Ipê-Roxo: Guia Completo da Planta Medicinal

Ipê-roxo - Tabebuia avellanedae
Publicado e Revisado Clinicamente Por Equipe Editorial Medicina Natural
Atualizado em 21/02/2026

O ipê-roxo, cientificamente conhecido como Handroanthus impetiginosus, é uma árvore nativa da América do Sul, admirada pela floração exuberante e pela tradição medicinal associada à sua casca interna. Povos indígenas e comunidades tradicionais utilizam esse material há séculos na forma de chás, extratos e preparos tópicos, enquanto a madeira, muito resistente, se tornou altamente valorizada, o que também intensificou a pressão sobre a espécie.

Com o avanço das pesquisas, a planta passou a receber atenção científica por sua composição fitoquímica, especialmente pelas naftoquinonas como lapachol e β-lapachona, além de flavonoides e outros compostos bioativos. Esse interesse ampliou o debate sobre potencial terapêutico, segurança e limites das evidências, sobretudo em temas sensíveis como uso adjuvante em inflamações e investigações pré-clínicas relacionadas ao câncer, sempre exigindo orientação profissional e cautela.

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O Que é o Ipê-Roxo? Conheça a Árvore Símbolo do Brasil

Características Botânicas e Distribuição

O Handroanthus impetiginosus, popularmente conhecido como ipê-roxo, é uma árvore decídua da família Bignoniaceae, amplamente distribuída no Brasil e presente em diferentes biomas. A espécie se destaca pela floração intensa, em tons do rosa ao roxo, que costuma ocorrer antes da brotação de novas folhas, no fim do inverno e começo da primavera. Em porte adulto, pode atingir cerca de 30 metros, com tronco robusto e casca externa espessa e fissurada.

Casca Interna, Madeira e Conservação

A casca interna, mais escura e com tonalidade avermelhada, é a parte tradicionalmente utilizada em preparos medicinais, enquanto a madeira é extremamente densa e resistente a fungos e cupins, sendo aplicada em estruturas externas e marcenaria. Essa valorização, combinada à perda de habitat, contribui para o alerta de conservação em diferentes listas. Em várias regiões, a planta também é chamada de pau-d’arco, piúva, ipê-preto e lapacho, refletindo sua ampla presença cultural.

História e Usos Tradicionais do Ipê-Roxo na Medicina Popular

Raízes Pré-Colombianas e Saber Tradicional

O uso medicinal do ipê-roxo é descrito há séculos em práticas tradicionais sul-americanas, com registros ligados a povos pré-colombianos, incluindo referências ao emprego da casca interna para febres, malária, infecções e problemas de pele. Esse conhecimento foi preservado e transmitido por gerações, consolidando-se em diferentes comunidades indígenas e tradicionais. Curandeiros e raizeiros utilizavam a planta em chás, decoctos, cataplasmas e banhos, explorando suas aplicações dentro de sistemas de cura locais.

Uso Popular no Brasil e Aplicações Mais Citadas

No Brasil, o ipê-roxo, frequentemente chamado de pau-d’arco, tornou-se uma das espécies mais emblemáticas da medicina popular. O chá da casca é tradicionalmente indicado como apoio em inflamações e dores, sendo citado em contextos como artrite, reumatismo e desconfortos gástricos. Também é valorizado por usos associados ao controle de microrganismos, incluindo relatos de emprego em infecções bacterianas e fúngicas. Além disso, aparece como “depurativo”, suporte ao sistema imunológico e auxiliar em quadros complexos, exigindo abordagem crítica e segura.

A Rica Composição Fitoquímica do Ipê-Roxo

Naftoquinonas: Lapachol e β-Lapachona

A atividade biológica do ipê-roxo está relacionada à diversidade de compostos presentes, com destaque para as naftoquinonas, especialmente lapachol e β-lapachona. O lapachol, descrito como pigmento amarelo cristalino, foi investigado por efeitos citotóxicos e por sua capacidade de interferir em processos celulares associados à proliferação. A β-lapachona, derivada do lapachol, tem recebido atenção por mecanismos que podem levar à morte programada de células malignas, em modelos experimentais, por vias associadas ao estresse oxidativo e à apoptose.

Flavonoides e Outros Compostos Bioativos

Além das naftoquinonas, a casca interna do ipê-roxo contém flavonoides como quercetina e rutina, associados a ação antioxidante e proteção contra estresse oxidativo. Também são citadas saponinas esteroidais, taninos com perfil adstringente e participação em processos de cicatrização, além de alcaloides como tecomina. A combinação desses fitoquímicos é frequentemente descrita como sinérgica, o que ajuda a explicar a variedade de usos tradicionais e o interesse contínuo em investigação farmacológica e em desenvolvimento de fitopreparações.

Benefícios e Propriedades Medicinais do Ipê-Roxo

Ação Anti-Inflamatória e Analgésica

Entre as propriedades mais citadas do ipê-roxo está a ação anti-inflamatória, associada principalmente às naftoquinonas presentes na casca. Em uso tradicional, essa característica é relacionada ao alívio de dor e de sinais inflamatórios em condições osteoarticulares, como artrite, reumatismo e artrose, além de inflamações em geral. Esse enquadramento é frequentemente usado para justificar seu papel como coadjuvante em desconfortos persistentes, com ênfase em manejo responsável, dose adequada e acompanhamento quando houver comorbidades.

Imunomodulação e Atividade Antimicrobiana

O ipê-roxo também é descrito como imunomodulador em contextos populares, sendo associado ao fortalecimento das defesas do organismo e à maior resistência a infecções comuns. Paralelamente, o uso tradicional destaca atividade antimicrobiana e antifúngica, com menções a microrganismos como Candida albicans e Helicobacter pylori, além de aplicação em micoses de pele e unhas. Embora existam dados laboratoriais apoiando parte desse interesse, a conduta segura exige evitar substituição de terapias indicadas por profissionais.

Ipê-Roxo no Combate ao Câncer: O Que Dizem as Pesquisas?

Mecanismos Investigados em Estudos Pré-Clínicos

O tema mais sensível e debatido envolve pesquisas sobre lapachol e, sobretudo, β-lapachona em modelos in vitro e in vivo, com resultados citando citotoxicidade contra diferentes linhagens tumorais e indução de morte celular. A β-lapachona é descrita como particularmente promissora em investigações que exploram a superexpressão da enzima NQO1 em certos tumores, levando a um colapso energético e estresse oxidativo seletivo em células malignas. Esses achados, porém, permanecem majoritariamente no campo experimental.

Limites das Evidências e Cuidados de Segurança

Apesar do interesse, é essencial reconhecer que evidências clínicas em humanos são limitadas, e que investigações históricas com lapachol foram interrompidas por efeitos adversos em doses terapêuticas, incluindo problemas de coagulação e sintomas gastrointestinais. A pesquisa recente se concentra em derivados e formulações que busquem maior eficácia com menor toxicidade. Assim, o ipê-roxo não deve, sob nenhuma circunstância, substituir terapias oncológicas convencionais. Qualquer uso deve ser discutido com profissionais de saúde, considerando riscos, comorbidades e interações.

Como Usar o Ipê-Roxo: Formas de Preparo e Dosagem

Chá de Ipê-Roxo (Decocção)

A forma tradicional mais comum é o chá preparado por decocção, método indicado para cascas. Em geral, utiliza-se de 1 a 2 colheres de sopa de casca rasurada para 1 litro de água. Leva-se ao fogo e, após ferver, mantém-se em fogo baixo por 10 a 15 minutos. Em seguida, desliga-se, tampa-se o recipiente e deixa-se em repouso por mais 10 minutos. Depois de coar, o consumo costuma ser distribuído ao longo do dia, em torno de 2 a 3 xícaras.

Cápsulas, Extratos e Tinturas

O ipê-roxo também pode ser encontrado em cápsulas de pó ou extrato seco, além de extratos fluidos e tinturas. Em cápsulas, é comum haver concentrações na faixa de 300 a 500 mg, com uso relatado de 1 a 2 cápsulas, duas a três vezes ao dia, conforme orientação. Preparos em gotas costumam ser mais concentrados e exigem rigor na dosagem indicada pelo fabricante ou por fitoterapeuta. Em todos os casos, não exceder as recomendações é decisivo para reduzir risco de efeitos indesejados.

Contraindicações e Efeitos Colaterais do Ipê-Roxo

Quem Deve Evitar e Possíveis Interações

O uso do ipê-roxo requer cautela e não é recomendado para gestantes e lactantes, devido à ausência de dados de segurança suficientes. Pessoas em uso de anticoagulantes, como varfarina, devem evitar a planta, pois há risco de potencialização de efeito e aumento de sangramentos, associado à interferência em mecanismos de coagulação descrita para compostos como o lapachol. Pelo mesmo motivo, recomenda-se suspender o uso pelo menos duas semanas antes de procedimentos cirúrgicos, reduzindo risco hemorrágico no perioperatório.

Efeitos Colaterais e Riscos do Uso Excessivo

Em doses elevadas ou uso prolongado sem acompanhamento, podem ocorrer distúrbios gastrointestinais como náuseas, vômitos e diarreia, além de relatos de tontura e dor de cabeça. Também é citado risco de sobrecarga de fígado e rins quando há consumo abusivo, com potencial toxicidade. Outro ponto mencionado é a possibilidade de anemia no uso prolongado e inadequado, por interferência em processos relacionados ao ferro e à produção de células sanguíneas. Por isso, o uso racional e supervisionado é essencial para segurança.

Perguntas Frequentes sobre o Ipê-Roxo

O Chá de Ipê-Roxo Ajuda a Emagrecer?

O ipê-roxo é citado por efeito diurético, o que pode ajudar na eliminação de líquidos e reduzir a sensação de inchaço, mas isso não equivale a queima de gordura. Não há evidências robustas de efeito direto em emagrecimento sustentado. O chá pode, no máximo, atuar como complemento dentro de um contexto de alimentação equilibrada e atividade física, sem substituir estratégias comprovadas e sem promessas de resultados rápidos ou “milagrosos”.

Posso Tomar o Chá de Ipê-Roxo Todos os Dias?

O uso contínuo e prolongado não é recomendado sem orientação profissional, porque o consumo repetido pode aumentar o risco de efeitos indesejados, incluindo desconfortos gastrointestinais e possível sobrecarga hepática e renal. Em geral, a prática mais prudente é utilizar por períodos definidos e intercalar pausas, sempre respeitando dose e duração adequadas ao objetivo. Um profissional de saúde pode ajustar o melhor esquema conforme histórico clínico e possíveis interações.

O Ipê-Roxo é Eficaz Contra a Candidíase?

Há menções de atividade antifúngica em estudos laboratoriais e no uso tradicional, incluindo contra Candida albicans, e isso sustenta o interesse em seu uso como coadjuvante. Ainda assim, candidíase exige avaliação adequada, pois pode ter causas recorrentes e necessitar de abordagem combinada. O uso do chá ou de banhos deve ser discutido com médico, especialmente se houver sintomas persistentes, gravidez, imunossupressão ou uso de medicamentos contínuos.

Qual o Melhor Horário para Tomar o Chá de Ipê-Roxo?

Não existe um horário universalmente “melhor”, e a escolha costuma depender da rotina e da tolerância individual. Muitas pessoas preferem distribuir o consumo ao longo do dia para manter a ingestão dentro da dose recomendada, evitando concentração em uma única tomada. O ponto mais importante é não exceder a quantidade diária sugerida e observar reações do organismo. Em caso de desconforto gástrico, ajustar horários pode ser necessário com orientação profissional.

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Crianças Podem Consumir Ipê-Roxo?

O uso em crianças não é recomendado sem orientação expressa e acompanhamento de pediatra ou profissional habilitado, pois o organismo infantil é mais sensível e não há base suficiente para definir segurança e dose apropriada para essa faixa etária. Fitoterápicos podem ter efeitos sistêmicos e interações, mesmo sendo naturais. Diante de sintomas em crianças, a conduta mais segura é investigar a causa e buscar tratamento indicado, evitando automedicação.

O Ipê-Roxo Pode Interagir com Outros Medicamentos?

Sim, sobretudo com anticoagulantes e antiplaquetários, devido ao possível aumento do risco de sangramentos. Também é prudente considerar interações em pessoas que já apresentam alterações de coagulação, que vão realizar cirurgias ou que usam múltiplos medicamentos. Se houver qualquer tratamento contínuo, a avaliação profissional antes do uso é essencial para evitar combinações inadequadas. A decisão deve considerar dose, duração, histórico clínico e sinais de efeitos adversos durante o consumo.

Onde Encontrar Casca de Ipê-Roxo de Qualidade?

A casca pode ser adquirida em lojas de produtos naturais, farmácias de manipulação e feiras, mas a qualidade depende da procedência e da identificação correta da espécie. É recomendável priorizar fornecedores confiáveis, com rotulagem clara, validade e informações botânicas, incluindo Handroanthus impetiginosus. Também é relevante buscar materiais com boa aparência e armazenamento adequado, pois contaminações e confusões botânicas podem comprometer segurança e eficácia. Quando possível, prefira produtos com critérios reconhecíveis de controle e rastreabilidade.

Qual a Diferença Medicinal entre Ipê-Roxo e Ipê-Amarelo?

Embora ambos pertençam ao gênero Handroanthus, o ipê-roxo é a espécie mais documentada em usos tradicionais e investigada na literatura por sua concentração de naftoquinonas na casca. O ipê-amarelo reúne diversas espécies com potencial terapêutico, mas com uso medicinal menos detalhado e menos pesquisado em comparação. Por isso, quando a intenção é uso tradicional associado a casca e compostos estudados, o ipê-roxo costuma ser citado como a referência mais consolidada, sempre exigindo cautela na identificação botânica.

Referências e Estudos Científicos

  1. Zhang, J., et al. “Tabebuia impetiginosa: A Comprehensive Review on Traditional Uses, Phytochemistry, and Immunopharmacological Properties.” Molecules, 2020. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7571111/.
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  3. Gómez Castellanos, J. R., et al. “Red Lapacho (Tabebuia impetiginosa) – A Global Ethnopharmacological Commodity?” Journal of Ethnopharmacology, 2009. https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0378874108005631.
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  7. Park, B. S., et al. “Antibacterial Activity of Tabebuia impetiginosa Martius ex DC (Taheebo) against Helicobacter pylori.” Journal of Ethnopharmacology, 2006. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0378874105007713.
  8. Warashina, T., et al. “Constituents from the Bark of Tabebuia impetiginosa.” Chemical & Pharmaceutical Bulletin, 2006. https://www.jstage.jst.go.jp/article/cpb/54/1/54_1_14/_article/-char/ja/.
  9. Ryan, R. Y. M., et al. “The Medicinal Plant Tabebuia impetiginosa Potently Inhibits the Inflammatory Response in Activated Macrophages.” Scientific Reports, 2021. https://www.nature.com/articles/s41598-021-85211-8.
  10. Bezerra, J. J. L., et al. “Anticancer Potential and Toxicity of the Genus Handroanthus (Bignoniaceae).” Toxicology Letters, 2022. https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0041010122002410.

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