Saúde do Homem

Hiperplasia Prostática Benigna (HPB): Sintomas e Tratamentos

Conheça os melhores fitoterápicos e remédios naturais indicados para o tratamento natural da hiperplasia prostática benigna (HPB) de forma eficaz.

Por Conselho Editorial11 Min de Leitura
5 Referências
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Hiperplasia prostática benigna - HPB
Consulta médica para diagnóstico e orientação sobre tratamento natural da hiperplasia prostática benigna (HPB)

A hiperplasia prostática benigna, ou HPB, é o aumento não canceroso da próstata que afeta a maioria dos homens à medida que envelhecem, comprimindo a uretra e causando sintomas urinários que vão de leves a bastante incômodos. Entender a diferença entre HPB e câncer de próstata, conhecer os sinais que exigem atenção médica imediata, e saber o que a fitoterapia realmente sustenta entre tantas opções vendidas para a saúde prostática são os passos que tornam essa condição comum menos assustadora de lidar.

Sumário do Artigo
  1. O Que É a HPB e Por Que a Próstata Cresce com a Idade
  2. Os Sintomas que Merecem Atenção
  3. Como o Diagnóstico Diferencia HPB de Câncer
  4. Tratamentos Médicos Convencionais
  5. O Que a Fitoterapia Realmente Sustenta, e o Que Não Sustenta
  6. Dieta, Estilo de Vida e Complicações se a HPB Não For Tratada
  7. Perguntas Frequentes sobre a Hiperplasia Prostática Benigna

O Que É a HPB e Por Que a Próstata Cresce com a Idade

A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino, localizada logo abaixo da bexiga e envolvendo a parte superior da uretra, cuja função é produzir parte do fluido que compõe o sêmen. Na HPB, o crescimento é benigno, não canceroso, mas comprime a uretra e dificulta a passagem da urina, o que dá origem aos chamados sintomas do trato urinário inferior.

O Papel da DHT no Crescimento Prostático

O crescimento envolve proliferação tanto das células estromais quanto das epiteliais na zona de transição da próstata, regulada por um desequilíbrio entre fatores de crescimento e apoptose, a morte celular programada que normalmente contém esse crescimento. A testosterona e seu metabólito mais potente, a di-hidrotestosterona, ou DHT, são centrais nesse processo: a enzima 5-alfa-redutase converte testosterona em DHT, que tem afinidade muito maior pelos receptores de androgênio da próstata e estimula genes ligados ao crescimento celular. Mesmo quando os níveis de testosterona caem com a idade, a atividade dessa enzima permanece, mantendo a DHT elevada na próstata e sustentando a hiperplasia.

Fatores de Risco Além da Idade

A idade é o fator mais bem estabelecido: a condição é rara antes dos 40 anos, mas atinge cerca de metade dos homens na casa dos 50 e mais de 80% depois dos 80. A presença de testículos funcionais é essencial para o desenvolvimento da HPB, já que homens castrados antes da puberdade não a desenvolvem, e histórico familiar de HPB sintomática, sobretudo quando exigiu cirurgia em idade mais jovem, aumenta o risco. Obesidade central, síndrome metabólica, sedentarismo e uma dieta pobre em vegetais e rica em carne vermelha somam-se como fatores contribuintes, em parte por alterações hormonais e inflamação crônica de baixo grau associadas ao excesso de peso.

Os Sintomas que Merecem Atenção

Os sintomas, coletivamente chamados de sintomas do trato urinário inferior, dividem-se em duas categorias, e sua gravidade não acompanha necessariamente o tamanho da próstata: homens com aumento discreto podem ter sintomas intensos, e o oposto também ocorre. Médicos costumam usar o Escore Internacional de Sintomas da Próstata, um questionário respondido pelo próprio paciente, para quantificar a gravidade.

Sintomas de Armazenamento

Resultam da resposta da bexiga à obstrução e ao esvaziamento incompleto, que a torna mais sensível e irritável: frequência urinária acima de oito vezes em 24 horas, noctúria, ou seja, acordar duas ou mais vezes à noite para urinar, um dos sintomas que mais afeta a qualidade de vida, urgência urinária súbita e difícil de adiar, e em casos mais avançados incontinência de urgência, a perda involuntária de urina logo após a sensação de urgência.

Sintomas de Esvaziamento

Refletem diretamente a compressão da uretra: hesitação para iniciar o fluxo mesmo com a bexiga cheia, jato fraco, intermitência do fluxo durante a micção, esforço abdominal para conseguir urinar, gotejamento no final da micção e sensação de que a bexiga não esvaziou completamente. Sinais mais graves, como dor ao urinar, sangue na urina ou incapacidade total de urinar, exigem atendimento médico imediato, já que podem indicar retenção urinária aguda, uma emergência real que exige cateterismo.

Como o Diagnóstico Diferencia HPB de Câncer

A HPB não é um precursor do câncer de próstata e não se transforma nele, já que as duas condições se desenvolvem em zonas diferentes da glândula, mas podem coexistir e produzir sintomas parecidos, o que torna a avaliação médica completa indispensável.

Exame Físico e Exames Laboratoriais

O toque retal digital permite ao médico avaliar tamanho, forma e consistência da próstata, além de detectar nódulos que sugiram câncer. A urinálise verifica sangue, infecção ou outras anormalidades na urina, e a dosagem do PSA no sangue complementa a avaliação: um PSA elevado não confirma câncer sozinho, mas costuma indicar necessidade de investigação adicional.

Exames Complementares

Dependendo da avaliação inicial, o médico pode solicitar urofluxometria, que mede a velocidade do fluxo urinário e ajuda a identificar obstrução, medição do resíduo pós-miccional por ultrassonografia, que verifica quanta urina permanece na bexiga após urinar, ultrassonografia transretal para medir o tamanho exato da próstata, e em casos mais complexos um estudo urodinâmico, que avalia a função da bexiga, ou uma cistoscopia, exame que visualiza diretamente o interior da uretra e da bexiga.

Tratamentos Médicos Convencionais

O tratamento é individualizado, considerando gravidade dos sintomas, tamanho da próstata, idade e preferências do paciente. Para sintomas leves, a observação vigilante, com consultas periódicas e orientação sobre estilo de vida, costuma ser suficiente.

Terapia Medicamentosa

Alfabloqueadores, como tansulosina, doxazosina e silodosina, relaxam a musculatura lisa do colo da bexiga e da próstata, aliviando a compressão da uretra com efeito em dias ou semanas, embora não reduzam o tamanho da próstata; efeitos colaterais incluem tontura, dor de cabeça e ejaculação retrógrada. Inibidores da 5-alfa-redutase, como finasterida e dutasterida, bloqueiam a conversão de testosterona em DHT e podem reduzir o tamanho da próstata em até 25%, mas o efeito leva de seis meses a um ano para se consolidar, com efeitos colaterais que incluem queda de libido e disfunção erétil. Em próstatas maiores, a combinação das duas classes costuma ser mais eficaz que qualquer uma isolada.

Procedimentos Cirúrgicos e Minimamente Invasivos

Para sintomas graves que não respondem à medicação, a ressecção transuretral da próstata, ou RTUP, foi por muito tempo o padrão ouro, removendo o excesso de tecido prostático por dentro da uretra, mas carrega risco de sangramento, infecção e ejaculação retrógrada. Alternativas minimamente invasivas hoje incluem terapias a laser, como a fotovaporização seletiva e a enucleação com laser de hólmio, a terapia com vapor de água conhecida como Rezūm, o sistema de clipes UroLift, que afasta mecanicamente o tecido prostático sem removê-lo, e a embolização da artéria prostática, procedimento radiológico que reduz o suprimento de sangue para a glândula. Essas opções costumam trazer recuperação mais rápida e menor impacto sobre a função sexual que a RTUP tradicional.

O Que a Fitoterapia Realmente Sustenta, e o Que Não Sustenta

É crucial abordar a fitoterapia com cautela, já que a qualidade e a padronização de suplementos variam bastante entre marcas, e nenhum extrato substitui o acompanhamento médico.

Saw Palmetto: Popularidade Maior que a Evidência Atual

O extrato dos frutos do Saw Palmetto (Serenoa repens) é o suplemento mais conhecido para saúde prostática, com mecanismo proposto semelhante ao dos inibidores da 5-alfa-redutase. Estudos mais antigos sugeriam benefício modesto, mas ensaios clínicos maiores e mais recentes, publicados no New England Journal of Medicine e no JAMA, não encontraram diferença significativa frente ao placebo, mesmo em doses crescentes.

Pygeum: o Extrato com Respaldo Mais Consistente

O extrato da casca da ameixeira africana, ou Pygeum (Prunus africana), usado há muito tempo na Europa, tem o respaldo mais sólido entre os fitoterápicos para HPB: uma revisão sistemática Cochrane concluiu que o extrato proporciona melhora moderada nos sintomas urinários, sobretudo na noctúria, e no fluxo urinário, com poucos efeitos colaterais relatados, atuando por mecanismos anti-inflamatórios e antiproliferativos nas células prostáticas.

Urtiga e Semente de Abóbora

O extrato da raiz de urtiga (Urtica dioica), muitas vezes combinado com Saw Palmetto ou Pygeum, mostrou-se superior ao placebo em um estudo controlado ao longo de seis meses, com boa tolerabilidade. Sementes e óleo de semente de abóbora, ricos em fitoesteróis e zinco, também mostraram melhora sintomática em pesquisas, com um estudo comparativo encontrando resultados semelhantes entre óleo de abóbora e óleo de Saw Palmetto.

Dieta, Estilo de Vida e Complicações se a HPB Não For Tratada

Uma dieta rica em vegetais, sobretudo crucíferos como brócolis e couve-flor, licopeno de tomate cozido e zinco de sementes de abóbora e leguminosas, com menos carne vermelha, alimentos processados e laticínios gordurosos, favorece a saúde prostática. Reduzir líquidos à noite e moderar cafeína e álcool, que têm efeito diurético e irritam a bexiga, ajuda a controlar a noctúria. Atividade física regular auxilia no controle de peso, fator de risco conhecido para progressão da HPB, e exercícios de fortalecimento do assoalho pélvico, os exercícios de Kegel, podem melhorar o controle urinário.

Complicações da HPB Não Tratada

A obstrução crônica pode levar à retenção urinária aguda, emergência que exige cateterismo imediato, ou à retenção urinária crônica, mais insidiosa, em que o volume residual de urina aumenta gradualmente e favorece infecções urinárias recorrentes e formação de cálculos na bexiga. A pressão cronicamente elevada na bexiga pode enfraquecer sua parede muscular, formar divertículos, e em casos mais graves ser transmitida retrogradamente aos rins, causando hidronefrose e, eventualmente, dano renal. O esforço contínuo para urinar também pode causar hematúria pela ruptura de pequenos vasos na superfície da próstata.

Perguntas Frequentes sobre a Hiperplasia Prostática Benigna

A HPB Pode Se Transformar em Câncer?

Não. São condições distintas que se desenvolvem em zonas diferentes da próstata, embora possam coexistir com sintomas parecidos, o que torna a avaliação médica completa indispensável para diferenciar as duas.

O Saw Palmetto Realmente Funciona para os Sintomas da HPB?

Os resultados são conflitantes: estudos mais antigos sugeriram benefício modesto, mas ensaios clínicos maiores e mais recentes, publicados em periódicos de peso, não encontraram diferença significativa frente ao placebo, mesmo em doses crescentes.

Qual Fitoterápico Tem Melhor Evidência para a HPB?

O Pygeum (Prunus africana) tem o respaldo mais consistente entre os extratos estudados, com uma revisão sistemática Cochrane confirmando melhora moderada nos sintomas urinários e boa tolerabilidade.

Quais São os Sinais de Que Preciso Procurar um Médico com Urgência?

Dor ao urinar, sangue na urina ou incapacidade total de urinar são sinais de alerta que exigem atendimento médico imediato, já que podem indicar retenção urinária aguda, emergência que exige cateterismo.

Os Tratamentos para HPB Afetam a Vida Sexual?

Alguns sim: inibidores da 5-alfa-redutase podem causar queda de libido e disfunção erétil, e a ressecção transuretral costuma causar ejaculação retrógrada, condição inofensiva mas relevante para quem ainda deseja ter filhos.

Que Mudanças na Dieta Ajudam nos Sintomas da HPB?

Reduzir carne vermelha e alimentos processados, priorizar licopeno e zinco, e moderar líquidos à noite junto de cafeína e álcool ajudam a controlar sintomas urinários e reduzir a noctúria.

O Que Acontece se a HPB Não For Tratada?

Pode evoluir para retenção urinária crônica, infecções recorrentes, cálculos na bexiga, formação de divertículos e, em casos avançados, hidronefrose e dano renal por refluxo de urina, complicações que reforçam a importância de não ignorar os sintomas.

Existem Alternativas Minimamente Invasivas à Cirurgia Tradicional?

Sim, incluindo terapias a laser, a terapia com vapor de água Rezūm, o sistema de clipes UroLift e a embolização da artéria prostática, geralmente com recuperação mais rápida e menor impacto sobre a função sexual que a ressecção transuretral clássica.

Referências

5 Referências Citadas

Baseado em 5 Referências Citadas (1 Institucional, 4 Complementares).

Fontes Institucionais (1)

  1. GOV2024 Ng M, Baradhi KM. Benign Prostatic Hyperplasia. In: StatPearls. Treasure Island: StatPearls Publishing, 2024.

Leituras Complementares (4)

  1. 2011 Barry MJ, Meleth S, Lee JY, et al. Effect of increasing doses of saw palmetto extract on lower urinary tract symptoms: a randomized trial. JAMA, 2011;306(12):1344-1351.
  2. 2006 Bent S, Kane C, Shinohara K, et al. Saw palmetto for benign prostatic hyperplasia. New England Journal of Medicine, 2006;354(6):557-566.
  3. 2005 Safarinejad MR. Urtica dioica for treatment of benign prostatic hyperplasia: a prospective, randomized, double-blind, placebo-controlled, crossover study. Journal of Herbal Pharmacotherapy, 2005;5(4):1-11.
  4. 2002 Wilt TJ, Ishani A, Mac Donald R, Rutks I. Pygeum africanum for benign prostatic hyperplasia. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2002;(3):CD001044.

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