Conviver com artrite costuma significar lidar com dor recorrente, rigidez ao acordar, limitação de movimento e uma sensação constante de que as articulações pedem descanso mesmo quando a rotina não permite. Nesse contexto, os chás ganham espaço não como promessa simplista, mas como um apoio prático, acessível e contínuo dentro de uma rotina de cuidado mais ampla, especialmente para quem busca aliviar desconforto e inflamação sem depender apenas de soluções pontuais.
A tradição popular recorre há séculos a raízes, cascas, folhas e resinas em infusão para dores articulares e processos inflamatórios persistentes. Hoje, esse conhecimento volta a despertar interesse porque muitas pessoas querem entender quando cada chá faz mais sentido, quais ervas podem ajudar mais na dor, quais funcionam melhor em fases de rigidez, quais combinam com o período noturno e quais exigem mais cautela por causa de interações, refluxo, gastrite ou uso simultâneo de medicamentos.
Neste artigo, o foco está em chás para artrite de forma ampla, com organização por finalidade prática. Ao longo da leitura, você verá quais opções se destacam em contextos analgésicos, anti-inflamatórios, de rigidez matinal e de desconforto noturno, além de encontrar orientações úteis sobre preparo, horários, frequência, combinações seguras, limites de uso e situações em que a bebida deve sair de cena para dar lugar ao cuidado médico mais direto e individualizado.
O Que é a Artrite e Como os Chás Entram no Cuidado Diário?
A artrite é um termo amplo que reúne diferentes condições marcadas por inflamação articular, dor, inchaço, rigidez e redução da mobilidade. Em alguns casos, como na osteoartrite, o desgaste da articulação tem papel central. Já em outros, como na artrite reumatoide, o sistema imunológico participa diretamente do processo inflamatório. Em todos eles, o impacto cotidiano costuma ser real, progressivo e muitas vezes acompanhado de piora funcional ao longo do tempo.
Os tratamentos convencionais continuam fundamentais e podem incluir analgésicos, anti-inflamatórios, corticosteroides, medicamentos modificadores do curso da doença, fisioterapia e ajustes de rotina. Ainda assim, muitas pessoas procuram recursos complementares para reforçar o cuidado, reduzir a sensação de dependência de medidas isoladas e criar um apoio mais constante entre consultas, crises, exercícios e estratégias alimentares voltadas à inflamação.
É justamente nesse intervalo do cuidado diário que os chás se tornam úteis. Eles não substituem medicamentos, não curam artrite e não devem ser tratados como solução única. Ainda assim, quando escolhidos com critério, preparados corretamente e usados com regularidade responsável, podem oferecer compostos antioxidantes, anti-inflamatórios, analgésicos leves, digestivos ou relaxantes que ajudam a tornar a rotina mais funcional, confortável e sustentável.
Chás Com Foco Analgésico Para Dor Articular
Quando a dor é o sintoma que mais limita o dia, algumas infusões merecem atenção especial. Elas não agem todas da mesma forma, mas compartilham a capacidade de apoiar o controle do desconforto, seja por efeito anti-inflamatório associado, seja por compostos tradicionalmente usados em contextos de dor musculoesquelética e articular.
Chá de Salgueiro-Branco Para Dor Mais Direta
A casca do salgueiro-branco (Salix alba) costuma ser uma das primeiras lembradas quando o objetivo principal é aliviar dor. Isso acontece porque ela contém salicina, substância relacionada ao ácido salicílico. Na prática, esse perfil faz do chá uma opção tradicional para dores articulares, rigidez e desconforto persistente, especialmente em pessoas que procuram um recurso com histórico antigo de uso para sintomas dolorosos de origem inflamatória.
Como a parte usada é a casca, o preparo costuma funcionar melhor por decocção. Em geral, usa-se uma a duas colheres de chá da casca seca para uma xícara de água, deixando ferver em fogo baixo por cerca de dez minutos antes de coar. Apesar do interesse analgésico, o chá pede cautela em pessoas com gastrite, úlcera, uso de anticoagulantes, alergia a salicilatos ou associação com anti-inflamatórios convencionais.
Chá de Garra-do-Diabo Para Dores Persistentes
A garra-do-diabo (Harpagophytum procumbens) é uma planta tradicionalmente usada em quadros de dor reumática e desconforto articular crônico. Seus harpagosídeos aparecem entre os compostos mais citados quando se discute seu uso complementar em artrite e osteoartrite. O chá ou a infusão prolongada da raiz entram melhor em rotinas contínuas do que em buscas por alívio imediato, o que combina com a lógica de cuidado cumulativo da dor crônica.
O sabor amargo é marcante e faz parte do próprio perfil da planta. Em pessoas com sensibilidade digestiva, refluxo ou úlcera, isso exige mais atenção antes de tornar o uso diário. A garra-do-diabo pode ser interessante quando a dor é recorrente e a limitação de movimento já pesa na rotina, mas seu uso precisa respeitar o quadro clínico, a tolerância individual e a orientação profissional.
Chá de Erva-Baleeira Para Desconforto Musculoesquelético
A erva-baleeira (Cordia verbenacea) é muito lembrada no uso tópico, mas também aparece em contextos tradicionais voltados ao desconforto musculoesquelético e inflamatório. Em artrite, seu chá pode ser citado como apoio complementar quando o objetivo é reforçar uma rotina com foco em redução de dor e sensação de peso nas articulações. O valor prático da planta está menos em promessas isoladas e mais em seu histórico ligado a processos dolorosos e inflamatórios.
Como não costuma ser a primeira erva lembrada para uso interno diário, a erva-baleeira merece uma entrada mais cautelosa e observacional. Ela pode ser útil em estratégias pontuais ou em rotação com outras opções mais consagradas, desde que haja boa procedência da matéria-prima e atenção ao contexto individual. Em pacientes polimedicados, vale evitar o uso por conta própria e discutir antes com um profissional de saúde.
Chás Com Foco Anti-inflamatório Para Uso Regular
Nem toda pessoa com artrite busca apenas alívio rápido da dor. Muitas precisam de algo que ajude a modular a inflamação com mais constância ao longo das semanas. Nesse ponto, entram chás e infusões que costumam funcionar melhor quando usados de forma regular, sem excesso e dentro de uma rotina coerente com o restante do tratamento.
Chá de Gengibre Para Inflamação e Rigidez do Dia a Dia
O gengibre (Zingiber officinale) se destaca pelo conteúdo de gingeróis e shogaóis, compostos associados à modulação de vias inflamatórias. Em artrite, ele costuma ser lembrado como uma das opções mais práticas para apoiar o conforto articular e reduzir a sensação de travamento, especialmente quando usado com alguma regularidade. Outro ponto positivo é seu perfil digestivo, relevante para quem já lida com desconforto gástrico por causa de medicamentos.
O preparo costuma funcionar bem com raiz fresca ralada ou fatiada, deixada em infusão ou fervida levemente por dez a quinze minutos. A bebida pode ser usada ao longo do dia, preferencialmente em intensidade moderada. Em pessoas com gastrite, refluxo ou uso de anticoagulantes, o gengibre continua sendo interessante, mas precisa de avaliação individual. Quando muito concentrado, pode irritar o estômago em vez de ajudar.
Chá de Cúrcuma Para Modular a Resposta Inflamatória
A cúrcuma (Curcuma longa) aparece com frequência em estratégias naturais voltadas à artrite por causa da curcumina, um composto amplamente estudado em contextos inflamatórios. O efeito esperado não costuma ser de alívio instantâneo, e sim de apoio progressivo à modulação da inflamação. Por isso, o chá faz mais sentido quando entra como hábito regular, associado a outras medidas, do que como tentativa isolada de interromper uma crise dolorosa.
Na prática, a bebida ganha muito quando recebe uma pitada de pimenta-preta, já que a piperina ajuda na absorção da curcumina. Uma pequena fonte de gordura também pode favorecer esse aproveitamento. Em pessoas com gastrite ativa, refluxo importante, cálculos biliares ou uso de anticoagulantes, a avaliação individual é indispensável. Mesmo sendo uma especiaria amplamente usada na cozinha, seu uso terapêutico exige mais critério.
Chá de Unha-de-Gato Para Inflamação Imunológica
A unha-de-gato (Uncaria tomentosa) ocupa um lugar de destaque quando o tema se aproxima mais de artrite reumatoide e modulação da resposta inflamatória ligada ao sistema imunológico. Seu uso tradicional e seu histórico em pesquisas voltadas a inflamação crônica ajudam a sustentar esse interesse. Em rotinas bem orientadas, o chá pode entrar como coadjuvante quando a pessoa procura algo além de medidas puramente analgésicas.
Como a unha-de-gato dialoga mais com processos imunológicos do que com alívio imediato de dor, ela funciona melhor dentro de protocolos acompanhados, e não por tentativa espontânea. Pessoas com doenças autoimunes precisam ainda mais de supervisão, justamente porque o objetivo é complementar o cuidado, e não gerar interferência imprevisível na condução do tratamento. A procedência da erva também importa muito nesse caso.
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Infusão de Boswellia Para Inflamação Articular Persistente
A Boswellia serrata é mais conhecida por extratos e cápsulas, mas sua resina também aparece em preparos infusionados com finalidade anti-inflamatória. Os ácidos boswellicos são os compostos mais citados nesse contexto e ajudam a explicar por que a planta se tornou tão mencionada em estratégias naturais para articulações doloridas, sobretudo em osteoartrite e situações de inflamação persistente acompanhada de limitação funcional.
Embora não seja o chá mais popular em termos de sabor e rotina doméstica, a boswellia merece presença no artigo por sua relevância prática. Seu uso em bebida tende a ser mais específico e menos intuitivo do que o de gengibre ou cúrcuma, o que torna a orientação profissional ainda mais importante. Em muitos casos, ela funciona melhor como parte de uma estratégia estruturada do que como recurso casual.
Chás Que Ajudam na Rigidez e no Conforto Articular
Na artrite, a rigidez costuma ser tão limitante quanto a dor. Em algumas pessoas, ela é mais intensa ao acordar. Em outras, aparece depois de períodos longos sentadas ou em dias mais frios. Nesses cenários, alguns chás podem apoiar o conforto diário ao favorecer uma rotina mais anti-inflamatória, um aquecimento corporal suave e uma percepção de movimento menos travado.
Chá de Urtiga Para Rotinas de Inflamação Persistente
A urtiga (Urtica dioica) aparece com frequência em abordagens tradicionais voltadas a dores articulares, sensação de peso e inflamação contínua. Ela costuma ser valorizada em rotinas de uso regular, sobretudo quando a pessoa procura algo que possa entrar de forma simples no dia a dia sem depender de estratégias mais agressivas. Seu perfil mineral e seu histórico de uso reumático reforçam essa presença na fitoterapia.
O chá de urtiga tende a funcionar melhor como apoio gradual e cumulativo, e não como resposta imediata à dor aguda. Em pessoas com uso de diuréticos, doenças renais ou outros medicamentos contínuos, a bebida merece avaliação mais criteriosa. Quando bem indicada, pode ajudar a sustentar uma rotina mais leve em quadros marcados por inflamação persistente, rigidez e desconforto funcional.
Chá de Alecrim Para Movimento e Sensação de Travamento
O alecrim (Rosmarinus officinalis) é frequentemente lembrado por seu aroma estimulante, mas também merece espaço em uma conversa sobre artrite quando o foco recai sobre rigidez, circulação e sensação de corpo travado. O chá não ocupa o mesmo lugar das ervas mais clássicas no alívio direto da inflamação articular, porém pode ser útil como bebida de apoio em rotinas diurnas, principalmente em pessoas que se sentem pesadas e endurecidas.
Seu uso faz mais sentido durante o dia do que à noite, já que o perfil aromático e revigorante combina melhor com períodos em que a meta é destravar, aquecer e manter a disposição. Em pessoas muito sensíveis a estímulos ou com pressão desregulada, a resposta deve ser observada com mais atenção. O alecrim funciona melhor como reforço funcional do que como protagonista isolado do manejo da artrite.
Chá de Sálvia Para Apoio Inflamatório e Conforto Diário
A sálvia (Salvia officinalis) é uma erva de perfil aromático intenso e uso tradicional amplo. Em artrite, ela pode entrar como apoio complementar em rotinas voltadas à inflamação leve, ao desconforto articular e ao cuidado antioxidante diário. Seu valor está menos em uma fama específica para articulações e mais no conjunto de propriedades que a torna uma erva interessante em contextos inflamatórios crônicos.
A sálvia pede uso moderado e consciente, especialmente em consumo mais frequente. Em quantidades culinárias ou infusões leves, costuma ser bem tolerada, mas isso não significa uso livre e indefinido. Pessoas com condições específicas ou em uso contínuo de medicação devem avaliar com mais cuidado a frequência. Como chá, ela funciona melhor quando entra como reforço de rotina e não como resposta única a fases mais intensas da doença.
Chá-Verde Para Proteção Antioxidante e Apoio Articular
O chá-verde (Camellia sinensis) entra menos como bebida analgésica direta e mais como apoio antioxidante e anti-inflamatório. Seu principal destaque fica por conta das catequinas, especialmente o EGCG, que vem sendo estudado por seu papel em processos inflamatórios e degenerativos. Isso faz do chá-verde uma escolha particularmente interessante para quem pensa na artrite não apenas como dor, mas como um processo contínuo de agressão articular.
Ao mesmo tempo, a cafeína exige atenção. Em pessoas sensíveis, ansiosas ou com sono já comprometido pela dor, o uso no fim do dia pode atrapalhar bastante. Para preservar melhor os compostos úteis e evitar amargor excessivo, a água deve estar abaixo do ponto de fervura. Em geral, duas ou três xícaras em horários mais cedo costumam oferecer melhor equilíbrio entre benefício anti-inflamatório e tolerância prática.
Chás Que Apoiam o Sono de Quem Sente Dor Noturna
Quem convive com artrite sabe que a dor não respeita relógio. Em muitas pessoas, ela piora à noite ou simplesmente impede um sono profundo e reparador. Nesse contexto, alguns chás entram menos pelo efeito articular direto e mais pelo apoio ao relaxamento, ao desacelerar do corpo e à construção de uma rotina noturna menos tensionada e mais compatível com descanso real.
Chá de Verbena Para Noites Mais Tensas
A verbena (Verbena officinalis) é uma das escolhas mais interessantes quando o desconforto articular noturno se mistura com tensão, irritabilidade corporal e dificuldade de desacelerar. Seu uso tradicional dialoga com estados de nervosismo, tensão e desconforto geral, o que a torna uma boa candidata para rotinas noturnas de apoio. Ela não substitui o manejo da dor, mas pode ajudar a reduzir o peso subjetivo do incômodo.
O chá de verbena faz mais sentido no começo da noite, dentro de um ritual de redução de estímulos, e não tomado de forma desorganizada já na madrugada. Quando a dor está associada a excesso de alerta, preocupação e dificuldade de relaxar, a bebida pode oferecer um tipo de ajuda diferente daquela dos chás mais anti-inflamatórios. Em rotinas muito sensíveis ou polimedicadas, a orientação profissional continua sendo a escolha mais segura.
Como Escolher Sem Piorar o Descanso
Nem todo chá útil para artrite é adequado para o período noturno. O chá-verde, por exemplo, pode ser excelente como apoio antioxidante, mas não é a melhor opção perto do horário de dormir por causa da cafeína. Gengibre e cúrcuma podem funcionar à noite em preparos mais suaves, desde que não agravem refluxo ou desconforto gástrico. O critério aqui não é força máxima, mas compatibilidade com o sono.
Quando a pessoa sente dor noturna, o ideal é priorizar bebidas menos estimulantes, mais leves e inseridas em um ritual previsível. Luz baixa, menor uso de telas, compressa morna e chá adequado costumam funcionar melhor juntos do que qualquer uma dessas medidas sozinha. Em artrite, qualidade do sono e dor se influenciam mutuamente, então o cuidado noturno merece ser tratado como parte real do manejo diário.
Como Preparar os Chás Sem Perder os Compostos Mais Úteis
Infusão e Decocção Não São a Mesma Coisa
Um erro comum é preparar todas as plantas da mesma forma. Folhas mais delicadas, como as do chá-verde, da urtiga, da sálvia e da verbena, costumam responder melhor à infusão, com água quente repousando por alguns minutos sobre a erva. Já cascas e raízes, como salgueiro-branco e garra-do-diabo, costumam precisar de decocção ou de contato mais prolongado com a água para liberar melhor seus compostos.
Esse detalhe muda o resultado final mais do que parece. Água muito quente pode destruir compostos mais sensíveis ou deixar a bebida excessivamente amarga. Tempo curto demais pode gerar um chá fraco, pouco útil e difícil de avaliar. Em artrite, em que o uso tende a ser repetido por semanas, acertar o preparo ajuda não apenas na eficácia, mas também na adesão ao hábito e na experiência cotidiana com a bebida.
Horários Mais Estratégicos Para Cada Finalidade
Os horários fazem diferença porque a finalidade prática de cada chá muda ao longo do dia. Pela manhã, quando a rigidez pesa mais, bebidas como gengibre, cúrcuma ou alecrim podem funcionar melhor. No meio do dia, chás com perfil anti-inflamatório regular, como chá-verde, urtiga ou boswellia, costumam se encaixar com mais naturalidade. À noite, a prioridade passa a ser conforto e relaxamento, e não estímulo.
Esse ajuste simples torna a rotina mais inteligente. Não se trata de montar um protocolo complicado, mas de alinhar a bebida ao momento em que ela tende a ajudar mais. Em artrite, pequenos acertos de distribuição podem gerar uma percepção maior de benefício do que o simples aumento da quantidade total consumida ao longo do dia, algo que muitas vezes só acrescenta desconforto digestivo.
Combinações Seguras e Limites de Uso
Algumas combinações fazem sentido e ajudam a tornar o preparo mais funcional. A mais conhecida é cúrcuma com pimenta-preta, justamente pela melhora na absorção da curcumina. Gengibre com cúrcuma também aparece com frequência em bebidas de uso diurno. O importante é evitar misturas amplas demais, porque somar muitas ervas de uma vez dificulta entender o que está ajudando, o que está irritando e o que pode interagir com medicamentos.
Em geral, duas a três xícaras por dia costumam ser um ponto de partida razoável, dependendo da erva e da tolerância individual. Quantidade maior nem sempre significa maior benefício. Em alguns casos, só aumenta o risco de refluxo, irritação gástrica, insônia ou conflito com medicação. Em artrite, o uso útil dos chás costuma depender mais de constância moderada do que de intensidade exagerada.
Contraindicações e Cuidados Importantes
Quem Deve Ter Mais Cautela
Pessoas com artrite frequentemente já usam medicações contínuas, e isso muda totalmente a forma como um chá deve ser avaliado. Salgueiro-branco, gengibre e cúrcuma pedem atenção em pessoas que usam anticoagulantes. Chá-verde pode não ser boa escolha para quem sofre com ansiedade ou sono ruim. Garra-do-diabo pode ser inadequada em refluxo, gastrite ou úlcera. Em todos esses casos, o contexto clínico pesa mais do que a fama da planta.
Gestantes, lactantes, pessoas com doença renal, úlcera, cálculos biliares, alergias específicas ou histórico de reação a ervas medicinais precisam de avaliação ainda mais individualizada. Em chás para artrite, o risco não está apenas na planta isolada, mas no encontro entre a erva, a dose, a frequência, o organismo e o tratamento já em uso. Segurança real começa quando a popularidade da erva deixa de ser confundida com uso universal.
Por Que Chá Não Substitui Acompanhamento Médico
O uso correto dos chás depende de diagnóstico correto, e esse ponto é decisivo. Dor articular pode ter múltiplas causas, e nem toda dor nas juntas significa o mesmo tipo de artrite. Sem essa distinção, a pessoa corre o risco de investir em medidas complementares sem tratar o problema central com a seriedade necessária. Em algumas formas inflamatórias, o atraso no tratamento adequado pode gerar dano articular irreversível.
Os chás podem reforçar o cuidado diário, melhorar conforto e ajudar a construir constância. Ainda assim, eles não substituem consulta, exame físico, ajustes de medicação, fisioterapia e acompanhamento multidisciplinar. Quando bem orientados, somam. Quando usados como fuga do tratamento principal, podem atrasar decisões importantes. Em artrite, o melhor caminho costuma ser integração responsável, e não oposição entre o natural e o médico.
Perguntas Frequentes Sobre Chás Para Artrite
Os Chás Medicinais Podem Curar a Artrite?
Não. Os chás podem ajudar no alívio da dor, da rigidez, do desconforto digestivo e da inflamação leve, mas não curam artrite. A doença exige acompanhamento contínuo e, em muitos casos, tratamento medicamentoso específico. O papel mais útil dessas bebidas está no suporte complementar, tornando a rotina mais confortável e reforçando o autocuidado dentro de um plano mais amplo e bem acompanhado.
Quanto Tempo Leva Para Sentir os Efeitos dos Chás?
O tempo varia conforme a erva, a intensidade dos sintomas, a regularidade do uso e o perfil individual de quem consome. Algumas pessoas relatam melhora inicial em poucos dias com gengibre ou salgueiro-branco. Em outros casos, o benefício aparece de forma mais gradual, ao longo de duas a quatro semanas. O principal erro é esperar resposta imediata de ervas que funcionam melhor por constância e repetição.
Posso Combinar Diferentes Tipos de Chás Para Artrite?
Em alguns casos, sim, mas a combinação precisa ser simples, lógica e observada com atenção. Misturar muitas ervas ao mesmo tempo dificulta entender qual delas ajudou, qual pode estar irritando o estômago e qual pode interagir com remédios. Combinações como gengibre com cúrcuma costumam ser mais intuitivas. Ainda assim, o ideal é começar com poucas variáveis e acompanhar a resposta do corpo.
Existem Efeitos Colaterais ao Consumir Esses Chás?
Sim. Mesmo plantas tradicionais podem causar irritação gástrica, refluxo, insônia, diarreia, reações alérgicas ou aumento do risco de sangramento, dependendo da erva e do contexto. O risco cresce quando o uso é exagerado ou quando há associação com medicamentos. Em artrite, isso merece atenção extra porque muitos pacientes já usam anti-inflamatórios, analgésicos, anticoagulantes ou outras medicações contínuas.
Grávidas e Lactantes Podem Tomar Chás Para Artrite?
Essa decisão precisa ser individualizada e acompanhada por profissional de saúde. Algumas ervas não têm segurança bem estabelecida nesses períodos, e outras podem não ser adequadas em uso frequente. Por cautela, o ideal é evitar qualquer uso terapêutico sem orientação formal. O fato de uma bebida ser comum no dia a dia não significa que ela seja automaticamente apropriada em todas as fases da vida.
Onde Posso Comprar Ervas de Boa Qualidade Para Chás?
O melhor caminho é buscar fornecedores confiáveis, com boa reputação, armazenamento adequado e identificação correta da planta. Lojas especializadas em produtos naturais, ervanárias bem estabelecidas e farmácias de manipulação sérias costumam oferecer opções mais seguras do que compras sem procedência definida. A qualidade da matéria-prima influencia sabor, segurança e resultado. Ervas velhas, mal secas ou mal armazenadas perdem utilidade e podem representar risco.
Os Chás Interagem Com Medicamentos Para Artrite?
Sim, alguns podem interagir. Salgueiro-branco, gengibre e cúrcuma pedem cautela em pessoas que usam anticoagulantes ou anti-inflamatórios. Chá-verde pode atrapalhar o sono e interferir em algumas rotinas medicamentosas específicas. Garra-do-diabo pode não ser boa escolha em certos contextos digestivos. Toda pessoa com artrite que usa medicação contínua deveria informar ao médico e ao farmacêutico quais chás consome com frequência.
Qual o Melhor Horário Para Tomar os Chás Para Artrite?
Depende da finalidade. Chás mais estimulantes, como chá-verde e alecrim, costumam funcionar melhor mais cedo. Preparos com gengibre ou cúrcuma podem ser distribuídos ao longo do dia conforme a tolerância digestiva. Bebidas mais suaves, usadas como parte da rotina noturna, tendem a funcionar melhor no começo da noite. Em geral, alinhar a bebida ao objetivo prático do momento costuma ser mais eficiente do que seguir um horário rígido e universal.
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