Goiaba: benefícios e propriedades medicinais


A goiaba (Psidium guajava) é a fruta da goiabeira, uma planta medicinal também conhecida como guava, goiabeiro, guave, guayaba (espanhol), dentre outros nomes populares. Pertence a família Myrtaceae.


Benefícios da goiaba

Na casca, fruta e folha da goiaba se concentram as propriedades da planta, que possui uma longa história de usos medicinais. Os índios Tikuna usam tradicionalmente a decocção das folhas e das cascas da goiaba para curar diarreia e disenteria, inclusive, a Farmacopeia da Holanda considera as folhas da goiabeira indicadas para o tratamento da diarreia. Os indígenas também usam para dor de garganta, vômitos, problemas de estômago, vertigem e para ajudar a regularizar períodos menstruais. As folhas de goiaba são mastigadas para aliviar o mau hálito e estancar sangramentos na gengiva.

O extrato de folhas é usado também como uma ducha para candidíase. As folhas são esmagadas e aplicadas em feridas e contusões. É dito que as folhas de goiaba mastigadas antes de iniciar o consumo de bebidas alcoólicas previnem o aparecimento de ressacas. A decocção da casca ou folhas ou infusão da flor é usada topicamente para úlceras e feridas na pele. As flores esmagadas são aplicadas em inchaços nos olhos, lesões oculares e conjuntivite.

A goiaba é amplamente utilizada na medicina popular como um antisséptico natural, inclusive quando interage com outros antissépticos sintéticos e concentrados, vez em função de suas propriedades hipoalergênicas potencializa os efeitos (diminui as possibilidades da incidência de alergias).

Propriedades nutricionais da goiaba

A goiaba é rica em taninos, fenóis, triterpenos, flavonoides, óleos essenciais, saponinas, carotenoides, lectinas, vitaminas, fibras e ácidos graxos. A fruta é rica em vitamina C e uma boa fonte de pectina – uma fibra dietética. As folhas de goiaba são ricas em flavonoides, principalmente a quercetina, sendo que grande parte da atividade terapêutica da goiaba é atribuída a estes flavonoides, que têm demonstrado atividade antibacteriana. Acredita-se que a quercetina contribui para o efeito antidiarreico da goiaba, sendo capaz de relaxar o músculo liso intestinal e inibir as contrações intestinais. Além disso, outros flavonoides e triterpenos presentes nas folhas de goiabeira mostraram atividade antiespasmódica.

A goiaba também possui propriedades antioxidantes atribuídas aos polifenóis encontrados nas folhas. Os carotenoides se convertem em vitamina A e tem efeito antioxidante dentro das células. 100 gramas de polpa de goiaba corresponde por cerca de 8% da necessidade diária de vitamina A. A goiaba também contém vitaminas do grupo B, exceto B12. Também estão presentes a vitamina E, assim como cálcio, fósforo, magnésio e ferro. Seu mineral mais abundante é o potássio. Na culinária, a goiaba é utilizada como ingrediente principal em geleias, bolos, doces e outros preparos.

O uso da goiaba para emagrecer, reduzir calorias e diminuir os níveis de açúcar no sangue

Em dois estudos randomizados em humanos, o consumo de frutos de goiaba por 12 semanas, além de reduzir a pressão arterial, também diminuiu os níveis de colesterol total em 9%, diminuição de triglicérides em quase 8%, além de aumentar a taxa de colesterol HDL (considerado “colesterol bom”) em 8%. Os efeitos foram atribuídos ao alto teor de potássio e fibras solúveis da fruta. O grande porém é que, neste estudo, o consumo diário de goiabas durante 12 semanas era muito alto, por isso os resultados foram tão satisfatórios. O suco de fruta de goiaba tem sido recomendado para diminuir os níveis de açúcar em diabéticos.

Tratamento de distúrbios digestivos

O uso da goiaba para o tratamento da gastroenterite, diarreia e outros distúrbios digestivos tem sido validado em numerosos estudos. Ensaios clínicos em humanos que o extrato vegetal da goiaba é eficaz no tratamento de diarreia em adultos. Os extratos de folhas de goiaba e suco da fruta também tem sido estudado clinicamente para a diarreia infantil. Em um estudo clínico com 62 crianças com enterite por rotavírus infantil, a taxa de recuperação foi de três dias em 87,1% das crianças que foram controlados com a goiaba, cessando em um efeito mais curto do que nos pacientes que apenas foram feitos controles¹.

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Tratamento da arritmia cardíaca

Em um estudo de 2003, pesquisadores brasileiros relataram que extratos de folhas de goiaba têm numerosos efeitos sobre o sistema cardiovascular que pode ser útil no tratamento da arritmia cardíaca. Outras pesquisas anteriores já indicavam que a folha possui propriedades antioxidantes benéficas para o coração, melhorando a função miocárdica.

O cultivo da goiaba

A goiabeira é uma árvore de sombra comum no Brasil. Algumas árvores chegam há mais de 20 metros de altura. O tamanho das goiabeiras pode variar mais de 10 metros, de acordo com sua variedade, assim como o tamanho dos frutos. É cultivada em vários trópicos do mundo, vez que pode sobreviver há uma variedade solos, se reproduz facilmente e frutifica de forma relativamente rápida. Os frutos contêm numerosas sementes que podem produzir uma árvore frutífera em cerca de quatro anos. Nas florestas e matas, as goiabas são muito apreciadas por pássaros e macacos, que dispersam sementes de goiaba em suas fezes e ajudam a propagar a espécie.

Contraindicações e efeitos colaterais da goiaba

O consumo excessivo de goiabas não é indicado para pessoas com aparelho digestivo frágil ou com problemas intestinais.

História e curiosidades

Sementes de goiaba armazenadas com sementes de outras plantas como feijão, abóbora e milho foram encontradas em sítios arqueológicos no Peru datados de milhares de anos. A espécie Psidium guajava faz parte da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS), constituída de espécies vegetais com potencial de avançar nas etapas da cadeia produtiva e de gerar produtos de interesse do Ministério da Saúde do Brasil.

Referências:
¹ Wei, L., et al. “Clinical study on treatment of infantile rotaviral enteritis with Psidium guajava L.” Zhongguo Zhong Xi Yi Jie He Za Zhi 2000; 20(12): 893-5.
Rique, Ana Beatriz Ribeiro, E. de A. Soares, and C. de M. Meirelles. “Nutrição e exercício na prevenção e controle das doenças cardiovasculares.” Rev Bras Med Esporte 8.6 (2002): 244-54.
Corrêa, Maria Ivaneide Coutinho. “Processamento de néctar de goiaba (Psidium guajava L. var. Paluma): compostos voláteis, características físicas e químicas e qualidade sensorial.” (2002).
Agte, Vaishali, et al. “Vitamin profile of cooked foods: how healthy is the practice of ready-to-eat foods?.” International journal of food sciences and nutrition 53.3 (2002): 197-208.

Comentários

1 Comentário

  1. MARIA DE LOURDES BONIFÁCIO BARBO

    Eu sempre como goiabas,é uma fruta apetitosa. cultivo um pé .em vaso. faz algum meses.

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