Apiterapia: benefícios da apitoxina (veneno de abelha)

A apiterapia é uma terapia alternativa que faz uso de produtos derivados das abelhas, tais como cera de abelha, geleia real, mel, pólen, própolis e principalmente, veneno da abelha (apitoxina), contido no ferrão. Muitos pesquisadores afirmam que esses subprodutos tratam uma variedade de doenças e ainda aliviam dores oriundas de lesões crônicas e agudas.

Apiterapia

As terapias que envolvem a abelha existem há milhares de anos e algumas podem ser tão antigas quanto a própria medicina tradicional. A antiga arte rupestre dos primeiros caçadores-coletores descreve a abelha como fonte de medicina natural. O registro dessa prática está em textos chineses datados de 2.000 anos, onde Hipócrates e Galeno (129 – 199 d.C), escreveram sobre tratamentos com abelhas. Nas culturas egípcia, grega, hebraica, hindu, persa e romana, dentre outras, também eram conhecidas as propriedades nutritivas e terapêuticas da apiterapia.

Em algumas dessas culturas, muitos medicamentos eram preparados com abelhas moídas e, os soldados feridos em batalhas eram tratados com uma espécie de unguento feito a partir do mel em função de suas propriedades cicatrizantes. A apiterapia é indicada como um tratamento de último recurso, contudo, pode trazer benefícios para pacientes que não podem ser ajudados por medicamentos farmacológicos ou terapias tradicionais. Pacientes com esclerose múltipla relataram maior estabilidade, juntamente com menos fadiga e espasmo muscular, depois de experimentar a terapia. Pacientes com artrite reumatoide e osteoartrite disseram sentir menos dor e inchaço após a terapia com as picadas de abelha.

Terapia de veneno de abelha (apitoxina)

A terapia de veneno de abelha (apitoxina) é o mais conhecido e mais utilizada na apiterapia, visto que o veneno reduz a inflamação e aumenta a imunidade do corpo. A terapia com veneno de abelha era praticada no antigo Egito, na Grécia e na China – três grandes civilizações conhecidas por seus sistemas médicos altamente desenvolvidos

Hipócrates, médico grego conhecido como o “Pai da Medicina”, reconheceu as virtudes curativas do veneno de abelha para tratar a artrite e outros problemas nas articulações. Atualmente, evidências científicas crescentes sugerem que vários produtos de abelha promovem a cicatrização melhorando a circulação, diminuindo a inflamação e estimulando uma resposta imunológica saudável.

Em 1888, Phillip Terc, um médico austríaco, publicou um artigo sobre um dos primeiros estudos clínicos envolvendo picadas de abelha no tratamento do reumatismo. Depois dessa publicação, a prática se disseminou por todos os Estados Unidos e Europa. Vários relatos anedóticos (evidências informais em forma de conto), tornaram a picada de abelha uma terapia popular. No início do século XXI, a comunidade científica médica começou a investigar a terapia, estudando seu uso em um ambiente de nível farmacológico.

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Benefícios da apiterapia

Apitoxina (Veneno de Abelha)
Apitoxina (Veneno de Abelha)

Embora a maioria dos estudos clínicos sobre a apitoxina tenham começado em 2000, muitas pessoas já usavam a terapia ou por conta própria ou com a ajuda de praticantes leigos. Médicos estavam começando a usar a terapia, principalmente com uma forma injetável do veneno. A American Apitherapy Society diz que tem evidências anedóticas que mostram que o veneno de abelha é eficaz no tratamento de diversas condições de saúde:

  • Condições de pele, tais como eczema, psoríase, calos, verrugas e úlceras tópicas;
  • Distúrbios endócrinos, como cólicas menstruais, períodos irregulares, redução dos níveis de glicose no sangue e TPM (tensão pré-menstrual);
  • Distúrbios psicológicos, como depressão ou mudanças de humor;
  • Distúrbios reumatológicos, como artrite reumatoide, bursite, epicondilite lateral (“cotovelo de tenista”) e osteoartrite;
  • Doenças cardiovasculares, como hipertensão, arritmias, aterosclerose e varizes;
  • Infecções, como herpes simples 1 e 2, laringite, mastite e verrugas;
  • Problemas do sistema imunológico, tais como artrite e esclerose múltipla (EM).

Veneno da abelha

O veneno da abelha contém mais de 40 substâncias ativas, muitas das quais têm efeitos fisiológicos. O composto mais abundante é um agente anti-inflamatório chamado melitina, que faz com que o corpo produza cortisol (sem efeitos colaterais), que é um agente do próprio do corpo no processo de cura. Isso significa que a melitina pode retardar a inflamação do corpo.

A principal função da melitina como componente do veneno de abelha é causar dor e destruição do tecido de intrusos que ameaçam a colmeia das abelhas. A injeção de melitina em animais e humanos causa sensação de dor. Tem fortes efeitos de superfície nas membranas celulares, causando a formação de poros nas células epiteliais e a destruição dos glóbulos vermelhos. A melitina também ativa as células do nociceptor (receptor da dor) por meio de vários mecanismos.

Os efeitos de formação de poros nas células causam a liberação de citocinas pró-inflamatórias. Também ativa a abertura mediada por receptores acoplados à proteína G de canais potenciais de receptores transitórios. Outros compostos que podem ter propriedades farmacológicas efeitos incluem a adolapina, que é um anti-inflamatório e um analgésico; a apamina, que trabalha para melhorar o nervo de transmissão; além de outros neurotransmissores como a noradrenalina e dopamina e serotonina, que previne a depressão.

Tratamento

O tratamento consiste em retirar a abelha de uma colmeia com um par de pinças e coloca-la na parte do corpo a ser picado. O ferrão deve ser deixado por 10 a 15 minutos no local e o número de picadas e a frequência das sessões varia, dependendo da tolerância do paciente e da natureza do problema. Para tratar a tendinite, um paciente pode precisa apenas de duas a cinco sessões de terapia envolvendo apenas duas a três picadas por sessão. Tratar um problema mais crônico como a artrite podem necessitar de várias picadas por sessão, duas a três vezes por semana e por até três meses.

Antes de começar a terapia, um médico irá injetar no paciente uma forma fraca do veneno para testar a reação alérgica. O médico usará uma seringa de epinefrina, caso ocorra uma reação. Caso o paciente seja alérgico ao veneno, a terapia não poderá ser administrada. Até 2% da população pode ser alérgica ao veneno de abelhas e outros insetos. O gelo pode ser usado para anestesiar a área onde as picadas irão acontecer e também pode ser usado após a sessão para acalmar a dor.

Contraindicações e efeitos colaterais da apiterapia

A terapia não deve ser aplicada em pessoas que possuem alergias graves, diabetes dependente de insulina transitória, gonorreia, sífilis e tuberculose. Algumas reações nos locais das picadas são comuns de acontecerem como coceiras, dores e inchaços, além dos pacientes também devem ser advertidos que reações alérgicas anafiláticas graves podem levar a problemas respiratórios, colapso cardíaco e até mesmo óbito.

Em 2018, uma mulher espanhola de 55 anos morreu depois de ser tratada com a apiterapia com picadas de abelha. A mulher vinha recebendo acupuntura feita com abelhas vivas há dois anos quando desenvolveu uma forte reação. A paciente morreu algumas semanas depois, devido à falência múltipla de órgãos. O caso da mulher foi descrito na revista científica Jornal de Alergologia e Imunologia Clínica Investigativa, em um artigo escrito pelos médicos da divisão de alergia do Hospital Universitário de Madri. O fato foi aparentemente a primeira morte causada pelo tratamento de alguém que costumava ser tolerante a picadas de abelha.

Reações adversas

Segundo Christopher Kim, diretor do Monmouth Pain Institute, em Red Bank, Nova Jersey, que já aplicou mais de 34.000 injeções em 174 pacientes nos últimos 15 anos e ainda não viu nenhuma grande reação negativa, as complicações são raras. O efeito colateral mais comum relatado por 80% dos seus pacientes é coceira após a primeira sessão. Contudo, depois de 12 sessões, apenas 40% dos pacientes ainda apresentavam esse incomodo.

De acordo com a The National Multiple Sclerosis Society (Sociedade Nacional de Esclerose Múltipla), embora reações alérgicas graves não foram observadas, apenas dois dos nove sujeitos mostraram melhora objetiva, dessa forma, maiores estudos são necessários para provar a eficácia do tratamento. John Mills, professor da Harvard Medical School, que trabalha com pacientes com artrite, tem visto alguns deles alcançarem alívio a curto prazo através da terapia da picada, embora ele não concorde com o seu uso. Ele acredita que a mesma resposta poderia ser alcançada através da terapia medicamentosa sem o risco alérgico que o veneno representa para alguns pacientes.

Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC)

Estudos em animais e resultados preliminares de ensaios clínicos sugerem que a apiterapia pode ter efeitos terapêuticos, até que ensaios clínicos em seres humanos sejam completos, não há como saber se o tratamento funciona de fato. O efeito placebo também pode ser responsável por algum grau de benefício que pacientes alcançam. Em 2018, no Brasil, o Ministério da Saúde, incluiu a sua prática no Sistema Único de Saúde (SUS), como parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC).

Referências:
Castro, Henry J., et al. “A Phase I Study of the Safety of Honeybee Venom Extract as a Possible Treatment for Patients with Progressive Forms of Multiple Sclerosis.”
Cerrato, Paul L. “A Therapeutic Bee Sting?” RN 61, 8 (August 1998): 57 58.
D’Epiro, Nancy Walsh. “Bee Venom for Multiple Sclerosis.” Patient Care 33, 14 (September 15, 1999): 27 31. Granstrom, Chris. “Stinging Away the Pain.” Country Journal 23, 5 (September/October 1996): 22 25. Somerfield, Stanley D. “Bee Venom and Arthritis: Magic, Myth or Medicine?” New Zealand Medical Journal.
A terapia com picadas de abelha que matou uma mulher na Espanha. BBC News Brasil.
Bee Venom Therapy. Spectrum Medical Arts.

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