Chás Medicinais

Vara-de-Ouro (Solidago virgaurea): Benefícios, Chá e Propriedades

A vara-de-ouro (Solidago virgaurea) tem uso tradicional diurético e anti-inflamatório. Conheça suas propriedades, a receita do chá, as espécies do gênero e as contraindicações antes de usar.

Por Conselho Editorial11 Min de Leitura
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Erva-dourada - vara-de-ouro - Solidago virgaurea
Vara-de-ouro (Solidago virgaurea): planta medicinal conhecida por suas propriedades anti-inflamatórias e diuréticas, tradicionalmente usada no tratamento de infecções urinárias.

A vara-de-ouro (Solidago virgaurea) é uma planta herbácea da família Asteraceae, também conhecida como verga-de-ouro, virgáurea, erva-dourada e goldenrod em inglês, entre outros nomes populares. Nativa da Europa, especialmente de Portugal, também é encontrada na Ásia, na América do Norte e no norte da África, onde cresce em campos abertos, prados e áreas de montanha.

Seu apelido mais curioso vem da história dos Estados Unidos. Durante a Revolta do Chá de Boston, quando caixas de chá inglês foram jogadas ao mar no porto da cidade, colonos norte-americanos passaram a consumir chá de vara-de-ouro no lugar do produto britânico boicotado, batizando-o de “chá da liberdade”.

Neste guia você vai conhecer a composição química da planta, as propriedades tradicionalmente atribuídas a ela, como preparar o chá, as diferenças entre as espécies do gênero Solidago e os cuidados necessários antes de usar essa erva.

Sumário do Artigo
  1. O Que É a Vara-de-Ouro (Solidago virgaurea)?
  2. Quais São os Outros Nomes da Vara-de-Ouro?
  3. Composição Química da Vara-de-Ouro
  4. Benefícios e Propriedades Medicinais da Vara-de-Ouro
  5. Usos Tradicionais e Populares da Vara-de-Ouro
  6. Chá de Vara-de-Ouro
  7. Espécies do Gênero Solidago
  8. Sinergia com Outras Plantas Medicinais
  9. Pesquisas Científicas sobre a Vara-de-Ouro
  10. Contraindicações e Efeitos Colaterais da Vara-de-Ouro
  11. História, Etnobotânica e Curiosidades da Vara-de-Ouro
  12. Perguntas Frequentes sobre a Vara-de-Ouro

O Que É a Vara-de-Ouro (Solidago virgaurea)?

A vara-de-ouro é uma planta herbácea perene da família Asteraceae, a mesma da margarida e do girassol. Cresce em caule ereto, com altura entre 15 centímetros e 1 metro. Suas folhas têm formato oval a lanceolado, são pecioladas e dentadas, lisas na parte superior e com pelos na parte inferior.

A floração ocorre no final do verão, com pequenas flores em tom amarelo intenso reunidas em hastes longas, o que deu origem ao nome popular. Essas flores tardias também funcionam como fonte importante de néctar para abelhas e borboletas.

O nome do gênero, Solidago, vem do latim “solidare”, que significa “tornar inteiro” ou “fazer sarar”, uma referência à reputação histórica da planta como cicatrizante.

Quais São os Outros Nomes da Vara-de-Ouro?

Além de vara-de-ouro, a planta é conhecida por diversos nomes populares, entre eles verga-de-ouro, virgáurea, erva-dourada e varas-de-são-joão. Em outros idiomas ela recebe denominações parecidas, quase sempre em referência à cor de suas flores: verge d’or em francês, goldenrod em inglês, Goldrute em alemão e vara de oro em espanhol.

Existem ainda sinônimos botânicos usados em contextos científicos, como Solidago alpestris, Solidago grandiflora, Solidago montana e Solidago scopulorum, embora Solidago virgaurea continue sendo o nome cientificamente mais aceito para a espécie.

Composição Química da Vara-de-Ouro

As propriedades tradicionalmente atribuídas à vara-de-ouro estão associadas à sua composição fitoquímica. A planta é rica em flavonoides, entre eles a rutina, a quercetina e o kaempferol, compostos com ação antioxidante bem documentada.

Ela também contém saponinas triterpênicas exclusivas do gênero, as virgaureasaponinas, associadas ao efeito diurético da planta. Ácidos fenólicos como o ácido cafeico e o ácido clorogênico, taninos com ação adstringente e um óleo essencial rico em monoterpenos e sesquiterpenos completam o perfil químico da espécie.

Benefícios e Propriedades Medicinais da Vara-de-Ouro

As folhas e flores concentram as propriedades tradicionalmente atribuídas à vara-de-ouro, com uso popular para desconforto associado a inflamações nos rins e na bexiga, cálculos renais e distúrbios da próstata. Essas indicações refletem uso tradicional preventivo e complementar, não substituindo diagnóstico e tratamento médico de infecção urinária ativa, insuficiência renal ou pielonefrite, que exigem avaliação profissional.

A planta tem ação adstringente, antiespasmódica, anti-inflamatória, antifúngica, antimicrobiana, antioxidante e diurética tradicionalmente atribuída, com as propriedades diuréticas associadas à eliminação de resíduos do organismo. A ação anti-inflamatória é popularmente associada ao alívio de dores articulares e musculares, enquanto o efeito adstringente ajuda a tonificar tecidos e mucosas.

Usos Tradicionais e Populares da Vara-de-Ouro

Na medicina popular, a vara-de-ouro é usada para aliviar congestão de muco e febre do feno. Há uso tradicional em lavagens ou compressas para feridas, dores de cabeça e reumatismo, em gargarejo para dor de garganta e laringite, e em cataplasma para picadas de abelha e de outros insetos.

A planta também é usada como enxaguante para clarear o cabelo e como erva de banho para acalmar irritações na pele. Na culinária, as folhas jovens, de sabor levemente amargo, podem ser adicionadas a saladas, sopas e refogados, enquanto as flores, de sabor adocicado e anisado, entram em bolinhos e geleias, e podem até ser cristalizadas com açúcar para decorar sobremesas.

Chá de Vara-de-Ouro

Chá de vara-de-ouro (Solidago virgaurea)

O chá de vara-de-ouro tem uso tradicional para diarreia, dor de garganta e desconfortos renais leves, além de problemas de pele. Seu efeito diurético é popularmente associado ao combate à celulite, com ação comparada a uma drenagem linfática suave. Para esse fim, o uso tradicional é de até duas xícaras, no máximo duas vezes ao dia.

Ingredientes

  • 30 g de folha de vara-de-ouro
  • 1 litro de água

Modo de Preparo

  1. Coloque a água em uma chaleira e leve ao fogo.
  2. Assim que ferver, acrescente as folhas de vara-de-ouro.
  3. Tampe a chaleira e aguarde por 10 minutos.
  4. Desligue e espere esfriar.
  5. Coe a infusão.
  6. Adoce com mel, se desejar.

Além da infusão, a vara-de-ouro também é encontrada na forma de tintura e de cápsulas em lojas de produtos naturais e farmácias de manipulação. Como a concentração varia conforme o fabricante, siga sempre a dosagem indicada no rótulo do produto ou a orientação de um profissional de saúde, em vez de improvisar uma dose própria.

Espécies do Gênero Solidago

Algumas espécies de vara-de-ouro têm propriedades medicinais tradicionalmente mais acentuadas que outras. A Solidago virgaurea é aromática, carminativa e estimulante. Já a S. canadensis e a S. sempervirens são vulnerárias, favorecendo a cicatrização de cortes e feridas. Por sua vez, a S. rigida é adstringente e hemostática, enquanto a Solidago odora é adstringente, carminativa e diurética. O gênero inclui ainda espécies como Solidago nemoralis, S. radiata e S. spathulata.

A S. canadensis e a S. gigantea, nativas da América do Norte, também se espalharam pela Europa e são frequentemente confundidas com a vara-de-ouro europeia. Elas se diferenciam por características morfológicas: a S. canadensis tem caules mais peludos e folhas mais estreitas, enquanto a S. gigantea tem caules lisos e avermelhados, e ambas formam inflorescências mais densas e piramidais do que as hastes soltas e alongadas da Solidago virgaurea, que segue sendo a espécie mais estudada e utilizada na fitoterapia europeia.

Sinergia com Outras Plantas Medicinais

Na fitoterapia tradicional, a vara-de-ouro costuma ser combinada com outras ervas para potencializar efeitos específicos. Para a saúde do trato urinário, é comum associá-la à uva-ursi (Arctostaphylos uva-ursi), com ação antibacteriana tradicionalmente reconhecida, ou à cavalinha (Equisetum arvense), rica em sílica.

Para dores articulares, a combinação tradicional inclui o salgueiro-branco (Salix alba) e a garra-do-diabo (Harpagophytum procumbens). Já para a pele, a vara-de-ouro é associada à calêndula (Calendula officinalis) e à camomila (Matricaria chamomilla). Como cada planta tem contraindicações próprias, a formulação dessas combinações deve ser orientada por um fitoterapeuta ou outro profissional de saúde, nunca por conta própria.

Pesquisas Científicas sobre a Vara-de-Ouro

A ciência moderna tem investigado as propriedades tradicionalmente atribuídas à Solidago virgaurea. A atividade diurética está entre as mais estudadas, com pesquisas em animais indicando aumento no volume urinário atribuído principalmente aos flavonoides e às saponinas da planta.

Compostos como o leiocarposídeo foram associados, em estudos experimentais, à redução de processos inflamatórios, enquanto extratos da planta demonstraram atividade antimicrobiana em laboratório contra bactérias e fungos comuns. Um ensaio clínico randomizado e controlado testou uma preparação fitoterápica que combina vara-de-ouro com outras plantas medicinais em pessoas com dor reumática, e os resultados foram favoráveis à formulação (Chrubasik et al., 2005). O achado diz respeito ao conjunto da fórmula testada, não à vara-de-ouro usada isoladamente. A Agência Europeia de Medicamentos reconhece o uso tradicional da planta para queixas leves do trato urinário, sempre como coadjuvante e nunca em substituição ao acompanhamento médico.

Contraindicações e Efeitos Colaterais da Vara-de-Ouro

O chá de vara-de-ouro é contraindicado para pessoas com insuficiência renal, insuficiência cardíaca ou hipertensão, já que sua ação diurética pode agravar essas condições. Gestantes e lactantes também não devem consumir a planta, assim como crianças, sem orientação de um pediatra ou fitoterapeuta.

Reações alérgicas são raras, mas podem ocorrer em pessoas sensíveis a plantas da família Asteraceae, como ambrósia, crisântemo e margarida, com sintomas que vão de erupções cutâneas e coceira a, em casos raros, dificuldade respiratória. O uso excessivo ou prolongado pode favorecer desequilíbrio eletrolítico, e a planta pode interagir com medicamentos diuréticos, para pressão alta ou à base de lítio. Por isso, quem faz uso contínuo de medicamentos deve consultar um médico antes de consumir vara-de-ouro.

História, Etnobotânica e Curiosidades da Vara-de-Ouro

A vara-de-ouro tem um longo histórico de uso que atravessa diferentes culturas. Na Idade Média europeia, a planta era cultivada em mosteiros e jardins de ervas, e o herbalista inglês Nicholas Culpeper a descreveu, no século XVII, como uma erva de cicatrização tão valorizada por soldados em campos de batalha que a espécie ganhou, em inglês, o apelido de “woundwort”, algo como “erva de ferida”.

No folclore europeu, a planta também era associada à sorte e à prosperidade, e seus ramos secos chegaram a ser usados como varinhas de radiestesia, crença popular sem qualquer respaldo científico. Povos nativos da América do Norte, por sua vez, usavam espécies locais de Solidago em cerimônias de purificação e para tratar febres, dores de garganta e picadas de insetos.

Já nos Estados Unidos, o episódio mais conhecido envolvendo a planta é a Revolta do Chá de Boston, quando colonos passaram a consumir vara-de-ouro no lugar do chá inglês boicotado, rendendo à planta o apelido de “chá da liberdade” que carrega até hoje.

Perguntas Frequentes sobre a Vara-de-Ouro

Quem Tem Insuficiência Renal Pode Tomar Chá de Vara-de-Ouro?

Não, é contraindicado para quem tem insuficiência renal, insuficiência cardíaca ou hipertensão.

Grávidas Podem Consumir Vara-de-Ouro?

Não, o uso é contraindicado durante a gravidez e a amamentação.

Vara-de-Ouro Trata Infecção Urinária?

Tem uso tradicional preventivo e complementar, mas infecção urinária ativa exige diagnóstico e tratamento médico, geralmente com antibiótico.

Quantas Xícaras de Chá de Vara-de-Ouro Posso Tomar por Dia?

O uso tradicional é de até duas xícaras, no máximo duas vezes ao dia.

De Onde Vem o Apelido “Chá da Liberdade”?

Da Revolta do Chá de Boston, quando colonos passaram a consumir vara-de-ouro no lugar do chá inglês.

A Vara-de-Ouro Serve para Celulite?

Há uso tradicional nesse sentido, associado ao efeito diurético da planta, semelhante a uma drenagem linfática suave.

Todas as Espécies de Solidago Têm as Mesmas Propriedades?

Não, cada espécie do gênero tem propriedades tradicionalmente mais ou menos acentuadas, variando entre ação adstringente, cicatrizante e diurética.

A Vara-de-Ouro Pode Ser Usada na Culinária?

Sim, as folhas jovens podem ser usadas em saladas, sopas e refogados, e as flores em bolinhos, geleias e até cristalizadas com açúcar.

A Vara-de-Ouro Pode Causar Alergia?

Sim, embora seja raro. Pessoas sensíveis a plantas da família Asteraceae, como ambrósia e crisântemo, têm maior chance de reação.

A Vara-de-Ouro Emagrece?

Não há evidências de que a planta ajude a perder gordura. Seu efeito diurético pode causar uma redução temporária de peso por eliminação de líquidos, não de gordura corporal.

Referências

6 Referências Citadas

Baseado em 6 Referências Citadas (6 Complementares).

  1. 2007 Wojcikowski, K., Stevenson, L., Leach, D., Wohlmuth, H., & Gobe, G. (2007). Antioxidant capacity of 55 medicinal herbs traditionally used to treat the urinary system: a comparison using a sequential three-solvent extraction process. The Journal of Alternative and Complementary Medicine, 13(1), 103-110.
  2. 1991 Chodera, A., et al. Effect of flavonoid fractions of Solidago virgaurea L on diuresis and levels of electrolytes. Acta Poloniae Pharmaceutica, 1991;48(5-6):35-37.
  3. 2020 Fursenco, C., Calalb, T., Uncu, L., Dinu, M., & Ancuceanu, R. (2020). Solidago virgaurea L.: A Review of Its Ethnomedicinal Uses, Phytochemistry, and Pharmacological Activities. Biomolecules, 10(12), 1619.
  4. 1995 Leuschner, J. (1995). Anti-inflammatory, spasmolytic and diuretic effects of a commercially available Solidago gigantea herb extract. Arzneimittelforschung, 45(2), 165-168.
  5. 2005 Chrubasik, S., Pollak, S., & Black, A. (2005). A randomized controlled trial on the efficacy of a new herbal drug preparation in patients with rheumatic pain. Phytomedicine, 12(9), 627-633.
  6. 2008 European Medicines Agency. (2008). Assessment report on Solidago virgaurea L., herba.

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