O lírio-branco (Nymphaea alba) é uma planta aquática perene da família Nymphaeaceae, conhecida em português também como lírio-d’água e ninfeia-branca, cujas flores de pétalas brancas e centro amarelo repousam sobre a superfície de açudes, lagos e remansos de rio em boa parte da Europa. Quem encontra a planta pela primeira vez costuma reparar antes na folha do que na flor, porque o disco verde flutuante, recortado por uma fenda que vai da borda até o ponto onde o pecíolo se prende, é a assinatura mais reconhecível do gênero.
Ao longo dos séculos, essa ninfeia acumulou uma reputação dupla: ornamento admirado em jardins aquáticos e ingrediente de preparos caseiros que atravessaram cozinhas de mosteiro, herbários medievais e manuais de medicina popular europeia. Flores, folhas e rizoma aparecem nesses registros ligados a finalidades bastante diferentes entre si, do desconforto intestinal aos gargarejos para a garganta e às compressas aplicadas sobre a pele, passando por infusões noturnas associadas ao descanso.
Este texto reúne o que a tradição registrou e o que a pesquisa efetivamente testou, mantendo as duas coisas separadas, porque no caso do lírio-branco a distância entre elas é considerável. Os poucos estudos disponíveis foram conduzidos em camundongos, em ratos ou em tubo de ensaio, e nenhum uso da planta chegou a ser avaliado em ensaio clínico com pessoas.
Sumário do Artigo
Alerta de Segurança Antes de Qualquer Uso
- Coceira, corrimento e odor vaginal exigem avaliação ginecológica para diagnóstico correto e nunca devem ser tratados por conta própria com preparos caseiros.
- Nenhum uso do lírio-branco conta com ensaio clínico em humanos, e toda a evidência disponível vem de estudos em animais de laboratório ou de testes in vitro.
- Ninfeias de espécies diferentes têm perfis químicos e de segurança distintos entre si, de modo que material colhido na natureza sem identificação botânica segura não deve ser consumido.
- O uso é contraindicado para crianças pequenas, gestantes e lactantes, sem dados que sustentem qualquer exceção.
- Quem faz uso de álcool, ansiolíticos ou antidepressivos precisa conversar com o médico antes de experimentar a planta, porque a ação sobre o sistema nervoso central descrita em estudo com camundongos levanta a possibilidade de potencialização desses efeitos.
O Que É o Lírio-Branco
O lírio-branco é uma herbácea aquática de rizoma espesso e horizontal, que se ancora no fundo lodoso de águas paradas ou de corrente lenta e emite pecíolos longos até a superfície, onde as folhas flutuam presas por essa haste submersa. As folhas são arredondadas, medem entre 10 e 30 centímetros de diâmetro, apresentam a face superior verde escura e mais brilhante e a inferior mais clara ou avermelhada, e trazem sempre a fenda profunda que separa dois lobos até o ponto de inserção.
As flores, que dão nome popular à planta, chegam a 20 centímetros de diâmetro nos exemplares mais vigorosos e reúnem numerosas pétalas brancas dispostas em espiral em torno de um conjunto denso de estames amarelos. Elas abrem pela manhã e se fecham no fim da tarde, repetindo o ciclo por vários dias, e a floração se estende do fim da primavera ao fim do verão nas regiões de clima temperado.
Nativa da Europa, do norte da África e do oeste da Ásia, a espécie coloniza lagoas, lagos rasos, trechos remansosos de rios e valas alagadas, geralmente onde a lâmina d’água fica entre meio metro e dois metros e meio de profundidade. No Brasil ela circula sobretudo como ornamental, em espelhos d’água, lagos de parque e tanques de jardim, e raramente aparece em ambientes naturais.
A confusão mais comum acontece com o lótus asiático (Nelumbo nucifera), que pertence a outro gênero e a outra família: suas folhas se erguem acima da lâmina d’água em forma de funil, sem a fenda característica das ninfeias, e a flor traz um receptáculo central em forma de chuveiro que Nymphaea alba não possui. Outra troca frequente, essa restrita ao português, envolve o lírio-branco da floricultura, Lilium candidum, bulbosa terrestre da família Liliaceae também chamada de açucena, que não tem parentesco algum com as ninfeias.
Nomes Populares e Sinônimos
Em português, o lírio-branco também é chamado de lírio-branco-de-lagoa, lírio-d’água, lótus-branco, nenúfar-branco, ninfeia-branca e repolho-da-água, nomes que variam conforme a região do Brasil e de Portugal. O apelido “lótus-branco” é justamente uma das origens da confusão com o lótus verdadeiro do gênero Nelumbo, tratada no tópico anterior, e vale checar sempre o nome científico Nymphaea alba no rótulo de qualquer preparo comercial antes de comprar.
Em outros idiomas a planta aparece como Weiße Seerose (alemão), nenúfar blanco (espanhol), nénuphar blanc (francês), white waterlily (inglês, o nome mais preciso em termos botânicos, já que white lotus, também usado no idioma, mistura o vocabulário dos dois gêneros) e ninfea bianca (italiano).
História e Usos Tradicionais
A imagem que muita gente associa por engano ao lírio-branco, a flor sagrada do Egito Antigo ligada ao deus Rá, ao nascimento e à ideia de ressurreição, pertence na verdade a ninfeias aparentadas do mesmo gênero, principalmente Nymphaea caerulea e Nymphaea lotus, que crescem nas margens do Nilo e aparecem representadas em colunas, papiros e pinturas funerárias. Nymphaea alba é uma planta essencialmente europeia e não participa dessa iconografia, embora divida com aquelas espécies o gênero Nymphaea e boa parte da arquitetura floral que gerou tanta confusão de nomes.
Na Grécia Antiga, o nome que mais tarde daria origem ao do gênero já remetia às ninfas das águas, e autores da Antiguidade registraram preparos com rizoma de ninfeias tanto para desconfortos intestinais quanto para aplicações externas, numa linha de uso que os herbários latinos depois recolheram e transmitiram. Foi na Europa medieval, porém, que Nymphaea alba ganhou identidade própria dentro da matéria médica, associada à adstringência do rizoma rico em taninos e ao preparo de águas florais de uso doméstico.
Segundo relatos históricos, comunidades monásticas recorriam ao rizoma da planta para conter o desejo sexual e sustentar o voto de celibato, atribuição que rendeu ao lírio-branco a fama duradoura de anafrodisíaco. O registro pertence à história cultural da fitoterapia europeia, e não a uma propriedade demonstrada, já que nenhum estudo moderno chegou a testar esse efeito em qualquer modelo experimental.
Composição Fitoquímica
A caracterização química do lírio-branco vem de um punhado de trabalhos, cada um deles com material colhido em uma única região, o que limita bastante a generalização dos resultados. Os grupos de substâncias que aparecem com mais consistência nas análises são estes:
- Alcaloides: a literatura descreve alcaloides no rizoma e nas partes aéreas da planta, e é a esse conjunto que se costuma atribuir a ação sobre o sistema nervoso observada em animais. A composição exata desse grupo permanece mal caracterizada nos trabalhos publicados, razão pela qual nenhuma molécula individual é nomeada aqui.
- Flavonoides e outros compostos fenólicos: a análise por cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas em material do Delta do Danúbio identificou um perfil fenólico variado, que responde pela capacidade antioxidante medida in vitro.
- Mucilagem e amido: abundantes sobretudo no rizoma, dão ao preparo a consistência levemente espessa que a tradição associava ao efeito emoliente das compressas.
- Taninos: concentrados no rizoma, respondem pela adstringência marcante da decocção e oferecem o mecanismo mais plausível para os usos externos e intestinais registrados na tradição.
A proporção entre esses grupos muda conforme a época da colheita, a origem do material e a parte da planta usada, e nenhum trabalho publicado padronizou um extrato de Nymphaea alba para uso humano.
Propriedades em Estudo
Parte dos usos que a tradição registrou já passou por algum teste de laboratório, sempre em escala pequena e sempre longe da clínica. Os estudos que sustentam esta seção foram conduzidos em camundongos, em ratos ou em tubo de ensaio, o que significa que descrevem o comportamento de extratos sob condições experimentais controladas, e não o efeito da planta em pessoas. Nenhum dos tópicos abaixo descreve um uso validado clinicamente.
Ação Adstringente e Antidiarreica em Estudo
O uso do rizoma contra diarreia é um dos registros mais antigos da tradição europeia, e encontra alguma correspondência experimental em um estudo publicado em 2012 por Bose, Sahoo e Ray, no qual extratos do rizoma foram administrados a ratos com diarreia induzida por óleo de rícino e comparados a difenoxilato e loperamida. Os autores relataram redução da frequência das evacuações nos animais tratados, dentro de um desenho experimental que não envolveu nenhum participante humano.
Do ponto de vista químico, a explicação mais provável está nos taninos, que precipitam proteínas da superfície da mucosa e reduzem a secreção, e essa é a razão de a decocção do rizoma ter chegado até nós com fama adstringente. Nada disso autoriza tratar diarreia com a planta, e um quadro intestinal agudo merece atenção médica muito antes de qualquer preparo caseiro.
Ação Ansiolítica em Estudo com Animais
O preparo noturno com flores de ninfeia atravessou séculos de uso doméstico na Europa como um recurso de relaxamento, e a base experimental para essa reputação se resume, hoje, a um único estudo: Thippeswamy e colaboradores avaliaram, em 2011, extratos de Nymphaea alba em camundongos submetidos a testes comportamentais padronizados de ansiedade e descreveram um efeito ansiolítico nos animais tratados.
Um trabalho com roedores mostra que uma via de investigação vale a pena, não que a planta funcione em pessoas. Não existe ensaio clínico em humanos sobre ansiedade, sono ou qualquer desfecho relacionado, de forma que a expressão “calmante natural”, tão repetida em textos de divulgação, descreve uma expectativa cultural e não um resultado demonstrado.
Atividade Antioxidante
A pesquisa conduzida por Cudalbeanu e colaboradores em 2018, publicada na revista Molecules, analisou exemplares silvestres da Reserva da Biosfera do Delta do Danúbio e combinou a identificação dos compostos por cromatografia com ensaios de capacidade antioxidante realizados em tubo de ensaio. O resultado descreve um perfil fenólico interessante e uma capacidade antioxidante mensurável nas condições do laboratório.
Ensaios in vitro medem a reação de um extrato diante de radicais livres em uma placa, e a distância entre esse cenário e o organismo humano é grande, porque envolve absorção, distribuição e metabolismo que nenhum tubo de ensaio reproduz. O achado interessa como ponto de partida para pesquisas futuras, sem qualquer promessa de benefício por ingestão ou aplicação.
Efeito Hepatoprotetor em Pesquisa
Bakr e colaboradores publicaram, em 2017, um estudo com folhas de Nymphaea alba cultivadas no Egito em que ratos foram expostos a tetracloreto de carbono, substância usada em laboratório justamente por provocar lesão hepática, e receberam extratos da planta. Os autores relataram marcadores de dano ao fígado menos alterados nos animais tratados, além de atividade anti-inflamatória e antioxidante no mesmo conjunto de experimentos.
Trata-se de uma linha de pesquisa preliminar em modelo animal, sem nenhuma etapa clínica que permita transpor o achado para pessoas. Doença hepática é assunto de acompanhamento médico especializado, com exames periódicos e conduta individualizada, e nenhum preparo vegetal deve entrar nesse cenário por iniciativa própria.
Propriedades Anti-Inflamatórias
A aplicação externa de compressas com rizoma cozido sobre a pele irritada é um uso doméstico bem documentado nos herbários europeus, e a hipótese química que o acompanha continua sendo a mesma dos taninos, cuja ação adstringente sobre tecidos superficiais é conhecida. O estudo de Bakr e colaboradores observou atividade anti-inflamatória em modelo animal, o que dá alguma consistência ao registro tradicional.
O registro tradicional não significa que o preparo acelere cicatrização ou substitua o cuidado adequado de uma lesão. Áreas com sinais de infecção, cortes profundos, feridas abertas e queimaduras pedem avaliação profissional, e a aplicação de qualquer preparo caseiro nessas condições atrasa o tratamento correto sem oferecer contrapartida.
Uso Cosmético
Extratos de ninfeia-branca circulam na indústria cosmética como ingrediente de formulações destinadas a peles sensíveis, e o argumento técnico apresentado pelos fabricantes se apoia no perfil antioxidante descrito nas análises de laboratório. A constatação relevante é essa, e ela termina aí: o extrato tem um perfil químico que interessa à formulação cosmética.
Não existem estudos publicados que tenham testado esses extratos em pele humana com desfechos medidos, e por isso não há base para prometer clareamento de manchas, elasticidade, firmeza ou qualquer resultado visível específico. Quem usa cosméticos com o ingrediente deve avaliar o produto como um todo, e não a planta isoladamente.
Como Preparar e Usar
Os preparos descritos a seguir reproduzem o que a tradição europeia registrou, e a apresentação tem valor documental e cultural. Nenhuma dose de Nymphaea alba foi estabelecida por estudo clínico, nenhuma indicação terapêutica foi validada, e a decisão de usar a planta deve passar por profissional de saúde que conheça o histórico de quem pergunta.
Banhos de Assento na Tradição Popular
Coceira, corrimento e odor vaginal têm causas variadas, entre elas candidíase e outras infecções fúngicas, infecções bacterianas e infecções sexualmente transmissíveis, e cada uma delas responde a um tratamento diferente, o que somente uma avaliação ginecológica é capaz de definir. Nenhum desses sintomas deve ser tratado com banhos caseiros, seja em episódio isolado, seja em quadro de repetição, porque adiar o diagnóstico permite que uma condição tratável evolua e se complique.
A medicina popular europeia registrou o banho de assento com decocção de rizoma ou de flores de lírio-branco entre os recursos aplicados a desconfortos da região genital feminina. Esse registro é histórico e documental: nenhum estudo clínico avaliou o preparo para essa finalidade, não há como afirmar eficácia nem segurança nesse contexto, e por isso este artigo não descreve modo de preparo nem sugere aplicação caseira. Quem tiver interesse nesse recurso da tradição deve levar o assunto ao profissional que acompanha o caso.
Depois do diagnóstico profissional e com aval do médico que acompanha o caso, um banho morno pode no máximo acompanhar o tratamento prescrito, sem substituí-lo em hipótese alguma e sem que exista estudo que lhe atribua efeito sobre a causa do sintoma. Duchas internas estão fora de cogitação em qualquer cenário, com preparos vegetais ou sem eles, porque a lavagem interna desequilibra a flora vaginal e costuma agravar exatamente o que se pretendia aliviar.
Cataplasma de Uso Externo
O cataplasma tradicional se faz com o rizoma cozido até amolecer, amassado ainda morno e envolvido em pano limpo antes de ser aplicado sobre a pele íntegra, por períodos curtos. Antes de qualquer aplicação mais extensa, convém testar o preparo em uma área pequena do antebraço e observar a reação da pele por algumas horas, já que reações alérgicas a material vegetal não são raras.
O preparo não deve entrar em contato com cortes profundos, feridas abertas, queimaduras ou regiões com calor, secreção e vermelhidão, situações em que a avaliação médica é o caminho e não um complemento opcional.
Chá das Flores
A infusão das flores secas é o preparo mais leve do repertório tradicional: a água é fervida, retirada do fogo e despejada sobre as flores, que descansam tampadas por cerca de dez minutos antes de o líquido ser coado. Na tradição europeia, esse preparo aparecia no fim do dia, associado ao relaxamento, e é nessa moldura, a de um costume documentado, que ele deve ser lido.
Como o único indício experimental de ação sobre o sistema nervoso vem de camundongos, quem experimenta a infusão deve evitar dirigir e operar máquinas depois de tomá-la, especialmente na primeira vez, e manter distância de bebida alcoólica no mesmo período.
Decocção da Raiz
A decocção do rizoma seco, obtida fervendo o material picado em água por alguns minutos e coando em seguida, é o preparo mais adstringente e o mais concentrado em taninos, o que também o torna o mais sujeito a causar desconforto gástrico e a interferir na absorção de nutrientes e de medicamentos tomados no mesmo horário.
Diarreia acompanhada de febre, de sangue ou de sinais de desidratação como boca seca, tontura e urina escura, assim como qualquer quadro que passe de 48 horas, exige avaliação médica sem intermediários, e nenhum preparo caseiro deve retardar essa consulta. A decocção não deve ser usada em crianças em nenhuma circunstância, e essa contraindicação vale igualmente para gestantes e lactantes.
Gargarejo Tradicional
A tradição europeia também registra o uso do chá das flores ou do rizoma em gargarejos para desconforto na garganta e pequenas inflamações da boca, um costume caseiro simples, já que o líquido é apenas gargarejado e cuspido, sem ser engolido em grandes volumes. Nenhum estudo avaliou essa prática, e o mecanismo proposto é o mesmo dos taninos que dão à decocção sua adstringência.
Dor de garganta acompanhada de febre alta, dificuldade para engolir ou manchas brancas na garganta pode indicar uma infecção bacteriana, como a amigdalite estreptocócica, que exige diagnóstico e antibiótico prescritos por médico. O gargarejo tradicional não substitui essa avaliação, e sintomas que persistem por mais de dois ou três dias pedem atendimento em vez de insistência no preparo caseiro.
Cultivo e Colheita
Quem cultiva o lírio-branco em casa costuma plantar o rizoma em vaso largo e raso, com substrato argiloso pesado coberto por uma camada de cascalho que impede a terra de turvar a água, e depois submerge o conjunto de modo que a lâmina d’água sobre o vaso fique entre 40 e 80 centímetros. A planta pede sol direto por pelo menos seis horas diárias e água parada, porque correnteza e respingos constantes prejudicam as folhas flutuantes.
A multiplicação se faz pela divisão do rizoma no início da primavera, separando pedaços que tenham gemas visíveis, e a manutenção se resume a controlar algas, impedir que a superfície feche por completo e retirar folhas amareladas. Ninfeias se espalham com facilidade em corpos d’água naturais, e descartar restos de cultivo em lagoas, represas ou rios é conduta a ser evitada em qualquer situação.
A colheita das flores, quando acontece, é feita pela manhã, com as pétalas recém-abertas, e a secagem deve ocorrer à sombra, em local arejado, até que o material fique quebradiço. O rizoma é retirado no fim do verão ou no outono, lavado, picado e seco do mesmo modo, e material colhido de lagoas desconhecidas não serve para consumo, tanto pela incerteza da espécie quanto pela contaminação frequente das águas paradas por agrotóxicos, efluentes e metais pesados.
Contraindicações e Segurança
O lírio-branco não tem perfil de segurança estabelecido por estudo em humanos, e essa ausência de dados pesa em cada uma das situações abaixo, que devem ser lidas como limites e não como sugestões negociáveis.
- Alergias: pessoas com histórico de reação a plantas aquáticas ou sensibilidade cutânea conhecida devem testar qualquer preparo externo em área pequena e suspender o uso ao primeiro sinal de coceira, inchaço ou vermelhidão.
- Cirurgias e anestesia: pela ação sobre o sistema nervoso central descrita em estudo com animais, o uso deve ser interrompido com antecedência diante de qualquer procedimento programado, e a equipe médica precisa saber de todos os preparos vegetais em curso.
- Crianças pequenas: não há dado algum de segurança pediátrica, e nenhum preparo da planta deve ser oferecido a crianças, por via oral ou em banho.
- Direção e máquinas: quem experimenta preparos com a planta deve evitar dirigir, operar equipamentos e realizar tarefas que exijam atenção sustentada até conhecer a própria resposta.
- Gestantes e lactantes: a contraindicação é integral, já que não existe informação sobre passagem placentária, excreção no leite ou efeito sobre o desenvolvimento.
- Identificação botânica: espécies do gênero Nymphaea, entre elas Nymphaea caerulea, Nymphaea lotus e Nymphaea tuberosa, apresentam perfis químicos e de segurança distintos entre si, e sem identificação por especialista não se deve colher a planta na natureza nem consumir material de origem incerta, o que torna o fornecedor confiável e certificado a única via aceitável.
- Medicamentos de ação central: ansiolíticos, anticonvulsivantes, antidepressivos e indutores do sono podem ter seu efeito potencializado pela associação com a planta, e o mesmo raciocínio vale para o consumo de álcool.
- Sintomas ginecológicos: coceira, corrimento, dor e odor exigem diagnóstico médico, e o uso de preparos caseiros como primeira resposta atrasa o tratamento correto de infecções que costumam responder bem quando identificadas cedo.
- Uso prolongado: não existe estudo de toxicidade crônica que permita definir por quanto tempo o consumo seria aceitável, o que desaconselha qualquer uso continuado.
Perguntas Frequentes Sobre o Lírio-Branco (FAQ)
Como Devo Armazenar as Flores e a Raiz Secas?
O material precisa estar completamente seco antes de guardar, sob risco de mofar, e o recipiente ideal é um vidro bem fechado mantido longe de calor, luz e umidade. Flores secas conservam aroma e cor por cerca de um ano, o rizoma resiste um pouco mais, e qualquer sinal de bolor, cheiro estranho ou presença de insetos indica descarte imediato do lote inteiro.
O Extrato de Lírio-Branco Funciona Mesmo na Pele?
O extrato é usado pela indústria cosmética por causa do perfil antioxidante identificado em análises de laboratório, e essa é a extensão do que se pode afirmar com honestidade. Nenhum estudo testou o ingrediente em pele humana com resultados medidos, então promessas de clareamento de manchas, elasticidade ou firmeza não têm respaldo.
O Lírio-Branco Ajuda a Dormir?
O preparo noturno com as flores é um uso tradicional consagrado na Europa, e a evidência científica direta se limita a um estudo em camundongos, que descreveu efeito ansiolítico em testes comportamentais. Não existe ensaio clínico em pessoas sobre ansiedade ou sono, e insônia persistente tem causas que merecem investigação médica em vez de automedicação com plantas.
O Lírio-Branco Causa Dependência?
Não há relato de dependência associado à planta na literatura consultada, mas essa ausência reflete sobretudo a escassez de estudos, e não uma segurança demonstrada. Como não existe pesquisa de uso prolongado em humanos, o consumo continuado por conta própria é desaconselhado.
O Lírio-Branco Pode Ser Usado em Crianças?
Não. Não existe estudo de segurança pediátrica para nenhum preparo da planta, e a decocção do rizoma, por ser a preparação mais concentrada em taninos, é a que menos se justifica em qualquer idade pediátrica. Sintomas infantis, sobretudo diarreia e febre, pedem avaliação pediátrica rápida, porque a desidratação avança depressa nessa faixa etária.
O Lírio-Branco Tem Propriedade Afrodisíaca?
A fama histórica é exatamente a oposta: relatos europeus atribuíam ao rizoma um efeito anafrodisíaco, ou seja, de redução do desejo sexual, e associavam seu uso a comunidades religiosas comprometidas com o celibato. Esse efeito nunca foi testado em estudo moderno, de forma que o registro pertence à história cultural da planta e não a uma propriedade demonstrada.
Posso Colher Lírio-Branco em Lagoas e Represas?
Colher a planta na natureza não é recomendável por dois motivos independentes: espécies do mesmo gênero se parecem entre si e têm composições diferentes, o que exige identificação por especialista, e águas paradas de área urbana ou agrícola acumulam agrotóxicos, efluentes e metais pesados que o rizoma absorve. Fornecedor confiável e material certificado resolvem os dois problemas de uma vez.
Quais São os Outros Nomes do Lírio-Branco?
O lírio-branco também é chamado de lírio-branco-de-lagoa, lírio-d’água, lótus-branco, nenúfar-branco, ninfeia-branca e repolho-da-água, dependendo da região do Brasil ou de Portugal, e o apelido “lótus-branco” é justamente a origem da confusão mais comum com o lótus verdadeiro (Nelumbo nucifera), que pertence a um gênero botânico diferente. Ao comprar qualquer preparo com esse nome, vale conferir o nome científico Nymphaea alba na embalagem para garantir que se trata da espécie certa.
Qual a Diferença Entre o Lírio-Branco e o Lótus?
O lótus verdadeiro pertence ao gênero Nelumbo, de outra família botânica, e ergue folhas e flores acima da água, com um receptáculo central perfurado que lembra um chuveiro. O lírio-branco é uma ninfeia do gênero Nymphaea, com folhas flutuantes fendidas, e as duas plantas têm composições químicas e usos tradicionais próprios, o que torna a troca de nomes uma fonte frequente de erro.
Referências
- PMC2017 Bakr RO, et al. Profile of bioactive compounds in Nymphaea alba L. leaves growing in Egypt: hepatoprotective, antioxidant and anti-inflammatory activity. BMC Complementary and Alternative Medicine, 2017. Estudo em ratos com hepatotoxicidade induzida por tetracloreto de carbono. PMID 28095910
- DOI2012 Bose A, Sahoo M, Ray SD. In vivo evaluation of anti-diarrheal activity of the rhizome of Nymphaea alba (Nymphaeaceae). Oriental Pharmacy and Experimental Medicine, 2012. Estudo em ratos com diarreia induzida por óleo de rícino, com comparação a difenoxilato e loperamida. DOI 10.1007/s13596-012-0062-6
- PMC2018 Cudalbeanu M, et al. Exploring New Antioxidant and Mineral Compounds from Nymphaea alba Wild-Grown in Danube Delta Biosphere. Molecules, 2018. Estudo in vitro de caracterização fitoquímica por HPLC-MS/MS. PMID 29882880
- PMC2011 Thippeswamy BS, et al. Anxiolytic activity of Nymphaea alba Linn. in mice as experimental models of anxiety. Indian Journal of Pharmacology, 2011. Estudo em camundongos. PMID 21455422






