúveis do fruto são fermentadas pelas bactérias do cólon, produzindo ácidos graxos de cadeia curta como o butirato, que nutre as células da parede intestinal e contribui para a integridade da barreira mucosa. Um microbioma saudável está associado a melhor imunidade, menor inflamação sistêmica e benefícios para a saúde mental, de modo que o consumo regular de naranjilla pode exercer efeitos que transcendem o sistema digestivo.

Naranjilla e a Saúde Cardiovascular

A saúde do coração e dos vasos sanguíneos pode ser beneficiada pelo consumo regular de naranjilla. O potássio da polpa, com 240 miligramas por xícara, promove vasodilatação e reduz a tensão nas paredes dos vasos como antagonista natural do sódio, contribuindo para a meta diária recomendada desse mineral.

Espermidina e Proteção Cardíaca

Os derivados de espermidina das sementes possuem efeitos cardioprotetores documentados: evidências epidemiológicas mostram que populações com maior ingestão dietética de espermidina apresentam menor incidência de doenças cardiovasculares, e em modelos experimentais a substância reduziu a hipertrofia cardíaca e melhorou a função diastólica por meio da autofagia nas células do músculo cardíaco.

Flavonoides e Proteção Vascular

Os flavonoides concentrados na casca contribuem para a saúde cardiovascular ao proteger o endotélio vascular contra o estresse oxidativo e a inflamação crônica, dois fatores centrais no desenvolvimento da aterosclerose. A combinação de espermidina, flavonoides e potássio confere ao lulo um perfil cardiovascular multifacetado, atuando em diferentes mecanismos de proteção simultaneamente.

Ação Antioxidante e Anti-Inflamatória da Naranjilla

A capacidade antioxidante da espécie resulta da ação combinada de compostos distribuídos entre a casca, a polpa e as sementes: os flavonoides da casca, os carotenoides da polpa e as fenolâmidas das sementes atuam em conjunto para neutralizar radicais livres, um efeito combinado que pode ser mais abrangente do que o de qualquer composto isolado, o que reforça a importância do consumo integral da fruta.

Mecanismos Anti-Inflamatórios da Naranjilla

As fenolâmidas derivadas de espermidina possuem propriedades anti-inflamatórias documentadas em estudos in vitro: modulam a resposta inflamatória inibindo a produção de citocinas pró-inflamatórias e reduzindo a ativação da via de sinalização NF-κB. A inflamação crônica de baixo grau está na raiz de diversas doenças modernas, incluindo câncer, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, tornando alimentos ricos nesse tipo de composto especialmente relevantes na nutrição preventiva.

Proteção contra o Estresse Oxidativo

O estresse oxidativo ocorre quando há desequilíbrio entre a produção de radicais livres e a capacidade antioxidante do organismo. A vitamina C da casca age no meio aquoso, enquanto a vitamina E e os carotenoides protegem as membranas lipídicas; essa complementaridade, somada aos compostos fenólicos do fruto, torna a naranjilla um alimento com proteção antioxidante abrangente.

Modo de Uso da Naranjilla

A naranjilla pode ser consumida de diversas formas, desde o consumo in natura até preparações culinárias elaboradas. O sabor ácido e refrescante da fruta a torna versátil tanto em receitas doces quanto salgadas, e o seu suco é uma das bebidas mais populares da América do Sul, especialmente no Equador e na Colômbia.

Lulada Colombiana

A lulada é a preparação mais emblemática da naranjilla na Colômbia, consumida em todo o país e especialmente popular na região do Vale do Cauca. Para prepará-la, basta amassar a polpa de 4 a 5 naranjillas maduras, adicionar o suco de uma lima, água gelada e açúcar a gosto; a mistura é servida com gelo e pode ser enriquecida com hortelã fresca, preservando a maior parte das fibras e dos compostos bioativos da polpa.

Como Preparar o Suco de Naranjilla

  1. Corte de 4 a 5 naranjillas maduras ao meio.
  2. Retire a polpa com o auxílio de uma colher.
  3. Bata a polpa com 500 mililitros de água no liquidificador por 30 segundos.
  4. Coe a mistura para remover as sementes.
  5. Adicione açúcar ou mel a gosto.
  6. Sirva imediatamente com gelo, para preservar a vitamina C.

No Equador, essa bebida é chamada de “jugo de naranjilla” e pode ser encontrada em praticamente qualquer mercado ou restaurante da região.

Geleias e Conservas de Naranjilla

A alta concentração de ácido cítrico e pectina natural torna o fruto ideal para geleias e conservas. O processo de cozimento reduz a vitamina C termossensível, mas concentra os minerais e os compostos fenólicos mais estáveis; geleias de naranjilla são produzidas artesanalmente em comunidades andinas como forma de conservar a fruta, que é bastante perecível fresca.

Uso da Naranjilla em Preparações Salgadas

Na culinária equatoriana e colombiana, o lulo também é usado em pratos salgados: o suco da fruta serve como base para molhos ácidos que acompanham carnes e peixes, de forma semelhante ao suco de limão, e em alguns secos, os ensopados tradicionais andinos, a polpa é adicionada durante o cozimento para conferir acidez e complexidade ao sabor.

Sorvetes e Sobremesas com Naranjilla

O sabor exótico do lulo torna-o um ingrediente valorizado na produção de sorvetes, mousses e tortas; na Colômbia e no Equador, o sorvete de lulo é uma sobremesa popular em sorveterias artesanais, e a acidez natural da fruta equilibra a doçura das preparações. Para uso posterior, a polpa pode ser armazenada em porções individuais no freezer por até 6 meses sem perda significativa de sabor.

Cultivo da Naranjilla em Clima Tropical

O cultivo da naranjilla exige condições ambientais específicas que limitam sua produção em larga escala: a planta prospera em altitudes entre 1.200 e 2.300 metros acima do nível do mar, com temperaturas entre 17 e 29 graus Celsius, sendo que temperaturas acima de 32 graus ou abaixo de zero são fatais para a espécie, e precipitação anual entre 1.500 e 3.750 milímetros, o que indica a necessidade de umidade constante.

Condições de Solo e Luminosidade para a Solanum quitoense

A naranjilla não tolera exposição direta ao sol pleno e cresce melhor sob sombra parcial, em solos ricos em matéria orgânica, bem drenados e com pH ligeiramente ácido. Em plantações comerciais nos Andes, a planta é frequentemente cultivada sob a sombra de árvores maiores, em sistemas agroflorestais que simulam o seu habitat natural, uma sensibilidade à luminosidade que explica por que a espécie não se adaptou bem a monoculturas convencionais.

Pragas e Doenças Comuns da Naranjilla

O nematoide das galhas (Meloidogyne spp.) é a praga mais devastadora, atacando as raízes e comprometendo a absorção de nutrientes. Fungos como o Fusarium oxysporum f. sp. quitoense causam murcha vascular, levando à desfolhação e à produção de frutos flácidos. Para contornar esses problemas, pesquisadores desenvolveram híbridos com a S. sessiliflorum, espécie aparentada mais resistente a nematoides.

Naranjilla no Brasil

No Brasil, o lulo é considerado uma cultura subutilizada, cultivada apenas em pequena escala por produtores experimentais. As regiões serranas do Sul e do Sudeste, com altitudes e temperaturas adequadas, apresentam potencial para o cultivo da espécie; estudos conduzidos no Paraná demonstraram que a naranjilla pode adaptar-se às condições brasileiras, desde que receba sombreamento adequado e proteção contra ventos fortes. A expansão do cultivo no país depende de maior divulgação das propriedades da fruta e do desenvolvimento de variedades adaptadas ao clima local.

Naranjilla na Saúde Ocular

A presença de carotenoides específicos na naranjilla confere a essa fruta um potencial relevante para a proteção da visão. A luteína e a zeaxantina, identificadas na polpa, são os únicos carotenoides que se acumulam na mácula, a região central da retina responsável pela visão de alta definição, funcionando como filtros naturais contra a luz azul de alta energia emitida por telas de dispositivos eletrônicos e pela radiação solar.

Luteína, Zeaxantina e Proteção contra a Degeneração Macular

A degeneração macular relacionada à idade é a principal causa de perda de visão em pessoas acima de 60 anos nos países desenvolvidos, e dietas ricas em luteína e zeaxantina estão associadas a menor risco de desenvolver essa condição. A naranjilla, com sua combinação de betacaroteno, luteína e zeaxantina, oferece um coquetel de carotenoides que pode complementar a ingestão desses nutrientes essenciais para a saúde ocular, especialmente quando consumida na forma de polpa fresca.

Contraindicações e Efeitos Colaterais da Naranjilla

A naranjilla é considerada segura para o consumo pela maioria das pessoas em quantidades alimentares normais. A alta concentração de ácido cítrico pode, porém, agravar quadros de refluxo gastroesofágico e gastrite em pessoas sensíveis, devendo o consumo ser moderado e preferencialmente acompanhado de outros alimentos para diluir a acidez.

Reações Alérgicas a Solanáceas

Por pertencer à família Solanaceae, a espécie pode desencadear reações alérgicas em pessoas com sensibilidade conhecida a solanáceas como berinjela, pimentão e tomate, com sintomas que vão de coceira oral e inchaço labial a reações sistêmicas mais graves em casos raros. Pessoas com histórico de alergia a solanáceas devem introduzir a naranjilla na dieta de forma gradual e sob orientação médica.

Interações da Naranjilla com Medicamentos

A vitamina K presente no fruto pode interferir com a ação de anticoagulantes orais como a varfarina; pacientes em uso dessa medicação devem manter um consumo consistente de alimentos ricos em vitamina K para evitar flutuações na coagulação sanguínea. O potássio da fruta também merece atenção em pessoas com doença renal crônica ou em uso de medicamentos poupadores de potássio, pois o seu acúmulo pode causar arritmias cardíacas.

Consumo de Naranjilla na Gravidez e na Amamentação

Não existem estudos clínicos que avaliem a segurança do consumo de naranjilla durante a gravidez e a amamentação. Em quantidades alimentares moderadas, o longo histórico de consumo nas comunidades andinas sugere segurança, mas extratos concentrados ou suplementos derivados da fruta devem ser evitados nesses períodos por precaução; gestantes e lactantes devem consultar um profissional de saúde antes de incluir qualquer alimento novo em grandes quantidades na dieta.

Perguntas Frequentes sobre a Naranjilla

O Que É a Naranjilla e Qual o Seu Sabor?

A naranjilla, também conhecida como lulo na Colômbia, é uma fruta tropical da família Solanaceae, nativa dos Andes. O seu sabor é descrito como uma combinação única entre abacaxi e lima, com acidez pronunciada e notas cítricas refrescantes. A polpa tem coloração verde-amarelada e textura suculenta, sendo amplamente utilizada para sucos, sobremesas e molhos na culinária sul-americana.

Quais São os Principais Nutrientes da Naranjilla?

A naranjilla é rica em vitamina K, niacina (vitamina B3), potássio e fibras alimentares. A casca concentra vitamina C e vitamina E em quantidades expressivas. As sementes são fontes de oligoelementos como cobre, manganês e zinco, além de conterem fenolâmidas derivadas de espermidina, compostos bioativos raros com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias documentadas em estudos científicos.

O Consumo da Fruta Ajuda no Combate ao Envelhecimento?

Sim, o lulo contém espermidina nas suas sementes, uma poliamina natural que estimula a autofagia celular. Estudos publicados na Nature Cell Biology demonstraram que a espermidina prolonga a expectativa de vida em modelos animais e está associada à redução da mortalidade cardiovascular em humanos. O consumo da fruta inteira, incluindo as sementes, maximiza a ingestão deste composto geroprotector.

Como Preparar o Suco de Naranjilla?

Para preparar o suco, corte 4 a 5 naranjillas maduras ao meio, retire a polpa com uma colher e bata com 500 mililitros de água no liquidificador por 30 segundos. Coe para remover as sementes, adicione açúcar ou mel a gosto e sirva com gelo. O suco deve ser consumido imediatamente para preservar a vitamina C. Na Colômbia, a variação chamada lulada mantém a polpa sem coar.

O Lulo Pode Ser Cultivado no Brasil?

A naranjilla pode ser cultivada em regiões serranas do Sul e Sudeste do Brasil, onde as altitudes e temperaturas são compatíveis com as exigências da espécie. A planta necessita de sombra parcial, solo rico em matéria orgânica e umidade constante. Estudos conduzidos no Paraná demonstraram a viabilidade do cultivo, embora a espécie permaneça subutilizada no país e ainda careça de variedades adaptadas ao clima local.

Quais São as Contraindicações do Lulo?

A naranjilla deve ser consumida com cautela por pessoas com refluxo gastroesofágico ou gastrite, devido à alta concentração de ácido cítrico. Alérgicos a solanáceas como berinjela e tomate devem evitar a fruta. Pacientes em uso de anticoagulantes orais devem monitorar o consumo pela vitamina K, e pessoas com doença renal crônica devem controlar a ingestão de potássio presente no fruto.

Qual a Diferença entre Naranjilla e Lulo?

Naranjilla e lulo são nomes diferentes para a mesma fruta, a Solanum quitoense. Na Costa Rica, no Equador, na Nicarágua e no Panamá, a fruta é chamada de naranjilla, que significa “pequena laranja” em espanhol. Na Colômbia, o nome popular é lulo, derivado do quéchua “lulum” utilizado pelos incas. Não há qualquer diferença botânica ou nutricional entre as duas denominações.

Quais as Propriedades Antimicrobianas do Fruto?

Estudos laboratoriais demonstraram que o extrato das sementes de naranjilla possui atividade antifúngica contra o Aspergillus versicolor, um fungo associado à contaminação alimentar. Essa propriedade é atribuída às fenolâmidas derivadas de espermidina concentradas nas sementes. Pesquisadores investigam o potencial desses compostos como conservantes naturais para a indústria de alimentos, em substituição a aditivos sintéticos.

Referências e Estudos Científicos

12 Referências Citadas

Nível de Evidência: 🥇 Alto

Baseado em 12 Referências Citadas (6 Peer-Reviewed, 2 Institucionais, 4 Complementares).

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Estudos Científicos Peer-Reviewed (6)

  1. PMC2025 Añibarro-Ortega, M., Dias, M. I., Petrović, J., et al. “Nutrients, Phytochemicals, and In Vitro Antioxidant and Antimicrobial Activities of Lulo (Solanum quitoense Lam.) Fruit Pulp, Peel, and Seeds.” Foods, vol. 14, no. 12, 2025, p. 2083. ↗.
  2. PMC2008 Gancel, A. L., Alter, P., Dhuique-Mayer, C., et al. “Identifying Carotenoids and Phenolic Compounds in Naranjilla (Solanum quitoense Lam. var. puyo hybrid).” Journal of Agricultural and Food Chemistry, vol. 56, no. 24, 2008, pp. 11890-11899. ↗.
  3. PMC2018 Madeo, F., Eisenberg, T., Pietrocola, F., and Kroemer, G. “Spermidine in Health and Disease.” Science, vol. 359, no. 6374, 2018, eaan2788. ↗.
  4. PEER2024 Hofer, S. J., Liang, Y., Zimmermann, A., et al. “Spermidine is Essential for Fasting-Mediated Autophagy and Longevity.” Nature Cell Biology, vol. 26, 2024, pp. 1536-1546. ↗.
  5. PMC2019 Madeo, F., Bauer, M. A., Carmona-Gutierrez, D., and Kroemer, G. “Spermidine: A Physiological Autophagy Inducer Acting as an Anti-Aging Vitamin in Humans?” Autophagy, vol. 15, no. 1, 2019, pp. 165-168. ↗.
  6. PEER2020 Roumani, M., Besseau, S., Gagnon, N., et al. “Phenolamides: Plant Specialized Metabolites with a Wide Range of Promising Pharmacological and Health-Promoting Interests.” Biomedicine and Pharmacotherapy, vol. 131, 2020, p. 110762. ↗.

Fontes Institucionais (2)

  1. GOV1987 Morton, J. F. “Naranjilla.” Fruits of Warm Climates. Julia F. Morton, 1987, pp. 425-428. ↗.
  2. GOV2024 U.S. Department of Agriculture. “FoodData Central: Naranjilla (lulo) Pulp, Frozen, Unsweetened.” USDA National Nutrient Database, 2024. ↗.

Leituras Complementares (4)

  1. 2009 Acosta, O., Pérez, A. M., and Vaillant, F. “Chemical Characterization, Antioxidant Properties, and Volatile Constituents of Naranjilla (Solanum quitoense Lam.) Cultivated in Costa Rica.” Archivos Latinoamericanos de Nutrición, vol. 59, no. 1, 2009, pp. 88-94. https://ve.scielo.org/scielo.php?pid=S0004-06222009000100014.
  2. 2023 Obregón, A. J., Lopez, M. D., and Ángeles, D. “Nutritional and Bioactive Properties of Solanum quitoense Lam: Native Fruit from the South American Andes.” Journal of Microbiology, Biotechnology and Food Sciences, vol. 13, no. 4, 2023, e10386. ↗.
  3. 2025 Saliba, A. S. M. C., Rosalen, P. L., Franchin, M., et al. “Fruits Native to South America: A Narrative Review of Their Biological Properties and Chemical Profiles.” Food and Function, vol. 16, 2025, pp. 4521-4548. ↗.
  4. 2020 Hinestroza-Córdoba, L. I., Duarte-Sierra, A., Barrera, H., et al. “Characterization of Powdered Lulo (Solanum quitoense) Bagasse as a Functional Food Ingredient.” Foods, vol. 9, no. 6, 2020, p. 723. ↗.

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