Afrodisíacos

Maca-Peruana: Saiba para Que Serve a Raiz

Descubra os benefícios da maca-peruana (Lepidium meyenii) para a libido, a energia e o equilíbrio hormonal, com contraindicações e o modo de uso correto, segundo estudos científicos.

Por Conselho Editorial18 Min de Leitura
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Maca-Peruana - Lepidium meyenii - Lepidium peruvianum
Raízes de maca-peruana (Lepidium meyenii) in natura, exibindo suas diferentes colorações naturais. Planta adaptógena originária dos Andes peruanos.
Sumário do Artigo
  1. O Que É a Maca Peruana?
  2. A História Milenar da Maca nos Andes
  3. Composição Nutricional e Fitoquímica
  4. Maca Peruana para Aumentar a Libido
  5. Benefícios para a Fertilidade Masculina e Feminina
  6. Maca para Energia, Resistência e Desempenho Atlético
  7. Alívio dos Sintomas da Menopausa
  8. Efeitos no Humor, Ansiedade e Depressão
  9. Perguntas Frequentes sobre a Maca Peruana
  10. Como Usar a Maca Peruana
  11. Efeitos Colaterais e Contraindicações da Maca-Peruana

O Que É a Maca Peruana?

A maca-peruana (Lepidium meyenii, também classificada como Lepidium peruvianum) é uma planta medicinal nativa da região andina do Peru. É conhecida popularmente por vários nomes, entre eles ginseng-peruano, maca-andina, maca-ginseng, maca-pó e planta-maca (em inglês, peruvian maca). Cultivada há mais de dois mil anos pelos povos dos Andes, a raiz é utilizada tradicionalmente como alimento e como fortalecedor da energia, da resistência física e da libido sexual.

Nos últimos anos a maca peruana ganhou fama mundial como um superalimento. Seu perfil nutricional é denso, com carboidratos, proteínas, fibras, vitaminas e minerais essenciais. A raiz também contém compostos bioativos exclusivos, as macamidas e os macaenos, hoje apontados pela pesquisa científica como responsáveis por boa parte dos efeitos atribuídos à planta.

A maca-peruana é uma planta crucífera, da mesma família do brócolis e da couve-flor. Cresce exclusivamente na região central dos Andes peruanos, em condições extremas, entre 4.000 e 4.500 metros de altitude, em solo rochoso e clima severo. Suas flores se assemelham às da mostarda, o que costuma causar confusão entre as duas plantas quando vistas pela primeira vez.

A parte mais valiosa da planta é a raiz, que se assemelha a um rabanete ou nabo e pode ter diferentes cores, como amarela, vermelha e preta, cada uma com propriedades ligeiramente distintas: acredita-se que a raiz preta atue mais na memória, no foco e na contagem de espermatozoides, que a raiz vermelha esteja mais associada à saúde da próstata e dos ossos, e que a raiz amarela, a mais comum e a mais versátil, seja usada de forma mais geral para energia e equilíbrio hormonal.

Maca peruana branca e maca peruana vermelha

Tradicionalmente, a maca é um alimento básico na dieta andina. Depois de colhidas, as raízes são secas ao sol e podem ser armazenadas por anos. Para o consumo, são cozidas em água ou leite, resultando em um mingau doce e nutritivo, de sabor terroso e semelhante a nozes. Hoje, a forma mais comum de consumo é o pó da raiz seca, vendido como suplemento e adicionado a sucos, vitaminas e outros alimentos.

O interesse científico pela maca peruana cresceu nas últimas décadas, sobretudo por suas propriedades adaptogênicas: um adaptógeno ajuda o corpo a se adaptar ao estresse. A maca não contém hormônios em si; em vez disso, fornece nutrientes que apoiam a produção hormonal do próprio organismo. Diferentemente do guaraná e do café, não contém cafeína e não age diretamente sobre o sistema nervoso central, o que a torna uma alternativa natural para quem busca mais energia sem os efeitos estimulantes clássicos.

A História Milenar da Maca nos Andes

Evidências arqueológicas sugerem o cultivo da maca há mais de dois mil anos. Os povos pré-incas já conheciam e domesticaram a planta nas altas planícies andinas, valorizando sua capacidade de prosperar onde poucas outras culturas sobrevivem.

Durante o Império Inca, a maca ganhou status sagrado e era considerada um presente dos deuses. Seu consumo era muitas vezes restrito à nobreza e aos guerreiros: cronistas espanhóis relataram que os incas comiam maca antes das batalhas, na crença de que a raiz aumentava a força, a resistência e a vitalidade. A maca também era usada como forma de moeda no comércio andino.

Após a conquista espanhola, os colonizadores notaram os efeitos da planta na fertilidade do gado e passaram a utilizá-la para melhorar a reprodução dos rebanhos; a raiz chegou a ser usada para pagar impostos à coroa espanhola. Com o tempo, porém, seu cultivo diminuiu e a maca quase caiu no esquecimento fora das comunidades andinas mais remotas. Foi apenas no final do século XX que ela ressurgiu, impulsionada pelo interesse renovado em remédios naturais e superalimentos. A Lepidium spp. faz parte da família das Brassicaceae.

Composição Nutricional e Fitoquímica

A raiz seca em pó contém cerca de 60% a 75% de carboidratos, boa parte deles fibras dietéticas, além de aproximadamente 10% a 14% de proteína e cerca de 2,2% de lipídios, entre eles ácidos graxos essenciais como o linoleico e o oleico. Foram identificados cerca de 20 tipos de ácidos graxos livres na raiz, e os mais abundantes são o ácido palmítico, o ácido oleico, o ácido esteárico e o ácido linolênico. Essa combinação de macronutrientes fornece energia sustentada.

Raiz de maca peruana

A raiz também é fonte de vitaminas e minerais importantes. A vitamina C fornece ação antioxidante, a tiamina (vitamina B1) auxilia na conversão dos carboidratos em energia, a riboflavina (vitamina B2) contribui para o crescimento do corpo e para a produção de glóbulos vermelhos, a niacina (vitamina B3) atua na saúde da circulação sanguínea e a vitamina B6 apoia a função nervosa. Entre os minerais, o cálcio favorece o desenvolvimento ósseo e a saúde do sistema circulatório e nervoso, o fósforo age em conjunto com o cálcio na transmissão de estímulos elétricos no sistema nervoso, o magnésio é essencial para a síntese de proteínas e para a atividade muscular e cardíaca, e a raiz ainda fornece potássio, sódio, cobre, zinco e ferro.

O que torna a maca peruana verdadeiramente única, porém, são seus compostos bioativos. Ela contém alcaloides específicos, as macamidas e os macaenos, apontados como os principais responsáveis por seus efeitos, além de aminoácidos essenciais que sustentam diversas funções celulares, incluindo as funções sexuais e de fertilidade. A raiz também possui fitoesteróis, como o sitosterol e o campesterol, associados à redução do colesterol, e glucosinolatos, compostos com propriedades antioxidantes e anticancerígenas encontrados em outros vegetais crucíferos.

Maca Peruana para Aumentar a Libido

Um dos usos mais tradicionais da maca peruana é como afrodisíaco, para aumentar o desejo sexual. Estudos científicos começaram a investigar essa propriedade, com resultados promissores: a maca parece aumentar a libido em homens e mulheres, sem alterar diretamente os níveis de hormônios sexuais como a testosterona ou o estrogênio.

Uma revisão de estudos clínicos sobre a maca e a disfunção sexual encontrou evidências de melhora no desejo sexual. Em um estudo específico, homens saudáveis que tomaram maca por oito semanas relataram aumento significativo na libido. Outra pesquisa, com mulheres na pós-menopausa, mostrou que a maca ajudou a reduzir a disfunção sexual e a melhorar o desejo. Os mecanismos exatos ainda não são totalmente compreendidos, mas acredita-se que as macamidas desempenhem papel importante.

Os efeitos costumam não ser imediatos: a maioria dos estudos mostra benefícios após várias semanas de uso contínuo, e a dosagem também parece influenciar o resultado. Relatos tradicionais de uso também descrevem ereções mais firmes e de maior duração em homens, contribuindo para a sensação de prazer nas relações sexuais, além de alívio para quadros de impotência e perda de libido. A maca é geralmente considerada segura para a maioria das pessoas, mas vale consultar um profissional de saúde, especialmente para quem já tem alguma condição médica preexistente.

Benefícios para a Fertilidade Masculina e Feminina

Além de aumentar a libido, a maca peruana é tradicionalmente usada para melhorar a fertilidade, uso que também já foi alvo de pesquisa científica, tanto na fertilidade masculina quanto na feminina.

Nos homens, os estudos se concentraram na qualidade do sêmen. Em um estudo clínico, após quatro meses de suplementação, os participantes mostraram aumento no volume de sêmen, além de melhora na contagem e na motilidade dos espermatozoides, capacidade essencial para a fertilização. Nesses estudos, a maca não alterou os níveis hormonais, o que sugere um mecanismo de ação diferente de outras terapias.

Nas mulheres, a evidência ainda está em estágios iniciais. O uso tradicional sugere que a maca pode ajudar a equilibrar os hormônios, fundamental para um ciclo menstrual regular e para a ovulação. Estudos em animais mostraram resultados promissores, com melhora da saúde reprodutiva e aumento no tamanho da prole, mas mais pesquisas em humanos ainda são necessárias. Mulheres que tentam engravidar devem conversar com seus médicos antes de usar a maca: ela pode ser uma ferramenta de apoio, mas não substitui o acompanhamento médico especializado.

Maca para Energia, Resistência e Desempenho Atlético

A maca peruana é frequentemente promovida como energizante natural, buscada por atletas e pessoas ativas para melhorar a resistência e o desempenho físico, um uso ligado à sua reputação histórica entre os guerreiros incas. A ciência moderna começa a explorar essa alegação, com resultados que sugerem que a maca pode, de fato, ajudar a combater a fadiga e aumentar a energia.

Estudos em animais mostraram que ratos que receberam extrato de maca conseguiram nadar por mais tempo e apresentaram maior resistência em testes de esforço físico. Em humanos, um estudo com ciclistas mostrou que, após 14 dias de suplementação, os atletas melhoraram o tempo em uma corrida de 40 km, além de relatarem aumento no desejo sexual como benefício adicional.

O mecanismo por trás do efeito energizante não é totalmente claro. A maca não é um estimulante como a cafeína e não age diretamente sobre o sistema nervoso central; seu rico perfil nutricional, com carboidratos complexos e proteínas, parece fornecer energia sustentada, enquanto suas propriedades adaptogênicas ajudam o corpo a lidar melhor com o estresse físico, apoiando as glândulas adrenais e prevenindo o esgotamento.

Alívio dos Sintomas da Menopausa

Além do uso na menopausa, a maca peruana é tradicionalmente empregada por mulheres em outras fases da vida reprodutiva, incluindo o alívio de cólicas, de oscilações de humor e de outros desconfortos ligados à tensão pré-menstrual e à irregularidade do ciclo menstrual.

A menopausa em si é uma transição natural na vida da mulher, que pode trazer sintomas desconfortáveis como ondas de calor, suores noturnos, alterações de humor, fadiga e mudanças no sono. A maca peruana tem sido estudada como alternativa natural para aliviar esses sintomas: ela não fornece estrogênio ao corpo, mas parece nutrir o sistema endócrino para que ele se regule por conta própria.

Um estudo clínico randomizado e duplo-cego acompanhou mulheres na pós-menopausa que tomaram maca ou placebo. O grupo que consumiu maca relatou redução significativa nos sintomas, com menos ondas de calor e suores noturnos, além de melhorias no humor, na energia e na pressão arterial, fator importante para a saúde cardiovascular nessa fase da vida. Os pesquisadores concluíram que a maca pode ser uma opção eficaz para gerenciar o desconforto da menopausa sem os riscos associados à terapia de reposição hormonal.

Efeitos no Humor, Ansiedade e Depressão

Os benefícios da maca peruana vão além da saúde física: a planta também parece ter impacto positivo na saúde mental, com relatos de melhora do humor e redução da ansiedade. Esses efeitos podem estar ligados às suas propriedades adaptogênicas, já que ajudar o corpo a lidar com o estresse pode promover sensação de bem-estar. Os flavonoides presentes na maca, conhecidos por efeitos neuroprotetores, também podem desempenhar um papel nesse processo.

Um estudo com mulheres na pós-menopausa observou os efeitos da maca no humor: as participantes que tomaram a raiz relataram redução significativa nos sintomas de ansiedade e depressão, efeito que se mostrou independente das alterações hormonais, sugerindo atuação direta em vias cerebrais relacionadas ao humor.

Outro estudo comparou os efeitos das variedades preta, vermelha e amarela da maca em ratos. Todas mostraram efeitos antidepressivos, e a maca preta pareceu ser a mais eficaz na melhora do humor e da função cognitiva. Embora mais pesquisas em humanos sejam necessárias, os resultados são promissores para quem busca suporte natural à saúde mental.

Perguntas Frequentes sobre a Maca Peruana

Quanto Tempo a Maca Peruana Leva para Fazer Efeito?

A maca peruana não é um composto de ação imediata. Seus efeitos são cumulativos e costumam se tornar perceptíveis depois de algumas semanas de uso contínuo, geralmente entre 4 e 12 semanas segundo os estudos clínicos. A resposta varia de pessoa para pessoa, conforme dosagem, metabolismo e consistência no uso.

Qual o Melhor Horário para Tomar Maca Peruana?

Não há um horário estritamente definido como o melhor. Muitas pessoas preferem tomar a maca pela manhã, aproveitando seus efeitos energizantes para combater a fadiga e melhorar a disposição ao longo do dia. Tomá-la à noite pode, em pessoas mais sensíveis, interferir no sono. Vale experimentar e observar o que funciona melhor para cada organismo.

Maca Peruana Ajuda a Emagrecer?

A maca peruana não é um suplemento voltado diretamente para a perda de peso, mas pode ajudar de forma indireta. Seu teor de fibras aumenta a sensação de saciedade, contribuindo para o controle do apetite, e o aumento de energia pode motivar a prática de atividades físicas. Um estilo de vida saudável, com dieta equilibrada e exercícios, continua sendo fundamental para o emagrecimento.

Homens e Mulheres Podem Tomar Maca Peruana?

Sim, a maca peruana é indicada para ambos os sexos. Nos homens, é mais conhecida por melhorar a libido, a qualidade do sêmen e a energia. Nas mulheres, ajuda a aliviar os sintomas da menopausa e da TPM, equilibra os hormônios e também aumenta o desejo sexual.

Qual a Diferença entre a Maca Amarela, Vermelha e Preta?

As diferentes cores da raiz de maca têm perfis fitoquímicos ligeiramente distintos. A maca amarela é a mais comum e é usada para energia e equilíbrio hormonal geral. A maca vermelha é conhecida por seus benefícios para a saúde da próstata e dos ossos. A maca preta é a variedade mais frequentemente associada à memória, ao foco e à contagem de espermatozoides, embora as evidências disponíveis ainda sejam limitadas. A escolha pode depender do objetivo de saúde específico de cada pessoa.

Maca Peruana Aumenta a Testosterona?

Apesar da forte associação com a libido e a função sexual, os estudos mostram que a maca peruana não aumenta diretamente os níveis de testosterona. Seu mecanismo de ação parece atuar no sistema endócrino como um todo, ajudando o corpo a regular sua própria produção hormonal, sem causar dependência hormonal.

Crianças e Adolescentes Podem Consumir Maca?

Nos Andes, a maca é consumida como alimento por pessoas de todas as idades. Como suplemento concentrado, porém, seu uso em crianças e adolescentes deve ser cauteloso, já que não há estudos de segurança suficientes para essa faixa etária. O ideal é consultar um pediatra ou profissional de saúde antes de oferecer maca peruana a menores de 18 anos.

Maca Peruana Interfere com Anticoncepcionais?

Não há evidências científicas conclusivas de que a maca interfira na eficácia dos anticoncepcionais hormonais. Como pode influenciar o sistema endócrino, porém, é prudente ter cautela: quem usa métodos contraceptivos hormonais deve conversar com o médico antes de iniciar o uso da maca.

Como Usar a Maca Peruana

A forma mais comum de encontrar a maca peruana é em pó, que pode ser facilmente incorporado à rotina diária. A dosagem recomendada geralmente varia de 1,5 a 5 gramas por dia, e o ideal é começar com uma dose menor e aumentar gradualmente. O pó pode ser adicionado a vitaminas, sucos, iogurtes ou até em receitas de bolos e pães; seu sabor terroso combina bem com frutas como banana e com chocolate.

Em cápsulas, é comum a recomendação de duas unidades antes das principais refeições, mas a quantidade varia conforme a concentração de cada produto, e o ideal é seguir as orientações do fabricante. Outra forma de consumo, menos comum fora dos Andes, é a raiz inteira: as raízes secas podem ser cozidas em água ou leite para fazer um mingau nutritivo, seguindo o método tradicional. É importante cozinhar a raiz antes de consumi-la, pois crua é fibrosa e pode irritar a mucosa gástrica.

Efeitos Colaterais e Contraindicações da Maca-Peruana

A raiz da planta tem uma longa história de uso sem problemas relevantes de toxicidade, fazendo parte da dieta diária de muitos peruanos nativos desde antes da chegada dos espanhóis. A maca peruana é considerada segura para a maioria das pessoas quando consumida em doses moderadas.

Ao iniciar o uso, alguns efeitos colaterais leves podem ocorrer, como desconforto gastrointestinal, gases ou inchaço, especialmente em pessoas acostumadas a uma dieta baseada em alimentos processados e cozidos; pessoas com sensibilidade a vegetais crucíferos podem ter mais chance de sentir esses sintomas. Começar com uma dose baixa costuma ajudar a minimizá-los.

Existem grupos que devem ter atenção redobrada. Pessoas com problemas de tireoide devem ter cautela, já que a maca contém goitrogênicos, substâncias que podem interferir na função da tireoide, principalmente em quem tem deficiência de iodo. Devido à sua influência sobre o sistema hormonal, pessoas com condições sensíveis a hormônios, como câncer de mama ou de próstata, devem evitar o uso. Pessoas com doenças hepáticas (como insuficiência hepática, cirrose ou hepatite), doenças renais (como insuficiência renal) ou alergias a alimentos, corantes e conservantes só devem usar a maca com recomendação médica. Gestantes e lactantes também devem evitar a maca por falta de estudos de segurança suficientes.

Referências

14 Referências Citadas

Baseado em 14 Referências Citadas (14 Complementares).

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