Fitocosmética

Confrei: Saiba para Que Serve a Erva

O confrei (Symphytum officinale) é uma planta popular para cicatrização e dores articulares, mas seu uso interno é proibido pelos riscos ao fígado. Veja como usá-lo topicamente com segurança.

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Confrei - Symphytum officinale
Flores características do confrei (Symphytum officinale), planta medicinal conhecida por suas propriedades cicatrizantes e anti-inflamatórias.

Symphytum officinale) é uma planta herbácea perene da família Boraginaceae, valorizada há séculos por suas propriedades cicatrizantes e anti-inflamatórias. Também é conhecido como consólida, consólida-maior, erva-de-cura, orelha-de-asno, raiz-escorregadia e comfrey em inglês, entre outros nomes populares. Nativo da Europa e de regiões de clima temperado da Ásia, cresce principalmente perto de rios e riachos, onde a umidade favorece seu desenvolvimento. A planta é amplamente usada em pomadas, cremes, óleos e cataplasmas para o alívio de dores musculares e articulares, contusões e entorses, além do auxílio na cicatrização de pele intacta. Apesar dessa tradição milenar, o confrei contém alcaloides pirrolizidínicos, substâncias hepatotóxicas que tornam seu uso interno perigoso, conforme detalhado na seção de contraindicações abaixo. No Brasil, o uso oral do confrei é proibido em qualquer formulação; a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) permite apenas o uso externo, pelo prazo máximo de seis semanas por ano ou 10 dias seguidos.

Sumário do Artigo
  1. Nomes Populares e Sinônimos do Confrei
  2. Família e Botânica do Confrei
  3. Propriedades Medicinais do Confrei
  4. Fitoquímicos do Confrei
  5. Benefícios do Confrei para a Pele e Cicatrização
  6. Benefícios do Confrei para Dores Musculares e Articulares
  7. Como Preparar Pomada Caseira de Confrei
  8. Combinações do Confrei com Outras Plantas
  9. Confrei na Agricultura Orgânica
  10. Contraindicações e Efeitos Colaterais do Confrei
  11. Regulamentação do Confrei no Brasil e no Mundo
  12. História e Curiosidades do Confrei
  13. Perguntas Frequentes sobre Confrei

Nomes Populares e Sinônimos do Confrei

O confrei recebe nomes diferentes ao redor do mundo. Em português, os mais usados são capim-roxo-da-rússia, confrei, confrei-russo, consólida, consólida-maior, erva-de-cura, erva-do-cardeal, erva-encanadeira-de-osso, língua-de-vaca, orelha-de-asno, orelha-de-vaca e raiz-escorregadia. Em outros idiomas, aparece como asses-ears, backwort, boneset, bruise wort, comfrey, common comfrey, consound, knitbone e slippery-root (inglês); beinwell, echter beinwell e wallwurz (alemão); consuelda, consuelda mayor e hierba de las cortaduras (espanhol); consoude e grande consoude (francês); e consolida maggiore (italiano). O gênero também reúne sinônimos botânicos usados por vezes como referência à mesma espécie, como Symphytum peregrinum Ledeb. e Symphytum uliginosum Kern.

Família e Botânica do Confrei

O confrei pertence à família Boraginaceae. É uma planta herbácea perene, com caule robusto, oco e coberto por pelos ásperos que podem irritar a pele sensível ao toque. Suas folhas são grandes, lanceoladas e também pilosas. A planta atinge entre 60 centímetros e 1,2 metro de altura, com flores em formato de sino que variam do branco-creme ao azul, rosa e violeta, reunidas em cachos que atraem abelhas e outros polinizadores. A floração ocorre do final da primavera ao início do verão. A raiz do confrei é grossa, carnuda, de cor preta por fora e branca e mucilaginosa por dentro, concentrando boa parte dos compostos ativos da planta. As folhas e as raízes são as partes tradicionalmente usadas em preparações externas. O gênero Symphytum reúne outras espécies de interesse, como o Symphytum x uplandicum (confrei russo, híbrido entre Symphytum officinale e Symphytum asperum) e o Symphytum tuberosum (confrei-menor), de porte mais baixo e menos estudado. A concentração de alcaloides pirrolizidínicos varia entre as espécies do gênero, sendo qualquer uma delas merecedora da mesma cautela. A identificação correta evita confusão com outras plantas de folhagem parecida antes da floração, incluindo a dedaleira (Digitalis purpurea), que é extremamente tóxica mesmo em pequenas quantidades.

Propriedades Medicinais do Confrei

O confrei tem ação adstringente, anti-inflamatória, calmante, cicatrizante, depurativa, emoliente, expectorante, hemostática, hidratante, laxante e regeneradora tradicionalmente atribuída. Historicamente, seu uso oral era associado a casos de anemia, asma, disenteria, hemorroidas e reumatismo, mas essa via de uso está hoje proibida pelo risco de intoxicação hepática, tratado em detalhe na seção de contraindicações. Atualmente, o confrei é estudado sobretudo por seu possível papel no alívio de dores musculares e articulares e no auxílio à cicatrização de pele intacta, ação atribuída principalmente à alantoína, ao ácido rosmarínico e às mucilagens presentes na planta.

Fitoquímicos do Confrei

A composição química do confrei inclui:
  • Ácidos fenólicos, entre eles o ácido rosmarínico, associado à ação anti-inflamatória
  • Alantoína, composto que estimula a proliferação celular e é usado também na indústria cosmética por suas propriedades hidratantes, protetoras e queratolíticas
  • Alcaloides pirrolizidínicos, como consolidina, equimidina, lasiocarpina, licopsamina e sinfitina, responsáveis pela toxicidade hepática da planta
  • Aminoácidos e fitoesteróis
  • Cálcio, fósforo, potássio e vitamina B12, entre outros nutrientes
  • Inulina, asparagina e proteínas
  • Mucilagens e mucopolissacarídeos, responsáveis pelas propriedades emolientes e protetoras
  • Taninos, presentes em concentração de até 6%, que conferem propriedades adstringentes
  • Triterpenoides
A raiz concentra mais alcaloides pirrolizidínicos do que as folhas, e as folhas jovens têm maior quantidade de pirrolizidina do que as folhas maduras.

Benefícios do Confrei para a Pele e Cicatrização

As propriedades anti-inflamatórias e cicatrizantes tornam o confrei popular em cataplasmas, cremes e pomadas voltados a machucados, com uso tradicional em contusões, hematomas e pequenas lesões de pele intacta. A alantoína, um dos compostos mais estudados da planta, estimula a proliferação celular e a epitelização, o processo de formação de novo tecido sobre a ferida. As mucilagens formam uma camada protetora que ajuda a manter a umidade local, enquanto os taninos contribuem para a ação adstringente e para estancar pequenos sangramentos superficiais. A alantoína também é amplamente empregada na indústria cosmética, com propriedades hidratantes e protetoras contra agentes irritantes, além de ação queratolítica, que ajuda a remover calos e outras lesões em que a epiderme produz excesso de pele. Antes de aplicar loções ou pomada de confrei sobre a pele, faça uma limpeza cuidadosa do local, já que o efeito pode ser rápido e reter resíduos sob a pele em processo de cicatrização.

Benefícios do Confrei para Dores Musculares e Articulares

O uso tópico do confrei para dores articulares e musculares é uma das aplicações mais estudadas da planta. Um estudo clínico controlado e randomizado avaliou uma pomada de raiz de confrei em pacientes com osteoartrite dolorosa do joelho e observou redução da dor relatada pelos participantes em comparação ao placebo. Outro estudo, também controlado e randomizado, avaliou um extrato de raiz de confrei em entorses de tornozelo e encontrou resultados comparáveis a um gel de diclofenaco no alívio da dor, sem substituir a orientação médica para o tratamento da lesão. Extratos da raiz de confrei também demonstraram, em estudos de laboratório, inibir etapas de sinalização inflamatória em células humanas, o que ajuda a explicar o uso tradicional da planta em contusões, entorses e tendinites. Ainda assim, esses achados não autorizam o confrei como substituto de tratamento médico para lesões ou doenças articulares.

Como Preparar Pomada Caseira de Confrei

  1. Seque as folhas ou a raiz do confrei e triture levemente o material vegetal.
  2. Coloque o material em um óleo carreador, como azeite de oliva, dentro de um recipiente resistente ao calor.
  3. Leve ao banho-maria em fogo baixo por várias horas, sem deixar ferver, para que os compostos da planta se transfiram ao óleo.
  4. Coe o óleo com um pano limpo para remover todos os resíduos sólidos.
  5. Aqueça o óleo coado e adicione cera de abelha, na proporção aproximada de 50 g para cada 100 ml de óleo, mexendo até derreter por completo.
  6. Despeje a mistura ainda líquida em potes de vidro esterilizados.
  7. Deixe esfriar completamente antes de fechar os potes e armazene em local fresco e ao abrigo da luz.
  8. Aplique uma camada fina sobre a pele intacta, massageando levemente, sem exceder o prazo de uso indicado na seção de contraindicações.
O cataplasma é outra forma tradicional de uso: as folhas frescas são levemente amassadas até formar uma pasta, aplicadas diretamente sobre a área afetada e cobertas com um pano limpo por 30 minutos a 1 hora, podendo ser repetido de duas a três vezes ao dia. Já a compressa é feita com uma tisana concentrada de folhas secas, usada apenas para embeber um pano aplicado sobre a região dolorida por cerca de 20 minutos, e não se destina a consumo oral. Em qualquer uma dessas formas, evite o contato com feridas abertas, mucosas e pele lesionada. Antes do primeiro uso, faça um teste de sensibilidade: aplique uma pequena quantidade do produto na parte interna do antebraço e aguarde 24 horas, observando sinais de vermelhidão, coceira ou irritação antes de usar a preparação em uma área maior da pele.

Combinações do Confrei com Outras Plantas

Em aplicações tópicas, o confrei costuma ser combinado com outras plantas para complementar seus efeitos. A arnica (Arnica montana) é uma opção tradicional para reforçar o cuidado com contusões, enquanto a calêndula (Calendula officinalis) pode ser adicionada para suavizar a pele e reforçar a ação calmante da formulação. Combinações desse tipo devem ser preparadas por um profissional, que pode ajustar as proporções com segurança.

Confrei na Agricultura Orgânica

Fora do uso medicinal, o confrei é valorizado como fertilizante natural em cultivos orgânicos. Suas raízes profundas extraem minerais de camadas do solo pouco acessíveis a outras plantas, e esses nutrientes ficam concentrados nas folhas, ricas em fósforo, nitrogênio e potássio. Ao caírem no solo ou serem incorporadas ao composto, as folhas liberam esses nutrientes, favorecendo o crescimento de flores e frutas. Duas formas populares de aproveitar essa propriedade são o chá de confrei para plantas, feito com folhas imersas em água por algumas semanas e depois diluído para regar canteiros e vasos, e a cobertura morta (mulch), em que as folhas cortadas são espalhadas ao redor da base das plantas, retendo umidade e ajudando a conter ervas daninhas à medida que se decompõem. Esse uso é exclusivamente agrícola e não deve ser confundido com preparações para consumo humano.

Contraindicações e Efeitos Colaterais do Confrei

O Symphytum officinale só deve ser usado sob prescrição e supervisão médica. O alcaloide pirrolizidínico presente na planta é hepatotóxico e pode causar intoxicação hepática grave, incluindo doença veno-oclusiva do fígado, condição que bloqueia pequenas veias hepáticas e pode ser irreversível. Estudos em animais também associaram a exposição a esses alcaloides a alterações mutagênicas no fígado, reforçando a proibição do uso interno. O uso não é recomendado em feridas abertas, mucosas (olhos, boca, cavidade nasal e vagina) ou pele lesionada, pelo risco de maior absorção dos alcaloides através da pele comprometida; a aplicação deve se restringir sempre à pele intacta. Ainda que a absorção cutânea dos alcaloides seja considerada baixa em pele saudável, ela não é nula, e o uso tópico prolongado ou em grandes áreas do corpo deve ser evitado. Gestantes, lactantes e crianças não devem usar confrei em nenhuma forma, pela ausência de dose segura estabelecida para esses grupos. Pessoas com qualquer doença hepática prévia devem evitar o uso mesmo externo, salvo orientação médica expressa. Quem faz uso de outras substâncias hepatotóxicas, como álcool em excesso ou paracetamol em doses elevadas, e pacientes em uso de medicamentos anticoagulantes ou antiplaquetários devem redobrar a cautela e informar o médico sobre o uso de qualquer produto à base de confrei. Pessoas com hipersensibilidade conhecida à planta ou a qualquer componente da formulação devem evitar seu uso. A raiz concentra mais alcaloides do que as folhas, e as folhas jovens têm maior quantidade de pirrolizidina do que as folhas maduras. Entre as espécies do gênero, o Symphytum asperum costuma apresentar concentrações ainda maiores de alcaloides do que o Symphytum officinale.

Regulamentação do Confrei no Brasil e no Mundo

No Brasil, a ANVISA proíbe o uso interno do confrei em qualquer formulação, permitindo apenas produtos de uso exclusivamente externo. Na União Europeia, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) também desaconselha o uso oral e recomenda que o uso tópico seja limitado a curtos períodos, sem aplicação sobre pele lesionada. Nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA) orientou a retirada do mercado de suplementos dietéticos contendo confrei, por considerar a ingestão da planta um risco inaceitável à saúde pública, embora produtos tópicos continuem disponíveis. Ao comprar produtos de confrei, prefira marcas que informem claramente o nome científico da planta, a parte utilizada, a concentração dos ativos e a indicação de uso exclusivamente externo, evitando formulações com promessas exageradas ou não comprovadas.

História e Curiosidades do Confrei

O nome popular confrei deriva do latim e carrega a ideia de “consolidar” ou “unir”, refletindo a reputação tradicional da planta na recuperação de fraturas. O nome do gênero, Symphytum, vem do grego “symphyo” (crescer junto) e “phyton” (planta), com sentido semelhante. O uso do confrei remonta à Grécia Antiga, onde já era mencionado por médicos como Dioscórides e Plínio, o Velho, para o cuidado de feridas e problemas respiratórios. Na Idade Média, tornou-se comum nos jardins de mosteiros, onde monges preparavam pomadas e cataplasmas com suas folhas e raízes. No século 20, o herbalista britânico Henry Doubleday popularizou uma variedade de confrei com baixo teor de alcaloides, conhecida como “Bocking 14”, voltada principalmente ao uso agrícola. A planta é usada de forma tradicional há mais de 2000 anos, segundo registros históricos, e pertence à família Boraginaceae.

Perguntas Frequentes sobre Confrei

Posso Tomar Chá de Confrei?

Não. O uso oral do confrei é proibido no Brasil em qualquer formulação, pelo risco de intoxicação hepática grave.

Por Quanto Tempo Posso Usar Confrei na Pele?

Pelo prazo máximo de seis semanas por ano ou 10 dias seguidos, sempre sob orientação de um profissional de saúde.

Grávidas e Lactantes Podem Usar Confrei?

Não. Gestantes, lactantes e crianças não devem usar confrei em nenhuma forma, pela ausência de dose segura estabelecida para esses grupos.

Confrei Pode Ser Usado em Crianças?

Não é recomendado. A segurança do confrei em crianças não foi estabelecida, e mesmo o uso tópico deve ser evitado por precaução.

Confrei Pode Ser Aplicado em Feridas Abertas?

Não é recomendado, pelo risco de absorção dos alcaloides tóxicos através da pele lesionada; o uso deve se restringir à pele intacta.

Qual Parte do Confrei Tem Mais Alcaloides Tóxicos?

A raiz concentra mais alcaloides do que as folhas, e as folhas jovens têm mais do que as folhas maduras.

Quem Tem Doença no Fígado Pode Usar Confrei?

Não deve usar, mesmo externamente, salvo orientação médica expressa, pelo risco de agravar a função hepática.

O Confrei É Estudado para Dores Articulares?

Sim. Estudos clínicos avaliaram pomadas e extratos de raiz de confrei em condições como osteoartrite do joelho e entorses de tornozelo, com resultados favoráveis no alívio da dor relatada, mas isso não substitui o diagnóstico e o acompanhamento médico.

Qual a Diferença Entre Confrei e Consólida?

Nenhuma: são nomes populares para a mesma planta, o Symphytum officinale. “Consólida” deriva do latim e faz referência à reputação tradicional da planta de auxiliar na recuperação de ossos.

O Confrei Pode Ser Usado como Fertilizante?

Sim. Suas folhas, ricas em potássio, fósforo e nitrogênio, funcionam como fertilizante natural ao se decompor no solo ou ao formar um chá de confrei diluído em água para regar plantas.

Referências

14 Referências Citadas

Baseado em 14 Referências Citadas (14 Complementares).

Ver Todas as 14 Referências Citadas
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