O colágeno e a elastina são duas das proteínas mais importantes para a saúde e a aparência da pele, atuando como os principais pilares de sustentação desse órgão. O colágeno garante firmeza e resistência aos tecidos, enquanto a elastina permite que a pele se estique e retorne à forma original sem perder a estrutura. A importância dessas proteínas vai além da estética: elas também sustentam ossos, articulações, tendões e ligamentos, contribuindo para a saúde do corpo como um todo.
A produção natural de colágeno e elastina começa a declinar por volta dos 25 anos, um processo natural que se intensifica com o tempo e favorece o surgimento de linhas finas, rugas e flacidez. Fatores externos como exposição solar, tabagismo, poluição e uma dieta desequilibrada aceleram essa perda. Neste guia, você vai entender o que são o colágeno e a elastina, quais fatores afetam a sua produção, como estimulá-la por meio da alimentação, da suplementação e de tratamentos estéticos, e o que a ciência realmente diz sobre a eficácia dessas estratégias.
Sumário do Artigo
- O Que É Colágeno e Quais São Suas Funções?
- O Papel Fundamental da Elastina na Pele
- Benefícios do Colágeno e da Elastina para a Saúde
- Fatores Que Afetam a Produção de Colágeno e Elastina
- Como Estimular a Produção de Colágeno e Elastina
- Suplementação de Colágeno: O Que a Ciência Diz
- Tratamentos Estéticos para uma Pele Mais Firme
- Colágeno e Elastina na Saúde Masculina
- Contraindicações e Cuidados Importantes
- Perguntas Frequentes sobre Colágeno e Elastina
O Que É Colágeno e Quais São Suas Funções?
O colágeno é a proteína mais abundante do corpo humano, correspondendo a cerca de um terço de toda a proteína presente no organismo. Ele é o principal componente da matriz extracelular, a rede de moléculas que sustenta as células e confere força, coesão e resistência aos tecidos. Está presente na pele, onde forma uma densa malha na derme responsável pela firmeza e pela tonicidade; nos ossos, onde contribui para uma estrutura flexível e resistente a fraturas; nos tendões, que ligam os músculos aos ossos; e nos ligamentos, que unem os ossos entre si. Além da função estrutural, o colágeno participa da regeneração dos tecidos, sendo importante para a cicatrização de feridas e para a saúde das articulações, das cartilagens e dos vasos sanguíneos.
Já foram identificados pelo menos 28 tipos de colágeno, mas cerca de 90% do colágeno do corpo humano pertence aos tipos I, II e III. O colágeno tipo I é o mais abundante e forma fibras espessas que dão alta resistência à tração; é o principal componente estrutural da pele, dos tendões, dos ossos e da dentina. O colágeno tipo II forma fibras mais finas e é o principal componente da cartilagem elástica, importante para a absorção de impacto e a flexibilidade das articulações. O colágeno tipo III costuma aparecer junto ao tipo I e é um componente relevante da pele, dos músculos, das paredes das artérias e de órgãos como o útero e o fígado. A proporção entre esses tipos varia conforme o tecido e determina suas propriedades mecânicas.
O envelhecimento, tanto o cronológico quanto o causado por fatores ambientais, afeta a quantidade e a qualidade do colágeno no organismo. Com o avanço da idade, a atividade dos fibroblastos (as células produtoras de colágeno) diminui progressivamente, enquanto a ação de enzimas que degradam o colágeno, as metaloproteinases de matriz, tende a aumentar. Exposição crônica à radiação ultravioleta, tabagismo, poluição e uma dieta rica em açúcares refinados aceleram esse processo de degradação, resultando em uma matriz extracelular mais desorganizada e enfraquecida, o que se manifesta na pele como perda de firmeza, flacidez e aprofundamento das rugas.
O Papel Fundamental da Elastina na Pele
A elastina é menos abundante que o colágeno, mas tem papel igualmente importante na saúde e na funcionalidade da pele. Ela é a principal responsável pela elasticidade dos tecidos, ou seja, pela capacidade de se deformar sob estresse mecânico e retornar à forma original sem sofrer danos. Na pele, as fibras de elastina formam uma rede tridimensional entrelaçada com as fibras de colágeno, criando um sistema de suporte ao mesmo tempo resistente e flexível, que permite à pele acompanhar expressões faciais e movimentos do corpo sem perder a forma.
A produção de elastina ocorre nos fibroblastos e também diminui com o passar dos anos: o envelhecimento cronológico reduz a síntese de tropoelastina (a molécula precursora da elastina) e desorganiza as fibras elásticas já existentes. O principal fator de degradação da elastina, porém, é a exposição solar crônica. Os raios ultravioleta estimulam enzimas chamadas elastases, que degradam as fibras de elastina e favorecem o acúmulo de material elastótico anormal na derme, um fenômeno conhecido como elastose solar. Tabagismo, poluição e processos inflamatórios crônicos também contribuem para essa degradação, e a consequência é a perda de elasticidade, com flacidez e aprofundamento das rugas.
A proteção solar diária é a medida mais eficaz para prevenir a degradação das fibras elásticas. Antioxidantes tópicos, como as vitaminas C e E, ajudam a neutralizar os radicais livres gerados pela radiação ultravioleta. Alguns ingredientes cosméticos, como peptídeos e retinol, são estudados por sua possível capacidade de estimular os fibroblastos a produzir novas fibras elásticas, e tratamentos como radiofrequência e ultrassom microfocado também são associados à remodelação da matriz extracelular e à melhora da elasticidade da pele. Uma dieta com boa oferta de cobre, mineral necessário para a enzima lisil oxidase (envolvida na formação das fibras de elastina), é outra estratégia complementar para preservar a resiliência da pele.
Benefícios do Colágeno e da Elastina para a Saúde
Embora o interesse popular por colágeno e elastina esteja ligado principalmente à pele, os benefícios dessas proteínas se estendem a todo o organismo. O colágeno é um componente essencial do esqueleto, formando a matriz orgânica sobre a qual os minerais de cálcio e fósforo se depositam para formar o tecido ósseo, contribuindo para a flexibilidade e a resistência dos ossos à fratura, o que pode ser relevante diante do risco de fragilidade óssea associado a condições como a osteoporose. Nas articulações, o colágeno tipo II é o principal componente da cartilagem, o tecido que reveste as extremidades dos ossos e permite um movimento suave; a degradação dessa cartilagem está entre as principais causas da osteoartrite, doença que provoca dor, rigidez e limitação de movimento e que exige diagnóstico e acompanhamento médico ou fisioterapêutico. O colágeno também fornece aminoácidos importantes para a formação de cabelos e unhas.
A elastina tem papel relevante no sistema cardiovascular e respiratório. As paredes das grandes artérias, como a aorta, são ricas em fibras elásticas que permitem sua expansão e contração a cada batimento cardíaco, propriedade chamada complacência arterial, importante para manter um fluxo sanguíneo estável. A perda de elastina nas artérias, processo que se acelera com a idade e a hipertensão, está associada ao enrijecimento arterial, fator de risco para doenças cardiovasculares. Nos pulmões, a elastina permite que os alvéolos se expandam e se retraiam durante a respiração; a destruição dessas fibras, como ocorre no enfisema pulmonar (frequentemente associado ao tabagismo), leva a perda progressiva da função respiratória.
O colágeno também participa da regeneração tecidual e da cicatrização de feridas: quando ocorre uma lesão, os fibroblastos migram para o local e produzem uma nova matriz extracelular rica em colágeno, que serve de arcabouço para o crescimento de novas células e vasos sanguíneos. A suplementação com peptídeos de colágeno é estudada como possível estratégia complementar para apoiar a cicatrização de feridas, úlceras de pressão e lesões musculares em atletas, sempre como parte de um acompanhamento clínico e não como substituto de tratamento médico. Manter uma dieta balanceada, rica em proteínas, vitaminas e minerais, ajuda a fornecer os substratos necessários para a síntese de colágeno e elastina.
Fatores Que Afetam a Produção de Colágeno e Elastina
Diversos fatores internos e externos influenciam o equilíbrio entre a síntese e a degradação do colágeno e da elastina. O principal fator interno é o envelhecimento cronológico: a partir da terceira década de vida, a atividade dos fibroblastos diminui, resultando em uma redução estimada de cerca de 1% na produção de colágeno por ano, além de fragmentação e desorganização das fibras existentes. A genética individual também influencia o ritmo dessa degradação, e alterações hormonais, como a queda dos níveis de estrogênio na menopausa, contribuem para a diminuição da produção de colágeno e para a perda de espessura e firmeza da pele.
Entre os fatores externos, a exposição à radiação ultravioleta é considerada a mais prejudicial, respondendo por boa parte dos sinais visíveis do fotoenvelhecimento cutâneo. Os raios UVA e UVB ativam as metaloproteinases de matriz, enzimas que degradam colágeno e elastina. O tabagismo também é bastante prejudicial à pele: a nicotina e outras substâncias do cigarro reduzem o fluxo de sangue, oxigênio e nutrientes, além de aumentar o estresse oxidativo e a produção dessas enzimas. Uma dieta rica em açúcares refinados e alimentos processados favorece um processo chamado glicação, no qual moléculas de açúcar se ligam às fibras de colágeno e elastina, tornando-as mais rígidas e disfuncionais.
Estresse crônico e privação de sono também prejudicam a pele: o estresse eleva os níveis de cortisol, hormônio que em excesso pode inibir a atividade dos fibroblastos, enquanto a falta de sono reparador prejudica os processos de reparo celular que ocorrem durante a noite. Por outro lado, hábitos saudáveis têm impacto positivo na preservação de colágeno e elastina: uma dieta anti-inflamatória rica em antioxidantes fornece os blocos de construção necessários para a síntese dessas proteínas, e a prática regular de exercícios físicos melhora a circulação sanguínea, o que pode favorecer a produção de colágeno.
Como Estimular a Produção de Colágeno e Elastina
A alimentação é a base de qualquer estratégia voltada à produção de colágeno e elastina. A vitamina C é um cofator indispensável para as enzimas prolil e lisil hidroxilase, essenciais para estabilizar a estrutura de tripla hélice do colágeno; sem vitamina C suficiente, o colágeno produzido é instável e degradado rapidamente. Por isso, o consumo diário de alimentos ricos em vitamina C, como frutas cítricas, acerola, kiwi, pimentão vermelho e brócolis, é importante. Uma dieta rica em antioxidantes, presentes em frutas vermelhas, chá verde e cacau, também ajuda a proteger as fibras de colágeno e elastina contra os danos dos radicais livres.
Outros nutrientes têm papel coadjuvante importante: o zinco, encontrado em ostras, carnes, sementes de abóbora e leguminosas, atua como cofator da colagenase, a enzima que remodela o colágeno; o cobre, presente em nozes, sementes, grãos integrais e frutos do mar, é essencial para a lisil oxidase, enzima que promove a reticulação das fibras de colágeno e elastina. Prolina, glicina e lisina são os aminoácidos mais abundantes no colágeno, e uma ingestão adequada de proteínas de alta qualidade, como carnes magras, peixes, ovos, laticínios e leguminosas, fornece a matéria-prima necessária para a síntese de novo colágeno. O caldo de ossos, preparado a partir do cozimento lento de ossos e tecidos conjuntivos, é uma fonte natural de colágeno, glicosaminoglicanos e minerais. Alimentos ricos em ácidos graxos ômega-3, como peixes de água fria, chia e linhaça, e plantas como a Centella asiatica, também são estudados por seu possível papel de apoio à produção interna de colágeno, embora essas indicações ainda careçam de confirmação clínica mais robusta e não devam ser interpretadas como capazes de restaurar hormônios ou funções de outras fases da vida.
No campo da dermatologia estética, procedimentos minimamente invasivos são usados para estimular a neocolagênese. O microagulhamento utiliza um dispositivo com múltiplas agulhas finas para criar microcanais na pele; essa lesão controlada desencadeia uma resposta de cicatrização que envolve a liberação de fatores de crescimento e a ativação dos fibroblastos, resultando na deposição de novo colágeno e elastina. A radiofrequência utiliza energia eletromagnética para gerar aquecimento controlado na derme, provocando contração das fibras de colágeno existentes e, a longo prazo, estimulando os fibroblastos a produzir mais colágeno. Ultrassom microfocado e lasers fracionados atuam de forma semelhante, por meio de dano térmico controlado. A suplementação oral com peptídeos de colágeno bioativos também é estudada como estratégia complementar, com resultados associados a melhora na hidratação, na elasticidade e na densidade de colágeno na pele.
Suplementação de Colágeno: O Que a Ciência Diz
A suplementação oral de colágeno é uma das estratégias mais discutidas no universo da beleza e do bem-estar. A premissa é que, ao ingerir colágeno hidrolisado (quebrado em peptídeos menores para facilitar a absorção), esses peptídeos sejam absorvidos no intestino, cheguem à derme e atuem de duas formas: fornecendo aminoácidos para a síntese de novo colágeno e estimulando os fibroblastos a aumentar a própria produção de colágeno, elastina e ácido hialurônico. Diversos estudos clínicos randomizados e controlados por placebo já investigaram essas alegações, com resultados em geral favoráveis, embora ainda existam lacunas de evidência que pedem cautela na interpretação.
Uma revisão sistemática com meta-análise de 19 estudos, publicada no International Journal of Dermatology, associou a suplementação oral de colágeno por 90 dias a uma possível melhora nos sinais de envelhecimento da pele, com redução da profundidade das rugas e ganhos em elasticidade e hidratação. Outra linha de pesquisa investiga o efeito da suplementação de colágeno sobre a saúde articular: uma revisão publicada na revista Nutrients encontrou indícios de que o colágeno hidrolisado pode estar associado a redução da dor e melhora da função articular em pessoas com osteoartrite, além de possível estímulo a processos de regeneração da cartilagem. Esses achados são promissores, mas dor articular persistente e osteoartrite exigem diagnóstico e acompanhamento médico, e a suplementação deve ser vista como estratégia complementar, não como tratamento isolado. Alguns estudos também associam a suplementação a ganhos na densidade mineral óssea em mulheres na pós-menopausa e a possível apoio à cicatrização de feridas.
É importante abordar a suplementação de colágeno com uma perspectiva crítica. O mercado tem produtos de qualidade variável, e a fonte do colágeno (bovina, suína, marinha), o processo de hidrólise, o tamanho dos peptídeos e a dose diária influenciam a eficácia do produto; a maioria dos estudos com resultados favoráveis utilizou doses diárias entre 2,5 g e 15 g, sempre no contexto de acompanhamento nutricional. O colágeno também está disponível em outras formas, além das cápsulas, como comprimidos, gelatina e pó; formulações em cápsula costumam ser associadas a uma absorção mais eficiente, por conter moléculas menores de aminoácidos, embora a diferença prática varie conforme o produto e a pessoa. A produção de colágeno e elastina na pele não é estimulada diretamente pela aplicação tópica dessas proteínas em cremes, loções ou xampus; para que o organismo processe esses nutrientes, a via mais estudada é a alimentação ou a suplementação oral. Produtos à base de colágeno sintético, usados também na indústria cosmética e em procedimentos médicos, podem causar reação alérgica em algumas pessoas, com irritação, vermelhidão ou coceira na pele, por isso a qualidade e a procedência do produto são importantes. A suplementação de colágeno não é uma solução imediata: os resultados são graduais, dependem da adesão ao uso, e devem ser vistos como parte de uma abordagem mais ampla de cuidados com a pele, que inclui proteção solar, dieta equilibrada e um estilo de vida saudável.
Tratamentos Estéticos para uma Pele Mais Firme
Para quem busca resultados mais expressivos contra a flacidez e as rugas, a dermatologia estética oferece tratamentos minimamente invasivos que estimulam a produção de colágeno e remodelam a arquitetura da pele. O microagulhamento, feito com um rolo (dermaroller) ou uma caneta elétrica (dermapen) com múltiplas agulhas finas e estéreis, cria microperfurações que desencadeiam uma resposta de cicatrização com liberação de fatores de crescimento e ativação de fibroblastos, resultando na deposição de novo colágeno e elastina. O procedimento também pode ser associado à aplicação de ativos na pele logo após as microperfurações, para potencializar sua penetração.
A radiofrequência emite ondas eletromagnéticas que geram aquecimento controlado na derme profunda e nos septos do tecido subcutâneo, com um efeito imediato de contração das fibras de colágeno existentes e um efeito tardio de estímulo à neocolagênese, com melhora progressiva da firmeza e da espessura da pele ao longo dos meses seguintes. Existem modalidades monopolares, bipolares e multipolares, cada uma com profundidade de ação diferente; a combinação de radiofrequência com microagulhamento (radiofrequência microagulhada) é uma das abordagens mais usadas atualmente, por unir o estímulo mecânico das agulhas ao estímulo térmico da energia.
Os bioestimuladores de colágeno são substâncias injetáveis e biocompatíveis que, ao serem introduzidas na derme ou no tecido subcutâneo, estimulam o próprio organismo a produzir novo colágeno. Os principais são o ácido poli-L-lático (PLLA), que provoca uma resposta inflamatória subclínica que recruta fibroblastos, e a hidroxiapatita de cálcio (CaHA), composta por microesferas que proporcionam preenchimento inicial e servem de arcabouço para o crescimento de novo colágeno. Ambos promovem um rejuvenescimento gradual, restaurando volume e melhorando a qualidade da pele. A escolha do tratamento ou da combinação de tecnologias mais adequada deve ser feita por um dermatologista, considerando o grau de envelhecimento, o tipo de pele e as expectativas da pessoa.
Colágeno e Elastina na Saúde Masculina
A discussão sobre colágeno e elastina costuma focar no público feminino, mas essas proteínas são igualmente importantes para a pele masculina. A pele dos homens costuma ser mais espessa e ter maior densidade de colágeno, em parte por efeito da testosterona, mas isso não a torna imune ao envelhecimento e aos agressores externos. A perda de colágeno e elastina também leva à formação de rugas, especialmente na testa e ao redor dos olhos, além de flacidez e perda do contorno facial.
O barbear frequente pode agredir a barreira cutânea, deixando a pele masculina mais suscetível à desidratação e à inflamação, o que pode acelerar a degradação do colágeno. Muitos homens também tendem a usar menos protetor solar, o que aumenta o risco de fotoenvelhecimento. A suplementação de colágeno é estudada como possível apoio não só para a pele, mas também para a saúde das articulações, a recuperação muscular após exercícios físicos e a manutenção da densidade óssea, sempre como parte de hábitos saudáveis e não como substituto de acompanhamento médico quando houver queixa persistente.
Tratamentos estéticos como o microagulhamento e a radiofrequência são igualmente aplicáveis e eficazes para o público masculino, podendo suavizar rugas, melhorar a textura da pele e reduzir a flacidez com resultados discretos. Uma avaliação com dermatologista ajuda a definir a estratégia mais adequada para cada caso. Cuidar da pele é parte do cuidado geral com a saúde, e não uma questão de vaidade.
Contraindicações e Cuidados Importantes
A suplementação de colágeno costuma ser bem tolerada, mas não serve para todo mundo. O colágeno marinho é extraído de peixes e de subprodutos da pesca, e quem tem alergia a frutos do mar ou a peixe precisa conferir a origem no rótulo antes de usar; o mesmo cuidado vale para quem evita produtos de origem bovina ou suína por motivos alérgicos, dietéticos ou religiosos. Os efeitos indesejados mais relatados são leves e gastrointestinais, como alteração do hábito intestinal, azia e sensação de peso no estômago. Quem tem doença renal crônica ou qualquer restrição de proteína prescrita deve conversar com o médico ou o nutricionista antes de acrescentar uma dose diária de aminoácidos à rotina, já que as quantidades usadas nos estudos, entre 2,5 g e 15 g por dia, se somam ao total de proteína da dieta. Em gestantes e lactantes, a segurança da suplementação em doses concentradas não está bem estabelecida, e a decisão cabe ao profissional que acompanha a gestação.
Não existe interação medicamentosa clássica bem documentada entre os peptídeos de colágeno e os medicamentos de uso contínuo, mas boa parte dos produtos do mercado combina colágeno com outros ativos, como biotina, extratos vegetais, vitamina C em dose alta e zinco, e é daí que costumam vir os problemas. A biotina em dose elevada interfere em exames laboratoriais feitos por imunoensaio, entre eles os de tireoide e o de troponina, e pode gerar resultados falsos; doses altas de vitamina C aumentam a excreção de oxalato e pedem cautela em quem já teve cálculo renal; o excesso prolongado de zinco compete com a absorção de cobre, justamente o mineral de que depende a enzima responsável por dar estrutura às fibras de elastina. Leia a lista completa de ingredientes e avise o médico sobre todos os suplementos em uso, principalmente antes de exames de sangue.
Os procedimentos estéticos têm contraindicações próprias e nenhum deles deve ser feito por conta própria em casa. Bioestimuladores injetáveis, microagulhamento, radiofrequência e ultrassom microfocado são desaconselhados quando há infecção ativa na área, como acne inflamatória ou herpes em crise, e também em pessoas com tendência a cicatrizes hipertróficas ou queloides, em quem usou isotretinoína oral nos meses anteriores e em casos de doença autoimune ou dermatose em fase descompensada. A radiofrequência pede cautela adicional em quem tem desfibrilador, marcapasso ou outro dispositivo eletrônico implantado, e a gestação é contraindicação de rotina para praticamente todas essas tecnologias, por ausência de estudos que garantam a segurança. Rolos de microagulhamento vendidos para uso doméstico trazem risco real de infecção e de cicatriz quando a assepsia e a profundidade das agulhas não são controladas. A indicação de cada técnica deve partir de um dermatologista, que vai considerar histórico, medicamentos em uso e tipo de pele antes de decidir.
Perguntas Frequentes sobre Colágeno e Elastina
O Que É Colágeno e Para Que Serve?
O colágeno é a proteína mais abundante do corpo humano e o principal componente estrutural da pele, dos ossos, dos tendões e de outros tecidos conjuntivos. Sua função é fornecer força, resistência e sustentação, mantendo a integridade e a firmeza desses tecidos; na pele, forma uma rede densa que ajuda a prevenir a flacidez e o aparecimento de rugas.
Qual a Diferença Entre Colágeno e Elastina?
O colágeno é responsável pela firmeza e pela resistência da pele, enquanto a elastina confere elasticidade, permitindo que a pele se estique e retorne à forma original sem se danificar. As duas proteínas trabalham juntas para manter a pele firme e flexível ao mesmo tempo.
A Partir de Que Idade a Produção de Colágeno Diminui?
A produção natural de colágeno começa a desacelerar por volta dos 25 anos e a queda se torna mais acentuada a partir dos 30, com perda estimada de cerca de 1% ao ano. Esse declínio é parte do envelhecimento natural, mas pode ser acelerado por exposição solar, tabagismo e má alimentação.
Quais Alimentos Ajudam a Aumentar o Colágeno?
Alimentos ricos em vitamina C, como laranja, acerola, kiwi e brócolis, são importantes porque essa vitamina é essencial para a síntese de colágeno. Uma dieta com boa oferta de proteínas de alta qualidade, como carnes, peixes e ovos, também fornece os aminoácidos necessários, como glicina e prolina.
O Colágeno Aplicado na Pele Funciona?
Não da mesma forma que a via oral: a produção de colágeno e elastina na pele não é estimulada diretamente pela aplicação tópica dessas proteínas em cremes, loções ou xampus. Para que o organismo processe os nutrientes, a via mais estudada é a alimentação ou a suplementação oral.
Suplemento de Colágeno Funciona Mesmo?
Um corpo crescente de evidências sugere que a suplementação com peptídeos de colágeno hidrolisado pode ajudar a melhorar a hidratação e a elasticidade da pele e a reduzir a profundidade das rugas, além de trazer possível benefício para a saúde das articulações. Os resultados costumam ser graduais e dependem da adesão ao uso.
Colágeno em Cápsula É Melhor Que em Pó?
Formulações em cápsula costumam ser associadas a uma absorção mais eficiente, por conter moléculas menores de aminoácidos, mas a diferença prática varia conforme o produto e a pessoa; o colágeno também é encontrado em comprimidos, gelatina e pó.
Quais os Melhores Tratamentos para Estimular o Colágeno?
O microagulhamento, a radiofrequência e o ultrassom microfocado são tecnologias que estimulam a produção de colágeno por meio de estímulos físicos ou térmicos. Bioestimuladores injetáveis, como o ácido poli-L-lático e a hidroxiapatita de cálcio, também são opções para um estímulo mais intenso e duradouro. A escolha do tratamento deve ser feita com um dermatologista.
O Sol Realmente Prejudica o Colágeno?
Sim, a radiação ultravioleta é considerada o principal fator externo de degradação do colágeno e da elastina, ativando enzimas que quebram essas fibras em um processo chamado fotoenvelhecimento. A exposição solar crônica e desprotegida é uma das principais causas do envelhecimento precoce da pele.
Fumar Afeta a Produção de Colágeno?
Sim. O tabagismo reduz o fluxo sanguíneo para a pele, privando-a de oxigênio e nutrientes, além de aumentar o estresse oxidativo e a produção de enzimas que degradam o colágeno, o que acelera o envelhecimento cutâneo e a formação de rugas.
Referências
Ver Todas as 13 Referências Citadas
Fontes Institucionais (8)
- GOV A Randomized Controlled Trial on the Efficacy of a Food Supplement in Improving Skin Properties
- GOV Oral Collagen Supplementation: A Systematic Review of Dermatological Applications
- GOV The Effect of Oral Collagen Peptide Supplements on Skin Moisture and the Dermal Collagen Network: Evidence From an Ex Vivo Model and Randomized Placebo-Controlled Clinical Trials
- GOV Skin Anti-Ageing Strategies
- GOV The Role of Elastin and Collagen in Cutaneous Aging: An Overview
- GOV Fibroblasts and Their Contribution to the Pathophysiology of Skin Fibrosis
- GOV The Role of Vitamin C in Skin Health
- GOV The Effect of Tobacco Smoking on the Skin
Leituras Complementares (5)
- Effects of a Nutritional Supplement Containing Collagen Peptides on Skin Elasticity, Hydration and Wrinkles
- Oral Collagen Supplementation and Skin Aging: A Narrative Review
- 2009 Skopinska-Wisniewska, J., et al. Surface characterization of collagen/elastin based biomaterials for tissue regeneration. Applied Surface Science, 2009;255(19):8286-8292.
- 1996 Bank, Alan J., et al. Contribution of collagen, elastin, and smooth muscle to in vivo human brachial artery wall stress and elastic modulus. Circulation, 1996;94(12):3263-3270.
- 1999 Hafemann, B., et al. Use of a collagen/elastin-membrane for the tissue engineering of dermis. Burns, 1999;25(5):373-384.






