Chá de Guaco: Alívio Imediato para Gripes e Resfriados

O guaco é a planta brasileira mais importante da RENISUS para doenças respiratórias. O xarope de guaco produzido pelo SUS trata tosses, bronquites e asma leve, sendo o fitoterápico mais prescrito na atenção básica e exemplo de sucesso da fitoterapia no sistema público.
Publicado e Revisado Clinicamente Por Equipe Editorial Medicina Natural
Atualizado em 20/02/2026

O chá de guaco é uma bebida tradicionalmente consumida em diversas partes da América do Sul, especialmente no Brasil, e ganhou notoriedade por múltiplas aplicações terapêuticas. Originário da planta Mikania glomerata, o uso do guaco atravessa gerações como remédio caseiro, sobretudo para condições respiratórias. Esse reconhecimento também chegou à indústria, que incorporou extratos de guaco em xaropes, pastilhas e formulações voltadas ao alívio de tosse e desconfortos das vias aéreas.

A riqueza fitoquímica do guaco sustenta sua reputação na medicina natural. Compostos como a cumarina, além de ácidos fenólicos, flavonoides e terpenos, são citados por atuar em sinergia, conferindo ações broncodilatadoras, expectorantes, anti-inflamatórias e antialérgicas. Ainda assim, por se tratar de substância com atividade farmacológica, o uso deve ser consciente e, de preferência, orientado por profissional de saúde. Este conteúdo explora origem, composição, aplicações, preparo, precauções e evidências científicas disponíveis.

O Que é o Guaco e Qual a Sua Origem?

O guaco, cientificamente denominado Mikania glomerata, é uma trepadeira lenhosa e perene da família Asteraceae, a mesma do girassol e da margarida. Nativa de regiões tropicais e subtropicais da América do Sul, a planta é encontrada abundantemente no Brasil, sobretudo em áreas de Mata Atlântica. O guaco cresce de forma espontânea, entrelaçando-se em árvores e arbustos, o que explica o hábito de trepadeira observado em ambientes naturais.

Entre as características botânicas descritas, destacam-se folhas opostas em formato de coração, de coloração verde intensa e textura levemente aveludada. No período de floração, geralmente no inverno, surgem flores pequenas e numerosas, brancas ou amareladas, reunidas em inflorescências com aroma suave e adocicado. Essa nota aromática é associada à presença de cumarina, apontada como marcador químico relevante e indicativo da riqueza fitoquímica explorada no uso medicinal do guaco.

A História do Guaco na Medicina Tradicional

O uso do guaco se entrelaça com a cultura de povos indígenas da América do Sul, citados como os primeiros a reconhecer e utilizar suas propriedades terapêuticas. Relatos etnobotânicos descrevem aplicação das folhas como antídoto contra picadas de cobras e outros animais peçonhentos, tanto em emplastros sobre feridas quanto pelo consumo do suco. O nome “guaco” também é associado a uma ave amazônica que, segundo a tradição, consumiria a planta para se proteger do veneno de serpentes.

Com a chegada de colonizadores europeus e a miscigenação cultural, o conhecimento sobre o guaco se disseminou e ganhou novas aplicações na medicina popular brasileira. O uso se consolidou principalmente no manejo de afecções respiratórias, como tosse, asma, bronquite e resfriados, prática que permanece amplamente reconhecida até hoje. Essa trajetória, do conhecimento popular à presença em produtos industrializados, contribuiu para ampliar o interesse científico em entender seus mecanismos e orientar o consumo com mais segurança.

Composição Fitoquímica do Guaco

Cumarina e Ações Respiratórias

A eficácia terapêutica atribuída ao guaco é associada a uma composição fitoquímica complexa. O componente mais citado e estudado é a cumarina (1,2-benzopirona), relacionada ao aroma característico e às propriedades broncodilatadoras e expectorantes. Em descrições de uso, a cumarina atua relaxando a musculatura lisa das vias aéreas, o que pode facilitar a passagem de ar em quadros como asma e bronquite. Além disso, é mencionada a capacidade de fluidificar secreções, tornando o muco menos espesso e mais fácil de eliminar.

Ácidos Fenólicos, Flavonoides e Terpenos

Outros compostos do guaco são citados por contribuir com atividade anti-inflamatória e antioxidante. Entre eles aparecem ácidos fenólicos, como ácido caurenoico e ácido cinamoilgrandiflórico, associados à redução de inflamação em vias respiratórias. Flavonoides como a quercetina e terpenos como o lupeol também são mencionados, compondo um perfil de ação que inclui modulação inflamatória, proteção contra radicais livres e suporte ao sistema imunológico. Essa combinação é frequentemente apontada como base para a validação científica do uso tradicional do guaco.

Benefícios do Chá de Guaco Para a Saúde

Uso Tradicional em Condições Respiratórias

Os benefícios do chá de guaco são descritos como amplos, com maior destaque para o trato respiratório. A ação broncodilatadora e expectorante atribuída à cumarina é citada como útil em tosse produtiva, asma, bronquite e resfriados, pois pode ajudar a limpar vias aéreas, favorecer a eliminação de secreções e aliviar a congestão. Em uso tradicional, o chá é associado ao conforto respiratório, principalmente quando o objetivo é reduzir catarro e facilitar a respiração em fases de maior irritação das vias aéreas.

Atividade Anti-inflamatória e Potencial Antialérgico

Além do sistema respiratório, o guaco é descrito como planta com atividade anti-inflamatória relevante, o que sustenta seu uso em desconfortos de garganta e em processos inflamatórios que agravam sintomas respiratórios. Também é citado um potencial efeito antialérgico, associado à modulação da resposta do sistema imune a alérgenos e à redução de sintomas como coriza e espirros. Em algumas linhas de pesquisa, aparecem investigações sobre propriedades analgésicas, antirreumáticas e ansiolíticas, ampliando o leque de aplicações sugeridas.

Chá de Guaco no Combate a Gripes e Resfriados

Em períodos de maior circulação de vírus respiratórios, o chá de guaco é frequentemente descrito como aliado no suporte a gripes e resfriados. Suas propriedades expectorantes e broncodilatadoras são citadas como úteis no alívio de tosse carregada e congestão, sintomas comuns dessas condições. Ao fluidificar o muco, o guaco pode facilitar a expulsão de secreções, contribuindo para manter vias aéreas mais limpas e reduzir o desconforto respiratório, sobretudo em quadros com catarro e irritação persistente.

A ação anti-inflamatória também é citada como apoio para reduzir irritação de garganta e inflamação das vias aéreas, o que pode aliviar dor e incômodo associados à tosse. Algumas descrições mencionam a investigação de possível atividade antiviral, embora esse campo ainda dependa de mais evidências. Em uso tradicional, consumir o chá nos primeiros sinais de resfriado é apontado como estratégia para reduzir intensidade e duração de sintomas, favorecendo uma recuperação mais confortável e gradual.

Ação Anti-inflamatória e Analgésica do Guaco

A capacidade de combater inflamação e dor é descrita como um dos pilares do uso do guaco, indo além do sistema respiratório. Essa atividade é atribuída principalmente a ácidos fenólicos e flavonoides, associados à inibição de substâncias pró-inflamatórias, como prostaglandinas e citocinas, que participam do desencadeamento e manutenção da inflamação. Por essa lógica, o chá é citado como apoio em condições inflamatórias, incluindo dores musculares e quadros reumáticos mencionados em usos tradicionais e em investigações científicas.

Quanto ao efeito analgésico, o guaco é descrito como capaz de aliviar dor por dois caminhos sugeridos: redução do processo inflamatório e possível ação moduladora relacionada ao sistema nervoso central, conforme hipóteses discutidas em estudos. O uso popular para dores de cabeça e cólicas menstruais é frequentemente citado como exemplo de aplicação além das vias aéreas. Ainda assim, a recomendação recorrente é avaliar contexto individual e evitar uso prolongado sem orientação, devido a contraindicações e interações possíveis.

Como Preparar o Chá de Guaco Corretamente

Para extrair o máximo de benefícios do guaco, o preparo mais citado é a infusão, descrita como método que preserva compostos voláteis e termossensíveis, incluindo a cumarina. Para uma xícara, usa-se cerca de 1 a 2 colheres de chá de folhas secas para cada 200 ml de água. A água deve ser aquecida até a pré-fervura, quando começam a surgir as primeiras bolhas, e então o fogo é desligado antes de adicionar as folhas.

Após adicionar o guaco, recomenda-se abafar o recipiente por 10 a 15 minutos, tempo citado como essencial para liberar compostos bioativos na água. Em seguida, o chá deve ser coado e consumido ainda morno. Em descrições gerais, sugere-se consumo de 2 a 3 xícaras por dia, preferencialmente entre as refeições. Também se recomenda evitar ferver as folhas junto com a água, pois o calor excessivo pode degradar a cumarina e reduzir a eficácia atribuída ao preparo.

Dosagem, Precauções e Possíveis Efeitos Colaterais

Apesar de ser produto natural, o chá de guaco requer atenção e moderação. A dosagem pode variar conforme idade, peso e condição de saúde, mas, de modo geral, o consumo de até 3 xícaras por dia é descrito como seguro para a maioria dos adultos. O uso excessivo ou prolongado é associado a riscos de efeitos colaterais, incluindo vômitos, diarreia e aumento da frequência cardíaca, o que reforça a importância de respeitar limites e duração do uso.

A cumarina, em doses elevadas, é descrita como substância com atividade anticoagulante, e por isso o guaco não deve ser consumido por pessoas que utilizam anticoagulantes, como varfarina, ou por indivíduos com distúrbios de coagulação, devido ao risco aumentado de hemorragias. O chá também é citado como contraindicado para gestantes, lactantes e crianças menores de um ano. Pessoas com doenças hepáticas devem evitar consumo, pois a cumarina é metabolizada no fígado e seu excesso pode sobrecarregar o órgão.

De forma prática, recomenda-se consultar médico ou fitoterapeuta antes de iniciar uso regular, especialmente quando há condição preexistente ou uso concomitante de medicamentos. Essa orientação é relevante porque interações e contraindicações podem não ser óbvias em um primeiro momento, e a segurança do consumo depende de dose, tempo e contexto individual. Assim, o objetivo é aproveitar benefícios descritos sem aumentar riscos por uso inadequado ou prolongado sem acompanhamento.

Como Cultivar Guaco em Casa

Cultivar guaco em casa é descrito como forma prática de ter a planta sempre disponível para chás e preparações. Por ser trepadeira rústica, o cultivo é considerado simples e adaptável, com preferência por solo rico em matéria orgânica e boa drenagem. A planta pode ser conduzida em vasos grandes ou no jardim, desde que exista suporte para se entrelaçar, como treliça, muro ou outra estrutura, reproduzindo seu hábito natural de crescimento.

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O guaco aprecia boa exposição ao sol, mas também tolera meia-sombra, e as regas são descritas como regulares, mantendo o solo úmido sem encharcar para evitar apodrecimento de raízes. A propagação por estacas de galhos é citada como método fácil, com plantio em substrato úmido até enraizamento. Com esses cuidados básicos, a planta tende a se desenvolver bem e fornecer folhas frescas para uso, respeitando sempre orientações de preparo e consumo consciente.

Perguntas Frequentes sobre o Chá de Guaco

O Chá de Guaco Pode Ser Usado Para Emagrecer?

Não há evidências científicas citadas que comprovem eficácia do chá de guaco para perda de peso. Os benefícios descritos se concentram principalmente no sistema respiratório e em propriedades anti-inflamatórias. Embora o chá possa apresentar leve efeito diurético em algumas pessoas, isso não equivale à queima de gordura. Por esse motivo, ele não é apresentado como estratégia principal para emagrecimento em abordagens baseadas em evidências.

Posso Dar Chá de Guaco Para o Meu Bebê?

Não. O chá de guaco é descrito como contraindicado para crianças menores de um ano de idade. Nessa fase, o sistema digestivo e metabólico ainda é imaturo e pode não processar adequadamente os compostos da planta, além de existir risco de reações alérgicas. A recomendação geral é evitar o uso e buscar orientação pediátrica quando houver sintomas respiratórios, especialmente em bebês e crianças pequenas.

Chá de Guaco Aumenta a Pressão Arterial?

Não há estudos conclusivos citados que associem o consumo moderado de chá de guaco ao aumento da pressão arterial. Ainda assim, pessoas com hipertensão são orientadas a consumir com cautela, monitorar níveis de pressão e considerar acompanhamento médico, principalmente se houver uso de medicamentos. A recomendação prática é observar resposta individual e evitar uso excessivo, mantendo o foco em segurança e contexto clínico.

Qual a Diferença Entre Guaco e Guaco-de-Cheiro?

As plantas Mikania glomerata e Mikania laevigata são ambas conhecidas como guaco e são descritas com propriedades medicinais semelhantes, sendo usadas frequentemente para fins próximos, sobretudo em desconfortos respiratórios. A diferença citada com mais frequência envolve concentração de cumarina, que tende a ser maior em Mikania laevigata, o que é associado a aroma mais intenso. Na prática, recomenda-se atenção à origem e padronização do produto usado.

Posso Usar Folhas Frescas de Guaco Para Fazer o Chá?

Sim, as folhas frescas podem ser usadas. Nesse caso, descreve-se que a quantidade deve ser um pouco maior do que a de folhas secas, como cerca de 3 a 4 folhas frescas por xícara. O modo de preparo permanece o de infusão, com água em pré-fervura e repouso abafado por 10 a 15 minutos. A orientação central é manter a técnica correta e evitar fervura direta das folhas para preservar compostos.

O Chá de Guaco Interage Com Outros Medicamentos?

Sim, principalmente com medicamentos anticoagulantes, devido à presença de cumarina e ao potencial de aumentar efeito anticoagulante. Essa combinação pode elevar risco de sangramentos, especialmente em pessoas que já usam fármacos como varfarina ou que possuem distúrbios de coagulação. Por isso, recomenda-se informar o médico sobre uso de chás e fitoterápicos e evitar associações sem orientação, sobretudo em tratamentos contínuos ou com múltiplas medicações.

Por Quanto Tempo Posso Tomar o Chá de Guaco?

O uso contínuo do chá de guaco é descrito como não devendo exceder 7 a 10 dias sem avaliação. Para períodos mais longos, recomenda-se acompanhamento profissional para definir necessidade, dose e segurança, considerando riscos de uso prolongado e possíveis efeitos colaterais. A orientação enfatiza que o guaco tem atividade farmacológica, e por isso o consumo deve ser conduzido com critério, evitando automedicação prolongada.

O Guaco Pode Causar Alergia?

Embora descrito como raro, o guaco pode desencadear reações alérgicas em indivíduos sensíveis, especialmente em pessoas com alergia a outras plantas da família Asteraceae. Em caso de sinais como erupções cutâneas, coceira ou inchaço, a recomendação é suspender o uso e procurar orientação médica. O objetivo é prevenir agravamento de sintomas e avaliar se houve reação ao chá ou a outros fatores associados ao quadro.

Referências e Estudos Científicos

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