Afrodisíacos

Cipó-Cravo: Para Que Serve, Benefícios e Como Preparar

Conheça os benefícios do cipó-cravo (Tynnanthus fasciculatus), planta nativa da Mata Atlântica: propriedades afrodisíacas, digestivas e analgésicas, contraindicações e o modo de preparo do chá tradicional.

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Tynnanthus fasciculatus - Cipó-cravo
Cipó-cravo (Tynnanthus fasciculatus) em seu habitat natural, planta medicinal utilizada na medicina tradicional brasileira para diversos fins terapêuticos.

O cipó-cravo, também conhecido como cipó-trindade e, em inglês, clove vine, é uma trepadeira lenhosa nativa da Mata Atlântica brasileira, cientificamente identificada como Tynnanthus fasciculatus e pertencente à família Bignoniaceae. O nome popular mais difundido vem do aroma de cravo-da-índia liberado pela casca e pela raiz quando maceradas ou raspadas, o que tornou a planta conhecida tanto na cultura popular quanto na medicina tradicional das regiões onde ocorre.

Na medicina popular brasileira, o cipó-cravo é empregado para uma ampla gama de finalidades, do apoio à digestão ao uso como tônico geral, passando pela fama de afrodisíaco natural que talvez seja seu uso mais conhecido. Comunidades tradicionais da Mata Atlântica mantiveram viva essa sabedoria etnobotânica ao longo de gerações, e o chá da casca, preparado por decocção, segue sendo a forma de consumo mais popular.

A ciência tem se debruçado com interesse crescente sobre essa planta. Pesquisadores brasileiros investigam seus compostos ativos em busca de validar parte do que a tradição já afirmava, e estudos fitoquímicos e farmacológicos preliminares apontam propriedades relevantes. Ainda assim, o cipó-cravo segue sendo, sobretudo, objeto de pesquisa em estágio inicial, com poucos estudos conduzidos em humanos.

Sumário do Artigo
  1. Nomes Populares e Internacionais
  2. Sinônimos Botânicos do Cipó-Cravo
  3. Família e Características Botânicas
  4. Partes Usadas para Chás e Preparações
  5. Usos Etnobotânicos e Tradicionais
  6. Propriedades Medicinais do Cipó-Cravo
  7. Perfil Fitoquímico do Cipó-Cravo
  8. Propriedades Afrodisíacas e Estímulo Sexual
  9. Benefícios para o Sistema Digestivo
  10. Ação Analgésica e Anti-Inflamatória
  11. Formas de Preparo: Chás, Tinturas e Extratos
  12. Combinações Sugeridas com Outras Plantas
  13. Como Preparar o Cipó-Cravo
  14. Terapias Associadas
  15. Contraindicações e Efeitos Colaterais
  16. Curiosidades e Fatos Históricos
  17. Perguntas Frequentes Sobre o Cipó-Cravo

Nomes Populares e Internacionais

  • Alemão: Nelkenwein
  • Espanhol: clavo huasca
  • Francês: liane clou de girofle
  • Inglês: clove vine
  • Italiano: chiodo di garofano rampicante
  • Português: cipó-cravo, cipó-trindade

Na América hispânica, o nome clavo huasca costuma se referir a um parente próximo do cipó-cravo, o Tynnanthus panurensis, nativo da Amazônia peruana e por vezes tratado como sinônimo botânico da espécie brasileira.

Sinônimos Botânicos do Cipó-Cravo

Os sinônimos botânicos do Tynnanthus fasciculatus Miers incluem Schizopsis panurensis, Tynnanthus elegans e Tynnanthus panurensis (Bureau) Sandwith. A variação de nomes é comum na botânica e reflete diferentes momentos da classificação da espécie ao longo do tempo, mas Tynnanthus fasciculatus é o nome cientificamente mais aceito hoje. Para quem for pesquisar ou comprar a planta, verificar esse nome científico ajuda a garantir a identificação correta da espécie.

Família e Características Botânicas

O cipó-cravo pertence à família Bignoniaceae, conhecida pela diversidade de árvores, arbustos e lianas com flores vistosas, presente principalmente em regiões tropicais e subtropicais. Como trepadeira lenhosa, a planta se entrelaça em outras árvores da Mata Atlântica em busca de luz solar, podendo atingir grandes comprimentos. As folhas são compostas, geralmente trifolioladas, com coloração verde intensa, e liberam o característico aroma de cravo quando maceradas.

As flores são brancas ou amareladas, reunidas em inflorescências, e os frutos se apresentam como cápsulas longas e achatadas, com sementes aladas dispersas pelo vento. A espécie é mais comum na região Sudeste do Brasil, com ocorrência registrada em estados como Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, onde é coletada por comunidades locais há muitas gerações.

O interesse comercial crescente pela planta levanta preocupações sobre a sustentabilidade da coleta na Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do país. Um estudo conduzido por Lopes e colaboradores avaliou o crescimento de mudas de cipó-cravo, reforçando o cultivo como alternativa viável à extração de exemplares silvestres e um caminho para reduzir a pressão sobre as populações naturais da espécie.

Partes Usadas para Chás e Preparações

  • Casca
  • Cipó
  • Folhas
  • Raiz

Usos Etnobotânicos e Tradicionais

O uso do cipó-cravo na medicina popular brasileira remonta a séculos. Comunidades indígenas e, posteriormente, populações caboclas e rurais da Mata Atlântica foram pioneiras em sua utilização, descobrindo suas propriedades de forma empírica, pela observação e pela experimentação. Esse conhecimento foi transmitido oralmente entre gerações, de curandeiros para aprendizes, e permanece vivo em ervanarias e famílias que preservam o saber tradicional.

Tradicionalmente, a casca é usada como remédio caseiro para dores de estômago e outros distúrbios digestivos, além de ser empregada como vermífugo natural contra parasitas intestinais. O uso como estimulante geral e como afrodisíaco também é antigo e bastante difundido, assim como o emprego da planta com finalidade anti-reumática e fortificante. Relatos históricos indicam ainda seu uso em banhos e garrafadas, além do tradicional chá por decocção.

O uso vermífugo é, aliás, um dos poucos já testados experimentalmente. Um estudo de Amorim e colaboradores avaliou a influência da casca do caule sobre a eliminação de Vampirolepis nana e de oxiurídeos em camundongos, dentro de uma série de pesquisas sobre ação anti-helmíntica de plantas. Trata-se de um trabalho em modelo animal, sem equivalente clínico em humanos até o momento.

Propriedades Medicinais do Cipó-Cravo

  • Afrodisíaco: tradicionalmente associado ao aumento do desejo sexual e da disposição.
  • Analgésico: usado na tradição popular para alívio de dores musculares e articulares.
  • Anti-helmíntico: empregado tradicionalmente no combate a parasitas intestinais.
  • Anti-reumático: associado na tradição a alívio de dores e desconforto reumático.
  • Carminativo: auxilia, segundo o uso popular, na eliminação de gases intestinais.
  • Digestivo: tradicionalmente usado para apoiar a digestão e aliviar a dispepsia.
  • Estimulante: associado a mais disposição e vitalidade no uso tradicional.
  • Relaxante Muscular: usado popularmente para aliviar tensões e espasmos musculares.
  • Tônico: empregado tradicionalmente para fortalecer e equilibrar as funções do corpo.

Essas propriedades refletem principalmente o uso tradicional da planta, sustentado pelo conhecimento popular e por estudos preliminares, e não substituem diagnóstico ou tratamento médico.

Perfil Fitoquímico do Cipó-Cravo

Estudos fitoquímicos revelam uma composição rica e diversificada na casca e no cipó da planta, com destaque para os seguintes compostos, listados em ordem alfabética:

  • Açúcares Redutores: presentes na composição geral da casca.
  • Alcaloides (incluindo a Tinantina): a tinantina é um alcaloide considerado exclusivo dessa espécie.
  • Antraquinonas: compostos identificados na análise fitoquímica da casca.
  • Apigenina: flavonoide com atividade antioxidante já descrita na literatura.
  • Cumarinas: compostos aromáticos presentes na composição da planta.
  • Esteroides e Triterpenos: identificados em análises da casca do caule.
  • Eugenol: composto aromático responsável, em grande parte, pelo característico cheiro de cravo.
  • Flavonoides: atuam como antioxidantes e são associados a atividade anti-inflamatória.
  • Glicosídeo Complexo: derivado do eugenol, isolado em estudos mais recentes sobre a espécie.
  • Leucosceptosídeo: glicosídeo fenilpropanoide identificado na composição da casca.
  • Óleos Essenciais: associados às propriedades carminativas atribuídas à planta na tradição popular.
  • Saponinas: associadas na literatura a ações expectorante e anti-inflamatória.
  • Taninos (incluindo Taninos Condensados): conhecidos por propriedades adstringentes, anti-inflamatórias e cicatrizantes.
  • Verbascosídeo e Isoverbascosídeo: glicosídeos fenilpropanoides também isolados da casca.

Essa combinação de substâncias é apontada como a principal responsável pelos efeitos relatados no uso tradicional, com cada composto contribuindo, isolada ou sinergicamente, para diferentes ações no organismo.

Propriedades Afrodisíacas e Estímulo Sexual

O cipó-cravo é reconhecido, sobretudo na tradição popular, por suas propriedades afrodisíacas, tanto para homens quanto para mulheres. A explicação mais repetida na literatura popular atribui o efeito a uma melhora da circulação sanguínea na região pélvica, embora nenhum estudo publicado sobre a espécie tenha documentado ação vasodilatadora, e o mecanismo siga sem comprovação. Relatos tradicionais associam a planta a ereções mais firmes nos homens e ao aumento da libido e da sensibilidade nas mulheres.

O Que Dizem os Estudos em Animais

Estudos em modelos animais corroboram parcialmente essa ação estimulante. Uma pesquisa conduzida por Melo e colaboradores avaliou os efeitos da infusão da planta no parênquima testicular de ratos Wistar adultos, com a dose de 200 mg por animal ao dia.

O trabalho encontrou aumento no peso dos testículos e no volume e no comprimento total dos túbulos seminíferos, estruturas onde ocorre a produção de espermatozoides. A produção diária total de espermatozoides e a eficiência da espermatogênese, medida pela produção por grama de testículo, também foram maiores no grupo tratado.

Esses achados sugerem um efeito na fisiologia reprodutiva masculina que vai além do estímulo sexual. Ainda assim, trata-se de pesquisa em animais: estudos em humanos seguem necessários para confirmar qualquer relevância clínica.

Benefícios para o Sistema Digestivo

O apoio à digestão é um dos usos tradicionais mais citados do cipó-cravo. A planta é empregada popularmente para aliviar desconfortos gástricos e intestinais, incluindo a má digestão, conhecida tecnicamente como dispepsia, e a sensação de inchaço abdominal. As propriedades carminativas atribuídas aos óleos essenciais presentes na casca são apontadas, na tradição popular, como responsáveis por ajudar na eliminação de gases intestinais.

O chá da casca, preparado por decocção, é a forma mais comum de uso para esse fim. Na tradição popular, ele proporciona alívio para dores de estômago e cólicas, e é usado ainda como coadjuvante em casos leves de gastrite, pela ação calmante atribuída sobre a mucosa gástrica. Bases de dados de plantas úteis registram para a espécie usos estomáquico e tônico, além de propriedades antidiarreicas, sempre no campo do emprego tradicional. Estudos clínicos específicos sobre esse uso digestivo, porém, ainda são escassos na literatura científica.

Ação Analgésica e Anti-Inflamatória

As propriedades analgésicas do cipó-cravo são valorizadas na medicina popular para dores de diversas origens, das articulares às musculares. Pessoas que convivem com artrite e artrose relatam, na tradição popular, melhora nos sintomas de dor e rigidez com o uso da planta. A ação anti-inflamatória atribuída aos flavonoides presentes na casca é apontada como parte do mecanismo por trás desse efeito relatado.

Relatos tradicionais mencionam ainda diminuição de inchaço e vermelhidão nas áreas afetadas, sinais clássicos do processo inflamatório. O uso consistente, seja em chá ou extrato, é associado na tradição a mais conforto e mobilidade para quem convive com dores crônicas. Essas propriedades, porém, derivam principalmente de uso tradicional e de estudos preliminares in vitro ou em modelos animais, e não substituem o acompanhamento médico no tratamento de condições inflamatórias crônicas.

Formas de Preparo: Chás, Tinturas e Extratos

O cipó-cravo pode ser preparado de diferentes formas, dependendo da finalidade desejada e da tradição local. A infusão e a decocção da casca são as formas mais comuns, especialmente para uso digestivo. Tinturas, preparadas pela maceração da casca em álcool de cereais ou aguardente, e extratos fluidos, mais concentrados, são indicados sobretudo para uso afrodisíaco, mas exigem orientação profissional quanto à dosagem. O pó da casca também pode ser encapsulado, o que oferece consumo prático e dosagem mais precisa.

Qualquer que seja a forma escolhida, a procedência e a qualidade da matéria-prima influenciam diretamente o resultado e a segurança do uso.

Combinações Sugeridas com Outras Plantas

O cipó-cravo pode ser combinado com outras plantas para potencializar seus efeitos na tradição popular. Para reforçar o efeito afrodisíaco, costuma ser associado à catuaba ou à muirapuama. Para queixas digestivas, a camomila ou o funcho podem complementar seu uso. A sinergia entre plantas pode ampliar os benefícios relatados, mas as propriedades de cada espécie devem ser consideradas antes de qualquer combinação, e a consulta a um profissional de fitoterapia é sempre recomendada.

Como Preparar o Cipó-Cravo

A forma mais tradicional de consumir o cipó-cravo é o chá preparado por decocção, usando a casca seca do caule, mas outras preparações também têm lugar na tradição popular, cada uma indicada para uma finalidade diferente.

Decocção Tradicional para a Digestão

  1. Use uma colher de sopa de casca seca picada para cada litro de água.
  2. Leve a água ao fogo junto com a casca e espere ferver.
  3. Após o início da fervura, mantenha em fogo baixo por dez a quinze minutos.
  4. Desligue o fogo, tampe a panela e deixe em infusão por mais dez minutos.
  5. Coe e sirva quente ou frio, na proporção de duas a três xícaras por dia, preferencialmente entre as refeições.

Tintura Afrodisíaca

  1. Utilize cerca de vinte gramas de casca picada para cada cem mililitros de aguardente ou álcool de cereais.
  2. Deixe macerar por pelo menos duas semanas em local escuro, agitando o recipiente diariamente.
  3. Coe bem ao final do período de maceração.
  4. Consuma algumas gotas diluídas em água, antes das refeições ou conforme orientação profissional.

Decocção para Uso em Compressas e Banhos

  1. Ferva duas colheres de sopa de casca ou cipó picado em um litro de água por quinze a vinte minutos.
  2. Deixe a mistura esfriar e coe em seguida.
  3. Use o líquido em compressas mornas sobre as áreas com dor muscular ou articular.
  4. Alternativamente, adicione o líquido coado à água do banho para um efeito relaxante geral.

Esse processo de fervura prolongada é necessário para extrair os compostos ativos da casca, que é lenhosa e mais resistente do que as folhas. Independentemente da preparação escolhida, não é recomendado exceder as quantidades tradicionais aqui indicadas sem orientação de um profissional de saúde.

Terapias Associadas

Fitoterapia

Na fitoterapia, o cipó-cravo é valorizado por suas múltiplas propriedades tradicionais, do apoio à função sexual ao suporte digestivo, passando pela ação analgésica e anti-reumática. A fitoterapia moderna busca validar cientificamente esses usos tradicionais, com extratos padronizados desenvolvidos para garantir maior consistência e segurança. A pesquisa contínua sobre a espécie contribui para sua integração gradual em práticas de saúde complementar, sempre como coadjuvante e nunca como substituto do tratamento médico convencional.

Homeopatia

O cipó-cravo não é um remédio homeopático consagrado, mas os princípios ativos da planta podem, em tese, ser explorados dentro da lógica homeopática, que considera a totalidade dos sintomas do indivíduo e busca um simillimum, ou seja, uma substância que provoque sintomas semelhantes aos que se pretende tratar. A pesquisa homeopática sobre essa espécie especificamente é escassa, e a avaliação da adequação da planta a esse uso deve ficar a cargo de um homeopata qualificado.

Contraindicações e Efeitos Colaterais

O cipó-cravo costuma ser bem tolerado nos relatos de uso tradicional, nas quantidades habitualmente empregadas, embora faltem estudos de segurança conduzidos em humanos. O consumo excessivo ou prolongado pode causar desconfortos gastrointestinais, como irritação estomacal ou náuseas. A alta concentração de taninos na casca pode, em alguns casos, provocar constipação ou dificultar a absorção de certos nutrientes.

Alguns grupos devem evitar o uso da planta ou consultar um profissional de saúde antes de iniciar o consumo:

  • Crianças, pela ausência de estudos sobre segurança e dosagem na faixa etária pediátrica
  • Gestantes e lactantes, já que não há estudos de segurança nessa população e as substâncias da planta podem atravessar a placenta ou passar para o leite materno
  • Pessoas com doenças cardíacas, pela ausência de estudos sobre o efeito da planta nesse grupo
  • Pessoas com doenças hepáticas ou renais preexistentes
  • Usuários de medicamentos de uso contínuo, sobretudo anticoagulantes, anti-hipertensivos e medicamentos para diabetes, pelo risco teórico de interação

Por isso, o acompanhamento de um médico ou fitoterapeuta é sempre recomendado antes de iniciar o uso do cipó-cravo, principalmente para quem já faz uso de outros medicamentos ou tem alguma condição de saúde preexistente.

Curiosidades e Fatos Históricos

  • A casca e a raiz liberam um aroma intenso de cravo-da-índia quando raspadas ou maceradas, o que deu origem ao nome popular da planta.
  • No corte transversal do caule lenhoso, o desenho interno da madeira forma um padrão que lembra uma cruz, característica usada por coletores tradicionais para identificar a espécie no meio da mata.
  • O cipó-cravo é uma trepadeira lenhosa de grande porte, capaz de percorrer dezenas de metros ao subir pelo dossel da mata em busca de luz.
  • Um parente próximo do cipó-cravo, o Tynnanthus panurensis, é conhecido na Amazônia peruana como clavo huasca e integra fórmulas afrodisíacas tradicionais como Siete Raíces e Rompe Calzón, além de ser usado por algumas comunidades para atenuar os efeitos purgativos da ayahuasca. Por conta da proximidade botânica entre as duas espécies, é comum encontrar essas informações atribuídas também ao cipó-cravo brasileiro.

Perguntas Frequentes Sobre o Cipó-Cravo

O Cipó-Cravo Realmente Funciona Como Afrodisíaco?

O cipó-cravo tem uma longa história de uso como afrodisíaco na medicina popular brasileira. Estudos preliminares em animais corroboram parcialmente essa propriedade, mostrando efeitos na fisiologia reprodutiva masculina. Acredita-se que a planta melhore o fluxo sanguíneo para a região genital, o que poderia beneficiar tanto homens quanto mulheres, mas esse mecanismo específico ainda não foi comprovado em estudos publicados. Faltam ensaios clínicos em humanos, e os resultados relatados na tradição popular podem variar de pessoa para pessoa.

Quais São os Principais Benefícios do Cipó-Cravo?

Na tradição popular, o cipó-cravo é associado principalmente à ação afrodisíaca e estimulante, ao apoio à digestão e ao alívio de dores musculares e articulares. Também é empregado como tônico geral e, historicamente, como vermífugo. Esses usos vêm sobretudo do conhecimento tradicional e de estudos preliminares, e ainda carecem de confirmação por ensaios clínicos robustos em humanos.

Qual É a Diferença Entre o Cipó-Cravo e o Cravo-da-Índia?

São plantas diferentes, apesar do nome parecido e do aroma semelhante. O cipó-cravo é uma trepadeira da família Bignoniaceae, cientificamente Tynnanthus fasciculatus, nativa da Mata Atlântica brasileira. Já o cravo-da-índia é uma árvore da família Myrtaceae, Syzygium aromaticum, originária da Indonésia e cultivada por seus botões florais aromáticos. O aroma parecido entre as duas se deve à presença do composto eugenol em ambas.

O Cipó-Cravo Emagrece ou Ajuda a Perder Peso?

Um estudo recente em modelo animal encontrou redução no peso de tecido adiposo após o uso de infusão da planta, o que é um achado preliminar interessante. Contudo, não há evidência clínica em humanos que sustente o uso do cipó-cravo com esse objetivo específico. O uso tradicional da planta está associado principalmente aos efeitos digestivos e estimulantes, e uma dieta equilibrada aliada a exercícios físicos continua sendo a base para o emagrecimento saudável.

Qual É o Melhor Horário para Tomar o Chá de Cipó-Cravo?

O horário ideal depende do objetivo do uso. Para auxiliar na digestão, a recomendação tradicional é tomar uma xícara após as principais refeições, como almoço e jantar. Já para aproveitar os efeitos estimulantes associados à planta, o consumo durante o dia ou no fim da tarde costuma ser mais indicado. Pessoas sensíveis podem preferir evitar o chá muito próximo da hora de dormir, para não afetar a qualidade do sono.

Mulheres Grávidas ou Amamentando Podem Consumir Cipó-Cravo?

Não é recomendado. Assim como a maioria dos fitoterápicos, o cipó-cravo carece de estudos de segurança específicos para gestantes e lactantes. As substâncias presentes na casca podem atravessar a barreira placentária ou passar para o leite materno, com efeitos ainda desconhecidos sobre o feto ou o bebê. Consultar um médico antes de usar qualquer planta medicinal durante a gestação ou a amamentação é sempre recomendado.

Existem Efeitos Colaterais Associados ao Uso do Cipó-Cravo?

A planta costuma ser bem tolerada nos relatos tradicionais, mas faltam estudos de segurança em humanos que permitam afirmar isso com respaldo clínico. Entre os desconfortos já descritos com consumo excessivo e prolongado estão irritação estomacal e náuseas, além de constipação, atribuída à alta concentração de taninos na casca. Quem tem doenças hepáticas ou renais preexistentes deve ter cautela redobrada e buscar orientação profissional antes do uso. O único estudo toxicológico disponível para a espécie usou o modelo de Artemia salina, um ensaio preliminar que não substitui avaliação de segurança em pessoas.

O Cipó-Cravo Pode Interagir com Outros Medicamentos?

Sim, como ocorre com muitos fitoterápicos. Pessoas que fazem uso contínuo de medicamentos, sobretudo anticoagulantes, anti-hipertensivos ou remédios para diabetes, devem consultar um profissional de saúde antes de iniciar o uso do cipó-cravo. A planta pode, teoricamente, interferir na absorção, no metabolismo ou na eficácia de certos medicamentos, o que reforça a importância da orientação médica ou farmacêutica.

Crianças Podem Tomar o Chá de Cipó-Cravo com Segurança?

O uso em crianças não é recomendado. A segurança e a eficácia do uso pediátrico da planta não foram estabelecidas por estudos científicos, e o organismo infantil reage de forma diferente do adulto a compostos vegetais. Por isso, o mais prudente é evitar o uso de fitoterápicos em crianças sem supervisão e recomendação expressa de um pediatra.

Onde Encontrar o Cipó-Cravo de Boa Qualidade?

O cipó-cravo pode ser encontrado em lojas de produtos naturais, físicas ou online, além de ervanarias e mercados especializados em plantas medicinais. É importante buscar fornecedores confiáveis, que garantam a procedência do produto e a correta identificação botânica da espécie (Tynnanthus fasciculatus), já que plantas mal identificadas podem comprometer a segurança do uso.

Referências

10 Referências Citadas

Baseado em 10 Referências Citadas (4 Peer-Reviewed, 6 Complementares).

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Estudos Científicos Peer-Reviewed (4)

  1. PMC2010 Melo, F. C. S. A., Matta, S. L. P., Paula, T. A. R., Gomes, M. L. M., & Oliveira, L. C. (2010). “The effects of Tynnanthus fasciculatus (Bignoniaceae) infusion on testicular parenchyma of adult Wistar rats.” Biological Research, 43(4), 445-450. .
  2. DOI2009 Carvalho, C., Matta, S., Melo, F., Andrade, D., Carvalho, L., Nascimento, P., Silva, M., & Rosa, M. (2009). “Cipó-cravo (Tynnanthus fasciculatus Miers-Bignoniaceae): estudo fitoquímico e toxicológico envolvendo Artemia salina.” Revista Eletrônica de Farmácia, 6(1). .
  3. DOI2008 Lopes, M. M. M., Carvalho-Okano, R. M., Souza, A. L., & Paiva, H. N. (2008). “Crescimento de mudas de cipó-cravo (Tynnanthus fasciculatus Miers), uma liana com potencial medicinal.” Revista Árvore, 32(2). .
  4. DOI2015 Cansian, F. C., Merino, F. J. Z., Dias, J. F. G., Zanin, S. M. W., Miguel, O. G., & Miguel, M. D. (2015). “Chemical review and studies related to species from the genus Tynanthus (Bignoniaceae).” Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences, 51(3), 515-523. .

Leituras Complementares (6)

  1. 2025 Ladeira, L. C. M., Damasceno, E. M., Melo, A. L. A. B., Silva, J., Maldonado, I. R. S. C., & Matta, S. L. P. (2025). “Anti-adiposity effect of cipó-cravo (Tynanthus fasciculatus), a vine from the Brazilian Atlantic Forest.” Revista Brasileira de Plantas Medicinais, 27(1). .
  2. 1991 Amorim, A., Borba, H. R., & Amano, L. M. (1991). “Ação anti-helmíntica de plantas IV. Influência da casca do caule de cipó-cravo (Tynnanthus fasciculatus Miers; Bignoniaceae) na eliminação de Vampirolepis nana e de oxiurídeos em camundongos.” Revista Brasileira de Farmácia, 72(4), 92-94.
  3. 2001 Gullo, A. C., & Pereira, A. M. S. (2001). “O uso de plantas medicinais na cidade de São Paulo.” Atualidades Médicas, 3(2), 25-30.
  4. 1979 Lainetti, R., & Brito, N. R. S. (1979). A Saúde Pelas Plantas e Ervas do Mundo Inteiro. Rio de Janeiro: Ediouro.
  5. Useful Tropical Plants Database. “Tynanthus fasciculatus.” Tropical Plants Database, Ken Fern. .
  6. Rain-Tree. “Clavo Huasca – Tynanthus panurensis.” Tropical Plant Database. .

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