Efedra: usos e efeitos colaterais da efedrina

A efedra (Ephedra sinica), também conhecida como ephedra (inglês), é uma planta constituída quimicamente de efedrina (ephedrina), pseudoefedrina e norpseudoefedrina. Pertence à família Ephedraceae.

Propriedades da efedra

A efedra proporciona ao corpo uma dose extra de energia e pode causar insônia. Eleva a pressão sanguínea e estimula a transpiração, urinação e o coração. Possui um efeito secante que diminui os níveis de ácido estomacal e secreção de saliva. A efedrina e a pseudoefedrina imitam os efeitos de adrenalina, causando a constrição dos vasos sanguíneos, dilatamento bronquial e excitação cardíaca. Muitos suplementos possuíam efedrina em sua composição para potencializar os efeitos do produto.

Embora a efedrina seja usada principalmente como um broncodilatador e descongestionante, ela é normalmente incluída em suplementos de perda de peso, devido aos seus efeitos estimulantes. A efedrina é estruturalmente similar às anfetaminas e trabalha em um método muito parecido com a adrenalina, um hormônio estimulante produzido naturalmente pelo corpo. Este efeito estimulante provoca um aumento na taxa metabólica basal, que contribui para a perda de peso, mas também é fonte de efeitos colaterais potencialmente graves.

A efedrina afeta principalmente os sistemas cardiovascular e respiratório do corpo. Isso significa que a substâncias contrai os vasos sanguíneos e aumenta os batimentos cardíacos. Também estimula o sistema nervoso central e simpatomimético, sendo normalmente misturada a outros estimulantes, como supressores de apetite e cafeína para criar pílulas que ajudam na perda peso sem dieta ou exercício.

Proibição do uso pela FDA (Estados Unidos) e regulamentação da ANVISA (Brasil)

No ano de 2004, a Food and Drug Administration intensificou seus esforços para proteger os consumidores contra produtos nocivos e seus efeitos colaterais, por vezes fatais, tomando medidas contra suplementos alimentares comercializados que possuíssem alcaloides de efedrina em sua composição. O governo americano chegou a apreender grande quantidade do medicamento VITERA-XT, um suplemento dietético comercializado pela Asia MedLabs’ que continha efedrina e, segundo o Departamento de Saúde do Texas, apresentava risco excessivo de doença ou lesão.

No Brasil, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) é responsável por controlar o uso no país das substâncias efedrina e pseudoefedrina, utilizadas como matérias-primas de medicamentos controlados, sendo vedado o uso livre em suplementos dietéticos ou outros tipos de entorpecentes.

Contraindicações e efeitos colaterais da efedra e da efedrina

A efedra deve ser evitada por pessoas fracas ou debilitadas, com pressão alta, doenças de coração, tireoide ativa, diabetes, hepatite, problemas digestivos, glaucoma e insônia. Os extratos concentrados de efedrina causam palpitações no coração, insônia, vertigem e ansiedade. Pode causar nervosismo, hipertensão ou erupções cutâneas em alguns casos raros. O uso é vetado para mulheres grávidas e crianças. Usada no período noturno, causa insônia.

Curiosidades

Ma-huang, o nome da erva em chinês, significa “adstringente amarelo”. A efedra foi muito utilizada por guardas do exército mongol do general Ghengis Kahn para que os mesmos pudessem ficar acordados durante a noite toda e não corressem o risco de serem pegos cochilando durante o turno, vez que poderiam ser decapitados caso isso ocorresse. A Ephedra sinica também foi muito usada por monges taoistas.

Referências:
The Best Way to Lose Weight With Ephedrine. Livestrong.
Drugs: Ephedrine
U.S. Department of Health and Human Services: Ephedra and Ephedrine.
Haller, Christine A., and Neal L. Benowitz. “Adverse cardiovascular and central nervous system events associated with dietary supplements containing ephedra alkaloids.” New England journal of medicine 343.25 (2000): 1833-1838.
Shekelle, P. G., Hardy, M. L., Morton, S. C., Maglione, M., Mojica, W. A., Suttorp, M. J., & Gagné, J. (2003). Efficacy and safety of ephedra and ephedrine for weight loss and athletic performance: a meta-analysis. Jama, 289(12), 1537-1545.

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