Plantas Medicinais

Picão-Preto (Bidens pilosa): Para Que Serve o Chá

Conheça os benefícios, efeitos colaterais, indicações e propriedades medicinais do chá de picão-preto (Bidens pilosa), planta também chamada de amor-seco.

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Picão-preto - Bidens pilosa
Flor de picão-preto (Bidens pilosa), planta medicinal amplamente utilizada na medicina natural brasileira para chás terapêuticos

O picão-preto, cientificamente Bidens pilosa, é uma planta herbácea da família Asteraceae, a mesma das margaridas e girassóis, com distribuição praticamente cosmopolita nas regiões tropicais e subtropicais do planeta. É comum encontrá-la crescendo espontaneamente em terrenos baldios, quintais e beiras de estrada, muitas vezes classificada como planta daninha pelos agricultores, mas valorizada há gerações na medicina popular brasileira, sobretudo para questões digestivas e hepáticas.

Sumário do Artigo
  1. Aspectos Botânicos do Picão-Preto
  2. Uma Planta Global, com Usos Locais Distintos
  3. Usos Tradicionais na Medicina Popular
  4. Composição Química
  5. O Que a Ciência Diz sobre o Picão-Preto
  6. Como Usar o Picão-Preto
  7. Cultivo do Picão-Preto
  8. Contraindicações e Interações Medicamentosas
  9. Perguntas Frequentes sobre o Picão-Preto

Aspectos Botânicos do Picão-Preto

A planta é herbácea anual, de porte modesto, geralmente até um metro de altura, com folhas opostas e serrilhadas. As inflorescências têm centro amarelo e pétalas brancas ao redor, e os frutos são aquênios pretos com pequenas projeções em gancho, que se prendem a pelos de animais e roupas, mecanismo eficiente de dispersão. Originária das Américas, hoje tem distribuição cosmopolita e se adapta a solos férteis ou pobres, o que explica sua reputação de planta invasora em várias partes do mundo.

Uma Planta Global, com Usos Locais Distintos

Além do papel consolidado na medicina popular brasileira, o picão-preto integra a farmacopeia tradicional de dezenas de países em três continentes: na medicina tradicional chinesa é usado para inflamações e febre, em vários países africanos as folhas jovens são consumidas cozidas como vegetal nutritivo em períodos de escassez alimentar, e na América Central aparece em preparações para problemas respiratórios e de pele. Essa distribuição ampla e usos paralelos e independentes em culturas tão distantes entre si são um dos motivos que atraem pesquisadores para investigar seus compostos com mais profundidade, já que convergências etnobotânicas assim costumam sinalizar atividade biológica real, mesmo que ainda pouco caracterizada clinicamente.

No Brasil, o picão-preto é conhecido sobretudo pelo uso popular no tratamento de icterícia em recém-nascidos e outras questões hepáticas, além de problemas digestivos como dores de estômago e diarreia. É importante uma ressalva que a tradição popular costuma pular: icterícia em recém-nascido pode ser sinal de condições que exigem avaliação pediátrica imediata, como incompatibilidade sanguínea entre mãe e bebê ou obstrução das vias biliares, e o acompanhamento neonatal padrão hoje é feito com exame de bilirrubina e, se necessário, fototerapia hospitalar. Dar qualquer chá a um recém-nascido, picão-preto incluído, não é recomendado pela pediatria atual sem orientação médica direta, já que o sistema digestivo do bebê é imaturo e o volume de líquido pode desequilibrar sua hidratação.

Em adultos, o chá de folhas e flores também é usado tradicionalmente para dores de garganta, infecções de pele e como tônico geral. Essas indicações são etnobotânicas, reflexo de séculos de uso empírico, e servem de ponto de partida para a pesquisa científica, não de substituto ao diagnóstico médico.

Composição Química

O picão-preto reúne poliacetilenos, como o fenil-heptatriino, associados às atividades antimicrobiana e anti-inflamatória estudadas em laboratório, além de flavonoides como quercetina, luteolina e centaureína, responsáveis pela ação antioxidante. Terpenos, ácido cafeico, ácido clorogênico, cumarinas e chalconas completam o perfil químico da planta, o que explica o interesse contínuo da pesquisa fitoquímica em torno dela.

O Que a Ciência Diz sobre o Picão-Preto

Ação Anti-Inflamatória

Extratos da planta reduzem a produção de mediadores inflamatórios como prostaglandinas e citocinas em modelos de laboratório, o que é coerente com o uso tradicional para dores e inchaço. São estudos majoritariamente pré-clínicos, e a extrapolação para uso terapêutico em doenças inflamatórias crônicas como artrite ainda depende de mais pesquisa em humanos.

Potencial Antioxidante

Os flavonoides e compostos fenólicos do picão-preto neutralizam radicais livres em ensaios de bancada e parecem estimular enzimas antioxidantes próprias do organismo, como a superóxido dismutase. É um mecanismo consistente com a proteção celular contra o estresse oxidativo, ainda que o benefício direto do consumo do chá sobre esse processo em humanos não tenha sido medido em ensaios clínicos robustos.

Estudos sobre Proteção do Fígado

Em modelos animais, compostos do picão-preto protegeram células hepáticas contra danos induzidos por substâncias tóxicas usadas experimentalmente, como paracetamol em dose alta e tetracloreto de carbono. Esse é um resultado pré-clínico relevante, mas não equivale a um tratamento comprovado para hepatite viral, esteatose hepática ou dano por álcool em pessoas; qualquer uma dessas condições exige diagnóstico e acompanhamento hepatológico, e o chá não substitui esse cuidado.

Estudos sobre Controle Glicêmico

Estudos em animais mostraram que extratos de picão-preto reduziram a glicemia e parecem melhorar a sensibilidade à insulina. É uma linha de pesquisa promissora, mas que ainda não foi confirmada em ensaios clínicos de qualidade em pessoas com diabetes. Quem tem diabetes e usa medicação hipoglicemiante precisa de cautela redobrada, já que o efeito somado da planta com o remédio pode provocar queda excessiva da glicemia, e o uso só deve acontecer com acompanhamento do médico que trata a condição.

Atividade Antimicrobiana

Extratos da planta mostraram atividade contra bactérias como Staphylococcus aureus e Escherichia coli, e contra o fungo Candida albicans, sempre em testes de laboratório. Uma infecção urinária ou de pele com sinais de febre, dor intensa ou piora não deve ser tratada com chá caseiro no lugar de antibiótico prescrito: atraso no tratamento correto de uma infecção urinária, por exemplo, pode evoluir para comprometimento renal.

Potencial Estudado contra Células Tumorais

Estudos in vitro e em animais mostraram que poliacetilenos do picão-preto induzem apoptose (morte celular programada) em células tumorais de mama, próstata e cólon cultivadas em laboratório. São achados de pesquisa básica, não um tratamento: o picão-preto não é cura para câncer, não substitui nenhuma etapa do tratamento oncológico, e ainda faltam ensaios em humanos para saber se esse efeito de laboratório se repete no organismo.

Como Usar o Picão-Preto

Chá de picão-preto - Bidens pilosa

O chá, preparado por infusão das folhas e flores secas, é a forma de uso mais difundida do picão-preto.

O chá é a forma mais comum de uso: uma colher de sopa da planta seca em xícara de água fervente, em infusão por cerca de dez minutos, coado e consumido em duas a três xícaras ao dia. Banhos de assento com o chá são tradicionalmente indicados para hemorroidas, e o sumo da planta fresca macerada é usado topicamente sobre picadas de insetos. Em algumas culturas africanas, folhas e brotos jovens também são consumidos cozidos como vegetal, com sabor levemente amargo.

Cultivo do Picão-Preto

A planta é rústica e se propaga facilmente por sementes, semeadas direto no local definitivo, em solo bem drenado e rico em matéria orgânica, com sol pleno e rega regular sem encharcamento. A colheita ideal acontece na floração plena, quando a concentração de compostos ativos costuma ser maior; a secagem, em camada fina, local arejado e ao abrigo da luz solar direta, preserva as propriedades da planta por vários meses quando guardada em vidro bem fechado.

Contraindicações e Interações Medicamentosas

O picão-preto é considerado seguro para a maioria dos adultos nas quantidades tradicionais de chá, mas exige atenção em situações específicas. Grávidas e lactantes devem evitar o uso medicinal, assim como pessoas com alergia a plantas da família Asteraceae. As cumarinas da planta podem potencializar o efeito de anticoagulantes como a varfarina, aumentando o risco de sangramento, e o efeito hipoglicemiante pode se somar ao de medicamentos para diabetes, com risco de queda excessiva da glicemia. A planta também tem leve ação hipotensora, o que pede cautela em quem já usa anti-hipertensivo. Em qualquer um desses casos, a orientação é conversar com o médico antes de manter o uso regular. Efeitos colaterais são raros nas doses tradicionais, mas desconforto gástrico e reações alérgicas podem ocorrer, e exigem suspender o uso e buscar orientação médica.

Perguntas Frequentes sobre o Picão-Preto

Como Preparar o Chá de Picão-Preto?

Use uma colher de sopa da planta seca para uma xícara de água fervente, deixe em infusão por cerca de dez minutos, coe e beba em seguida, quente ou frio. A recomendação tradicional é de duas a três xícaras por dia.

O Picão-Preto Emagrece?

Não há evidência científica direta de que a planta emagreça. A leve ação diurética pode reduzir inchaço por eliminação de líquido, o que não é o mesmo que perda de gordura, e nenhum chá substitui alimentação equilibrada e atividade física no controle de peso.

O Picão-Preto Pode Ser Usado em Crianças?

Só com orientação pediátrica direta. O uso tradicional para icterícia em recém-nascidos é uma prática antiga que a pediatria atual não recomenda sem acompanhamento médico, já que a icterícia neonatal pode sinalizar condições que precisam de diagnóstico e tratamento hospitalar específicos.

O Picão-Preto Pode Ser Usado na Culinária?

Sim. Em algumas culturas, sobretudo na África, folhas e brotos jovens são consumidos cozidos como vegetal, de sabor levemente amargo, e servem como fonte nutritiva em períodos de escassez de alimentos.

O Picão-Preto Tem Efeitos Colaterais?

É geralmente bem tolerado nas doses tradicionais. Desconforto gástrico e reações alérgicas são os efeitos relatados com mais frequência, ainda que raros, e qualquer reação adversa pede suspender o uso e procurar orientação médica.

Onde Encontrar o Picão-Preto?

Em lojas de produtos naturais, feiras livres e mercados de ervas, e também crescendo espontaneamente em terrenos baldios e jardins, desde que o local não seja poluído e a identificação da planta seja feita com segurança.

Quais São as Contraindicações do Picão-Preto?

Grávidas, lactantes e pessoas alérgicas a plantas da família Asteraceae devem evitar o uso medicinal. Quem usa anticoagulantes, hipoglicemiantes ou anti-hipertensivos precisa de acompanhamento médico, pela possibilidade de interação.

Quem Toma Anticoagulante Pode Usar Picão-Preto?

Com cautela redobrada. As cumarinas da planta podem potencializar o efeito de medicamentos como a varfarina, aumentando o risco de sangramento, por isso o uso concomitante exige conversa prévia com o médico responsável pelo tratamento.

Referências

10 Referências Citadas

Baseado em 10 Referências Citadas (10 Complementares).

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