Plantas Medicinais

Lírio-Branco (Nymphaea alba): Tradição, Segurança e Ciência

Lírio-branco (Nymphaea alba): o que a ciência já testou em laboratório, o que é apenas tradição europeia e os cuidados essenciais antes de usar a planta.

Por Conselho Editorial23 Min de Leitura
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Lírio-branco - Nymphaea alba
Lírio-branco (Nymphaea alba) - planta aquática utilizada na medicina natural para preparo de chás com propriedades terapêuticas

O lírio-branco (Nymphaea alba) é uma planta aquática perene da família Nymphaeaceae, conhecida em português também como lírio-d’água e ninfeia-branca, cujas flores de pétalas brancas e centro amarelo repousam sobre a superfície de açudes, lagos e remansos de rio em boa parte da Europa. Quem encontra a planta pela primeira vez costuma reparar antes na folha do que na flor, porque o disco verde flutuante, recortado por uma fenda que vai da borda até o ponto onde o pecíolo se prende, é a assinatura mais reconhecível do gênero.

Ao longo dos séculos, essa ninfeia acumulou uma reputação dupla: ornamento admirado em jardins aquáticos e ingrediente de preparos caseiros que atravessaram cozinhas de mosteiro, herbários medievais e manuais de medicina popular europeia. Flores, folhas e rizoma aparecem nesses registros ligados a finalidades bastante diferentes entre si, do desconforto intestinal aos gargarejos para a garganta e às compressas aplicadas sobre a pele, passando por infusões noturnas associadas ao descanso.

Este texto reúne o que a tradição registrou e o que a pesquisa efetivamente testou, mantendo as duas coisas separadas, porque no caso do lírio-branco a distância entre elas é considerável. Os poucos estudos disponíveis foram conduzidos em camundongos, em ratos ou em tubo de ensaio, e nenhum uso da planta chegou a ser avaliado em ensaio clínico com pessoas.

Sumário do Artigo
  1. Alerta de Segurança Antes de Qualquer Uso
  2. O Que É o Lírio-Branco
  3. Nomes Populares e Sinônimos
  4. História e Usos Tradicionais
  5. Composição Fitoquímica
  6. Propriedades em Estudo
  7. Como Preparar e Usar
  8. Cultivo e Colheita
  9. Contraindicações e Segurança
  10. Perguntas Frequentes Sobre o Lírio-Branco (FAQ)

Alerta de Segurança Antes de Qualquer Uso

  • Coceira, corrimento e odor vaginal exigem avaliação ginecológica para diagnóstico correto e nunca devem ser tratados por conta própria com preparos caseiros.
  • Nenhum uso do lírio-branco conta com ensaio clínico em humanos, e toda a evidência disponível vem de estudos em animais de laboratório ou de testes in vitro.
  • Ninfeias de espécies diferentes têm perfis químicos e de segurança distintos entre si, de modo que material colhido na natureza sem identificação botânica segura não deve ser consumido.
  • O uso é contraindicado para crianças pequenas, gestantes e lactantes, sem dados que sustentem qualquer exceção.
  • Quem faz uso de álcool, ansiolíticos ou antidepressivos precisa conversar com o médico antes de experimentar a planta, porque a ação sobre o sistema nervoso central descrita em estudo com camundongos levanta a possibilidade de potencialização desses efeitos.

O Que É o Lírio-Branco

O lírio-branco é uma herbácea aquática de rizoma espesso e horizontal, que se ancora no fundo lodoso de águas paradas ou de corrente lenta e emite pecíolos longos até a superfície, onde as folhas flutuam presas por essa haste submersa. As folhas são arredondadas, medem entre 10 e 30 centímetros de diâmetro, apresentam a face superior verde escura e mais brilhante e a inferior mais clara ou avermelhada, e trazem sempre a fenda profunda que separa dois lobos até o ponto de inserção.

As flores, que dão nome popular à planta, chegam a 20 centímetros de diâmetro nos exemplares mais vigorosos e reúnem numerosas pétalas brancas dispostas em espiral em torno de um conjunto denso de estames amarelos. Elas abrem pela manhã e se fecham no fim da tarde, repetindo o ciclo por vários dias, e a floração se estende do fim da primavera ao fim do verão nas regiões de clima temperado.

Nativa da Europa, do norte da África e do oeste da Ásia, a espécie coloniza lagoas, lagos rasos, trechos remansosos de rios e valas alagadas, geralmente onde a lâmina d’água fica entre meio metro e dois metros e meio de profundidade. No Brasil ela circula sobretudo como ornamental, em espelhos d’água, lagos de parque e tanques de jardim, e raramente aparece em ambientes naturais.

A confusão mais comum acontece com o lótus asiático (Nelumbo nucifera), que pertence a outro gênero e a outra família: suas folhas se erguem acima da lâmina d’água em forma de funil, sem a fenda característica das ninfeias, e a flor traz um receptáculo central em forma de chuveiro que Nymphaea alba não possui. Outra troca frequente, essa restrita ao português, envolve o lírio-branco da floricultura, Lilium candidum, bulbosa terrestre da família Liliaceae também chamada de açucena, que não tem parentesco algum com as ninfeias.

Nomes Populares e Sinônimos

Em português, o lírio-branco também é chamado de lírio-branco-de-lagoa, lírio-d’água, lótus-branco, nenúfar-branco, ninfeia-branca e repolho-da-água, nomes que variam conforme a região do Brasil e de Portugal. O apelido “lótus-branco” é justamente uma das origens da confusão com o lótus verdadeiro do gênero Nelumbo, tratada no tópico anterior, e vale checar sempre o nome científico Nymphaea alba no rótulo de qualquer preparo comercial antes de comprar.

Em outros idiomas a planta aparece como Weiße Seerose (alemão), nenúfar blanco (espanhol), nénuphar blanc (francês), white waterlily (inglês, o nome mais preciso em termos botânicos, já que white lotus, também usado no idioma, mistura o vocabulário dos dois gêneros) e ninfea bianca (italiano).

História e Usos Tradicionais

A imagem que muita gente associa por engano ao lírio-branco, a flor sagrada do Egito Antigo ligada ao deus Rá, ao nascimento e à ideia de ressurreição, pertence na verdade a ninfeias aparentadas do mesmo gênero, principalmente Nymphaea caerulea e Nymphaea lotus, que crescem nas margens do Nilo e aparecem representadas em colunas, papiros e pinturas funerárias. Nymphaea alba é uma planta essencialmente europeia e não participa dessa iconografia, embora divida com aquelas espécies o gênero Nymphaea e boa parte da arquitetura floral que gerou tanta confusão de nomes.

Na Grécia Antiga, o nome que mais tarde daria origem ao do gênero já remetia às ninfas das águas, e autores da Antiguidade registraram preparos com rizoma de ninfeias tanto para desconfortos intestinais quanto para aplicações externas, numa linha de uso que os herbários latinos depois recolheram e transmitiram. Foi na Europa medieval, porém, que Nymphaea alba ganhou identidade própria dentro da matéria médica, associada à adstringência do rizoma rico em taninos e ao preparo de águas florais de uso doméstico.

Segundo relatos históricos, comunidades monásticas recorriam ao rizoma da planta para conter o desejo sexual e sustentar o voto de celibato, atribuição que rendeu ao lírio-branco a fama duradoura de anafrodisíaco. O registro pertence à história cultural da fitoterapia europeia, e não a uma propriedade demonstrada, já que nenhum estudo moderno chegou a testar esse efeito em qualquer modelo experimental.

Composição Fitoquímica

A caracterização química do lírio-branco vem de um punhado de trabalhos, cada um deles com material colhido em uma única região, o que limita bastante a generalização dos resultados. Os grupos de substâncias que aparecem com mais consistência nas análises são estes:

  • Alcaloides: a literatura descreve alcaloides no rizoma e nas partes aéreas da planta, e é a esse conjunto que se costuma atribuir a ação sobre o sistema nervoso observada em animais. A composição exata desse grupo permanece mal caracterizada nos trabalhos publicados, razão pela qual nenhuma molécula individual é nomeada aqui.
  • Flavonoides e outros compostos fenólicos: a análise por cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas em material do Delta do Danúbio identificou um perfil fenólico variado, que responde pela capacidade antioxidante medida in vitro.
  • Mucilagem e amido: abundantes sobretudo no rizoma, dão ao preparo a consistência levemente espessa que a tradição associava ao efeito emoliente das compressas.
  • Taninos: concentrados no rizoma, respondem pela adstringência marcante da decocção e oferecem o mecanismo mais plausível para os usos externos e intestinais registrados na tradição.

A proporção entre esses grupos muda conforme a época da colheita, a origem do material e a parte da planta usada, e nenhum trabalho publicado padronizou um extrato de Nymphaea alba para uso humano.

Propriedades em Estudo

Parte dos usos que a tradição registrou já passou por algum teste de laboratório, sempre em escala pequena e sempre longe da clínica. Os estudos que sustentam esta seção foram conduzidos em camundongos, em ratos ou em tubo de ensaio, o que significa que descrevem o comportamento de extratos sob condições experimentais controladas, e não o efeito da planta em pessoas. Nenhum dos tópicos abaixo descreve um uso validado clinicamente.

Ação Adstringente e Antidiarreica em Estudo

O uso do rizoma contra diarreia é um dos registros mais antigos da tradição europeia, e encontra alguma correspondência experimental em um estudo publicado em 2012 por Bose, Sahoo e Ray, no qual extratos do rizoma foram administrados a ratos com diarreia induzida por óleo de rícino e comparados a difenoxilato e loperamida. Os autores relataram redução da frequência das evacuações nos animais tratados, dentro de um desenho experimental que não envolveu nenhum participante humano.

Do ponto de vista químico, a explicação mais provável está nos taninos, que precipitam proteínas da superfície da mucosa e reduzem a secreção, e essa é a razão de a decocção do rizoma ter chegado até nós com fama adstringente. Nada disso autoriza tratar diarreia com a planta, e um quadro intestinal agudo merece atenção médica muito antes de qualquer preparo caseiro.

Ação Ansiolítica em Estudo com Animais

O preparo noturno com flores de ninfeia atravessou séculos de uso doméstico na Europa como um recurso de relaxamento, e a base experimental para essa reputação se resume, hoje, a um único estudo: Thippeswamy e colaboradores avaliaram, em 2011, extratos de Nymphaea alba em camundongos submetidos a testes comportamentais padronizados de ansiedade e descreveram um efeito ansiolítico nos animais tratados.

Um trabalho com roedores mostra que uma via de investigação vale a pena, não que a planta funcione em pessoas. Não existe ensaio clínico em humanos sobre ansiedade, sono ou qualquer desfecho relacionado, de forma que a expressão “calmante natural”, tão repetida em textos de divulgação, descreve uma expectativa cultural e não um resultado demonstrado.

Atividade Antioxidante

A pesquisa conduzida por Cudalbeanu e colaboradores em 2018, publicada na revista Molecules, analisou exemplares silvestres da Reserva da Biosfera do Delta do Danúbio e combinou a identificação dos compostos por cromatografia com ensaios de capacidade antioxidante realizados em tubo de ensaio. O resultado descreve um perfil fenólico interessante e uma capacidade antioxidante mensurável nas condições do laboratório.

Ensaios in vitro medem a reação de um extrato diante de radicais livres em uma placa, e a distância entre esse cenário e o organismo humano é grande, porque envolve absorção, distribuição e metabolismo que nenhum tubo de ensaio reproduz. O achado interessa como ponto de partida para pesquisas futuras, sem qualquer promessa de benefício por ingestão ou aplicação.

Efeito Hepatoprotetor em Pesquisa

Bakr e colaboradores publicaram, em 2017, um estudo com folhas de Nymphaea alba cultivadas no Egito em que ratos foram expostos a tetracloreto de carbono, substância usada em laboratório justamente por provocar lesão hepática, e receberam extratos da planta. Os autores relataram marcadores de dano ao fígado menos alterados nos animais tratados, além de atividade anti-inflamatória e antioxidante no mesmo conjunto de experimentos.

Trata-se de uma linha de pesquisa preliminar em modelo animal, sem nenhuma etapa clínica que permita transpor o achado para pessoas. Doença hepática é assunto de acompanhamento médico especializado, com exames periódicos e conduta individualizada, e nenhum preparo vegetal deve entrar nesse cenário por iniciativa própria.

Propriedades Anti-Inflamatórias

A aplicação externa de compressas com rizoma cozido sobre a pele irritada é um uso doméstico bem documentado nos herbários europeus, e a hipótese química que o acompanha continua sendo a mesma dos taninos, cuja ação adstringente sobre tecidos superficiais é conhecida. O estudo de Bakr e colaboradores observou atividade anti-inflamatória em modelo animal, o que dá alguma consistência ao registro tradicional.

O registro tradicional não significa que o preparo acelere cicatrização ou substitua o cuidado adequado de uma lesão. Áreas com sinais de infecção, cortes profundos, feridas abertas e queimaduras pedem avaliação profissional, e a aplicação de qualquer preparo caseiro nessas condições atrasa o tratamento correto sem oferecer contrapartida.

Uso Cosmético

Extratos de ninfeia-branca circulam na indústria cosmética como ingrediente de formulações destinadas a peles sensíveis, e o argumento técnico apresentado pelos fabricantes se apoia no perfil antioxidante descrito nas análises de laboratório. A constatação relevante é essa, e ela termina aí: o extrato tem um perfil químico que interessa à formulação cosmética.

Não existem estudos publicados que tenham testado esses extratos em pele humana com desfechos medidos, e por isso não há base para prometer clareamento de manchas, elasticidade, firmeza ou qualquer resultado visível específico. Quem usa cosméticos com o ingrediente deve avaliar o produto como um todo, e não a planta isoladamente.

Como Preparar e Usar

Os preparos descritos a seguir reproduzem o que a tradição europeia registrou, e a apresentação tem valor documental e cultural. Nenhuma dose de Nymphaea alba foi estabelecida por estudo clínico, nenhuma indicação terapêutica foi validada, e a decisão de usar a planta deve passar por profissional de saúde que conheça o histórico de quem pergunta.

Coceira, corrimento e odor vaginal têm causas variadas, entre elas candidíase e outras infecções fúngicas, infecções bacterianas e infecções sexualmente transmissíveis, e cada uma delas responde a um tratamento diferente, o que somente uma avaliação ginecológica é capaz de definir. Nenhum desses sintomas deve ser tratado com banhos caseiros, seja em episódio isolado, seja em quadro de repetição, porque adiar o diagnóstico permite que uma condição tratável evolua e se complique.

A medicina popular europeia registrou o banho de assento com decocção de rizoma ou de flores de lírio-branco entre os recursos aplicados a desconfortos da região genital feminina. Esse registro é histórico e documental: nenhum estudo clínico avaliou o preparo para essa finalidade, não há como afirmar eficácia nem segurança nesse contexto, e por isso este artigo não descreve modo de preparo nem sugere aplicação caseira. Quem tiver interesse nesse recurso da tradição deve levar o assunto ao profissional que acompanha o caso.

Depois do diagnóstico profissional e com aval do médico que acompanha o caso, um banho morno pode no máximo acompanhar o tratamento prescrito, sem substituí-lo em hipótese alguma e sem que exista estudo que lhe atribua efeito sobre a causa do sintoma. Duchas internas estão fora de cogitação em qualquer cenário, com preparos vegetais ou sem eles, porque a lavagem interna desequilibra a flora vaginal e costuma agravar exatamente o que se pretendia aliviar.

Cataplasma de Uso Externo

O cataplasma tradicional se faz com o rizoma cozido até amolecer, amassado ainda morno e envolvido em pano limpo antes de ser aplicado sobre a pele íntegra, por períodos curtos. Antes de qualquer aplicação mais extensa, convém testar o preparo em uma área pequena do antebraço e observar a reação da pele por algumas horas, já que reações alérgicas a material vegetal não são raras.

O preparo não deve entrar em contato com cortes profundos, feridas abertas, queimaduras ou regiões com calor, secreção e vermelhidão, situações em que a avaliação médica é o caminho e não um complemento opcional.

Chá das Flores

A infusão das flores secas é o preparo mais leve do repertório tradicional: a água é fervida, retirada do fogo e despejada sobre as flores, que descansam tampadas por cerca de dez minutos antes de o líquido ser coado. Na tradição europeia, esse preparo aparecia no fim do dia, associado ao relaxamento, e é nessa moldura, a de um costume documentado, que ele deve ser lido.

Como o único indício experimental de ação sobre o sistema nervoso vem de camundongos, quem experimenta a infusão deve evitar dirigir e operar máquinas depois de tomá-la, especialmente na primeira vez, e manter distância de bebida alcoólica no mesmo período.

Decocção da Raiz

A decocção do rizoma seco, obtida fervendo o material picado em água por alguns minutos e coando em seguida, é o preparo mais adstringente e o mais concentrado em taninos, o que também o torna o mais sujeito a causar desconforto gástrico e a interferir na absorção de nutrientes e de medicamentos tomados no mesmo horário.

Diarreia acompanhada de febre, de sangue ou de sinais de desidratação como boca seca, tontura e urina escura, assim como qualquer quadro que passe de 48 horas, exige avaliação médica sem intermediários, e nenhum preparo caseiro deve retardar essa consulta. A decocção não deve ser usada em crianças em nenhuma circunstância, e essa contraindicação vale igualmente para gestantes e lactantes.

Gargarejo Tradicional

A tradição europeia também registra o uso do chá das flores ou do rizoma em gargarejos para desconforto na garganta e pequenas inflamações da boca, um costume caseiro simples, já que o líquido é apenas gargarejado e cuspido, sem ser engolido em grandes volumes. Nenhum estudo avaliou essa prática, e o mecanismo proposto é o mesmo dos taninos que dão à decocção sua adstringência.

Dor de garganta acompanhada de febre alta, dificuldade para engolir ou manchas brancas na garganta pode indicar uma infecção bacteriana, como a amigdalite estreptocócica, que exige diagnóstico e antibiótico prescritos por médico. O gargarejo tradicional não substitui essa avaliação, e sintomas que persistem por mais de dois ou três dias pedem atendimento em vez de insistência no preparo caseiro.

Cultivo e Colheita

Quem cultiva o lírio-branco em casa costuma plantar o rizoma em vaso largo e raso, com substrato argiloso pesado coberto por uma camada de cascalho que impede a terra de turvar a água, e depois submerge o conjunto de modo que a lâmina d’água sobre o vaso fique entre 40 e 80 centímetros. A planta pede sol direto por pelo menos seis horas diárias e água parada, porque correnteza e respingos constantes prejudicam as folhas flutuantes.

A multiplicação se faz pela divisão do rizoma no início da primavera, separando pedaços que tenham gemas visíveis, e a manutenção se resume a controlar algas, impedir que a superfície feche por completo e retirar folhas amareladas. Ninfeias se espalham com facilidade em corpos d’água naturais, e descartar restos de cultivo em lagoas, represas ou rios é conduta a ser evitada em qualquer situação.

A colheita das flores, quando acontece, é feita pela manhã, com as pétalas recém-abertas, e a secagem deve ocorrer à sombra, em local arejado, até que o material fique quebradiço. O rizoma é retirado no fim do verão ou no outono, lavado, picado e seco do mesmo modo, e material colhido de lagoas desconhecidas não serve para consumo, tanto pela incerteza da espécie quanto pela contaminação frequente das águas paradas por agrotóxicos, efluentes e metais pesados.

Contraindicações e Segurança

O lírio-branco não tem perfil de segurança estabelecido por estudo em humanos, e essa ausência de dados pesa em cada uma das situações abaixo, que devem ser lidas como limites e não como sugestões negociáveis.

  • Alergias: pessoas com histórico de reação a plantas aquáticas ou sensibilidade cutânea conhecida devem testar qualquer preparo externo em área pequena e suspender o uso ao primeiro sinal de coceira, inchaço ou vermelhidão.
  • Cirurgias e anestesia: pela ação sobre o sistema nervoso central descrita em estudo com animais, o uso deve ser interrompido com antecedência diante de qualquer procedimento programado, e a equipe médica precisa saber de todos os preparos vegetais em curso.
  • Crianças pequenas: não há dado algum de segurança pediátrica, e nenhum preparo da planta deve ser oferecido a crianças, por via oral ou em banho.
  • Direção e máquinas: quem experimenta preparos com a planta deve evitar dirigir, operar equipamentos e realizar tarefas que exijam atenção sustentada até conhecer a própria resposta.
  • Gestantes e lactantes: a contraindicação é integral, já que não existe informação sobre passagem placentária, excreção no leite ou efeito sobre o desenvolvimento.
  • Identificação botânica: espécies do gênero Nymphaea, entre elas Nymphaea caerulea, Nymphaea lotus e Nymphaea tuberosa, apresentam perfis químicos e de segurança distintos entre si, e sem identificação por especialista não se deve colher a planta na natureza nem consumir material de origem incerta, o que torna o fornecedor confiável e certificado a única via aceitável.
  • Medicamentos de ação central: ansiolíticos, anticonvulsivantes, antidepressivos e indutores do sono podem ter seu efeito potencializado pela associação com a planta, e o mesmo raciocínio vale para o consumo de álcool.
  • Sintomas ginecológicos: coceira, corrimento, dor e odor exigem diagnóstico médico, e o uso de preparos caseiros como primeira resposta atrasa o tratamento correto de infecções que costumam responder bem quando identificadas cedo.
  • Uso prolongado: não existe estudo de toxicidade crônica que permita definir por quanto tempo o consumo seria aceitável, o que desaconselha qualquer uso continuado.

Perguntas Frequentes Sobre o Lírio-Branco (FAQ)

Como Devo Armazenar as Flores e a Raiz Secas?

O material precisa estar completamente seco antes de guardar, sob risco de mofar, e o recipiente ideal é um vidro bem fechado mantido longe de calor, luz e umidade. Flores secas conservam aroma e cor por cerca de um ano, o rizoma resiste um pouco mais, e qualquer sinal de bolor, cheiro estranho ou presença de insetos indica descarte imediato do lote inteiro.

O Extrato de Lírio-Branco Funciona Mesmo na Pele?

O extrato é usado pela indústria cosmética por causa do perfil antioxidante identificado em análises de laboratório, e essa é a extensão do que se pode afirmar com honestidade. Nenhum estudo testou o ingrediente em pele humana com resultados medidos, então promessas de clareamento de manchas, elasticidade ou firmeza não têm respaldo.

O Lírio-Branco Ajuda a Dormir?

O preparo noturno com as flores é um uso tradicional consagrado na Europa, e a evidência científica direta se limita a um estudo em camundongos, que descreveu efeito ansiolítico em testes comportamentais. Não existe ensaio clínico em pessoas sobre ansiedade ou sono, e insônia persistente tem causas que merecem investigação médica em vez de automedicação com plantas.

O Lírio-Branco Causa Dependência?

Não há relato de dependência associado à planta na literatura consultada, mas essa ausência reflete sobretudo a escassez de estudos, e não uma segurança demonstrada. Como não existe pesquisa de uso prolongado em humanos, o consumo continuado por conta própria é desaconselhado.

O Lírio-Branco Pode Ser Usado em Crianças?

Não. Não existe estudo de segurança pediátrica para nenhum preparo da planta, e a decocção do rizoma, por ser a preparação mais concentrada em taninos, é a que menos se justifica em qualquer idade pediátrica. Sintomas infantis, sobretudo diarreia e febre, pedem avaliação pediátrica rápida, porque a desidratação avança depressa nessa faixa etária.

O Lírio-Branco Tem Propriedade Afrodisíaca?

A fama histórica é exatamente a oposta: relatos europeus atribuíam ao rizoma um efeito anafrodisíaco, ou seja, de redução do desejo sexual, e associavam seu uso a comunidades religiosas comprometidas com o celibato. Esse efeito nunca foi testado em estudo moderno, de forma que o registro pertence à história cultural da planta e não a uma propriedade demonstrada.

Posso Colher Lírio-Branco em Lagoas e Represas?

Colher a planta na natureza não é recomendável por dois motivos independentes: espécies do mesmo gênero se parecem entre si e têm composições diferentes, o que exige identificação por especialista, e águas paradas de área urbana ou agrícola acumulam agrotóxicos, efluentes e metais pesados que o rizoma absorve. Fornecedor confiável e material certificado resolvem os dois problemas de uma vez.

Quais São os Outros Nomes do Lírio-Branco?

O lírio-branco também é chamado de lírio-branco-de-lagoa, lírio-d’água, lótus-branco, nenúfar-branco, ninfeia-branca e repolho-da-água, dependendo da região do Brasil ou de Portugal, e o apelido “lótus-branco” é justamente a origem da confusão mais comum com o lótus verdadeiro (Nelumbo nucifera), que pertence a um gênero botânico diferente. Ao comprar qualquer preparo com esse nome, vale conferir o nome científico Nymphaea alba na embalagem para garantir que se trata da espécie certa.

Qual a Diferença Entre o Lírio-Branco e o Lótus?

O lótus verdadeiro pertence ao gênero Nelumbo, de outra família botânica, e ergue folhas e flores acima da água, com um receptáculo central perfurado que lembra um chuveiro. O lírio-branco é uma ninfeia do gênero Nymphaea, com folhas flutuantes fendidas, e as duas plantas têm composições químicas e usos tradicionais próprios, o que torna a troca de nomes uma fonte frequente de erro.

Referências

4 Referências Citadas

Baseado em 4 Referências Citadas (4 Peer-Reviewed).

  1. PMC2017 Bakr RO, et al. Profile of bioactive compounds in Nymphaea alba L. leaves growing in Egypt: hepatoprotective, antioxidant and anti-inflammatory activity. BMC Complementary and Alternative Medicine, 2017. Estudo em ratos com hepatotoxicidade induzida por tetracloreto de carbono. PMID 28095910
  2. DOI2012 Bose A, Sahoo M, Ray SD. In vivo evaluation of anti-diarrheal activity of the rhizome of Nymphaea alba (Nymphaeaceae). Oriental Pharmacy and Experimental Medicine, 2012. Estudo em ratos com diarreia induzida por óleo de rícino, com comparação a difenoxilato e loperamida. DOI 10.1007/s13596-012-0062-6
  3. PMC2018 Cudalbeanu M, et al. Exploring New Antioxidant and Mineral Compounds from Nymphaea alba Wild-Grown in Danube Delta Biosphere. Molecules, 2018. Estudo in vitro de caracterização fitoquímica por HPLC-MS/MS. PMID 29882880
  4. PMC2011 Thippeswamy BS, et al. Anxiolytic activity of Nymphaea alba Linn. in mice as experimental models of anxiety. Indian Journal of Pharmacology, 2011. Estudo em camundongos. PMID 21455422

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