Marupazinho: benefícios e propriedades medicinais

O marupazinho (Eleutherine plicata), é uma planta medicinal também conhecida marupau, palmeirinha, coquinho, marupar, marupá-piranga, marupari, alho-vermelho e red garlic (inglês). Inclui o sinônimo botânico Eleutherine bulbosa. Pertence à família Iridaceae.

Benefícios do marupazinho

O marupazinho é consumido em forma de chá na medicina popular amazônica, sendo também um fitoterápico utilizado no tratamento de tratar diarreias, disenterias, hemorroidas e amebíase. O chá de marupazinho é feito através do bulbo. Seu princípio ativo é a sapogenina esteroidal, que possui propriedades analgésicas periféricas e anti-dematogênicas. Conforme estudos realizados¹, o marupazinho também possui ação dilatadora coronária, potencialmente útil no tratamento de doenças cardíacas e ação anti-fertilidade.

O extrato etanólico reparado por percolação a partir do bulbo previamente seco e moído da Eleutherine plicata suspenso em uma solução hidroalcoólica e submetida a partição com solventes de polaridades crescente apresentou resultado positivo para naftoquinonas; antraquinonas e esteroides e triterpenos. As análises do extrato etanólico indicaram a presença de quinonas nestas amostras. A avaliação da atividade antimicrobiana do referido extrato e frações com cepas de Candida albicans, Staphylococcus aureus, Escherichia coli e Pseudomonas aeruginosa demonstrou que a fração clorofórmica é a mais ativa, apresentando os maiores halos de inibição de crescimento microbiano e, possivelmente, contendo uma maior concentração de constituintes ativos. Da fração clorofórmica foram isolados os constituintes químicos isoeleuterol e isoeleuterina².

Como preparar o chá de marupazinho

Para preparar o chá de marupazinho como medicação caseira, na Amazônia, ferve-se 2 bulbos cortados em pequenos pedaços durante 15 minutos em 500 mL de água e consome uma xícara antes das refeições para tratar a diarreia e amebíase. O extrato também possui propriedades antibacterianas e antifúngicas.

Contraindicações e efeitos colaterais do marupazinho

Não foram relatados efeitos colaterais decorrentes do uso nas bibliografias consultadas.

Curiosidades

O marupazinho floresce duas vezes por ano, a primeira vez por volta dos meses de março e abril, e pela segunda vez em setembro. A sua flor branca abre a noite e se mantém aberta por 3 (três) horas. A planta é encontrada na América tropical, incluindo os campos secos da Amazônia brasileira. É uma planta rizomática e bulbosa, com bulbos avermelhados, tem de 20 a 30 cm de altura. Suas folhas são simples, inteiras, plissadas longitudinalmente e suas flores tem uma coloração avermelhada. Os bulbos apresentam escamas parecidas com a cebola, com uma coloração vinho e transpirando látex branco quando cortados.

O marupazinho se multiplica facilmente pelos bulbos, tornando-se persistente em diversas áreas a ponto de ser considerada “erva daninha”. A espécie Eleutherine plicata faz parte da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS).

Referências:
¹ (CHEN et al. 1984) / (WENIGER 1982; GRENAND, 1987).
² MALHEIROS, LUIZ CLAUDIO DA SILVA. Isoeleuterol e Isoeleuterina: Potenciais marcadores químicos da tintura de Eleutherine plicata Herb (Iridaceae) e atividades microbiológica e antioxidante. Diss. Universidade Federal do Pará, 2008.
Saraiva, Rosa Márcia Corrêa. Atividade antibacteriana de plantas medicinais frente á bactérias multirresistentes e a sua interação com drogas antimicrobianas. MS thesis. Universidade Federal do Pará, 2012.
Oliveira Neto, A. R., et al. “O uso de Eleutherine plicata no tratamento de doenças gastrointestinais na Amazônia paraense.” VIII Congresso de Ecologia do Brasil. Caxambu, Brasil. View. 2007.
Small-flowered Marica. Eleutherine plicata

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